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4.2 Sürdürülebilir Turizm Alanında Çevreci Oteller İçin Oluşturulan

4.2.1 Ele Alınan Sürdürülebilir Sertifikasyon Sistemlerininin ve Ölçütlerinin

4.2.1.1 Çevresel Konular:

Historicamente os seres humanos produzem sua existência de forma diferente em cada momento. O trabalho realizado na sociedade primitiva não é o mesmo da antiguidade, assim como esse difere do trabalho do período feudal e mais ainda do trabalho assalariado no modo de produção capitalista. Assim, a qualificação do trabalhador vai se diferenciando também conforme o momento histórico e o tipo de produção social em que este se enquadra. É importante entender o processo formativo do homem e a sua qualificação para o trabalho. Todo esse processo se refere aos momentos históricos e avançam conforme o progresso que se tem em cada período. Essa dissertação parte do entendimento de que o trabalho e o processo de produção material interferem na produção intelectual e em todas as formas de organizações que se tem no interior da sociedade. Apoiando- se no trabalho de doutoramento de Silva (2005) fica mais claro compreender historicamente como o processo de qualificação se deu ao longo da história e

também os impactos que se tem no capitalismo de trazer as heranças produtivas das gerações anteriores com o seus modos de produzir, ensinar e aprender no trabalho. Silva assim traça inicialmente esse processo produtivo histórico da seguinte forma:

A atividade prática ou trabalho em todos os modos de produção apresenta as mesmas características: é impulsionada pela necessidade de obter a subsistência, pressupõe os trabalhos manual e intelectual, o conhecimento é derivado do trabalho etc. Mas as forças produtivas e as relações de produção, que a elas correspondem, são diferentes em cada modo de produção. As forças produtivas desenvolvem-se qualitativamente de um modo de produção ao seguinte, de maneira que a abrangência e profundidade do conhecimento, em cada um deles, são superiores às do anterior. Consequentemente, a qualificação para o trabalho compreende de modo correspondente, maior amplitude e profundidade do conhecimento e uma adequação técnica manual e intelectual do trabalho a elas. (SILVA, 2005, p. 44)

Os modelos de formação assim, se adequam à forma com que se dá a divisão social trabalho, se voltarmos às sociedades primitivas verificamos que existe uma divisão menos complexa baseada na idade e no sexo, onde cabia ao homem caçar e a mulher as atividades domésticas. A relação dos homens era uma relação ligada com a produção coletiva da terra, e nesse processo de produção uns se relacionavam com os outros constantemente, com isso:

Os seres humanos se qualificavam e transmitiam o que aprendiam às gerações futuras, por meio de um processo de qualificação que coincidia inteiramente com o próprio processo de trabalho. Embora o modo como se qualificavam fosse único, considerando-se a divisão sexual do trabalho, pode-se afirmar a existência de, ao menos em parte, duas capacidades de trabalho, conformando a qualificação do trabalho dos homens e mulheres da coletividade. Ou seja, considerando que exerciam trabalhos diferentes, a qualificação dos homens e mulheres era também diferente, assim como produziam conhecimentos distintos. No entanto, levando-se em conta que o trabalho era bastante rudimentar, as diferenças em termos de qualificação e de interpretação da realidade não deviam ser muito grandes entre os dois sexos, nem entre todos os membros da coletividade. (SILVA, 2005, p. 46)

Nessa citação fica claro que existe uma diferença entre a qualificação do homem no período apresentado dos posteriores. A divisão de classe, a forma de compartilhar os bens, os meios de produção tinham significados diferenciados e consequentemente a forma de produzir e de aprender por meio dessa produção é decorrência do momento vivido por esses homens e mulheres. Com o desenvolvimento da sociedade e o surgimento da propriedade privada as relações

entre os homens modificam profundamente, pois as famílias que antes tinham uma propriedade comunal agora possuem propriedade representada pelo gado e pela agricultura. O desenvolvimento da sociedade nesse período permite que surja o excedente, e para cuidar do excedente torna-se necessário ter pessoas que são responsáveis pelo cuidado dessa propriedade e nesse processo tem-se:

O desenvolvimento das forças produtivas possibilita a criação de excedente na produção, a apropriação privada dos meios de produção favorece o aparecimento das classes sociais e as relações de dominação e de exploração das classes proprietárias dos meios de produção sobre as classes não proprietárias dos meios de produção, sendo estes últimos propriedade (escravos) dos primeiros. (CASSIN, 2009, s/p)

A formação como analisa o autor deixa de ter um caráter também que é comum, tal como a produção, e a partir desse momento tem-se uma educação com um conteúdo de classe, e assim a formação atende aos interesses da classe dominante. E esse processo que permitiu a divisão entre trabalho manual e o intelectual e também promoveu o surgimento da instituição formal direcionada para educar, instruir e ensinar, ou seja, a escola. A escola nasceu no período da Antiguidade e ela foi um lugar de ruptura entre teoria e a prática. A palavra escola tem etimologicamente o significado de lugar do ócio, sendo assim na sua origem ela tornou-se um lugar para as classes ociosas, ou seja, a dominante. A educação escolar trazia um ensinamento diferenciado, ela baseava-se na contemplação do ócio ao passo que para o restante da sociedade que não frequentava esse espaço suas vidas fundamentavam-se no próprio trabalho, no processo de trabalho, ou seja, aprendia-se fazendo, agindo sobre a realidade e transformando-a. Essa organização que se colocava implicou em dividir quem deveria dominar e quem seria dominado. Os que tinham o trabalho manual como prática, eram considerados inferiores e consequentemente não tinham capacidade de governar a sociedade ao passo que aquele que estava na escola aprendendo a ler, escrever e contemplar o ócio eram os que deveriam governar a sociedade. Esse modo de dividir o conhecimento interferiu na forma com que a qualificação dos homens se deu nesse período, pois a classe que passou a deter a propriedade privada dos meios de produção começa a organizar a sociedade conforme seus interesses, que são de manter a divisão entre manual versus intelectual. Aos que governavam eram necessários conhecimentos de administração da polis, filosofia e militarismo, e aos dominados produzir para

servir aos interesses daqueles que o dominam. Esse processo de divisão do trabalho coincidiu com a divisão entre intelectual e manual e como Marx coloca na Ideologia Alemã:

A divisão do trabalho, que já encontramos acima como uma das forças principais da história que se deu até aqui, se expressa também na classe dominante como divisão entre trabalho espiritual e trabalho material, de maneira que, no interior dessa classe, uma parte aparece com os pensadores dessa classe, com seus ideólogos ativos, criadores de conceitos, que fazem da atividade de formação da ilusão dessa classe sobre si mesma o seu meio principal de subsistência, enquanto os outros se comportam diante dessas ideias e ilusões de forma mais passiva e receptiva, pois são, na realidade, os membros ativos dessa classe e têm menos tempo para formar ideias e ilusões sobre si próprios. (MARX; ENGELS, 2011, p. 48)

Esse processo de divisão entre prática e teoria tem implicações na formação do conhecimento, pois surgem conhecimentos sem uma base prática, fantasiosos e colocam a teoria à frente da prática. Parte-se então da abstração, e não da realidade concreta, interferindo assim na forma de se entender o mundo. Todo esse processo se deve ao surgimento da propriedade privada que determinou a organização da sociedade em classes e a consequência desse fato é o predomínio das classes dominantes que se distanciam cada vez mais do trabalho manual, e reforçavam cada vez mais uma forma idealista de entender o mundo.

Na passagem do escravismo para o feudalismo, a força de trabalho deixa de ser escrava para se tornar servil e a composição social modifica-se tendo agora o clero (igreja), a nobreza e os servos (trabalhadores da terra). E o processo de formação nesse período fica a cargo da igreja que como Cassin explica:

É nessa passagem que a igreja católica toma para si a responsabilidade da instrução pública através das escolas monásticas que se destinavam à instrução dos futuros monges e também instruía a plebe, neste último caso, essas escolas não ensinavam a ler e nem escrever, “A finalidade dessas escolas não era instruir a plebe, mas familiarizar as massas campesinas com as doutrinas cristãs e, ao mesmo tempo, mantê-las dóceis e conformadas" (CASSIN, 2009, S/P).

Ao mesmo tempo no interior do feudalismo surge uma nova organização econômica e produtiva que eram os comerciantes e os artesãos. Iremos aqui focar mais no artesão, pois esse é o nosso foco para entender o processo formativo do trabalhador no período. A figura do artesão, que era aquele que dominava todo o

processo produtivo e se especializava na produção de determinado item marca esse período, com isso surgem assim diversos ofícios. O artesão se organizou nas cidades que se fundavam próximos aos burgos e possuíam ajudantes denominados de jornaleiros. Existia uma relação entre os artesãos de um processo educativo na e para a produção como apresenta Leo Huberman, e próximos a estes trabalhadores aglutinavam aprendizes que viviam e trabalhavam com o artesão principal e assim aprendiam um ofício. E como explica o autor:

A extensão do aprendizado variava de acordo com o ramo. Podia durar um ano ou prolongar-se por 12 anos. O período habitual de aprendizado variava entre dois a sete anos. Tornar-se aprendiz era um passo sério. Representava um acordo entre a criança, seus pais e o mestre artesão, segundo o qual em troca de um pequeno pagamento (em alimento ou dinheiro) e a promessa de ser trabalhador e obediente, o aprendiz era iniciado nos segredos da arte, morando com o mestre durante o aprendizado. (HUBERMAN, 1986, p. 54)

Essa relação do mestre, desde muito cedo fazia parte do convívio dos aprendizes, o aprendizado se dava primeiro por tarefas mais fáceis e ia-se passando por todas as etapas de produção até o nível mais complexo do produto finalizado. Assim o artesão tinha uma longa trajetória de formação, ou seja, era um tempo longo voltado para a produção. Esse período é identificado por alguns autores entre eles Huberman como industrial. E todo o processo de produção era realizado por artesãos profissionais, que eram donos de toda a matéria-prima e das ferramentas e vendiam o produto acabado. A qualificação do trabalho do artesão se deu com apresentado por Huberman com a presença dos Mestres Artesãos que tinham leis e uma organização própria, inclusive formando corporações artesanais. Nesse contexto produtivo e de organização da produção e dos produtores o artesão tinha domínio de toda a cadeia produtiva do bem a ser produzido.

Com o desenvolvimento das forças produtivas e dos modos de produção, surge uma nova classe, a burguesia. Com essa, novas formas de se relacionar e de se organizar no mundo do trabalho, assim têm-se a:

A constituição dos Estados Nacionais e das monarquias absolutas permitiram facilidades no comércio da burguesia e no capital estatal necessário para grandes investimentos no comércio marítimo, que resultaram em novas rotas comerciais com o oriente e a descoberta das Américas, que permitiram uma acumulação do capital para o processo de industrialização da produção. Nesse movimento que a burguesia toma “consciência de classe para si” e

num processo revolucionário disputa e conquista o poder, se constituindo como classe dominante, organizando a produção e o Estado para atender suas necessidades nesse novo contexto. (CASSIN, 2009. S/P)

O desenvolvimento dessa estrutura permitiu que surgisse um novo modo de produção – o modo de produção capitalista - e esse irá modificar tanto a relação do homem com o trabalho, assim como da qualificação desse trabalhador. No capitalismo os trabalhadores não são donos nem da matéria prima, nem das ferramentas e não vendem os produtos acabados, mas sua força de trabalho. Com isso, a habilidade deixa de ser inicialmente importante, pois a máquina substitui algumas tarefas humanas, mas mesmo assim nada tirou de cena o homem da produção.

2.4.3 A formação do trabalhador no capitalismo e as necessidades formativas

Benzer Belgeler