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BÖLÜM 2: Ġġ SĠSTEMLERĠNĠN KURUMSAL YAPISI

3.4. Verilerin Analizi-Bulgular ve Yorum

3.4.2. Türkiye’deki Finans-Bankacılık ve Kredi Mekanizmasının Ġhracata Etkisine ĠliĢkin Analizler

Entre debates sobre representação e legitimidade política, a proximidade das eleições trazia à tona discursos sobre os candidatos à prefeitura do Rio. Individualmente, alguns moradores começavam a expressar suas preferências e com o passar do tempo, começaram a aparecer faixas e cartazes pelo morro com os nomes de alguns candidatos. Durante um almoço no armazém da Rua do Jogo da Bola ouvi, pela primeira vez, um discurso sobre a necessidade de se votar conscientemente tendo em

vista as mobilizações que começavam a acontecer pela zona portuária afora. O bar estava cheio e, de repente, alguém cogitou a possibilidade de se trazer alguns candidatos ao Morro da Conceição para que falassem pessoalmente. A intenção era descobrir como se organizava o plano de revitalização daquela área e em que medida o morro estava inserido naqueles projetos.

Se um posicionamento deveria ser tomado diante das eleições que se aproximavam e dos projetos que envolviam a zona portuária no âmbito municipal, os participantes da Banda da Conceição começaram a refletir sobre a necessidade de se estabelecerem de modo mais objetivo como grupo de representação dos interesses dos moradores do morro. As reuniões de organização do referido grêmio recreativo

64 passaram então a lidar com aspectos mais burocráticos, como a releitura do estatuto da agremiação, a criação de um calendário de eventos, eleições da diretoria administrativa e outras providências que iam nesse sentido. Na efervescência das eleições municipais, em determinada reunião, Sílvio apresentou aos outros integrantes da banda um projeto de apoio ao candidato à vereador Wanderley Mariz (DEM).

Intitulado Morro da Conceição: onde tudo começou, tratava-se de um projeto turístico patrocinado pela Secretaria Municipal do Turismo do Rio de Janeiro e executado pela ONG ECOS (Espaço, Cidadania e Oportunidades Sociais)69. O objetivo

era o fomento de atividades sócio-educativas que resgatassem parte da história e cultura do Rio de Janeiro, com o propósito de geração de trabalho e renda, e também a elaboração de um novo roteiro turístico a ser explorado. Dentre as atividades sócio- educativas propostas pelo projeto estavam oficinas de dança, capoeira e percussão.

Sílvio entendia que oficinas como essas poderiam ser de grande utilidade, pois se as crianças e os adultos do morro começassem a aprender a tocar percussão, a banda não precisaria contratar músicos para a realização das festas e eventos. Além disso, se a banda apoiasse o desenvolvimento do projeto, poderia se envolver de modo mais amplo com os moradores das várias partes do morro e contemplar de modo satisfatório a população local, ganhando, inclusive, novos integrantes.

Segundo Sílvio, um projeto como aquele seria, então, uma estratégia para se diluir fronteiras e conseguir novos recursos junto à prefeitura. Porém, se a princípio a idéia parecia interessante aos participantes da banda presentes naquela reunião, por outro lado significava a vinculação direta do grêmio recreativo a um candidato político, o que poderia trazer outros tipos de problemas nas questões de representação perante os moradores do morro. Na intenção de refletir sobre as proposta apresentadas por Sílvio, naquele primeiro momento os participantes da banda que estavam presentes aceitaram a

65 apresentação dos alunos das oficinas de percussão nos eventos em que a banda participasse.

Interessada em conhecer mais sobre aquele projeto, resolvi participar junto com o grupo Eterna Juventude de uma excursão ao Cristo Redentor organizada por Sílvio. De acordo com a organização do passeio, antes de sair do morro, o projeto ofereceria um café da manhã aos inscritos e depois seguiríamos para o bairro Cosme Velho. No dia do passeio, encontrei Sílvio e outras pessoas do morro em um dos casarões do Largo de São Francisco da Prainha.

Pouco antes do café, um representante da ONG ECOS começou um discurso de apresentação do candidato Wanderley Mariz que havia proporcionado todo aquele evento. Este senhor falou sobre a atuação do candidato, de sua política de incentivo ao turismo, principal setor de geração de empregos no Rio, da importância histórica que existia escondida naquela região portuária, embora fosse uma região muito carente. Salientou, ainda, que um passeio como aquele pretendia diminuir as diferenças culturais

e promover uma nova integração entre os moradores daquela área e os moradores da zona sul da cidade, e que incentivar o turismo naquela região seria uma forma de se gerar empregos para grande parte dos jovens que ali viviam. Algum tempo depois, o próprio candidato passou a discursar sobre a importância do Morro da Conceição e da zona portuária para o desenvolvimento da cidade.

Daquele passeio participaram pessoas das mais variadas partes do morro, o que demonstrava que muitos moradores, assim como eu, também se interessavam em saber detalhes sobre o projeto divulgado por Sílvio. Como pude observar a partir das falas nativas, o projeto Morro da Conceição: onde tudo começou era considerado “assistencialista”, e se os moradores consentissem com aquelas propostas, a idéia que associava o morro a uma comunidade carente poderia ser reforçada. Na visão de grande

66 parte dos moradores da parte de cima, as ações de Sílvio transformavam o morro em favela e desqualificavam as tradições locais, por isso era preciso observar os desenvolvimentos daquele projeto com cuidado. Entretanto, como já tinha exposto Sílvio em outro momento, o poder aquisitivo e o estilo de vida entre os moradores da

parte de cima e da parte de baixo do morro eram bem diferentes.