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3. YEġĠL BĠNA GELĠġTĠRME SÜRECĠNDE GENEL NĠCELĠKSEL VE

3.5 Türkiye‟deki Diğer Uygulamalar

A Missão Integral é uma Teologia evangelical, que possui suas raízes no protestantismo e em uma relação de continuidade a essa raiz, o conceito de evangelizar carrega o aspecto de “testemunhar acerca de um Cristo transcendente, ultramundano, por meio de cujo sacrifício temos recebido o perdão dos pecados e a reconciliação com Deus.” (PADILLA,1992, p.51) A evangelização busca promover um encontro pessoal do homem com Deus em Cristo, pela ação do Espírito Santo, através do anúncio da Palavra de Deus.

Dentro dessa visão, a regeneração espiritual é tida como o elemento principal para gerar homens novos, que resultará em transformações sociais. Neste ponto, a M.I. finca as suas raízes de maneira bem firme em sua identidade protestante evangélica, pois compreende que a salvação não pode ser entendida como a satisfação das necessidades corporais, ou então confundida com melhorias sociais ou com libertação política. (PADILLA, 1992, p.51).

Porém o conceito de evangelização na M.I. é muito mais que transmitir uma mensagem de libertação dos sentimentos de culpa, e fazer do evangelho um agente aliviador de consciência que desvincule a salvação do senhorio de Deus. Segundo Padilla: “Evangelizar é proclamar Jesus Cristo como Senhor e Salvador, por cuja obra o homem é liberto tanto da culpa como do poder do pecado, integrando-se ao propósito de Deus de colocar todas as coisas sob o mando de Cristo. (1992, p.25).

Dentro dessa visão, evangelizar é proclamar o reinado de Jesus Cristo, e isso carrega consigo um chamado ao arrependimento. A relação entre o evangelho e o arrependimento é tão estreita que evangelizar pode ser tido como proclamar arrependimento para remissão de pecados (Lc 24.47).Essa relação entre ambos é tão forte que Padilla afirma que “Sem o chamado ao arrependimento não há evangelho” (1992, p.31). A mensagem de arrependimento é diferente do remorso de consciência, pois implica em mudança de atitude, uma reformulação, transformação de valores, uma mudança de mente (Rm12.2). Padilla, tratando a esta questão, afirma:

Não é o abandono de hábitos condenados por uma ética moralista, mas a renúncia a um estado de rebelião contra Deus para voltar-se para ele. Não é o mero reconhecimento de uma necessidade psicológica, mas a aceitação da cruz de Cristo como uma morte ao mundo a fim de viver para Deus. O chamado ao arrependimento aponta para a dimensão social do evangelho. Ele chega ao homem escravizado pelo pecado numa situação social específica, não ao “pecador” em abstrato. É uma mudança de mentalidade que se “concretiza” na história. É um voltar- se do pecado a Deus, não meramente na subjetividade do indivíduo, mas no mundo. (PADILLA, 1992, p.31).

A partir disso pode-se compreender que o objetivo da evangelização dentro da M.I. está extremamente relacionado ao desenvolvimento e à justiça, pois esse ato não busca apenas levar o ser humano a vivenciar uma experiência de fé subjetiva, na qual a salvação se configura como algo que possui apenas consequências para alma e para o futuro pós-morte, mas o propósito do evangelizar é, segundo Padilla, uma:

Reorientação radical de sua vida, reorientação esta que inclui sua libertação da escravização ao mundo e seus poderes, por um lado, e sua integração ao propósito de Deus de colocar todas as coisas sob o governo de Cristo, por outro. (PADILLA, 1992, p.39).

O ato de evangelizar não se direciona a um homem em um vácuo social e cultural, mas remete a um ser que está inserido em uma sociedade e cultura, por isso a evangelização deve tocar na realidade presente na qual o ser humano está inserido, responder às inquietações e clamores que lhes são comuns, reconhecendo que o problema humano não se limita aos pecados isolados particulares, mas se estende aos sistemas pecaminosos injustos e opressores. Padilla elucida essa questão da seguinte forma:

O problema do homem no mundo não é simplesmente que ele cometa pecados isolados ou ceda à tentação de vícios particulares. É , antes, que está aprisionado dentro de um sistema que o condiciona para que absolutize o relativo e relativize o absoluto, um sistema cujo mecanismo de auto-suficiência o priva da vida eterna e o submete ao juízo de Deus. Esta é uma das razões porque a evangelização não pode ser reduzida à comunicação verbal de conteúdos doutrinais, nem a confiança do evangelista pode ser depositada na eficácia de seus métodos,“(...) porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e, sim contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef. 6.12) A proclamação do evangelho que não toma a sério o poder do inimigo tampouco poderá tomar a sério a necessidade dos recursos de Deus para a luta (PADILLA,1992, p.21).

Deve-se considerar, portanto que embora o evangelho não deva ser limitado às categorias políticas, sociais e econômicas, e que a igreja não deva se transformar em um partido político usando o evangelho como uma ideologia, deve-se salientar que a evangelização tem como objetivo submeter a totalidade da vida ao senhorio de Deus, e ao direcionar essa mensagem à totalidade da vida humana, as questões políticas, sociais e econômicas se configuram como ambientes aos quais deve-se proclamar o Reino de Deus.

Dentro dessa compreensão a evangelização é apresentada como um dos agentes geradores do Desenvolvimento e da Justiça, por ser ela agente gerador de transformações. O fato de muitas vezes uma “evangelização” não resultar em transformações humanas e sociais, não significa que ela não seja um elemento de desenvolvimento e Justiça, mas nos diz que naqueles determinados casos (em que não ocorreram transformações) a evangelização não aconteceu. O evangelho não foi proclamado de maneira integral, pois, segundo Padilla: “um evangelho que deixa intocada nossa vida no mundo – a vida em relação com o mundo dos homens e a vida em relação com o mundo da criação – não é um evangelho cristão, mas um cristianismo-cultura acomodado ao espírito da época. (Padilla,1992, p.43).

2.2.1.1. O equilíbrio entre Evangelização& Desenvolvimento e Justiça

A partir do que até aqui foi descrito pode-se ver que a M.I. compreende as implicações sociais da evangelização; entende que essa possui uma responsabilidade de promover o Desenvolvimento e a Justiça. Porém pode-se notar que ainda existem muitos questionamentos quando evangelização e responsabilidade social 23 são

conjugadas na mesma frase.

Voltando um pouco na história, pode-se lembrar que o movimento evangélico surge como ponto intermediário entre os fundamentalistas e os liberais. O chamado “evangelho social”, segundo Stott, “foi desenvolvido pelos teólogos liberais. Alguns deles confundiram o reino de Deus com a civilização cristã em geral, e com a democracia social em particular, e começaram a pensar que, através de seus programas sociais, poderiam construir o Reino de Deus na terra.” (2004, p.50). Os evangélicos e os

23 Deve-se considerar o que fora dito nas páginas iniciais deste capítulo, que na M.I. o Desenvolvimento

e a Justiça, muitas vezes, são articulados juntamente com responsabilidade social, e em alguns escritos como termos similares.

fundamentalistas, por sua vez, como uma reação a essa compreensão do evangelho e de Reino de Deus, migraram para o extremo oposto, criando um bloqueio a toda forma de envolvimento social.

Porém, no congresso de Lausanne, essa cisão foi trabalhada visando encontrar um ponto de equilíbrio entre os dois extremos, e neste encontro foi apresentado de forma clara que tanto a ação social como a evangelização compõem a missão da igreja, e ambas são inseparáveis, pois se configuram como manifestações do amor de Deus.

Neste congresso restabeleceu-se o conceito integral da missão cristã, e por isso Lausannese tornou “um verdadeiro marco histórico para o movimento evangélico” (PADILLA, 2009, p.38). Em seu documento final, o PL, foi destinado um capítulo para tratar a questão da “Responsabilidade Social Cristã, no qual, o equilíbrio entre evangelização e a ação social é apresentados da seguinte forma:

Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o

envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação

implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.24 (STOTT, 2003, p.91)

Pode-se dizer que Lausanne deixou claro que ação social e evangelização são, ambas, aspectos fundamentais e indispensáveis na missão da igreja; que a missão de proclamar o evangelho não pode ser ignorada, assim como a de manifestar o amor de Deus de forma concreta. De maneira muito explícita esse congresso apresentou o dever

dos cristãos de buscar a justiça, o desenvolvimento, a conciliação de toda a humanidade, a libertação dos seres humanos de todo tipo de opressão.

A mensagem que ficou clara nesse congresso para todos os participantes que assinaram o PL foi que “a evangelização e o envolvimento sociopolítico são ambos parte do nosso dever cristão” e que “a mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação”. (PADILLA, 2009, p.37e38).

Entretanto a separação entre evangelização e responsabilidade social, além de ter suas raízes nos conflitos históricos, possui também origens teológicas. Muitos fazem uma separação entre ambas por conta de possuírem uma teologia dicotômica, que faz uma contraposição entre corpo e alma, fé e obras, indivíduo e sociedade, e redenção e justiça/desenvolvimento.

Embora exista uma diferenciação entre essas realidades que são postas como polos opostos, a teologia da M.I., mesmo reconhecendo essa distinção entre elas, faz uma leitura bíblica na qual essas ideias são entendidas como “pares em equilíbrio dinâmico e criativo” (STOTT, 2004, p.51). Dentro dessa compreensão, tanto a separação quanto a confusão desses dois aspectos são tidas com erros; mas a junção de ambos, entendendo-os como responsabilidades da igreja, é o equilíbrio que a comunidade eclesiástica, como representante do Reino de Deus, deve buscar.

Porém nesse ponto deve-se salientar que ao afirmar que evangelização e a ação social precisam estar juntas, não se quer dizer que elas não podem ser manifestadas, em momentos específicos, de maneira independente. Stott (2004) exemplifica essa possibilidade com os relatos bíblicos do “bom samaritano” (Lc 10 25-37) e com o episódio onde Felipe prega o evangelho ao eunuco (At8. 26-40). Na primeira história mesmo que o bom samaritano fosse um dos discípulos de Jesus, sua atitude de cuidar “apenas” do físico, deixando de pregar o evangelho não poderia ser julgada como errada. O mesmo pode-se dizer sobre a ação de Felipe que, ao abordar o eunuco etíope na sua carruagem, não demonstrou preocupação com suas necessidades sociais.

A partir dessa compreensão, a M.I. entende que existem momentos em que é necessária uma abordagem que utilize apenas um dos enfoques; por isso pode-se dizer que “Não é necessário que todas as campanhas evangelísticas sejam acompanhadas por um programa de serviço social simultâneo. De igual modo, não é necessário que ao alimentar as pessoas numa região assolada pela seca, primeiro se pregue para elas, pois

segundo o provérbio africano, “uma barriga vazia não tem ouvidos”.(STOTT,2004, p. 51).

Após ter sido mostrado que evangelização e ação social devem estar unidas dentro de nossa compreensão sobre missão da Igreja, porém, podendo em alguns momentos específicos, ser exercidas separadamente, faz-se necessário compreender a forma como ambas podem se relacionar de forma geral. Stott (2004) discorre sobre a questão do relacionamento entre ação social e evangelização, apontando para a existência de três tipos de relacionamentos possíveis entre ambas.

O primeiro tipo de relacionamento apresentado por ele é a ação social como uma consequência da evangelização. Nesta forma de se relacionar, a evangelização é entendida como a causa geradora do “novo nascimento”, que resulta em uma nova vida, que se manifesta em um agir novo no mundo, um agir que expressa o amor e reino de Deus ao próximo e ao mundo todo. Para um embasamento teológico dessa compreensão pode-se citar os textos de Gnl5.6 “a fé atua pelo amor”; Tg 2.18 “Eu lhes mostrarei a minha fé pelas minhas obras” e 1Jo 3.18e19 “Filhinhos, não amemos de palavras nem de boca, mas em ação e em verdade. Assim Saberemos que somos da verdade; e tranquilizaremos o nosso coração diante dele”

Olhando para outros textos bíblicos, a M.I. entende que esta ação social da igreja não é apenas uma consequência, mas uma ação desejada, se configurando assim como um dos objetivos principais do evangelho. Os seguintes textos são interpretados dentro dessa ótica: Tt.2.14 que diz: “Ele (Cristo) se entregou por nós a fim de nos redimir de toda maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras”, e Ef.2.10 “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos”.

Deve-se ponderar que o serviço ao próximo, o atuar como seres transformados por Deus, como agentes de transformação social, não são fatos que acontecem de forma automática após a evangelização e conversão. Os cristãos podem escolher negligenciar a responsabilidade social, assim como a evangelização, pois os seres humanos são dotados de incoerência e por conta disso às vezes os cristãos erram em ignorar parte ou a totalidade de sua missão. Mas ao olhar para o conteúdo da mensagem do evangelho todo a M.I. entende que a Palavra de Deus deve transformar “todas as áreas de nossa vida pessoal e social” (STOTT, 2004, 53).

O segundo tipo de relacionamento possível entre evangelização e responsabilidade social é aquele no qual a ação social serve como ponte para a

evangelização. Esta segunda forma pode ser vista nos muitos casos em que ação social resulta em uma quebra das barreiras que a “evangelização” não conseguia transpor. É utilizado para fundamentar essa relação o próprio ministério de Jesus, que em muitos momentos realizou ações de misericórdia antes de proferir uma mensagem oral a respeito do evangelho.

Dentro dessa lógica, a proclamação do evangelho busca partir das necessidades presentes e sentidas pelas pessoas e sociedades, para então responder à sua necessidade de um relacionamento pessoal com Deus. Essa forma de entender a relação entre ambos os aspectos compreende que “se nós fecharmos os olhos para o sofrimento, a opressão social, a alienação e a solidão das pessoas, não podemos nos surpreender quando elas fecharem os ouvidos à nossa mensagem de salvação eterna” (STOTT, 2004, P.53).

Neste ponto deve-se tomar o cuidado para não se confundir a ação social, que cria pontes de maneira natural, com a ação social de barganha, que é usada como uma estratégia de evangelização, na qual se faz o bem pensando em comprar a adesão do indivíduo, ou sociedade, à fé, criando assim as chamadas conversões interesseiras, que se dão a partir da troca dos benefícios materiais.

Discorrendo sobre esse cuidado que se deve tomar para não confundir M.I.com barganha da fé, pode-se citar Ricardo Quadros Gouveia, que no capítulo intitulado “Missão Integral: um convite à reflexão”, diz que:

Não há equívoco mais contrário ao espírito da teologia da missão integral, em minha opinião, do que pensá-la como uma estratégia para evangelização. É evidente que os adeptos da teologia de missão integral logo dirão que o próprio conceito de evangelização ganha novas cores a partir da doação da noção de missão integral, que deixa de ser mera conquista de almas para Cristo, etc. Porém, por outro lado, quem comete esse equívoco ainda não está em geral, sob o impacto de uma nova compreensão do evangelho e da missão da igreja que a teologia de missão integral impõe. De qualquer forma, os evangélicos em geral tendem a cair ou recair em fórmulas gnósticas que separam e distinguem o material e o espiritual, o corpo e a alma, num espírito contrário ao do ensino neotestamentário. Vale a pena, portanto, lembrar e alertar que, acima de tudo, missão integral não é uma estratégia ou técnica de evangelização (GOUVÊA, 2011,p. 134-135) Mas, essa relação de evangelização e ação social como ponte, deve acontecer dentro da compreensão de que os atos que visam o desenvolvimento e a justiça são expressões do amor de Deus para com sua criação, e de seu reinado sobre a vida de seus discípulos. Dessa forma as ações se livram de ser tentativas interesseiras proselitistas,

estratégias de evangelização, e se configuram como expressões do reino de Deus que podem estabelecer pontes entre a mensagem do evangelho e o mundo.

A terceira forma de relacionamento possível entre evangelização e responsabilidade social é aquela em que ambas são vistas como parceiras. Dessa compreensão advêm uma das frases mais conhecidas da M.I. sobre esse tema, que é “A ação social e a evangelização são como as duas lâminas de uma tesoura, ou como as duas asas de um pássaro”(STOTT.2004.p.54). Essa visão de relação é também, assim como as outras, fundamentada no ministério público de Jesus, pois ele pregou o evangelho, alimentou os famintos e curou os enfermos, conciliando assim, o kerygma(proclamação), a Diakonia(serviço) e o Didaqué(ensino).

Para compreender melhor esse conceito, pode-se ver a interpretação que a M.I. faz do texto de Mt 4.23 no qual está escrito: “Jesus foi por toda Galileia, ensinando nas sinagogas deles, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças entre o povo”. Neste versículo é apresentado de forma resumida o ministério de Jesus, e nele vemos a parceria existente entre ensino e proclamação com o serviço. Padilla, ao analisar esse texto, afirma que o fato de ambas as ações serem colocadas como parceiras no ministério de Jesus:

Pressupõe um conceito de salvação que abarca a totalidade do homem e não pode ser reduzido ao perdão de pecados e à segurança de uma vida interminável com Deus no céu. A uma visão integral da salvação corresponde uma missão integral. Salvação é saúde. Salvação é humanização total. Salvação é vida eterna, vida do Reino de Deus, vida que começa aqui e agora e atinge todos os aspectos do ser do homem (PADILLA,1992, p.34).

Dentro dessa lógica relacional de parceria, expressa no versículo citado, pode-se ver que, por conjugá-las como parceiras, as palavras de Jesus expunham suas obras, e suas obras testificavam suas palavras. Como parceiras, ambas as ações expressavam o amor de Deus pelas pessoas. A partir desse exemplo, a MI entende que o agir da igreja no mundo deve seguir os mesmos passos. Suas palavras e ações devem ser parceiras na missão de proclamar o Reino de Deus à terra.

É valido fechar esta parte que trata a relação de parceria entre ação social e evangelização com a citação de Stott, que comentando sobre esse relacionamento, diz: “Isso não significa que sejam idênticos um ao outro, pois a evangelização não é, em si, responsabilidade social, tampouco responsabilidade social é evangelização. No entanto uma engloba a outra”. (2004, p.50-54).

Pode-se concluir esse tópico dizendo que na compreensão da M.I. ambas as ações, evangelização e responsabilidade social, são embasadas no caráter de Deus, pois Ele é o Deus justo, que repudia todo tipo de maldade, mas ama a justiça. Sua face de juiz é apresentada também com a de misericórdia, como consequência dessa justiça misericordiosa se crê em um Deus que criou o universo e se põe a cuidar dos necessitados, fazer justiça aos oprimidos, dar pão aos famintos, libertar os encarcerados, dar vista aos cegos, guardar o peregrino, amparar os órfãos e as viúvas, e se apresentar como aquele que ama os justos e que muda o caminho dos ímpios (Sl 146.7-9). Stott, refletindo sobre a repercussão do caráter de Deus no ser e agir na igreja, à luz do Salmo 146, afirma que:

Reconhecemos que não temos a autoridade nem o poder para fazer tudo o que o Senhor faz. No entanto, uma vez que esse texto nos

Benzer Belgeler