• Sonuç bulunamadı

2 Türkiye Ekonomisinde Verimlilik

P

ara melhor compreender essa matéria prima para confecção de papel artesanal, é que se faz essa parada à sombra dos carnaubais, para, sob o vento de suas palmas, conhecer a carnaubeira e parte de suas potencialidades.

O nome “carnaúba” tem origem indígena, provindo de “caraná, cheio de escamas, áspero, arranhento e iba, madeira” (CASCUDO, 1964, p. 160), sendo que:

O engenheiro agrônomo Humberto R. de Andrade registrou que “No Ceará o povo chama carnaubeira a arvore e carnaúba, o fruto”. No Rio Grande do Norte (…) empregam ambas indistintamente, como sinônimos absolutos (CASCUDO, 1964, p. 160).

Trata-se de planta ornamental das palmaceas (Copernicia cerifera, MART). De estirpe ereta, endêmica do nordeste brasileiro, arraigada ao solo nordestino, árvore secular, de madeira dura, vermelha ou escura. Sua casca externa tem uma cartilagem escamosa, escamas que se acham dispostas em forma de caracol, desde a raiz até uma certa altura do tronco, que nada mais são que restos de pequenos ramos.

A raiz serve de depurativo, o caule dá farinha e quando maduro é magnífica madeira de construção. Do estipe, fazem-se ripas e barrotes; o fruto comparável à tâmara serve de alimento a toda espécie de gado e, quando maduro, apresenta uma polpa negra, lustrosa, adocicada e pouco espessa de que se faz uso em estado natural ou em doce; tem um caroço de dois centímetros de diâmetro que, torrado, fornece uma bebida semelhante ao café e uma substância de que se extrai óleo; das folhas novas, é tirada a chamada cera de carnaúba que se empregava não só nos discos de vitrola e em fitas cinematográficas, como também na fabricação de velas e fósforos (REVISTA CIÊNCIA HOJE, n 33, v. 6, Jul.87).

Também os frutos servem de alimento para as pessoas. Conforme Melo (1979, p. 79), “a fruta, quando madura, tem sabor agradável, carnosa, substancial, nutritiva”, vendida nas feiras daquela região. Sua coloração transfigura-se do verde para o preto quando madura. Seu sabor adocicado é mais apurado quando ela se apresenta parte verde, parte mais escura: é quando fica mais saborosa.

Pode ser encontrada em várias localidades do Nordeste do Brasil, “principalmente nas bordas dos rios Jaguaribe, Apodi, Moçoró e Açu” de modo que as várzeas ou terras baixas “são cobertas por essas árvores” (Arruda da Câmara, apud CASCUDO, 1964, p. 165), encontrando-se, uma maior concentração de carnaubeiras nas margens do rio Piranhas-Açu e seus afluentes.

No Vale do rio Açu, os carnaubais formam belos cenários da natureza, com suas palmas em forma de leque, que parecem até contribuir com a brisa do vento leste, amenizando o calor.

O povo a chama de diversos nomes, “árvore da vida”, “arvore mãe”, “árvore da providência”, tal a multiplicidade de usos que dela se faz, tanto que sozinha pode

suprir as necessidades de famílias inteiras que dela retiram seu sustento, tornando a carnaúba presença significativa no Vale do Açu27

.

Quem primeiro dela se utilizou foram os índios28. Acredita-se que a prática do

artesanato de cestarias, com seus trançados sejam ofícios de origem indígena.

Como a zona da carnaubeira coincide com o habitat dos cariris é possível fossem estes os seus utilizadores iniciais em determinada zona do Nordeste. Os tupis empregariam posteriormente com maior amplitude e os portugueses receberiam destes a técnica (…) (CASCUDO, 1964, p. 163).

Ao conviver com os artesãos, fica evidente todo esse significado simbólico originário, eis que suas cestas remontam a esses ancestrais, que produziam materiais para o uso da comunidade, guardando, todavia, grande beleza estética, criando uma tradição que permanece até os dias de hoje.

O uso dos recursos vegetais está fortemente presente na cultura popular que é transmitida de pais para filhos no decorrer da existência humana. Este conhecimento é encontrado junto a todas as populações, muito embora, tal prática venha se fragmentando nas sociedades mais modernas. Segundo Lévi-Strauss (1983), é por fazer experiências com plantas que a maior parte das populações aprende a conhecer rapidamente os usos possíveis.

27

O nome “árvore da vida”, em muitos estudos, é atribuído ao Barão Henrique Alexandre von Humboltt, em seu “Quadros da Natureza”, de 1808. Cascudo (1964, p. 169), todavia, analisando aquela obra transcreve da mesma o seguinte “Em toda parte tem nomeada as propriedades benéficas desta árvore da vida”, mostrando, mais adiante, que essa expressão foi usada inicialmente pelo jesuíta espanhol José de Gumilla (1686-1750), em razão da “assistência que [a

árvore] dava aos indígenas”, pois oferecia a eles da madeira para habitação e embarcação às

As folhas de carnaúba são utilizadas com arte e sentimento, estabelecendo uma ligação do homem com sua memória cultural, pois a palha é o componente mais primitivo, considerando seu uso, na cobertura de casas humildes29.

As largas palmas, nas palavras poéticas de Gilberto Freire de Melo (2005, p. 105), “parecem mais um leque ou um penacho para abanar e espalhar as estrelas no firmamento” e oferecem, além da cera, oportunidade de emprego e renda para trabalhadores, artistas e artesãos, por constituir uma matéria prima sugestiva para o desenvolvimento criativo. Habilidosas mãos produzem objetos decorativos e utilitários –chapéus, bolsas, sandálias, esteiras, cestarias, artigos para mesa, tapetes etc.

O trabalho com a palha sempre provocou um clima de confraternização. Enquanto trabalhavam – dizia Zé Beradeiro – “Homes e mulés entoava cantigas que acordava o coração da gente, fazendo arrepiá os óio, e recordá os tempo bom qui num vorta mais” ( MELO, 2005, p. 108).

A carnaúba encontra-se, desse modo, arraigada na sociedade e cultura do Vale do Açu, oferecendo oportunidades de trabalho em qualquer época do ano,

garantindo a mão de obra aos trabalhadores da região. Sobre o clima, lembra Manuel Rodrigues de Melo:

28

Olavo de Medeiros Filho registra a presença dos tarairiús, dos extintos tapuias, como ancestrais do povo do Vale do Açu.

Acontece, porém, que o nosso regime climático é feito entre ciladas e contradições. A fatalidade das secas, o rigor das cheias e dos invernos, com interferências de anos maus e anos bons, criou a instabilidade permanente, deixando o homem à mercê dos mais rudes golpes que a natureza lhe destinou (MELO, 1979, p. 238).

No verão, na seca, os artesãos revelam a sua criatividade na luta pela subsistência. O varzeano preserva a sua serenidade e fortalece sua coragem, relembrando a presença dos tapuias, bem visível no que se refere a tradição do artesanato que desenha trançados nas cestarias de palha de carnaúba. E, mesmo enfrentando enorme precariedade:

(…) não havia trabalho mais divertido. As pilhérias, as chacotas, os ditos as brincadeiras divertiam sempre sem porém, ofender as pessoas ou ferir a dignidade das famílias, moças senhoras e crianças que ali trabalhavam. Uns cantavam emboladas e cocos ao ritmo do batuque improvisado por alguém mais habilidoso que soubesse acompanhar o “baião” (MELO, 2005, p. 106).

Também das folhas é obtida a cera, atividade que é da tradição local30

. De lá para cá, novas práticas foram constituídas, em torno da carnaubeira, um sistema produtivo singular, caracterizado historicamente pela relação de arrendamento entre o pequeno produtor e os proprietários, numa atividade econômica que moldou as

29

Registre-se que os agricultores continuam fazendo a extração da cera com técnicas rudimentares, não havendo capital para investir em novas tecnologias da cultura da carnaubeira. Todavia, as cooperativas que se instalaram na região motivaram o agricultor a ser mais vigilante com a qualidade de sua produção, para obtenção de um melhor retorno financeiro.

30

A carnaúba é uma planta natural do Nordeste brasileiro, sendo que, apenas na região de Açu, dada a salinidade do solo, ela produz a cera. Nas demais regiões apenas aproveitam-se a palha das folhas para artesanato.

próprias relações sociais dos grupos nela empregados. Estabelece-se uma divisão de trabalho mantida pelo exercício de extração das palhas, onde os batedores retiram das folhas novas, um pó alvo, que, pelo cozinhamento, é transformado em cera para ser vendida como produto de exportação.

A cera também é utilizada no polimento de peças e isolamentos e no acabamento artístico, estando presente no artesanato do papel machê, na confecção de bonecos feitos de reciclados: nesse caso ela se presta para isolar a peça do molde, sendo, também, empregada para dar o brilho na sua arte final.

Na região de salinas (Macau, Guamaré, Pendências, Açu, Porto do Mangue, Areia Branca, Mossoró, Grossos, entre outros) as palhas são muito utilizadas para cobrir e proteger os baldes ou cristalizadores, nos quais se processa a produção de sal. Mais recentemente passaram a ser utilizadas, também, como revestimento dos dutos da Petrobras31.

A madeira do caule, extremamente resistente, é muito usada no emadeiramento de casas; serve de esteio e caibros de suas casas e até para a construção rústica das casas de taipa; acha-se presente no mobiliário – são mesas, camas, cadeiras etc. E isso não ocorre apenas nas casas mais pobres, de renda ilusória, pois a produção de móveis rústicos, coloca a carnaúba na decoração de casas suntuosas. Na pecuária o caule é usado em cercas, mourões dos currais etc. Por ser muito resistente à água, é amplamente usado na construção de embarcações.

31

A Petrobras é uma transnacional estatal com uma forte presença na economia do RN. Hoje ela está aproveitando a palha da carnaúba, em forma de esteira, para vedação das conexões dos condutores de óleo. É mais um olhar de interesse para o uso da palha da carnaúba.

Tem importante função ecológica, pois de acordo com a tradição, os carnaubais regulam os índices de salinidade do vale do Açu. Seu desaparecimento deixaria a região salineira sem proteção ambiental.

Uma das causas que mais dificulta a cultura carnaubeira é a devastação, provocada pela extração descontrolada da cera de carnaúba, por muitos anos, que produz o desinteresse pelo seu potencial e o abandono, tanto que a necessidade de preservação dessa árvore é apontada desde 1809, quando Arruda da Câmara assim se posicionou em carta ao governador de Pernambuco.

Os rústicos, ou por não ponderar que, cortando estas árvores podem vir a faltar, ou por se fiar na grande quantidade delas, as derrubam sem conta: é, portanto, necessário proibir-se as derrubadas, principalmente para fazer currais e cercados em que gastam muitas (…) Para tirar as folhas e frutos não é necessário cortar as árvores como eles praticam, basta arrimar uma escada ao tronco para o fazer com muita facilidade, sem dano da planta (apud CASCUDO, 1964, p. 165).

Como a carnaubeira está religada à cultura daquela região, no que se refere à subsistência de muitas famílias, preservá-la é de responsabilidade do povo e de seus governantes. Do povo, porque seu produto é ouro inusitado, presente da natureza para o vale, pois “além de produtora de cera, de larga e insubstituível aplicação na indústria de tecelagem e eletrônica, alimenta o homem e os animais domésticos, fornece remédios, madeira e fibra” (CARVALHO, 1982, p. 131). Das

autoridades competentes porque cabe a elas envidar esforços em benefício dos carnaubais, parte do patrimônio cultural e ecológico do Vale do Açu32

.

A importância desse vegetal para a região deveria ser multiplicada no meio daqueles que dela dependem, através de trabalhos de valorização da carnaúba, apontando para questões sociais e econômicas, bem como, no âmbito da preservação ambiental, mostrando o seu valor para o equilíbrio ecológico e, no campo da tradição cultural, mostrando a importância da preservação do patrimônio cultural e sentimental da gente da região.

O professor Geraldo Alexandre Barbosa, do Departamento de Física da UFMG afirma, em nota enviada ao NUT – Seca (1963), que:

A carnaubeira brasileiríssima [estimula] não somente pesquisadores, mas também empresários a promoverem estudos sobre o assunto... Nossas carnaubeiras poderão evitar a destruição dessas verdadeiras fábricas de produtos químicos tão pouco estudadas, mesmo com os modernos recursos da ciência.

O geógrafo e historiador Manuel Correia de Andrade em “A terra e o homem do nordeste” afirma que ao lado da civilização do couro, da cana de açúcar, do arroz e do café, constata-se que nos anos vindouros:

32

Cabe às municipalidades e aos estados interessados, de acordo com as disposições do Código Florestal, orientar os agricultores na colheita; evitar os excessos, regulamentando, e sobretudo, fiscalizando, a execução de medidas capazes de assegurar sua conservação. Hoje, todavia, apesar da falta de orientação técnica e da falta de interesse das autoridades competentes, os trabalhadores da região procuram efetuar um trabalho que permita a preservação dessas palmeiras tão maravilhosamente ricas.

(…) a influência da carnaúba na paisagem nordestina é muito intensa, já que ocupa desde o vale do Açu até a do Parnaíba em todas as terras, de várzeas dos cursos dos rios que desmandam o litoral setentrional. Há uma predominância completa dos carnaubais nativos calculando-se que, só na várzea do Açu, existem 6 milhões de carnaubeiras ocupando uma área de, aproximadamente, 25 mil hectares, isto é, mais de 62% de sua superfície (ANDRADE, 1963, p. 4).

A necessidade de preservação da carnaúba encontra fundamento em dados de pesquisadores da UFRN, informando que existe redução substancial das áreas dos carnaubais. Um grupo de pesquisa do Departamento de Geografia a UFRN, em 1988, realizou um trabalho comparativo das áreas de carnaubais no Baixo Açu, detectando que em 1966 havia uma área de 447 km2 ocupados por carnaubais, sendo que em 1988, esse número era de apenas cerca de 194 km2 (DIÁRIO DE NATAL, 2001).

Segundo Manoel Correia de Andrade, da Universidade Federal de Pernambuco, no início da década de 1960, na várzea do Açu, existiam seis milhões de carnaubeiras que ocupavam uma área de aproximadamente vinte e cinco mil hectares, isto é, mais de 62, 5% da superfície da mesma. Em solos mais favoráveis, a densidade era tão grande que se caminhava com dificuldade no carnaubal.

No final da década de 1970, com construção da barragem Armando Ribeiro Gonçalves33

, o rio Piranhas-Açu torna-se perene, criando condições para o desenvolvimento da agricultura irrigada no vale. Muitas empresas agrícolas chegam à região com a finalidade de produzir frutas tropicais, sobretudo para a exportação

33

A barragem de Armando Ribeiro Gonçalves ou Barragem de Açu foi construída para a implantação de um grande projeto de irrigação da região, voltado, principalmente, para a fruticultura de exportação.

(CARVALHO, 1982) 34. Nestas condições, os carnaubais começam a ser destruídos

rapidamente, porque grande parte da área inundada é integrante de uma vasta região salineira, de modo que, grande parte dos carnaubais foi coberta pelas águas da barragem.

A cultura da carnaúba é, portanto, fonte de contradições, ora se encontra galgando a máxima produtividade, ora sujeita à devastação. Assim, se de um lado, a carnaúba faz parte da vida social, unindo famílias e a própria sociedade, desenvolvendo o espírito de cidadania, de outro, incontáveis dificuldades se apresentam para o cultivo dos carnaubais, seja quanto à falta de orientação teórica, seja de origem econômica.

A falta de irrigação permanente e os animais soltos no pasto – comem as carnaúbas mais jovens – são fatores adicionais da dificuldade de cultivo. Segundo Carvalho (1982), porém, verifica-se que cultivar carnaubeiras é mais remunerador do que cultivar algodão, uma vez considerado o trabalho exigido por este último.

Para a preservação e reflorestamento da região, torna-se necessário o apoio dos órgãos competentes, verdadeiramente voltados à conservação e à ampliação do plantio dessa árvore: “se existe abandono no tocante à exploração dos produtos da carnaubeira, o mesmo se verifica em relação à árvore, sua conservação e replantio” (CARVALHO, 1982, p. 273).

Infere-se daí, a necessidade de implantação de políticas públicas, objetivando salvar as reservas florestais, resolver problemas de assentamento, irrigação,

34

Houve, então, um afluxo de capitais na região destinado à fruticultura de exportação e à cotonicultura, pós anos 80. Mas, pode-se questionar, na medida em que a fruticultura de exportação e a cotonicultura cresceram, se houve a decadência das culturas tradicionais, como,

reflorestamento, adubação do solo, além de instituir leis e regulamentos que protejam a região contra a ação devastadora dos incêndios, pragas e outros meios destruidores. Requer-se, também, o melhoramento produtivo, a busca de maquinários adequados para auxiliar no transporte da palha, na sua secagem e, por fim, na produção final da cera e do papel.

Nesse contexto, emerge, como de grande valia, a orientação artística, em nível institucional, para o reaproveitamento da palha num processo de produção do papel, contexto em que, faz-se necessária, ainda, a presença e orientação de profissionais mais experientes, tais como papeleiros, artistas, químicos, físicos, arquitetos, entre tantos outros.

É de se lamentar que a carnaubeira ainda não tenha obtido o prestígio para o seu plantio no Brasil e no Vale do Açu, embora seja uma planta preciosíssima. Os carnaubais nativos existentes no Estado do Rio Grande do Norte não têm merecido a devida atenção dos seus proprietários, apesar do empenho do NUT-Seca e de outros órgãos governamentais. Constata-se, portanto, a falta de um olhar valorativo para esse patrimônio da humanidade, patrimônio este religado à memória viva daquela região, ou como diz um filho da terra:

Orgulho, indolência, falta de apreciação econômica e embaraços resultantes da conjunção dos trabalhos de roça e os da colheita: venha a indústria mecânica e não poderá haver mais rendoso emprego de capitais, sem competidor possível pelas qualidades, quantidade e custo insignificante desse produto (CARVALHO, 1982, p. 152-3).

por exemplo, o algodão arbóreo, o feijão, o milho, a batata doce e a mandioca. Estudos vêm sendo realizados pelo NUT-Seca – UFRN para verificar se isto está ocorrendo.

Atualmente apresenta a potencialidade de ser matéria prima para a produção de papel artesanal e, nesse caso, as formas abstratas ocupam espaço na criação artística, tomando uma forma concreta nas mãos do artesão, o qual reverencia cenas do cotidiano regional. É mais uma alternativa para o reaproveitamento das sobras de suas folhas para a produção artística, que pode possibilitar o aumento do fluxo criativo e turístico daquela região, dada às características exclusivas do papel de carnaúba e sua utilização para diversas finalidades. Isto porque, o papel artesanal de carnaúba, por sua qualidade e sua estética exóticas, quanto a texturas e cores naturais, pode ser utilizado para revestimento de paredes e móveis; é, também, excelente para fabricação de cúpulas e luminárias, dada a sua beleza exclusiva e transparência inusitada.

Neste sentido, os empresários podem prestar um valoroso auxílio, atendendo posturas mais comprometidas com o ambiente, evitando a exploração exacerbada que visa à importação e exportação dos produtos da carnaúba, em especial, em Pendências, Município do Vale de Açu. É preciso alertar, segundo Carvalho (1982, p. 132), as novas gerações estudantis e a população para cultivar a “árvore da vida”, planta típica do sertão, exemplo de resistência e de poder produtivo, que compõe as cortinas verdes daquelas paisagens prazerosas e que encantam todos aqueles que as visitam.

Refletindo com Boaventura de Souza Santos (1995; 2002), sobre a necessidade de utopias e projetos para a criação de um futuro transformador no terceiro milênio, concluí-se que as possibilidades produtivas do papel de carnaúba estão em parte esperançosos por apoios públicos e responsáveis por projetos

sociais/econômicos mas também é de competência da comunidade local lutar por este patrimônio para melhor revitalizar a economia do Vale do Açu, atendendo aos legítimos anseios de seus cidadãos. Por outro lado, somente um projeto de educação ecológica poderia contribuir para desenvolver novas atitudes no seio das populações adormecidas, conformadas, resignadas, assistindo a progressiva estagnação do outrora belo Vale das Palmeiras carnaubenses, a devastação do parque das carnaúbas e à contínua migração de seus jovens em busca de um destino melhor.

Nesse sentido, tem-se que:

De todos os problemas enfrentados pelo sistema mundial, a

degradação ambiental é talvez o mais intrinsecamente transnacional

e, portanto, aquele que consoante o modo como for enfrentado, tanto pode redundar num conflito global (…), como pode ser a plataforma para um exercício de solidariedade transnacional e intergeracional (SANTOS, 1995, p. 296).

A devastação ecológica ambiental, presente não só no Vale do Açu, tem provocado uma ressonância degradante na paisagem ambiental, afetando a cultura e a sociedade humana.

Não podemos cruzar os braços diante da ação criminosa, inescrupulosa, contra o meio ambiente, conforme depoimento da engenheira química Andréa Lessa da Fonseca – do CEFET/RN. O desmatamento acontece com a outorga dada pelo