4. TARİHSEL BİR ÇİZGİNİN MÜZİKAL/KİMLİKSEL SONUÇLAR
4.2 Güncel Bir Çizgi: Enstrümantal Projeler
4.2.1. Bir Roman Projesi: Laço Tayfa
Portanto, sob diversos aspectos, Belo Horizonte constituía uma verdadeira oportunidade para a implantação e desenvolvimento do metodismo. Essa era também a percepção do Rev. Antônio Cardoso da Fonseca ao escrever o seguinte artigo:
Com a edificação da cidade de Minas, nova capital do estado, está estabelecendo-se uma corrente de adventícios para esta cidade, os quais tendem a fixar suas residências na nova capital (...).
Entre essa população adventícia, já encontramos amigos verdadeiramente simpáticos à santa causa e ainda mais dois irmãos estrangeiros que sem dúvida em tempo oportuno serão fortes e eficazes auxiliadores na obra do Senhor.
Atualmente a grande e sensível falta, para darmos um impulso ao trabalho, é a impossibilidade de obtermos uma casa em Belo Horizonte para a pregação. E isto porque naquela povoação onde residiam cerca de 1.000 pessoas (cálculo dos residentes) atualmente residem para mais de 5.000, sendo que muitos dos adventícios na maioria operários estrangeiros de diversas nacionalidades, entre os quais predominam portugueses e italianos, estão residindo provisoriamente em cabanas, onde apenas se pode abrigar das intempéries.
Assim vemos que temos ante nós um bom e promissor campo de trabalho. (...) Urge que um esforço especial seja feito já, para que possamos ocupar o campo definitivamente embora com sacrifício, ainda mesmo que seja seguindo o exemplo dos operários construtores edificando uma humilde cabana para que ali façamos resplandecer o facho do glorioso Evangelho. (...)
Em vista dos extraordinários recursos que a localidade oferece é razoável, é mesmo justo, prever que a nova cidade além da importância que tem por ser a sede do governo do estado, será um centro vivo onde a atividade dos homens empreendedores há de desenvolver-se extraordinariamente.
E porque não estamos lá desde já, para que, com o lançamento dos alicerces da nova cidade firmemos também os alicerces de um “Templo Santo”, edificando-o com pedras vivas para a honra e glória do senhor? Não será este o nosso tempo? (EXPOSITOR CRISTÃO, 1895, p.4).
Os pregadores metodistas iniciaram suas viagens evangelizadoras saindo de Juiz de Fora e dirigindo-se ao norte do Estado, levando o Evangelho a Palmira, Barbacena, Lafaiete e Ouro Preto, então capital do Estado de Minas Gerais. De Ouro Preto, visitaram Sabará, Sete Lagoas, Cordisburgo e Curral Del Rey, pois se sabia que a nova capital seria edificada ali.
Embora não tenham sido bem recebidos na primeira tentativa, como já descrito, isto no ano de 1892 (KENNEDY, 1926, p.63), pois Curral del Rey era uma vila tradicionalmente católica, os pregadores metodistas não recuaram; perseveraram firmes no propósito de conquistar espaço na futura capital de Minas Gerais.
Uma nova tentativa se deu em outubro do ano de 1892. Nessa oportunidade, dirigiram-se a Curral del Rey, A. C. da Fonseca e H. C. Tucker. Nessa ocasião, “mais felizes que seus antecessores, puderam esses irmãos deixar ali uma semente do Evangelho” (p.65). Dessa vez, estava concretizado o propósito de se anunciar o Evangelho, assim como a perspectiva estratégica de se criar ali um núcleo metodista antes que Curral del Rey se transformasse na nova capital do Estado de Minas Gerais.
A decisão de transferência da capital se deu no ano de 1892, organizando-se uma comissão para construí-la. O engenheiro Arão Reis foi incumbido de liderar a comissão. A nova capital foi inaugurada no dia 12 de dezembro de 1897, recebendo o nome de “Cidade de Minas”. Somente no ano de 1901 é que o nome foi mudado para Belo Horizonte.
Portanto, quando a capital foi transferida de Ouro Preto para Belo Horizonte, já se encontrava naquela cidade um grupo significativo de metodistas. De acordo com a lista 79 dos primeiros conversos à fé cristã evangélica, encontram-se pessoas como Cândido Mendes de Magalhães, cuja história mereceu consideração especial no Expositor Cristão, no quadro “Galeria dos Triunfantes” (EXPOSITOR CRISTÃO, 1947, p. 8).
Cândido Mendes de Magalhães foi o primeiro metodista alcançado na obra missionária realizada em Belo Horizonte. Nasceu em 1º de dezembro de 1846, na
7“Na lista dos primeiros conversos à fé cristã evangélica se encontrava os seguintes: Cândido Mendes de
Magalhães, Vitorino de Souza Jardim, Maria de Souza Belém, José Cândido dos Santos, Teodorico Cruz e Paulo France, todos batizados em 1-12-1896” (REVISTA SOCIAL TRABALHISTA, 1947, p. 269-27).
Fazenda do Mendes, município de Nova Lima, onde se casou com D. Maria Francisco Ferreira. Mudou-se para Curral del Rey, onde veio a ocupar o lugar de sacristão na Igreja da Boa Viagem. Era carpinteiro e estava fazendo uma cruz para a então pequena capela da Boa Viagem. Em 1891, quando da primeira visita dos Revs. Antônio C. da Fonseca e J. L. Bruce a Curral del Rey, na qual foram rudemente recebidos pelos “fanáticos romanos”, Cândido se encontrava presente. Muitos ridicularizaram os pregadores, fazendo considerável zombaria e chacota, tudo isso sob as vistas de Cândido Mendes.
Ele não gostou da atitude daquelas pessoas e as censurou energicamente, dizendo: “Fizeram muito mal”. Devido a esse episódio, procurou imediatamente informar-se a respeito do que esses homens pregavam e se dirigiu a Sabará. Sabará era, nessa ocasião, um circuito avançado do Distrito do Rio de Janeiro. Ali ouviu a pregação do Rev. Cardoso e doou dois mil réis, dizendo: “Para que esta religião seja espalhada”. Terminado o culto, os membros lhe deram toda atenção e o convidaram a voltar, o que frequentemente fez.
Quando o trabalho foi aberto em Belo Horizonte, Cândido se tornou um frequentador assíduo da comunidade, logo se convertendo. Foi um dos primeiros a aceitar o batismo. Seu nome consta como o número um no rol de membros da Igreja Metodista Central de Belo Horizonte.
O trabalho metodista em Belo Horizonte começou de forma incipiente, sem a nomeação específica de um pastor, contando, por um período de tempo, com o apoio de leigos e pastores que faziam visitas esporádicas. Barbosa (2005, p.154) considera ser bastante provável que os primeiros simpatizantes do metodismo em Belo Horizonte tenham sido Eduardo Eduards, antigo negociante do lugar, e Antônio P. Belém, proprietário do Hotel Belém, onde os pastores metodistas se hospedavam.