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Türkiye’deki Sürdürülebilir Konkalama yapılarına Eleştirel bir Bakış:

Como foi apresentado, o capitalismo tem um processo educativo em sua organização social, visto que a prática vivida e o consequente aprendizado desta são ditados pelo modo de produção. Mas em meio ao modelo educativo que se apresenta que é de exclusão, de valorização dos saberes e ensinamentos burgueses, além da imposição cultural, outro modelo se coloca como alternativa. Apresentaremos aqui os princípios e finalidades deste, mas é importante entender que um modelo educativo diferenciado que tenha como finalidade a formação de um novo homem e de uma nova cultura de forma plena só é possível numa estrutura social nova, em uma nova democracia, com uma dinâmica que se diferencia da existente na atualidade que é da exploração do homem pelo homem.

Busca-se uma nova cultura e esta não é reflexo da nossa vontade, mas sim de um plano ideológico, de uma nova política de uma nova economia que só é possível por meio de uma modificação radical da estrutura vigente. Para desenvolver este ponto de análise nos apoiaremos em autores da pedagogia soviética como Makarenko, Pistrak e Krupskaia, Mao Tse- Tung e outros autores chineses que escreveram sobre o ensino e a revolução na China, assim como autores brasileiros que se debruçam sobre esse tema. Trataremos com maior profundidade sobre os fundamentos da educação socialista no capítulo seguinte.

É importante nessa análise entender por meio do que apontamos até o momento qual a relação que o trabalho tem com a educação e o ensino. Partindo do Dossiê MST Escola elaborado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (2005) quando esse cita Krupskaia, em que,

Educar é preparar pessoas integralmente desenvolvidas, com instintos sociais conscientes e organizados, possuidores de uma visão de mundo refletida e íntegra, que tenha clara compreensão de tudo que ocorre ao seu redor, na natureza e na vida social; pessoas preparadas na teoria e na prática para todo tipo de trabalho, tanto manual como intelectual, que saibam construir uma vida social racional, plena, bonita e alegre. Estas são

as pessoas para construir uma nova sociedade, socialista. (MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TERRA, 2005, p. 90).

Essa análise que Krupskaia realiza tem relação direta com Pistrak quando ele fala da natureza da educação, pois:

Submeter um homem à educação social, e oferece- lhe dados para resolver a antítese “eu e o outro” indivíduo e sociedade, ou seja, é dotá-los de princípios que lhe possibilitarão uma avaliação moral de sua própria pessoa, enquanto membro da sociedade, a determinação do próprio lugar na grande luta pela existência, que se tornou tão áspera ultimamente. (PISTRAK, 2003, p. 106)

Entender a natureza e a finalidade da educação é importante ao se trabalhar com o processo formativo de trabalhadores. É essencial que se tenha uma visão da educação contextualizada. A educação é fruto das relações sociais estabelecidas, não se pode partir de um ideal abstrato porque o ideal é algo inatingível e também porque em qualquer análise materialista parte-se do concreto para o abstrato. Apontamos que a prática é o primeiro elemento de educação do homem, e essa se desenvolve por meio do trabalho, sendo este até pelo seu caráter ontológico um despertador no homem de várias dimensões relacionadas ao seu ser cognitivo e agregado a esse a política. O trabalho possui um conjunto de processos e ações que transformam a natureza e por meio dessa, promovem a vida social e coletiva. Assim sendo, o trabalho educa o homem para viver no mundo natural, social, político e cultural. Pistrak fez uma análise dos princípios e finalidades do trabalho em cada organização social, e apresenta que:

A organização científica do trabalho que nasceu e se desenvolveu na América e Europa ocidental com a finalidade de intensificar a produção, reforçando a exploração do operário e aumentando os lucros do capitalismo, pode e deve propor-se entre nós como um objetivo inteiramente oposto: tornando-se, entre nós, o meio mais eficaz de aumentar a produção, de utilizar racionalmente a energia do trabalho, de reformar a organização científica do trabalho (que é atualmente um meio de exploração) se metamorfoseia em meio a libertação. Mas a organização científica do trabalho, em função desta transformação radical, exige para se desenvolver outros elementos e outras condições em relação ao Ocidente capitalista. [...] nós só podemos realizar a organização científica do trabalho de baixo para cima, atraindo a atenção das massas operárias para este tipo de organização, suscitando um certo entusiasmo em torno destes problemas, figurando esta organização científica como um meio de consolidar o que já realizamos em termos de revolução social (PISTRAK, 2003, p. 98)

Dentro do processo de formação afirma-se que a política é um ponto de análise e quando combinada com o trabalho e também com os processos educativos ela também tem um papel de interferência direta no desenvolvimento da consciência política. No que se refere educação, esta deve:

Estar a serviço da política do proletariado e combinada com o trabalho produtivo. Nossa política no terreno da educação deve permitir alcançar uma formação no plano moral, intelectual e físico para que os que a recebem se convertam em trabalhadores cultos, com consciência socialista. (MAO TSE TUNG e outros autores, 19..., p. 9, tradução nossa)10

A posição de Mao TseTung se junta a uma fala de Lênin em seu discurso na Conferência de educadores políticos no ano de 1920 quando ele afirma que toda linha de educação socialista deve colocar a política como elemento central, o que contraria a concepção burguesa de educação como se a educação fosse apolítica ou neutra, fato que não é. Mao Tse Tung ao longo de seu trabalho sobre o ensino e a revolução na China coloca que existe a necessidade de ter uma nova escola com uma nova educação que deve se basear na integração de três elementos que são: trabalho, ensino e investigação. O trabalhador ao passar por um processo formativo que tenha a política à frente deve entender a finalidade, os princípios tanto econômicos, como filosóficos, naturais e físicos do trabalho de forma que ele compreenda o seu papel enquanto trabalhador e também o papel que o trabalho tem na transformação da natureza e na sua própria transformação enquanto ser que faz parte da natureza.

Essas definições para a formação do trabalhador que são apresentadas por Mao TseTung têm influência direta do processo que se instalou na União Soviética no início do século XX, após a Revolução Russa de 1917, que trouxe à tona uma concepção diferenciada de instrução e ensino para a classe proletária. A Pedagogia soviética coloca em cena a pedagogia de base marxista, e pontua o desenvolvimento dos fenômenos sociais dados e interpretados do ponto de vista marxista, isso porque como apresenta Pistrak (2003: 22) citando uma fala de Lênin no I Congresso do Ensino em 25/01/1918 em que ele diz: “Nosso trabalho no domínio escolar, consiste em derrubar a burguesia, e declaramos que a escola fora

10 La educación debe estar al servicio de la política del proletariado y estar combinada com el trabajo

productivo. Nuestra política en el terreno de la educación debe permetir alcanzar uma formación em el plano moral, intelectual y físico para que los que la reciben se conviertan em trabajadores cultos, com conciencia socialista.

da vida, fora da política, é uma mentira é uma hipocrisia.” Assim, ao trazermos aqui da análise do princípio educativo do trabalho na educação, principalmente a escola, a política é uma categoria que se apresenta como fundamental no estudo. Isso porque o entendimento que se tem é que existe uma intima relação entre o aparelho político e o ensino, em qualquer instância educativa da sociedade. Sendo assim, à educação que visa formar o trabalhador com uma consciência elevada de seu papel e também que se reconheça enquanto sujeito da produção material no mundo não pode abstrair as questões da política geral no ensino.

O sentido que se tem desse princípio de atrelar um posicionamento político aos fins da educação é de se ter o desenvolvimento de uma nova cultura, que seja nacional, científica e das massas. O objetivo que se tem assim é a formação de um proletariado e camponês que tenham claro a sua realidade de vida enquanto membro da classe trabalhadora e que se instrumentalize tanto para compreender a realidade de forma científica como ter um avanço na consciência para que se tenham subsídios teóricos que colaborem para que esses homens compreendam seu papel em um processo de mudança radical.

A escola como espaço formativo ao ter claro um posicionamento de colocar o trabalho como fim, e como meio, onde existe a necessidade de formar um trabalhador consciente apresenta finalidades de formação diferenciadas do que existe na atualidade. Nessa concepção o estranhamento não é possível, pois o homem se reconhece no trabalho e consequentemente reconhece o seu produto e como sujeito que vivencia um processo de trabalho. Assim reforça a positividade do trabalho, pois o trabalhador sabe a importância do trabalho na sua formação histórica.

A política se coloca na educação em qualquer contexto em que se encontre, pois a educação como ato político, que apresenta escolhas de modelos e também a que classe está a serviço. No caso de uma política de base revolucionária, percebe- se pelas propostas que se desenvolveram uma diferença na educação e no ensino, pois o que se busca é uma formação unilateral, em que o homem tenha acesso ao conhecimento científico e que este esteja a serviço da prática de vida dos trabalhadores consequentemente servindo aos interesses da coletividade. Ao ter um modelo educativo em que o trabalho seja um elemento reconhecidamente formativo.

Acrescenta-se ao problema da política com suas finalidades a necessidade de se ter um processo formativo que valoriza o coletivo. Este princípio contrapõe a uma

das consequências do capitalismo pela sua própria dinâmica que é fortalecer o individualismo, pelo incentivo à competição e outras ações. Partimos da seguinte concepção do que é o coletivo:

“O coletivo é um organismo social vivo, e por isso mesmo, possuem órgãos,

atribuições, responsabilidades, correlações e interdependência entre as partes. Sem tudo isso não existe, não há coletivo, há uma simples multidão, uma concentração de indivíduos. (MAKARENKO apud CAPRILES, 1989, p.13)

Nessa definição embora ela possa ser entendida de forma global, ou seja, para qualquer modelo de produção que se apresenta, ela se localiza em meio a uma discussão de cunho marxista- leninista, onde se tem uma linha política definida que é a do proletariado com a finalidade de concretizar a famosa frase de Marx que é “trabalhadores de todos os países uni-vos” e na educação isso significa a formação de um novo homem para uma nova sociedade com princípios e valores diferentes dos ensinados pelo capitalismo. A ideia do coletivo e do papel desse na formação humana a partir de princípios que Makarenko apresenta é exposta por Batella e outros autores (2008) da seguinte forma:

A formação humana em Makarenko é a superação do individualismo, a transformação ideológica do sujeito pela submissão dos interesses individuais pelos coletivos. A educação de que fala Makarenko não está ligada, simplesmente, a formação do indivíduo. Pelo contrário, as perspectivas de que fala o autor são sociais e estão ligadas a construção da sociedade comunista. Daí a necessidade de exigir o máximo, pois é necessário o sacrifício consciente dos homens para a edificação do novo sistema social. Respeitar o indivíduo ao máximo é vê-lo como parte deste mesmo projeto, ou seja, só é possível formar o homem novo se sua vida está profundamente ligada à formação de uma nova sociedade; onde não existam relações de opressão. (BATELLA, 2008, p. 18)

Essa ideia de uma formação diferenciada fundamentada no desenvolvimento do coletivo tem como base o trabalho produtivo, pois este força o trabalhador a resolver problemas e por meio desses suscitar a discussão de conhecimento práticos e teóricos que valorizem a análise científica da realidade. No espaço de instrução o ensinamento do coletivo se apresenta na concepção de quem ensina quem, na forma de gerir e organizar o espaço, e até mesmo nos conteúdos ensinados. A ideia de gestão apresentada nesse modelo é que o coletivo é que deve

decidir o que deve ser feito, o que a maioria decide deve ser realizado por todo o coletivo, rompendo com a ideia de democratismo tão apregoada no capitalismo.

Esse modelo de organização tem um reflexo profundo na instrução dos trabalhadores, seja na escola ou em outros espaços formativos, e educa os trabalhadores com uma nova visão de como agir no mundo.

Atualmente as experiências de movimentos políticos trazem reflexões e práticas de formação que intensificam a aliança homem/trabalho/formação. É importante ter claro que uma proposta que coloca o trabalho como princípio educativo, onde o homem busca sua emancipação só é possível numa sociedade onde não exista acumulação privada dos bens acumulados pela humanidade, além da superação da divisão e da luta de classes.

CAPÍTULO 3

EDUCAÇÃO SOCIALISTA: SEUS PRINCÍPIOS E AS EXPERIÊNCIAS DA URSS E A CHINA

Após fazer uma análise do papel que o trabalho tem na formação do homem ao longo da história e dos modelos educativos que este proporciona busca-se neste capítulo fazer a discussão da educação tendo como foco os elementos principais da experiência chinesa e da União Soviética. A justificativa para a utilização das abordagens aqui explanadas primeiro se relaciona com os fundamentos centrais que se ressaltam por meio das análises desenvolvidas fruto das experiências de base revolucionária no plano pedagógico e cultural, onde se ressaltam o papel do trabalho produtivo, da política e do coletivo como componentes essenciais do processo de formação do novo homem.

3.1 A experiência da União Soviética: uma nova educação para um novo

Benzer Belgeler