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Quando se fala em saneamento ambiental remete-se imediatamente a condições de higiene e ao direito à saúde, o qual está relacionado ao bem-estar, físico, mental e social e degradação do ambiente urbano afeta diretamente esses fatores.

Saneamento pode ser entendido como o conjunto de medidas para modificar as condições do meio ambiente, com o fim de prevenir doenças, apresentando-se fundamental à preservação da saúde229. Constituem-se sistema de saneamento básico os sistemas de águas residuárias, de abastecimento de águas, de limpeza e de drenagem urbana devendo, as ações sanitaristas serem realizadas de forma diferenciada, de acordo com as características sociais, econômicas e culturais230 de cada comunidade urbana.

O saneamento ambiental está diretamente relacionado ao abastecimento de água potável e a ausência de um sistema de tratamento de esgoto adequada pode acarretar na poluição do manancial de águas existente nas cidades. Por isso o

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MARICATO, Ermínia. Reabilitação de Centros Urbanos e Habitação Social. In: Brasil, Cidades: Alternativas para a crise urbana. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002, p.125-151.

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MENEZES, Luiz Carlos C. Considerações sobre saneamento básico, saúde pública e qualidade de vida. Revista Engenharia Sanitária e Ambiental, Rio de Janeiro, v.23, n.1, jan/mar. 1984, p.55-61, p.57.

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PHILIPPI JR., Arlindo; MALHEIROS, Tadeu Fabrício. Saneamento e saúde pública: integrando homens a ambiente. In: PHILIPPI JR., Arlindo (editor). Saneamento, saúde e ambiente: fundamentos para um desenvolvimento sustentável. Barieri: Manole,2005, p.22.

saneamento está previsto como um dos indicadores de qualidade de vida da população é, por isso, face de inclusão e consubstancia-se em um direito de natureza fundamental condicionante.

De acordo com o Ministério das Cidades231, desde 1972, a cobertura de abastecimento urbano de água passou de aproximadamente 42% (quarenta e dois por cento) para 97% (noventa e sete por cento). Entretanto, a cobertura da rede de esgotos não conseguiu acompanhar o mesmo ritmo, abrangendo, em 2007, sessenta e oito por cento dos domicílios. Vale destacar, com tudo, as regiões brasileiras apresentam dados discrepantes: enquanto que no Sudeste a cobertura sanitária é de quase 90% (noventa por cento), nas regiões Nordeste e Centro-Oeste não passa de aproximadamente 50% (cinquenta por cento)232.

No último senso realizado, o IBGE233 considerou como domicílio com

saneamento adequado “aquele domicílio com escoadouro ligado à rede geral ou à fossa

séptica, servido de água proveniente de rede geral de abastecimento e com destino do

lixo coletado diretamente ou indiretamente pelos serviços de limpeza”. Assim,

constatou que ocorreu um significativo crescimento - 45,3% (quarenta e cinco vírgula três por cento) para 61,8% (sessenta e um vírgula oito por cento) - da proporção de domicílios com saneamento adequado entre 1991 e 2010. Entretanto, esse órgão também constatou expressivas desigualdades espaciais quando comparou as condições de saneamento entre os municípios por Grandes Regiões: na Região Norte do País, por exemplo, apenas 22,4% (vinte e dois vírgula quatro por cento) dos domicílios apresentam condições adequadas de saneamento, enquanto na Região Sudeste esta proporção se eleva para 82,3% (oitenta e dois vírgula três por cento).

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INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA-IPEA. Infraestrutura social e urbana no Brasil. Brasília: IPEA, 2011, p.17.

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No eixo do saneamento ambiental, as políticas promovidas pelo Ministério das Cidades, são cinco. Todas são financiadas através do Orçamento Geral da União, com exceção do último, cuja fonte é o FGTS e o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT): i) Serviços Urbanos de Água e Esgoto: busca implantar, ampliar e melhorar sistemas de abastecimento de água e de coleta de esgotos; ii) Resíduos Sólidos Urbanos: busca implantar e ampliar acondicionamento, coleta, disposição final e tratamento de resíduos sólidos urbanos, visando a inclusão e emancipação econômica dos catadores e encerramento dos lixões iii) Drenagem Urbana Sustentável: busca promover gestão sustentável da drenagem urbana, em consonância com uso e recuperação do solo; iv) Gestão de Política de Desenvolvimento Urbano (Pró- municípios) tem como esteio a implantação e melhoria de obras de infraestrutura urbanos Municípios; e v) Saneamento para todos: almeja a integração e articulação das ações de saneamento com outras políticas, através de seleção pública do PAC.(MINISTÉRIO DAS CIDADES. Programas e ações do Ministério das Cidades. Brasília: Governo Federal, 2011, p. 56)

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MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO ORÇAMENTO E GESTÃO. Indicadores sociais municipais: uma análise dos resultados do universo do censo demográfico 2010. Rio de Janeiro: IBGE, 2011.

A Lei de Diretrizes Nacional para o Saneamento Básico – Lei n°11.445/2007- mostra-se como importante instrumento jurídico social para universalização da rede abastecimento de esgotos, por meio da articulação com as políticas de desenvolvimento urbano e regional, de combate e erradicação da pobreza, de habitação, de proteção ambiental, de promoção da saúde e outras de relevante interesse social voltado para a melhoria da qualidade de vida, buscando a eficiência e sustentabilidade econômica, utilizando tecnologias apropriadas e considerando a capacidade de pagamento dos usuários234.

Para tanto, a respectiva lei apresenta como instrumentos, dentre outros, o planejamento - a curto, médio e longo prazo, acompanhados por mecanismos de averiguação de cumprimento235 -, a regulação e a participação de órgãos colegiados estaduais e municipais no controle social. Estes devem ser compostos por: titulares dos serviços; órgãos governamentais relacionados ao setor de saneamento básico; dos prestadores de serviços públicos de saneamento básico; usuários de serviços de saneamento básico; e de entidades técnicas, organizações da sociedade civil e de defesa do consumidor relacionadas ao setor de saneamento básico236.

Importante observar que a regulação apresenta como objetivos buscar a padronização e normas para a adequada prestação dos serviços e para a satisfação dos usuários, garantindo o cumprimento das condições e metas estabelecidas, bem como

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Brasil, Lei Federal n°11.445/2007, Art. 2o Os serviços públicos de saneamento básico serão prestados com base nos seguintes princípios fundamentais: I - universalização do acesso; II - integralidade, compreendida como o conjunto de todas as atividades e componentes de cada um dos diversos serviços de saneamento básico, propiciando à população o acesso na conformidade de suas necessidades e maximizando a eficácia das ações e resultados; III - abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos realizados de formas adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente; [...];XII - integração das infra-estruturas e serviços com a gestão eficiente dos recursos hídricos.

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Brasil, Lei Federal n°11.445/2007, Art. 19. A prestação de serviços públicos de saneamento básico observará plano, que poderá ser específico para cada serviço, o qual abrangerá, no mínimo:I - diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e apontando as causas das deficiências detectadas;II - objetivos e metas de curto, médio e longo prazos para a universalização, admitidas soluções graduais e progressivas, observando a compatibilidade com os demais planos setoriais;III - programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas, de modo compatível com os respectivos planos plurianuais e com outros planos governamentais correlatos, identificando possíveis fontes de financiamento;IV - ações para emergências e contingências;V - mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e eficácia das ações programadas.

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Brasil, Lei Federal n°11.445/2007, art. 47. O controle social dos serviços públicos de saneamento básico poderá incluir a participação de órgãos colegiados de caráter consultivo, estaduais, do Distrito Federal e municipais, assegurada a representação: I - dos titulares dos serviços; II - de órgãos governamentais relacionados ao setor de saneamento básico;III - dos prestadores de serviços públicos de saneamento básico;IV - dos usuários de serviços de saneamento básico; V - de entidades técnicas, organizações da sociedade civil e de defesa do consumidor relacionadas ao setor de saneamento básico.

prevenindo e reprimindo o abuso do poder econômico, através da fixação de tarifas as quais possam assegurar o equilíbrio econômico e financeiro dos contratos e a modicidade tarifária, mediante mecanismos que induzam a eficiência e eficácia dos serviços e que permitam a apropriação social dos ganhos de produtividade237.

Isso significa, portanto, que para efetivação e alcance de eficiência da implantação e manutenção do saneamento ambiental urbano o ordenamento jurídico propôs a descentralização da gestão, compartilhando poderes e possibilitando a participação direta da sociedade.

Benzer Belgeler