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3. YEġĠL BĠNA GELĠġTĠRME SÜRECĠNDE GENEL NĠCELĠKSEL VE

3.4 Türkiye‟deki Yasalar, Yönetmelikler ve Uygulamalar

Muitos respondem a essa pergunta atribuindo única e exclusivamente ao Estado a responsabilidade de buscar e promover o desenvolvimento e a justiça, porém segundo Paula (2008)se observarmos as sociedades e comunidades que obtiveram um desenvolvimento significativo, descobriremos que é imprescindível a “cooperação e parceria entre Estado, Mercado (entendido aqui como o conjunto dos agentes

econômicos)e Sociedade (entendida aqui como o conjunto das organizações sociais, de todo tipo)” (PAULA, 2008, p.194).

O papel que a comunidade local exerce no desenvolvimento é indispensável, pois são as pessoas que fazem parte daquela sociedade as que possuem melhores condições para lutar e combater a falta de desenvolvimento e a injustiça sentida por elas.Portanto, a igreja, como uma organização local possui sim uma contribuição a ser feita para o desenvolvimento e a justiça.

No âmbito teológico, a M.I. entende que os problemas sociais têm suas raízes na pecaminosidade da raça humana; e isso resulta tanto em pecados individuais como em pecados sociais e estruturais. A partir dessa compreensão a igreja possui a responsabilidade de oferecer uma resposta a essa realidade. Stott, frente essa questão, afirma que:

Somente o evangelho pode transformar o coração do homem. Nada pode tornar um povo mais humano do que a influência do evangelho. Mas não podemos nos limitar à proclamação verbal. Além da evangelização mundial, o povo de Deus deve se comprometer profundamente com a assistência social, o auxílio, o desenvolvimento e a busca da justiça social e da paz. (STOTT,2004, p.48).

Deve-se notar que a resposta que Stott propõe transcende a proclamação verbal chegando ao comprometimento com as demandas sociais. Com isso, e considerando o que já fora dito até aqui, quanto à responsabilidade pelo desenvolvimento e a justiça, pode-se dizer que a Igreja possui a missão de se engajar como expressão do reino em todas as formas de relações humanas, sejam estas sociais, ambientais ou religiosas.

Uma vez reconhecido que a igreja possui a responsabilidade de promover desenvolvimento e justiça, questiona-se “como promovê-los?” pois pode-se dizer que todas as vezes em que se fala de “responsabilidade social”,em geral, o que vem à mente é a ideia de projetos sociais de cunho assistencialista (desenvolver um projeto para criação de uma sala de aula para oferecer reforço escolar para crianças, distribuir cestas básicas, etc). Estes atos possuem seu valor, porém, sabe-se que, no que se refere a pecados sociais e a estruturas opressoras, estas ações da igreja, se quiserem ser efetivas em sua busca por desenvolvimento e justiça, precisam ser acompanhadas de intervenções que toquem nas estruturas sociais.

Para compreender as possibilidades de ação que se abrem para a igreja frente a essa tarefa, usaremos o conceito de Hélcio da Silva Lessa, extraído do livro “Ação Social Cristã”.Esse autor dividiu a responsabilidade social em três tipos de categorias:

a) Assistência Social, b) Serviço Social c) Ação Social. Ao analisar cada uma dessas categorias, vê-se que quando conciliadas,elas se configuram como formas de promover o desenvolvimento e a Justiça.Para tornar mais claro este conceito, Lessa usa, como exemplo, o caso da escravidão e as possibilidades de ação da igreja frente a essa situação específica, lançando mão dos três tipos de categorias possíveis de ação da Igreja, para tornar seu conceito mais claro.

No tempo da escravatura era algo comum ver escravos sendo castigados e surrados no pelourinho por seus donos. Frente a esse fato vê-se três possibilidades de ação da igreja se abrindo. A primeira se dá por meio do ato de levar água e comida a estes escravos feridos e cuidar de seus ferimentos. Porém, deve-se destacar que esta atitude não toca na raiz do problema da escravatura, mesmo sendo um ato de compaixão e demonstração de sinais do reino de Deus. Esse tipo de resposta ao problema é o que Lessa denomina de “Assistência Social”.

Frente a esse mesmo fato surge a possibilidade do “Serviço Social”, no qual outros cristãos, com o objetivo de libertar os escravos daquela situação de injustiça e opressão, compram alguns escravos, oferecendo a estes liberdade e oportunidade de trabalho para que possam sobreviver. Porém deve-se considerar que apesar de ser uma atitude, assim como a anterior, que se configurava como um ato de compaixão e expressão dos sinais do Reino de Deus, esta atitude não colocava fim na instituição da comercialização dos escravos.

A terceira e última possibilidade que se abre frente a essa situação é aquela que Lessa chama de “Ação Social”. Esta pode ser vista na luta daqueles que se levantaram contra a instituição da escravatura, buscando transformação da estrutura social, para que não mais houvesse escravos pendurados no pelourinho, nem fosse mais necessário realizar a compra da liberdade deles. Esta ação, portanto, tinha como objetivo acabar com o regime escravocrata, tirando o mal pela raiz. A esse tipo de atitude Lessa atribui o nome de “Ação Social”.

Outra forma como a Igreja pode agir para o Desenvolvimento e a justiça é apresentado por José Comblin, em seu conceito de “diakonia política”. Comblin afirma que essa diakonia:

Está ali para restabelecer uma certa igualdade acrescentando a sua força à fraqueza das vítimas da injustiça institucionalizada. (...). Essa diakonia toma diversas formas: assistência jurídica às vitimas de situações injustas; por exemplo, a situação de camponeses sem terra

que querem a expropriação de uma terra não-produtiva. Assistência jurídica a camponeses presos arbitrariamente por ordem dos proprietários. Assistência jurídica a posseiros expulsos da terra em que trabalhavam desde tempos imemoriais. Assistência jurídica a desempregados expulsos do seu trabalho sem atender às leis sociais. Assistência jurídica a grevistas. Assistência jurídica a presos torturados nas delegacias ou nos presídios. (...) Numa palavra, a diakonia será aqui a educação para a cidadania. (COMBLIN, 2003, p.82).

Comblin (2003) entende que a diakonia do trabalho consiste no serviço de apoio aos trabalhadores buscando encontrar forças e mecanismos em comunidade para que as empresas funcionem como agência de serviço e não de destruição da humanidade. Essa forma de agir se configura como uma busca por desenvolvimento e justiça por assumir uma postura que busca tornar justas as relações, e isto é, dentro do conceito da M.I., uma manifestação do Reino de Deus.

Segue abaixo um breve esboço dos conceitos de autores que compreendem essa forma multifacetada de agir da igreja para realização de sua missão, ações que podem ser interpretadas como convergentes a essa compreensão de Lessa, e, acima de tudo, como formas de um agir que visa o Desenvolvimento e a Justiça.

O primeiro que se pode citar é Manfred Grellert (1987). Este autor, ao falar sobre “projetos sociais”, apresenta três aspectos que podem estar presentes nesse agir da igreja: O assistencialismo paternalista; O instrutivo ou educativo; e O participativo.

Robinson Cavalcanti (1987) apresenta três intervenções possíveis que a igreja pode ter para gerar as transformações sociais, as quais são: Projetos de Filantropia, Projetos de Desenvolvimento e Projetos de Ação Política.

Pelo fato de a Igreja possuir essa responsabilidade de ser uma promotora da justiça e de desenvolvimento, e de alcançar não somente o indivíduo, mas também as estruturas, esses projetos de ação política se tornam essenciais, pois para alcançar o objetivo de transformar as estruturas como sistema penitenciário, econômico, político, judiciário, dentre outros, são necessárias as ações políticas, pois, sabe-se que mudanças sociais requerem, também, ações que toquem na política. Porém, quando se trata de ações políticas promovidas e buscadas pela igreja,dentro dos conceitos da M.I., estas devem ser compatíveis com os princípios bíblicos, pois estes são para ela seu referencial maior, sua regra de fé e prática.

O`Gorman (1982) apresenta quatro formas de se trabalhar para o desenvolvimento e a justiça, que ele vai chamar de “promoção humana”. Para este autor

esse objetivo pode ser alcançado por meio de assistência, ensino, participação e transformação.

Ele compreende que este ato de Promoção Humana pela Assistência se dá quando ocorre uma ajuda financeira e material direta para uma necessidade imediata (exemplo: fome, frio, enfermidade). O autor reconhece esse ato como uma caridade, porém, alerta para o perigo de restringir a missão ao assistencialismo, que gera uma dependência desumanizante e uma situação de não desenvolvimento e conivência com a injustiça social.

A Promoção Humana por meio do Ensino é vista como uma forma de desenvolver as capacidades dos indivíduos em situações opressoras injustas, oferecendo-lhes a formação para ter acesso aos bens que a sociedade possui. De maneira mais simples, pode-se dizer que é o ato de ensinar a pescar e não apenas oferecer o peixe.

Na Promoção Humana Pela Participação, O`Gorman entende que o indivíduo, neste aspecto, recebe e oferece o apoio para seu desenvolvimento numa relação de cooperação. Usando a imagem da pesca como exemplo, é quando os pescadores se juntam e criam uma cooperativa, para ajudar e serem ajudados.

E a quarta e última forma de Promoção Humana apresentada por este autor é por meio da Transformação. Nesta, as estruturas opressoras são tocadas, resultando em uma transformação estrutural significativa que faz com que, aquele que um dia precisou ganhar o peixe, aprendeu a pescar e se juntou a outros pescadores para se ajudarem; na transformação lhes é oferecida a oportunidade de vender seus peixes. Desta forma o individuo é liberto da opressão, lhe é oferecido o direito de ser um sujeito na sociedade, pois as estruturas injustas e opressoras foram transformadas.

A partir desse breve esboço de abordagens que fala sobre a responsabilidade social da igreja, fica claro que esta contempla tanto ações de misericórdia quanto de filantropia, por meio das ações assistencialistas, e vai até a prática da justiça e do desenvolvimento, gerando mudanças estruturais.

Respondendo à pergunta “como promover o desenvolvimento e a justiça?” pode- se dizer que a igreja, como expressão do reino de Deus, deve buscar o desenvolvimento e a justiça como forma de manifestar o reinado de Deus no reino dos homens. E ela faz isso por meio de um engajamento nas questões locais e também ao se comprometer em um agir que,para alcançar seu objetivo, se dá por meio de todas as ações citadas acima

como formas possíveis de atuação da Igreja, as quais podem ser resumidas, dentro do conceito de Lessa, como Assistência Social, Serviço Social e Ações Sociais.

Porém deve-se salientar que cada etapa/enfoque dessa responsabilidade social não deve ser considerada como etapa estanque e alienada das outras, pois deve existir entre elas uma forte conexão para que possam acontecer simultaneamente, ou em uma relação de continuidade. Deve-se considerar que indivíduos possuem necessidades imediatas que carecem de ações assistenciais, mas elas devem ser realizadas visando o desenvolvimento e não a dependência desumanizadora. Por isso, é necessário julgar qual a ação que melhor cumprirá o objetivo de desenvolvimento e justiça em cada contexto e situação.

As palavras de Zwestsch soam como conclusivas nesse ponto do trabalho ao dizer:

Uma das questões mais desafiadoras, nos dias atuais, é as igrejas reconhecerem-se a si mesmas como a comunidade global de Jesus Cristo, chamada por ele para ser sua testemunha num mundo marcado pela globalização imperial, por injustiça e pobreza, guerra e violência, materialismos e a destruição da criação de Deus (ZWESTSCH, 2008, p. 197e198).

Portanto, cabe à Igreja usar todos os meios cristãos, éticos e sociais, para promover o desenvolvimento e lutar pela justiça, pois, como comunidade incumbida de sinalizar e manifestar o Reino de Deus em meio ao reino dos homens, esta não pode negligenciar sua responsabilidade no que se refere às relações humanas. Onde quer que estas relações injustas e opressoras aconteçam, a Igreja sempre terá algo a dizer e a fazer, e uma forma correta para dizer e fazer o que for necessário.

Benzer Belgeler