3 Araştırma Metodu
Denklem 3.2.3’te verilen test istatistiği, serbestlik derecesi (k;n-2k) ve
Na construção do processo de investigação, foram analisados alguns aspectos da e- volução urbana da cidade considerando-se as ações do poder público municipal, o papel dos loteamentos, das rodovias e da própria população no processo de configuração do espaço ur- bano, em especial, na serra.
Percebemos que há uma relação entre a construção das principais rodovias, como a BR-116, a BA-262 e a BR-415, com o crescimento econômico e urbano da cidade. Elas con- tinuam a exercer um papel de grande relevância nesse sentido. Ficou claro que o Anel viário da BR-116 também tem exercido uma atração para a expansão dos bairros, sobretudo os mais carentes, como é o caso do bairro Nova Cidade que está apenas a 50 metros da estrada.
Através das observações realizadas, consideramos que há uma segregação do espaço urbano de Vitória da Conquista. Tal situação é fruto das relações sociais existentes que produz e reproduz o espaço conforme o poder do capital. Carlos (2005:82- 83) diz que “o espaço traz a marca da sociedade que o produz” e que “O espaço urbano se reproduz, reproduzindo-se a segregação, fruto do privilégio conferido a uma parcela da sociedade brasileira”.
Assim verificamos que o papel do poder público municipal foi fundamental no pro- cesso de reprodução do sistema capitalista, pois não respeitou o Plano Diretor aprovado na década de 1976, dando continuidade a uma política de elitização do espaço urbano de Vitória da Conquista. Essa situação suscitou uma tradição, e, diante disso, a cidade se desenvolveu desordenadamente, pois com a especulação imobiliária nas áreas mais planas, a população mais carente ocupou e ocupa as áreas periféricas sem nenhuma infra-estrutura, inclusive de preservação ambiental, como é o caso da Serra do Periperi.
Em relação à ocupação da serra, verificamos que não se deu apenas para a moradia, mas também para a abertura de jazidas que serviram para a construção das estradas, de casas, ruas etc. Essa ocupação ocasionou muitos problemas, pois, com a falta da cobertura vegetal, intensificou os processos erosivos e, com isso, as áreas mais baixas da cidade sofrem com a quantidade de água e sedimentos que descem pelas ruas da cidade de forma violenta durante o período de chuvas, trazendo prejuízos tanto para o poder público como para a população.
Com os problemas ocasionados pela falta de ordenamento do solo urbano e pelo descaso das autoridades competentes, a maioria dos problemas ambientais sofridos na atuali- dade em Vitória da Conquista é em decorrência da má utilização dos recursos naturais e das ocupações indevidas da serra que acabaram por comprometer o seu ambiente natural e, hoje,
mesmo com uma política e com algumas áreas já em processo de restauração, e com diversas discussões realizadas sobre a sua importância, a área continua a ser degradada e ocupada, pela falta de uma fiscalização mais eficaz.
Em Vitória da Conquista, a natureza e seus elementos estão ocultos pelo processo da urbanização. É muito comum ouvir moradores falarem sobre a Serra, o Poço Escuro, o rio Verruga, porém, quando conseguem conceber a realidade de cada ambiente, ficam perplexos com a transformação de cada um. A partir daí, a serra torna-se mais um pedaço de terra a ser apropriado, lugar onde se pode depositar o entulho, lixos, retirar lenhas, pedras, cascalhos, areias.
A serra descreve uma história de benefícios, conflitos e degradação. Assim, foi ne- cessário conhecer, em primeiro lugar, como se deu a evolução urbana da cidade, pois, através desse estudo, foi possível identificar os diversos problemas ambientais gerados pelo desorde- namento urbano em direção a serra e pela constante retirada de material que também possibi- litou a construção das edificações da cidade e de suas principais vias.
É certo que a política ambiental de Vitória da Conquista, mais precisamente a im- plementada na Serra do Periperi, não tem sido suficiente no sentido de garantir a preservação da área, pois não concebe o próprio ser humano como parte desse meio. Apenas há o intuito de preservar áreas verdes, impedindo a expansão urbana. Essa política perde as suas caracte- rísticas mais amplas, pois não considera os diversos aspectos do desenvolvimento humano, assim torna-se mais uma política de adequação em que as relações de poder perpetuam uma única visão sob as formas de utilização dos recursos naturais.
Em relação ao novo Código Ambiental/2007 e ao Plano Diretor/2006 da cidade, ain- da é muito cedo para fazer comentários sobre a eficácia de suas propostas, haja visto o tempo de aprovação. Porém, uma questão deve ser colocada, a de que tanto o Código como o PDU não devem apenas ser um instrumento meramente técnico, mas eficiente, e de acordo com a realidade socioeconômica da população. Não deve apenas prever as direções da expansão ur- bana, mas tornar suas propostas mais objetivas e convincentes.
Outra questão relevante no Código é a participação da população na gestão ambien- tal. Todavia, como motivar essa população a participar das decisões sem que haja primeira- mente um trabalho que não apenas informe, mas que haja formação? Como educar é uma questão fundamental nessa política, logo, a educação ambiental deve inserir o cidadão na so- ciedade, numa sociedade mais justa. Como então trabalhar o desenvolvimento sustentável na simples condição de preservar recursos, oferecer uma qualidade de vida saudável para as ge- rações presentes e futuras, se as gerações presentes não estão sendo consideradas em suas ne-
cessidades mínimas e muito menos ouvidas?
Essa não é uma pesquisa concluída. É necessário dar continuidade, dados novos vi- rão, e, seria de grande utilidade à apresentação dos dados obtidos para os órgãos responsáveis, que já demonstraram interesse em ter em mãos a cópia da dissertação para que possa ajudar na execução dos projetos em relação à preservação na Serra do Periperi.