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3. TÜRKİYE MÜZİK PİYASASININ YAKIN TARİHİ VE ROMAN MÜZİSYENLER

3.1. Türkiye Müzik Piyasasının Kısa Tarihçes

Os norte-americanos foram surpreendidos ao longo do século XIX por grandes mudanças filosóficas que afetaram diretamente sua vida individual e em sociedade. Como pano de fundo de toda a realidade já estudada estavam inúmeras ideias que perpassavam as camadas sociais da Nação. Religião, economia, política e sociedade foram aspectos distintos nos quais as novas ondas de crenças e práticas ganharam espaço, evidenciando que as principais filosofias sobre as quais a sociedade havia sido fundada e mantida por muito tempo estavam agora passando por profundas mudanças.

Muitas dessas novas ideias e práticas na maioria das vezes se desdobravam simultaneamente a muitos dos aspectos distintos da vida social norte-americana. As crenças e práticas num âmbito da vida social afetavam rapidamente também a outro, guardando relação direta com ele. Assim, como ocorre em toda sociedade, logo que um pensamento filosófico surgia num determinado âmbito, não demorava muito e os demais aspectos que formavam o tecido social também estavam impregnados com o fundamento de tais ideias.

286 WHITE, Ellen G. Testemunhos para a Igreja – v. 9. Tradução de Hélio L. Grellmann. 1. ed. Tatuí-SP: Casa

Embora talvez seja uma tarefa inesgotável realizar um levantamento exato e pontual de todas as filosofias predominantes ao tempo de Ellen White, podem-se pontuar algumas das principais filosofias que a seu tempo mais impactaram a vida dos norte-americanos, segundo os registros históricos. Essas ideias, em maior ou menor grau, despertaram a atenção da autora para manifestar-se em seus escritos quanto às filosofias de seu tempo.

No âmbito religioso, predominavam o reavivalismo, o perfeccionismo, o exclusivismo e o utopismo. O reavivalismo foi o movimento espiritualista e adventista responsável direto pelo grande despertamento religioso que marcou profundamente a Nação nas décadas de 1830 e 1840, e que resultou na origem de inúmeras novas religiosidades na segunda metade do mesmo século. O perfeccionismo marcou o enfraquecimento do pessimismo puritano de origem calvinista, levando a Nação para o extremo otimismo quanto ao papel individual e coletivo do homem. Diz-se que “desde princípios do século XIX se havia estado produzindo um reavivamento cristão, colocando-se de lado a doutrina da predestinação de Calvino e ensinando que a perfeição não somente era possível, mas também esperada”287. Já o exclusivismo foi marcado por duras campanhas anticatólicas nas décadas de 1830 e 1840288. Quanto ao utopismo, a literatura registra que muitos foram os grupos religiosos que se originaram com base em ideias utópicas, tais como o anarquismo social, a mestiçagem obrigatória, o romantismo social289, a abstinência sexual, etc.290

No âmbito econômico, predominava a ideologia do Capitalismo Industrial. A Nação descobria uma nova forma de aumento da riqueza da elite e ao mesmo tempo da satisfação das pretensões de enriquecimento da classe média emergente. As indústrias passariam a ser a forma de capitalização de poucos e o meio de manufatura dos produtos que abasteciam o comércio, enquanto este último era visto pela emergente classe média como o meio eficiente de sua ascensão social. Ao preço da exploração e trabalho árduo das massas, a Nação

287 LAND, Gary. La Sociedad y Las Ideas. In: LAND, Gary y Otros. El Mundo de Elena G. de White. 1. ed.

Flórida (Buenos Aires): Asociación Casa Editora Sudamericana, 1995, p. 242,com tradução própria.

288 SEPÚLVEDA, Ciro. Elena G. de White: Lo Que No Se Contó. 1. ed. Flórida (Buenos Aires): Asociación

Casa Editora Sudamericana, 1998, p. 39, informa que “Os sentimentos contra a Igreja Católica eram sentidos especialmente onde chegavam os imigrantes irlandeses, que em sua maioria eram católicos”, e, na p. 55, esclarece que “os protestantes começaram a pintar os católicos como parte de um complô mundial arquitetado para derrubar a democracia protestante dos Estados Unidos”. (tradução própria)

289 LAND, op. cit., p. 244, informa: “Quase todos esses reformadores davam por certo que a natureza humana

era basicamente boa. Com a decadência da ênfase Calvinista sobre o tema da pecaminosidade do homem, a visão otimista da condição humana alcançou consenso geral. Em nível popular, esta opinião, geralmente produto dos escritos femininos, se expressava na forma que hoje em dia chamamos de „sentimentais‟”. (tradução própria) De acordo com o texto, o perfeccionismo e o otimismo, somados ao alto nível de sentimentalismo, deu origem a uma visão romântica da vida e da sociedade.

transformou o capitalismo industrial num processo ideológico sem reversão, o qual simplesmente tencionava eliminar qualquer outra filosofia de vida que não lhe fosse compatível, a exemplo do modo de vida agrário que vigorara até então. Fortalecendo a filosofia industrialista estavam o materialismo e o consumismo.

Enquanto no interior das indústrias eram fabricados os mais diversificados produtos, até então nunca imaginados, fora delas o industrialismo produzia, por meio das propagandas e outros meios, o apego materialista e o desejo consumista que mantinham em alta as demandas de produção. O registro histórico informa que “o materialismo, um elemento importante da sociedade norte-americana durante a maior parte de sua história, se tornou ainda mais evidente”291.

No âmbito social, predominava o urbanismo, o progressismo e o antiescravismo. Enquanto o industrialismo econômico foi o responsável direto pelo rápido processo de urbanização norte-americana292, outros interesses além do emprego marcaram o fenômeno social do urbanismo, dentre eles a busca pela educação gratuita, tratamentos de saúde, moradias, novas comodidades e diversões, além de outros enganosos atrativos que as concentrações demográficas ofereciam.

Fortalecendo esse processo estava o progressismo, que durante boa parte do século XIX, até antes da Guerra Civil (1861-1865), era uma das bandeiras mais empunhadas na Nação em todos os níveis sociais. Com base nela, se cria e se vivia o sonho norte-americano do progresso ilimitado em todos os aspectos possíveis da existência no tempo e no espaço, em razão da eleição divina. Com base nesse pensamento, entendia-se que a nação norte- americana era “[...] escolhida por Deus para conduzir todos os homens ao pleno desenvolvimento do potencial humano”293. Os relatos históricos informam que esse pensamento foi recorrente entre os habitantes da Nova Inglaterra desde a sua fundação, e pode-se acrescentar que em certa medida ainda vigora até os dias de hoje como ponto-chave do discurso de alguns grupos políticos norte-americanos:

Desde a fundação das primeiras colônias norte-americanas, a ideia de que os Estados Unidos tinham um propósito especial no mundo havia sido comum. Com exceção da época da guerra contra o México, ocorrida na década de

291 LAND, Gary. La Sociedad y Las Ideas. In: LAND, Gary y Otros. El Mundo de Elena G. de White. 1. ed.

Flórida (Buenos Aires): Asociación Casa Editora Sudamericana, 1995, p. 253-254, com tradução própria.

292 SEPÚLVEDA, op. cit., p. 40, informa que os socialistas prenunciavam, já em 1825, o que mais tarde se

tornaria evidente: “que o industrialismo nas mãos de homens sem escrúpulos, sustentados pelo referido sistema, provocava todos os males das cidades”. (tradução própria)

1840, a maioria dos que falavam e escreviam acerca da missão norte- americana haviam destacado que os Estados Unidos haveriam de ser um exemplo para o mundo. Durante a década de 1880, no entanto, as pessoas começaram a falar da necessidade de exportar a civilização norte-americana para todas as partes.294

Esse mesmo progressismo tinha uma relação dialética íntima com o já citado perfeccionismo humano, e as duas filosofias juntas pressionavam pelo fim do escravismo. Creditava-se aos novos e crescentes inventos tecnológicos a prova evidente do processo perfeccionista que garantiria a continuidade do progresso norte-americano295. Para muitos, o aparente progresso da natureza humana tornara-se incompatível com a prática escravista. Esse argumento seria a base para o que se convencionou chamar antiescravismo, o qual, longe do ideal antirracista, em seu sentido amplo, seria usado como desculpa para os primeiros tiros da já estudada Guerra Civil. Como já se disse, tal guerra escondia, na realidade e ao menos a princípio, o processo de unificação geopolítica da Nação, que havia rapidamente se polarizado entre a economia industrial e a economia agrícola.

No âmbito político, predominava o Integralismo Federalista já citado, que buscava a todo custo evitar a desintegração dos Estados separatistas do Sul e ao mesmo tempo garantir Expansionismo de Fronteira responsável pelos ganhos territoriais conseguidos como fruto da Guerra Mexicana. Como compensação das perdas de vida que ambas as guerras (Mexicana e Civil) trouxeram para a Nação, estava o fortalecimento da filosofia do republicanismo, a qual alardeava, inclusive em tempos de guerras, que a Nação e seus bens eram do próprio povo, o qual deveria lutar, se necessário fosse, para conservar o que era seu por direito.

No âmbito filosófico, perpassando todas as ideias recorrentes nos aspectos anteriores, estavam o individualismo296, o cientificismo, o relativismo, o darwinismo, o liberalismo e o pragmatismo. Relata-se que “Os meados do século dezenove abalaram a dinâmica das mudanças sociais, principalmente as dirigidas pela expansão do individualismo”297.Essa filosofia defendia a capacidade e responsabilidade do indivíduo em se resolver perante os desafios sociais de seu tempo sem esperar ajuda do Estado nem se importar com seu

294 LAND, Gary. La Sociedad y Las Ideas. In: LAND, Gary y Otros. El Mundo de Elena G. de White. 1. ed.

Flórida (Buenos Aires): Asociación Casa Editora Sudamericana, 1995, p. 256, com tradução própria.

295 Ibid., p. 242, informa que “Esses progressos sociais e tecnológicos respaldaram a confiança generalizada na

ideia de progresso; porém, esta fé no futuro também obedecia a outros fatores”. (tradução própria)

296 SEPÚLVEDA, Ciro. Elena G. de White: Lo Que No Se Contó. 1. ed. Flórida (Buenos Aires): Asociación

Casa Editora Sudamericana, 1998, p. 29, chama de “espírito individualista e democrático”.

297 DOUGLASS, Herbert. Mensageira do Senhor. Tradução de José Barbosa da Silva. 3. ed. Tatuí-SP: Casa

semelhante. Ao mesmo tempo em que funcionava como um incentivo para o excesso de autoestima, servia também para justificar a pretensa desresponsabilização governamental quanto às crescentes misérias em que se via a maioria da massa social. Em inúmeras ocasiões, a exemplo das frequentes violências desencadeadas pela exploração de mão de obra, o individualismo era o princípio evocado para proteger o capitalismo. Na maioria das vezes, usava-se um discurso baseado na falsa necessidade do modernismo industrial como estilo de vida irreversível, que supostamente premiava com riquezas o indivíduo que produzisse na medida exigida pelo sistema.

Assim, a responsabilidade pela miséria provocada pelo capitalismo de exploração era colocada sob os ombros do próprio miserável, que, além de amargar suas dificuldades, tinha de conviver com a “sua culpa”. Afirma-se que “na maioria dos casos os norte-americanos de classe média e alta censuravam o trabalhador e o capital não organizado por violar o princípio (ou mito) americano respeitado por tanto tempo: o individualismo”298. E assim o individualismo e o capitalismo andavam juntos, servindo aos propósitos antagônicos, embora simultâneos, de legitimar o crescente acúmulo de riquezas pelos poucos e o aumento da miséria para muitos. Insistia-se num casamento ideológico cuja prática nem de longe correspondia ao discurso legitimador:

A riqueza ostentada pelos novos milionários deslumbrava e excitava os americanos, porém, quando era contrastada com a oprimente pobreza da crescente e numerosa classe de obreiros assalariados, criava problemas para aqueles que idealizavam os Estados Unidos como uma república de pessoas individualistas comuns.299

E mesmo no âmbito religioso a questão se dividia. Tanto as ideologias quanto a consequente injustiça social que delas derivavam não eram notadas por muitos que observavam o novo fenômeno capitalista em seu casamento quase perfeito com o individualismo exacerbado como algo benéfico para o indivíduo e a sociedade:

Esta opinião pública [individualismo e capitalismo] era estimulada por uma imprensa e um clero geralmente hostis à organização laboral. Ainda que poucos clérigos protestantes procurassem adaptar suas crenças à nova era promovendo o evangelho e também o socialismo cristão, a maior parte dos

298 SCHWANTES, Carlos A. El Surgimiento de Una Norteamérica Urbana e Industrial. In: LAND, Gary y

Otros. El Mundo de Elena G. de White. 1. ed. Flórida (Buenos Aires): Asociación Casa Editora Sudamericana, 1995, p. 104, com tradução própria.

oradores protestantes apoiava o tradicional individualismo econômico e se inclinava a considerar justa a ordem social que estava se desenvolvendo.300

Já para outros religiosos a situação de permanente instabilidade social que a nova ordem econômica trazia exigia muito do individualismo progressista. Tal situação era um tanto quanto inquietante para o indivíduo e para a sociedade como um todo, e mais cedo ou mais tarde resultaria em nada menos do que uma possível catástrofe social, cujo alcance poderia ser ainda maior do que as crises de que se tinham notícias no Exterior, ou mesmo as crises econômicas experimentadas pela Nação ao longo do século. A preocupação desses religiosos não eram as desigualdades sociais que advieram com o novo sistema, mas o desconforto dos altos e baixos que ele implicava. Registra-se quanto a essas vozes:

Alguns advertiam que a inquietante nova ordem econômica expiraria num final catastrófico, „mas terrível e de maior alcance do que a Revolução Francesa‟. O novo e poderoso mecanismo de produção de riqueza parecia carecer de um administrador eficiente, dado ao fato de que impulsionava a economia da Nação em direção a um caminho ainda mais perigoso, que alternava entre picos de prosperidade sem precedentes e vales de depressão também sem precedentes.301

Ainda no âmbito filosófico, ganhava força o relativismo, que ao pretexto inicial de busca de confirmação da verdade na realidade, lançava dúvidas acerca da veracidade de postulados até então tidos como absolutos universais. Com seu método de questionar primeiro para validar depois, buscava a derrocada em definitivo das verdades absolutas que por tanto tempo haviam norteado toda a composição e manutenção do tecido social norte-americano. Com base na especulação utilitarista e no empirismo cientificista, a filosofia relativista punha em xeque a ideia de qualquer postulado de sentido que fosse estático, imutável e definitivo. Seu nascedouro enquanto ideologia se deu com o livro intitulado “Principles of Psychology”, do médico William James, acerca do qual os historiadores comentam:

Para quase todos os filósofos anteriores, a verdade havia sido um absoluto a ser descoberto. James, no entanto, arguia que a verdade era dinâmica, não estática. A verdade de uma ideia, segundo ele, dependia de seus resultados concretos quando esta era posta em ação [...]. Esta concepção de verdade significou que todas as verdades são tentativas e provisórias [...]. Dando

300 SCHWANTES, Carlos A. El Surgimiento de Una Norteamérica Urbana e Industrial. In: LAND, Gary y

Otros. El Mundo de Elena G. de White. 1. ed. Flórida (Buenos Aires): Asociación Casa Editora Sudamericana, 1995, p. 104-105, com tradução própria.

lugar a todas as crenças que fossem intelectuais e praticamente úteis, James também as destituiu de todo reclamo de caráter absoluto. A realidade, como a descreveu, era um „universo aberto‟ no qual tudo estava em permanente mudança, crescimento e desenvolvimento. O pragmatismo ofereceu um conceito de verdade e um método filosófico que correspondia com um universo em evolução.302

Evidente que a ausência de absolutos tornaria mais fácil para os manipuladores das massas estabelecerem suas próprias verdades em qualquer aspecto, a qualquer momento, e de qualquer forma que atendesse aos seus interesses egoístas, fossem esses de natureza política, econômica ou científica. E numa sociedade religiosa,em que até então o absoluto número um era Deus e a crescente exploração dos mais fracos e as desigualdades sociais eram ainda vistas por muitos religiosos como contrária à norma Divina de vida, eliminar os absolutos da história havia se tornado medida de emergência para se relativizar as normas religiosas de cunho ético-morais.

A primeira tentativa veio com o relativismo, que nada mais era do que a busca de tirar Deus e a Bíblia dos fundamentos norte-americanos da vida em sociedade para substituí-los por premissas contrárias que atendessem aos interesses do novo modelo de economia e de estilo de vida emergentes. Outras ideologias, como o cientificismo, o darwinismo, o liberalismo e o pragmatismo, se seguiriam ao relativismo e serviriam também ao mesmo propósito.

Enquanto o cientificismo buscava colocar a ciência no lugar de Deus como validador das crenças e das práticas, o darwinismo foi mais audacioso em tentar convencer a sociedade da inexistência de Deus e sua desnecessidade para a vida individual e social. E à sua vez, o liberalismo de matriz republicana303 se ocupou em não interferir na moral e na economia, defendendo para tanto o Estado Mínimo e a livre concorrência, a partir dos quais proporcionou a justificativa de consciência para o abandono dos limites até então aceitos para a vida moral e as práticas econômicas em sociedade. Enquanto isso, o pragmatismo buscava garantir a liberdade de especulação e argumentação, agora sem fundamentação bíblica, em relação a qualquer tema que fosse considerado relevante para o indivíduo e a sociedade.

Segundo o relato histórico, “o pragmatismo, especialmente como desenvolvido por John Dewey, mostrou como as ideias eram, em primeiro lugar, instrumentos para introduzir

302 LAND, Gary. La Sociedad y Las Ideas. In: LAND, Gary y Otros. El Mundo de Elena G. de White. 1. ed.

Flórida (Buenos Aires): Asociación Casa Editora Sudamericana, 1995, p. 252-253, com tradução própria.

303 Ibid., p. 254, informa que “Um movimento político conhecido como „republicanismo liberal‟[...] (que mais

tarde se tornaria o partido dos democratas) mantivera uma postura „não intervencionista‟ em matéria financeira”. (tradução própria)

uma mudança social, e que deveriam ser julgadas por sua eficácia para levar adiante os [seus] objetivos”304.

Outro pensamento da época, o darwinismo, chegou a ser a corrente intelectual dominante no período pós Guerra Civil305. Com o pessimismo substituindo o otimismo anterior a passos largos, e em todos os âmbitos, as obras de Charles Darwin tornaram-se uma proposta supostamente válida para o clamor cientificista de autoridade e disciplina do caos social que se reconhecia, e cujo agravamento se temia. O evolucionismo, que já era conhecido de muitos ao longo do século e que havia ganhado sistematização e argumentação aparentemente racional, tornara-se o centro das atenções, dividindo opiniões inclusive no meio religioso306.

Nesse âmbito, diz-se que surgiram três correntes de entendimento307: a primeira, composta de batistas, presbiterianos e membros de várias pequenas religiosidades de linha mais tradicional que rejeitaram a teoria evolucionista e a ela se opuseram abertamente; a segunda corrente, formada basicamente por unitaristas e congregacionalistas que aceitaram o evolucionismo com restrições, tentando conciliá-lo ao protestantismo e, para tanto, adotando o que julgavam ser aceitável na teoria de Darwin308; já a terceira corrente aceitou por completo e sem nenhuma ressalva a teoria evolucionista, pretendendo fazer crer que esta não era em nada incompatível com a fé cristã protestante309. Conforme se registra pelo relato histórico, “a concepção evolucionista repercutiu muito mais além do campo da biologia e da religião”310. Tornara-se uma filosofia que perpassava todo o tecido social norte-americano.

Conforme se percebe, os Estados Unidos do século XIX haviam se tornado um caldeirão intelectual no qual borbulhavam ideias das mais diversas naturezas, formas e objetivos. Ao longo do século, o clima de crescente liberdade de expressão que se desfrutava em todo o País e em todas as classes sociais, com ressalva para as opressões racistas, havia propiciado o ambiente ideal para a ilimitada criatividade no campo intelectual. As ideias iam e vinham, e muitas delas, as que pareciam ter coerência, permaneciam até que os fatos as

304 LAND, Gary. La Sociedad y Las Ideas. In: LAND, Gary y Otros. El Mundo de Elena G. de White. 1. ed.

Flórida (Buenos Aires): Asociación Casa Editora Sudamericana, 1995, p. 258, com tradução própria.

305 Ibid., p. 249, pontua que “o darwinismo [era] a corrente intelectual predominante no período pós Guerra

Civil”. (tradução própria)

306 Ibid., p. 249. 307 Ibid., p. 249. 308 Ibid., p. 250. 309 Ibid., p. 250.

desacreditassem ou até surgir outra mais interessante. Até então, essas ideias cresciam e algumas davam origem a movimentos políticos, religiosos, econômicos e sociais das mais diversas naturezas. Os historiadores pontuam que esse clima teve na Guerra Civil um divisor de águas311. Registra-se que:

Depois da Guerra Civil, não somente se modificou profundamente o panorama demográfico, mas também variou radicalmente o clima intelectual. Na primeira metade do século, a geologia reescreveu o relato de Gênesis acerca da origem do mundo na obra de Charles Lyell. A biologia, no entanto, inesperadamente chegou a simbolizar a revolução intelectual da época com a publicação da obra A Origem das Espécies, de Charles Darwin, em 1859 [...]. Logo surgiu a „alta crítica‟ com sua polêmica reinterpretação