1. GENEL BİLGİLER
1.8. Türkiye’deki Zabitan Yeterlikleri
Os vínculos são fundamentais para o estabelecimento dos laços entre os indivíduos, pois é nesta estrutura social que começamos a estabelecer contato com os comuns e a ensaiar o ritual que envolve a aproximação com o outro, aspectos que fazem parte de sua natureza. Falar em natureza do vínculo é uma questão complicada, já que o mais relevante para tal trabalho não é a discussão de suas características associadas aos estudos de biologia e psicologia. O que se busca na utilização de conceitos de vínculos é sua conexão direta com a comunicação e o apontamento de suas conseqüências para essa relação entre o eu e o outro.
Os estudos realizados pelos biólogos e pelos psicólogos merecem consideração, à medida que trazem grandes contribuições para o campo das humanidades. O conhecimento propiciado por tais estudos é fundamental para o conceito de vínculo aqui utilizado, uma definição em construção que visa orientar o entendimento da comunicação dentro do universo da família. De uma forma geral, a sociedade está hierarquicamente organizada de modo a estabelecer grupos que compartilham de uma determinada realidade social.
Isto é, as pessoas estabelecem contato, se vinculam com outros, que por algum motivo tenham de vivenciar determinadas situações dentro de uma estrutura social, assim acabam por se organizar em grupos de interesse e garantir lugar dentro dessa organização. Analisando a questão do pertencimento sob essa ótica dos grupos sociais, podemos imaginar que a escolha pessoal em fazer parte de um determinado grupo social seja determinante.
Acontece que essa estrutura sugerida por uma definição consciente da vinculação entre o eu e o outro não é exatamente o que se pode verificar na formação da família. Há indícios de que o nascimento seja o primeiro aspecto que nos alerta sobre essa visão restritiva de poder escolher o grupo social ao qual vamos fazer parte. Nascer em um
determinado ambiente não parte de uma escolha individual, mas da aceitação em partilhar de uma determinada realidade na qual se está sendo inserido.
O recém-nascido é recebido por uma estrutura previamente estabelecida, com papéis sociais bem definidos e com condições que já lhe indicam o modo como será seu desenvolvimento. Tais condições para o desenvolvimento são determinantes para o bebê, pois são elas que garantem sua sobrevivência dentro do núcleo familiar. O vínculo estabelecido pelo nascimento é a garantia de que um novo indivíduo fará parte de um grupo, compartilhará de sua hierarquia e estará inserido em sua estrutura de uma forma ambivalente. Por um lado, o nascimento é a representação de que aquele grupo social ganha força e se manterá vivo por meio das novas gerações, por outro, a vinculação da criança com o grupo social que lhe acolhe é a garantia de sua sobrevivência.
O homem só sobrevive porque logo após o nascimento é inserido num contexto que lhe permite estabelecer vínculos e se desenvolver sadiamente. O ambiente da acolhida do recém-nascido é o que define a forma como esse indivíduo se relacionará com o mundo, seus valores, suas crenças e seus dogmas. A vinculação é uma condição essencial para que a identificação com seu povo e com seu lugar de origem também lhe assegure direito à cidadania.
“A criança nasce em determinado território social e geográfico. Imediatamente recebe o direito à cidadania: é natural de algum lugar. Este lugar será incluído na sua definição, na sua identidade. A criança nasce, portanto, em uma comunidade. ‘Sou filho de tais pessoas e sou de tal lugar’. São duas coordenadas que permitem a qualquer um situar-se no mundo”. (VICENTE, 2000, p. 48)
A cidadania está geralmente associada à questão dos direitos humanos e isso faz certo sentido se considerarmos que uma das principais pautas de discussão em encontros e debates das organizações competentes, tais como a ONU, se voltam para essa temática. Não há como haver garantia de direitos humanos sem cidadania, nem cidadania sem garantia de direitos humanos – direitos inerentes à pessoa humana – pois o exercício da cidadania é o exercício dos direitos humanos e vice-versa. De uma certa maneira os direitos humanos respondem à necessidade da discussão do cidadão dentro da sociedade, só que a
cidadania também compreendida como o situar se no mundo, implica em considerar as relações estabelecidas por meio da vinculação.
O direito à família ultrapassa a noção de cidadania pelo pertencimento. O poder pertencer a uma família, logo a uma estrutura social bem definida, é um dos aspectos da cidadania, juntamente com a necessidade da sobrevivência. Mas se o nascimento garante um lugar de mundo na hierarquia da família e possibilita a sobrevivência e a cidadania por meio da vinculação, então podemos arriscar um palpite e dizer que a comunicação existente em tal universo, por meio da relação – vinculação entre os familiares, é o que garante a sobrevivência do recém-nascido.
De fato, essa colocação vai ao encontro com a definição de comunicação como a ponte entre dois corpos distintos (BAITELLO, 2005, p. 70) quando temos por base a consideração do momento específico em que os corpos Eu - Outro se mantêm em contato para o ritual de captura. Pode ser chamado de ritual de captura o processo de aproximação do outro em busca de um contato, geralmente realizado através do olhar, e uma possibilidade de comunicação entre esses dois corpos.
“A criança compreende, aos dois ou três anos, que ao olhá-la o outro a captura. Se deseja essa captura, ela sorri e se precipita de encontro ao outro, cujo olhar adquire então sua função de apelo. Se recusa essa captura, vai se esconder para evitar o outro, cujo olhar assume então sua função de intrusão”. (CYRULNIK,1995, p. 42)
Só que a discussão da criação das relações familiares apenas pelo viés do nascimento se limita a uma, entre várias, das questões da comunicação. A forma como a criança é introduzida em um determinado ambiente, é fundamental para que se possa compreender o processo de desenvolvimento da comunicação em sua primeira instância.
A partir do nascimento e com o passar dos anos, o homem se torna capaz de desenvolver novas formas de relacionamento e de se comunicar, tanto na família, que é o primeiro ambiente comunicacional no qual é posto em contato, como nos mais diversos ambientes. O homem vai criando novas artimanhas para o contínuo processo de desenvolvimento da comunicação ao garantir um maior número de relações – vinculações. Além disso, suscita o sentimento de que está sendo cada vez mais acolhido pelas
instituições que se balizam pelas relações pessoais, seja em nível familiar, pessoal ou profissional.
“A comunicação evolui para tornar-se um substituto adequado da ação na relação social, quando a criança começando a andar torna-se consciente de que está dirigindo uma mensagem ao ‘outro’. Símbolos, gestuais ou verbais, são agora empregados para transmitir não apenas conteúdos ideacionais, mas também operações mentais da natureza de processos dinâmicos. (...) Cada um dos sucessivos passos desse processo é marcado pela criação de um novo corpo de padrões de comportamento visando à comunicação”. (SPITZ, 1998, p. 142-143)