BÖLÜM 3: RUSYA’NIN GENEL KAFKASYA POLĐTĐKASI (YAKIN
4.5. Türkiye
1903
– O dirigível concebido por José do Patrocínio (ver seção 4.0.1.) tomava forma em um galpão no bairro de Inhaúma. De acordo com BARROS (2006, p.180),
Era de concepção nova, em que não estava previsto o uso de lastro de qualquer espécie. O equilíbrio seria obtido pela ação de hélices
cuidadosamente localizadas. O balão estava sendo financiado com o auxílio de recursos federais.
Se tivesse sido finalizado, o dirigível Santa Cruz teria 45 m de comprimento por 9m de diâmetro. Sua construção se arrastava desde o final do século XIX. José do Patrocínio investiu todos os recursos disponíveis, vendendo todos os seus bens para financiar sua construção, o que o levou à completa penúria no processo. O galpão onde a aeronave era construída foi visitado por Santos Dumont e pelo então Presidente da República, Campos Sales. José do Patrocínio faleceu em 1905; os restos do Santa Cruz foram vendidos como sucata.
1913
– O aviador Lopes Cansado construiu nas oficinas do Campo dos Afonsos o protótipo de uma aeronave, batizado de Christina. O avião usava motor e componentes de fabricação
francesa, mas o projeto era de sua autoria (baseado em planos de um Blériot). Existe uma controvérsia quanto ao seu estágio final de desenvolvimento visto que a foto mostra o protótipo inacabado. Alguns autores afirmam que a aeronave foi terminada e realizou vários voos, mas pouco se sabe sobre seu destino final.
Figura 606 – Aeronave Christina. Foto: Pereira, 1997.
1914
– João d’Al ea o st ói o protótipo de um monoplano (reportagem na revista Fom Fom de novembro de 1914). O avião foi testado no Campo dos Afonsos e mostrou-se bastante estável. Segundo BARROS (Ibid, p. 200), [...] o Alvear ficou para a história como o primeiro avião prático de p ojeto e o st ução asilei a. Um segundo protótipo com dois lugares foi construído, mas acabou destruído durante seu voo inaugural realizado no Derby Club do Rio de Janeiro. Foi patenteado sob o número 8564, 23/12/1914. Cabe comentar que o primeiro voo de uma aeronave construída no Brasil aconteceu em São Paulo (Osasco), em 1910, mas a aeronave São Paulo, projetada e construída por Demetrie Sensaud de Lavaud, era
Figura 607 – Aeronave Alvear. Foto: Pereira, 1997.
1918
– O industrial português Joaquim Pedro Domingues da Silva, diretor da fábrica de móveis Red Star e membro da diretoria do Aero Club Brasileiro, resolve iniciar a fabricação de hélices para aeronaves. Testes bem-sucedidos foram realizados com a Hélice Radical na presença de oficiais militares, representantes do Clube de Engenharia e do governo, mas a fabricação de hélices não teve continuidade.
Figura 608 – Hélice Radical. Foto: Revista da Semana, 1918. Coleção do autor.
1940
– A Companhia Nacional de Navegação Aérea (ver seção 4.2.11.3) projeta o HL-1, também produzido em série. Essa bem-sucedida família de aeronaves, utilizadas para treinamento, ligação e turismo foi fabricada nas versões HL-1, HL-1A, HL-1B e HL-1C, perfazendo um total de cerca de 140 unidades produzidas. Três unidades do modelo HL-1 foram utilizadas pela
FAB de 1942 a 1953. Um exemplar foi doado ao piloto paraguaio Elias Navarro. Tratava-se de uma aeronave especialmente modificada, dotada de tanques extras de combustível e seria utilizada para a quebra de recordes. Com ele, Navarro realizou um voo entre Rio e Buenos Aires e outro entre Assunção e o Rio, batendo recordes sul-americanos e mundiais para aeronaves de sua classe. Várias unidades foram exportadas para o Paraguai, Bolívia, Uruguai e Chile.
Figura 609 - A imagem mostra o HL-1 sobrevoando a Ilha do Viana, sede da CNNA. Pintura do artista plástico norte-americano Stephen Calhoun Smith, reproduzida sob forma de material publicitário. Foto: Revista Avião, 1942. Coleção do autor.
– Mário Torres, ex-oficial da aviação naval cria o avião Torres 5 Mutuca, construído numa garagem em Bonsucesso, configurando assim um caso de fabricação puramente artesanal, a
ha ada i dúst ia de fu do de ui tal . Torres já havia projetado e construído hélices e quatro outros aviões, mas o Mutuca foi sua criação mais bem-sucedida. A fuselagem era feita de tubos de aço soldados e recoberta de tela enquanto as asas e o leme foram confeccionados em freijó. O avião realizou seu primeiro voo no Aeroclube do Brasil, em Manguinhos, no dia 30 de dezembro de 1940.
Figura 610 - A imagem mostra o Mutuca junto com seu criador e seu piloto de testes. Foto: Revista Flap Internacional, fevereiro 1976.
1942
– É realizado o primeiro voo do protótipo do HL-6, outra aeronave fabricada em vários modelos (HL-6, HL-6A, HL-6B e HL-6B Cauré), perfazendo um total de 51 unidades.
Figura 611 - No verso do original, pode-se ler Companhia Nacional de Navegação Aérea – Organização Henrique Lage – Patrimônio Nacional . Foto: Coleção do autor.
– O suboficial da FAB, sargento R. Caldas, projetou um avião monoplace dotado de asas dobráveis que facilitavam seu transporte e acomodação em hangares. Iniciativas como essa e o Mutuca evidenciam que, tal como na indústria automotiva, também existiram casos de aeronaves concebidas e fabricadas fora do ambiente industrial no Rio de Janeiro.
1943
– Voa o protótipo do HL-8, o primeiro trimotor brasileiro, projeto da fábrica de Henrique Lage. Foi concebido como avião comercial com a capacidade para até dez passageiros, mas não chegou a ser produzido em série.
Figura 612 – Desenho de três vistas do HL-8. Foto: Brigole, 1943. Coleção do autor.
1948
– Em 30 de novembro de 1948 desaparecia a primeira indústria aeronáutica brasileira, a CNA. Ao longo de sua existência produziu 234 aeronaves de diversos modelos.
4.1.10.3.2 ultraleves
1980
– A Ultraleve Indústria e Comércio Ltda. fabrica o Gavião, um ultraleve monoplano de asa alta e estrutura tubular metálica recoberta de fibra de vidro. Poucos exemplares foram produzidos.
Figura 613 – Gavião. Foto: Pereira, 1997.
1982
– Criada por um grupo de pilotos e empresários a Microleve, empresa carioca que se
dedicou à fabricação de aeronaves ultraleves. Inicialmente a Microleve produziu sob licença o ultraleve QuickSilver MX, uma aeronave projetada nos EUA. A empresa viria a se tornar a maior fabricante de aeronaves ultraleves da América Latina. Assim, inicia-se um novo ciclo
da indústria aeronáutica carioca, dessa feita na categoria de aeronaves esportivas e de lazer. É interessante notar que a configuração geral dos ultraleves vistos nesta seção (aeronaves de estrutura aberta, com asas recobertas de tecido e passíveis de serem montadas por seus próprios donos) resgata soluções originalmente propostas por Santos Dumont em seu
Demoiselle (projeto Nº 19) de 1907. Santos Dumont aperfeiçoou seu invento e jamais
requereu patente, permitindo assim que qualquer aficionado pudesse fabricá-lo, iniciando assim a febre dos ultraleves. Segundo Ja et 006, p. Alberto Santos-Du o t’s deli ate De oiselle Da selfl o opla e as the t ue a esto of all ult alights. O delicado monoplano Demoiselle (Donzela) foi o verdadeiro ancestral de todos os ultraleves. (Jarrett, 2006, p. 32, tradução nossa)
Figura 614 -Versão aperfeiçoada do Demoiselle (projeto Nº 20) exposto no Grand Palais (Paris), em 1909. Foto: Barros, 2003.
1986
– A partir de um processo de aperfeiçoamento do Quicksilver MX, a Microleve projeta sua primeira aeronave de projeto 100% nacional, conhecida como ML-200.
Figura 615 - Microleve ML -200. Observar a estrutura aberta e a pequena carenagem cobrindo apenas uma parte do posto de pilotagem. Foto: Pereira, 1997.
– A Microleve lança o modelo ML-300, destinado tanto ao voo esportivo quanto para outras atividades como patrulhamento de fazendas e rebanhos e pulverização agrícola. Esta nova
possibilidade de emprego da aeronave (além do voo desportivo) era uma característica inovadora e até então não explorada no Brasil. Foi um dos mais bem-sucedidos ultraleves brasileiros.
Figura 616 – O Microleve ML-300 dispunha de dois assentos dispostos lado a lado. Foto: Pereira, 1997.
1988
– A Microleve apresenta mais um projeto inovador: o ultraleve anfíbio Corsário. Ao contrário de seus antecessores que dispunham de estrutura tubular aberta, o Corsário incorporava uma fuselagem de fibra de vidro. Graças ao trem de pouso escamoteável, ele também podia pousar em terra. Cabe comentar que a partir de aeronaves como esta, o conceito original de Santos Dumont começa a dar lugar a aeronaves cada vez mais
sofisticadas e complexas, aproximando-se assim do design tradicional de pequenos aviões. 1990
– Caracterizando o processo de constante aperfeiçoamento e evolução de suas aeronaves, a Microleve lança o Corsário MK II, com o casco redesenhado e o ML-400, um ultraleve biplace dotado de cabine carenada.
Figura 617 - Vista aérea do Corsário Mk II. Já é possível distinguir a configuração básica de um hidravião
tradicional. Foto: Pereira, 1997. Figura 618 - O Microleve ML-400. É importante salientar que as transformações de design percebidas no design dos ultraleves também se justificavam pelo emprego de novos materiais e tecnologias de fabricação. Foto: Pereira, 1997.
1993
– O processo que levou à criação de empresas dedicadas à fabricação de ultraleves no Rio de Janeiro geralmente iniciava-se a partir da fabricação, sob licença, de aeronaves produzidas no exterior. Esta foi a origem da Vector Ultralight que entrou no mercado com o modelo Fox
Mono, originalmente projetado nos EUA. Tomando como base projetos estrangeiros, as
empresas nacionais, incluindo a Vector, iniciaram um processo de aperfeiçoamento e modificações que acabaria por levar a projetos quase que inteiramente projetados no Brasil e não raro apresentando características de desempenho melhores do que aquelas presentes nos projetos que lhes deram origem. Este era o caso do Fox V4, dotado de cabine aberta para dois tripulantes.
Figura 619 - Detalhe de material publicitário do Fox V4. A carenagem da cabine era fabricada em fibra de vidro. Foto. Revista Flap Internacional, 1993.
– A Vector apresenta mais um modelo de ultraleve baseado em sua bem-sucedida linha de produtos. O modelo Fox V5 apresentava uma configuração de cabine com os dois tripulantes instalados lado a lado. Muitos usuários davam preferência a este arranjo em lugar da
configuração tandem (assentos montados longitudinalmente), pois permitiria uma comunicação mais eficiente entre os dois tripulantes.
Figura 620 - Detalhe de material publicitário do Fox V5. A imagem mostra claramente o novo design da cabine de tripulantes com os assentos montados lado a lado. Foto: Revista Flap Internacional, 1995.
1998
– Iniciam-se o projeto e a construção do protótipo de uma nova aeronave desportiva carioca, o SeaMax, fabricado pela Airmax Construções Aeronáuticas Ltda. e projetado por Miguel de Oliveira de Fonseca Rosário. De acordo com o site da empresa
(www.airmax.com.br):
A concepção do design exterior do Sea Max foi um desafio, pela harmonia entre sua beleza e suas eficiências hidrodinâmica e aerodinâmica. Desde o início de sua concepção o objetivo era projetar uma aeronave singular que além de ter uma ótima performance em voo e na água, teria um design moderno e sutil.
É surpreendente a afirmativa de que a forma externa da aeronave também tivesse sido concebida levando em conta considerações estéticas. Existem pouquíssimas instâncias em que designers tenham interferido de forma minimamente significativa na definição da forma externa de aeronaves. Este é um território praticamente exclusivo dos engenheiros
aeronáuticos. A afirmativa parece estar mais sintonizada com o discurso publicitário, mas esta não era a única menção ao design na apresentação da aeronave:
O design interior foi planejado considerando conforto e acessibilidade dos comandos, que foram dispostos em pontos estratégicos apresentando acionamentos simples rápidos e eficientes. (www.airmax.com.br)
Neste caso não existiria nenhuma dúvida, o projeto de painéis de controle aeronáutico é uma das instâncias onde o trabalho do desenhista industrial é imprescindível.
Figura 621 - O SeaMax assume definitivamente a linguagem formal de um pequeno avião. Foto: http://www.airmax.com.br/galeria/airmax/images/foto16.jpg.
2000
– A Microleve inicia os de testes de uma nova versão do Corsário, naquela época a aeronave anfíbia mais vendida no Brasil. O Corsário MK-5 realizou os primeiros ensaios em voo, incluindo testes no solo e na água, montado com motor Rotax de 100 HP. Os primeiros aparelhos foram exportados para a Coreia do Sul.
Figura 622 - O anfíbio Corsário Mk-5. Esta versão aproxima-se mais ainda da configuração de u a ião e i iatu a , ao i o po a u a a i e fe hada. Foto: http://www.microleve.com.br/images/corsmk41.jpg.
4.1.10.3.3 planadores
1945
– O piloto José Carlos de Barros Neiva projeta e constrói no Aeroporto de Manguinhos um planador biplace de treinamento chamado Monitor. Após testes realizados no Ministério da
Aeronáutica ele foi homologado (em 1950) e colocado em produção. Até 1955 vinte exemplares tinham sido produzidos. Seu design refletia as técnicas de fabricação baseadas no uso de madeira compensada.
Figura 623 - O design do Monitor ainda não apresentava o refinamento aerodinâmico visto em outros modelos analisados nesta seção. Foto: http://i53.tinypic.com/2928j21.jpg.
1953
– Antônio de Almeida Barros projeta um planador de competição, o AB-1, inteiramente construído com madeiras nacionais. Participou do Campeonato de Voo a vela em 1954, onde obteve um excelente desempenho, o que levou à encomenda de três unidades.
Figura 624 - Neste modelo já se percebe uma integração mais harmoniosa entre a asa e a fuselagem. Foto: Pereira, 1997.
1955
– José Carlos Neiva projeta um novo modelo de planador, o BN-1, uma versão aperfeiçoada do planador AB-1, projetado por seu primo, Antônio de Almeida Barros. A nova versão também era fabricada em madeira compensado, mas seu design demonstrava um
acentuado refinamento aerodinâmico. Após este projeto Neiva transferiu sua fábrica para São Paulo.
Figura 625 - Neste modelo o piloto ainda mantinha uma postura ereta, mas a integração entre asa e fuselagem era feita de maneira mais eficiente. O prolongamento do leme ao longo do dorso da fuselagem, longe de ser um capricho estético, resultava em melhor controle lateral. Foto: Pereira, 1997.
1958
– Antônio de Almeida Barros projeta o planador Fofoquinha. O protótipo foi doado ao Clube de Voo a Vela do Rio de Janeiro. Neste planador é possível perceber que a busca pela
máxima eficiência aerodinâmica determina a diminuição da área frontal da aeronave, o que, por sua vez, implica em posicionar o piloto em uma posição reclinada, permitindo assim diminuir o diâmetro total da fuselagem.
Figura 626 - O planador Fofoquinha. Foto: Pereira, 1997.
Conclusões
Aeronaves são uma categoria de produtos cujo projeto apenas em parte relaciona-se ao desenho industrial. Da mesma forma que o projeto de uma embarcação envolve
casco, e em menor grau a participação do designer, especialmente no design de interiores, os projetos aeronáuticos encontram-se quase que exclusivamente na alçada de engenheiros aeronáuticos. Ainda assim é possível identificar a existência de interfaces (zonas de contato entre usuários e o produto) claramente definidas no projeto de aeronaves. Painéis de controle, poltronas, bagageiros e outros componentes devem ter necessariamente seus projetos adequados aos operadores e usuários das aeronaves. O projeto de interfaces aeronáuticas é um ramo do design que envolve um alto grau de especialização, além de necessariamente exigir detalhados estudos ergonômicos para a sua elaboração,
estabelecendo assim o contato direto com a atividade do desenho industrial. No entanto é importante esclarecer que, embora o público leigo tenha a tendência de associar a forma externa das aeronaves ao trabalho de designers, talvez estimulado pelo forte apelo estético destas formas, como confirmado pelo supersônico Concorde, considerado um símbolo quase universal de beleza, existe pouquíssimo espaço para intervenções puramente estéticas no design da parte externa das aeronaves. Por várias ocasiões a historiografia do design
asilei o i luiu ae o a es o o e e plos do o desig a io al . A ost a O desig o Brasil – histó ia e ealidade (SESC Pompéia, 1982) incluiu em seu catálogo os aviões
Bandeirante e Ipanema, ambos fabricados pela Embraer, enquanto a ost a Dese ho
industrial - T adição e uptu a te e e seu atálogo out o p oduto da E ae , o tu o hélice Brasília. A indústria aeronáutica também foi uma das categorias contempladas quando da realização da I Bienal Brasileira de Design (Curitiba, 1990), premiando o motoplanador
Vesper II, fabricado pela Quintzo Aeronáutica de Belo Horizonte. Esta seção permitiu
estabelecer a precedência do Rio de Janeiro como pólo pioneiro na fabricação em escala industrial de aeronaves (vide as empresas de Henrique Lage) e também pôs em evidência, em tempos mais recentes, mais um segmento do design fluminense eminentemente
dedicado ao lazer, a indústria de ultraleves. Desta forma a indústria de ultraleves, juntamente com buggies, carros esportivos e lanchas, constituiriam um fortíssimo argumento a validar o estereótipo do design carioca a serviço do hedonismo. Mais do que um estereótipo, este perfil demonstra a inteligente busca por nichos de mercado adequados ao perfil da cidade e do estado.