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Yapmakta Olduğunuz İşi Hangi Sektörde Tanımlarsınız? (“Diğer” Kutucuğu

3. BULGULAR VE İRDELEME

3.31. Yapmakta Olduğunuz İşi Hangi Sektörde Tanımlarsınız? (“Diğer” Kutucuğu

Apesar da crise que assolava a imprensa e a falta de liberdade dos profissionais de jornalismo nos meios de comunicação, como um todo, o rádio vinha seguindo um caminho trilhado pelo sucesso. De fato havia o investimento do capital estrangeiro, mas a questão da divulgação ideológica ficava em segundo plano diante da genialidade dos profissionais responsáveis pela grade de programação das emissoras.

A ideologia por trás da notícia até podia existir, mas essa interferência direta entre a informação e o antinacionalismo era uma questão administrada com mais facilidade pelos profissionais do ramo. No rádio havia sido descoberta uma fórmula de sucesso na divulgação de notícias. Vale citar a primeira edição do Repórter Esso transmitida pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro em 1941 (programa que seria reproduzido em 52 com formato para televisão, como foi dito anteriormente). Durante 17 anos o programa estabeleceu uma nova forma de se fazer radiojornalismo, com uma maior dedicação no tratamento das informações, um ritmo diferenciado e uma linguagem acessível aos ouvintes.

Essa descoberta relativa ao radiojornalismo se estendeu por toda a programação que ao invés de ficar amarrada na divulgação dos principais acontecimentos no cenário político ou dissertar sobre os planos que tentavam modificar a estrutura das indústrias, se voltou para o entretenimento. Os ouvintes queriam saber das notícias, mas também queriam partilhar desse universo que lhes permitia sonhar.

O sonho vinha dos programas de humor, de esporte, de auditório e, principalmente, das radionovelas. As radionovelas foram responsáveis por um alto índice de audiência, de acordo com medições do período realizadas pelo IBOPE7, durante boa parte de suas transmissões no rádio. Para se ter uma idéia desse sucesso, a primeira radionovela apresentada em 41 foi uma versão da mexicana Em busca da felicidade e a atração continuou no ar por três anos.

Na seqüência veio a adaptação da cubana O direito de nascer e a resposta veio imediatamente com o interesse de inúmeros ouvintes, entre eles donas de casa, que passaram a reservar as noites para acompanhar os capítulos da radionovela. “Tendo as

7 A possível contagem do número de ouvintes começou em 1942, por conta do surgimento do Instituto

donas de casa como público alvo, as histórias exageravam no drama, sem deixar de lado a religião e o romance água com açúcar” (ALVES e MORAIS, 2004, p. 5).

O sucesso foi tamanho que, até meados da década de 50, o Rádio-Teatro Nacional já havia transmitido 861 novelas8. Havia uma tendência do número de radionovelas aumentar com o passar dos anos, considerando o caráter das produções em atingir um grande público e lançar artistas que se tornavam celebridades. É interessante observar como as novelas do rádio conseguiram fazer uso do imaginário popular e lançar profissionais que foram “apadrinhados” pelo público, segundo uma lógica de heróis- modelos que propõe mitos de nossa auto-realização (MORIN, 1997, p. 90).

Talvez o surgimento de bons profissionais por meio da prática de determinado trabalho tenha sido o grande responsável pela reviravolta de sucesso, no que diz respeito ao apogeu do rádio e ao início do declínio, com a introdução da televisão quando o rádio vivia sua fase chamada de “era de ouro”. A televisão deu início a suas atividades, assim como o rádio na década de 20, por meio de experimentações. No entanto, havia um câmbio de profissionais que modificou a estrutura do rádio, uma vez que muitos dos responsáveis pela programação decidiram se aventurar por terras desconhecidas em estúdios de televisão.

Além dos profissionais responsáveis pela parte técnica e operacional, os artistas “apadrinhados” pelo público se sentiram convidados a tentar outros tipos de trabalho, com a possibilidade de se fazer telenovela e ter sua imagem conhecida pelo público ouvinte que conferia suas atuações nas radionovelas.

“Não existe, no Brasil, anteriormente à formação destes meios, uma tradição de radialistas ou escritores de radionovelas ou radioteatros. Alguns produtores são importados de outros países, como Gloria Magadan, que escreve roteiros de radionovelas e, posteriormente, de telenovelas. É também assim com a televisão. Autores como José Castelar vêm do rádio para TV; outros, como Durst, migram do cinema; outros ainda, como Lauro César Muniz ou Dias Gomes, trazem, do teatro para a TV, a experiência

dramatúrgica. É de maneira experimental que se constrói a história do rádio e televisão no Brasil”. (BORELLI, 1996, p. 130)

A passagem desses profissionais para a televisão foi uma ação que anunciou a necessidade de mudança do rádio. Não era possível manter a estrutura, apresentar a mesma linha de programação e oferecer os profissionais remanescentes da “era de ouro”. A introdução da televisão abalou a estrutura do rádio e obrigou que fossem tomadas medidas enérgicas para que conseguisse manter os índices do IBOPE, sem que essa mudança de postura significasse a perda das características principais desse veículo.

Por isso é pretensioso dizer que a introdução da televisão na década de 50 acabou com o rádio. O rádio não acabou e dificilmente vai acabar, pois a diferenciação entre o que é produzido para o rádio e para a TV, o formato, a linguagem, a duração, entre outros fatores, revelam que cada um mantém um público cativo. Além disso, o público ouvinte e o telespectador conseguem reconhecer as diferenças entre os dois veículos. Parece mais adequada a afirmação de que o surgimento de um meio de comunicação que se apropriou dos profissionais e de muitas características de um outro meio, fosse capaz de anunciar a transformação, que neste caso se refere ao início do declínio do rádio após décadas de apogeu.

A modificação imposta ao rádio vai deixar ainda mais claro que era necessário encontrar uma forma de se comunicar por este meio que já não fosse a fórmula que vinha sendo utilizada desde 22. O impulso para essas mudanças veio com o passar do tempo, fazendo uso, novamente, da experimentação em tentar levar ao ar uma programação mais específica. Dessa forma, o rádio começou a se tornar um meio mais segmentado, apresentando formatos distintos entre as emissoras e oferecendo mais estilos de programas informativos, a fim de atrair um maior número de pessoas com diferentes perfis.

Nesse momento de necessidade de modificação estrutural do rádio, é importante destacar como atuou o pioneirismo de determinados profissionais. O melhor exemplo dessa atuação foi a de Anna Khoury, que depois de seis anos de fundação da Rádio Eldorado no Rio de Janeiro, que ocorreu em 1949, fundou a Rádio Imprensa FM. A era da freqüência modulada ocorria por meio de receptores que funcionavam como se fosse

uma linha telefônica privada, na qual a onda de FM ligava os transmissores de rádio ao estúdio.

O mais interessante dessa história é que a modificação na estrutura do rádio não dependia somente da introdução da televisão no país, como se fosse um evento isolado. Seu surgimento e disseminação estavam diretamente ligados aos fatos políticos do período, assim como os acontecimentos no rádio ocorriam de forma concomitante. Isso para dizer que a criação da Rádio Imprensa FM foi resultado de uma ação política, na qual Anna Khoury havia sido espoliada da Rádio Eldorado AM em resposta ao interesse de grupos jornalísticos politicamente influentes.

O surgimento da Rádio Imprensa FM foi tão inovador que a emissora utilizou o primeiro transmissor construído no país e teve de começar a produção de rádios receptores de FM. Com a fabricação dos receptores, os clientes passaram a locar esses aparelhos e ouvir música durante a programação. Após duas décadas de domínio da Rádio Imprensa, que liderava solitariamente o universo da FM, outras emissoras surgiram e a grade musical passou a ser formada por momentos de locução.

A Rádio Imprensa FM é um dos casos que exemplifica a realidade do rádio na década de 50 em ter de modificar a estrutura do veículo tal como existia. A segmentação do rádio e a criação de uma FM musical foram medidas que driblaram as perspectivas daqueles que anunciavam a morte do rádio. Na verdade, essa questão do rádio e da televisão se inter-relacionam de modo a influenciar e sofrer influências. A introdução da televisão nos anos 50 influenciou uma modificação no rádio, enquanto o modelo de funcionamento do rádio era a principal estrutura de comunicação utilizada para o processo de implantação da TV.

Sendo assim, o rádio e a televisão são veículos de comunicação que apresentaram inúmeras semelhanças e, ao mesmo tempo, são meios que apresentaram características peculiares. Embora muitos ouvintes tenham sido atraídos pela TV, o rádio conseguiu manter um público fiel que dava sustento para a manutenção de suas atividades. É correto dizer que houve um impacto da TV sobre a “era de ouro” do rádio, porém também é correto afirmar que a televisão foi obrigada a encontrar um esquema, um modelo de funcionamento que chamasse a atenção do público sem repetir exaustivamente as fórmulas de sucesso dos programas de rádio.

Um dos fatores responsáveis pela co-existência desses dois meios de comunicação foi essa capacidade quase que paradoxal de manter algumas características em comum e estabelecer determinados pontos que fossem diferentes entre eles. O início do declínio do rádio e o furor causado pela introdução da TV são aspectos que determinaram uma convivência entre essas duas realidades. Uma convivência difícil de ser compreendida, mas que conseguiu resistir ao longo dos anos, de acordo com o entendimento por parte de seus profissionais de que cada veículo devia desenvolver um tipo de mecanismo próprio de sua linguagem. O rádio procurou manter o número de ouvintes e a televisão a chamar cada vez mais telespectadores.

Indo mais além, o reconhecimento de que o rádio e a televisão deviam manter suas diferenças provenientes do caráter de cada um é uma estratégia apontada pela reação do próprio público. Isso porque o rádio e a televisão são instâncias que competiram de forma mais acentuada durante a década de 50, já que o rádio vinha desenvolvendo trabalhos notórios e obtendo um alto índice de audiência, quando a televisão chegou e diminuiu um pouco seu grau de atuação.

O surgimento de um aparelho que permitisse a transmissão de imagens por meio de uma estrutura própria, que contava com receptores de TV, foi um grande impacto. Na verdade, a sociedade como um todo passava por mudanças que visavam à movimentação da economia, o crescimento das indústrias, a geração de empregos, o desenvolvimento dos centros urbanos e isso também tem a ver com os bens de consumo aos quais as famílias passavam a ter acesso.

O objeto de estudo deste trabalho é a televisão, mas é fundamental esclarecer que a geladeira, o carro e, até mesmo, o rádio, passaram por uma fase em que poucos podiam desfrutar de seus benefícios. Essa dificuldade encontrada pela população em poder possuir determinado produto foi o que gerou um certo sentimento de desejo. E não podia ser diferente. Os primeiros 200 televisores implantados no país não conseguiam estar ao alcance de todos os que se interessava por esse novo aparelho, já que apenas na cidade de São Paulo o número de habitantes era de 2,2 milhões (MELLO, 1998, p. 586).

Um grande número de pessoas interessadas em comprar a televisão, enquanto poucos aparelhos eram vendidos a preços pouco convidativos foi a fórmula necessária para que, em um curto espaço de tempo, a televisão houvesse se tornado um

objeto de desejo. Na verdade, a televisão se tornou um objeto de desejo por causa das condições de compra, mas também porque a curiosidade das pessoas deu início a um pequeno processo de mudança de comportamento das famílias que gostariam de saber do que se tratava a televisão.

A comoção em torno de um novo “eletrodoméstico” foi um misto de acontecimentos que levaram toda a situação do surgimento da televisão às páginas dos jornais. Os anúncios da época apresentavam os novos aparelhos como criações fundamentais para a possível distinção entre as classes sociais. De forma mais específica, podemos dizer que houve uma certa valorização social daqueles estabelecimentos que conseguiram comprar a televisão. Se para os estabelecimentos comerciais a posse da TV era um grande diferencial, a questão se tornava muito mais relevante quando essa relação de status se refere às famílias da época.

Figura 1: O Estado de São Paulo - Caderno Principal - p.16 - Domingo, 28 de agosto de 1955.

Ainda acerca desse apontamento de que a televisão havia se tornado um objeto de desejo, é interessante observar que não somente a condição financeira interferiu nessa valorização do aparelho. Apesar do impacto, o grau de penetração da televisão na sociedade ainda era muito pequeno pela questão financeira e pela manutenção de um

público cativo ao rádio. Até mesmo algumas famílias que tiveram condições financeiras não se animaram logo no princípio para introduzir a televisão dentro de seus lares única e simplesmente porque ainda não haviam pensado em introduzir esse novo costume9 de assistir à televisão em seus lares.

De imediato, a população não tinha condições financeiras, nem estava habituada a uma forma de entretenimento e de informação que fosse diferente do rádio. Porém, ao longo de dez anos, o número de aparelhos no país chegou a quase dois milhões (MATTOS, 2002, p. 176) o que revela uma abertura, tanto em termos financeiros como em termos de comportamento. Uma parcela maior da população conseguiu adquirir o televisor, bem como ampliou sua noção de meio de comunicação quando passou a aceitar a existência da televisão em sua esfera familiar.

Isso porque o número, que pode parecer relativamente pequeno se pensarmos na proporção continental do território brasileiro, é um termômetro positivo. As pessoas adotaram uma postura que representou um “boom” na disseminação da televisão se imaginarmos que, pouco tempo antes de sua implantação, não havia nenhum televisor no país. Essa reação representada pela mudança nos costumes e no comportamento de muitas famílias é notória, pois até mesmo aquelas famílias que não tinham condição de comprar o televisor, tinham acesso à sua programação. Muitas famílias abriam suas casas para a comunidade, para os parentes mais próximos, para os vizinhos e para os conhecidos que queriam conhecer aquele aparelho e acabavam se interessando pelos programas exibidos.

A partir do momento em que se conhecem alguns dos muitos fatores responsáveis pelo surgimento da TV no país e das características da sociedade brasileira nos anos 50, por meio do cenário histórico apresentado nesse primeiro item do capítulo 1, podemos analisar qual era o ambiente em que esses televisores estavam sendo introduzidos. A fim de que o trabalho conte com um embasamento teórico satisfatório, além do cenário histórico da década de 50, serão apresentados o cenário familiar e a forma como se dava a comunicação por meio de vínculos nesse ambiente. Todavia, é importante ressaltar que o cenário familiar discutido nessa pesquisa parte de um modelo específico

9 Essa questão foi abordada pelos entrevistados e pode ser encontrada na seção de entrevistas em anexo,

que mais se aproxima ao modelo patriarcal existente no período, como poderá ser visto adiante.

1.2 Cenário familiar: o modelo patriarcal da família da elite paulistana nos anos 50 e

Benzer Belgeler