3.1 Ölçütlere Dayalı Değerlendirme ve Sertifika Metotlarının Türkiye
3.1.2 Türkiye’deki LEED Uygulamalarının Seçilen Örnekler Üzerinden
Para uma boa parte dos críticos cinematográficos, Monsieur Verdoux foi um claro fracasso na vida de Charles Chaplin. Porém, o autor declarou ter sido este um de seus melhores filmes, destacando-o em sua autobiografia. O argumento inicial teria sido baseado em um diálogo com Orson Welles, em que ele teria sugerido a Chaplin a idéia de fazer um documentário baseado na vida e morte de Henri Landru, um sedutor assassino francês que roubou a quase três centenas de mulheres, matando dez destas em aproximadamente uma
década. Nas negociações, mediante a promessa do cineasta em exibir seu nome nos créditos finais da película, Welles teria cobrado uma quantia em dinheiro para desistir de escrever o roteiro.
O protagonista fictício do filme passou a ser Henri Verdoux, um frustrado funcionário bancário que, além de ser demitido, foi atingido pelas necessidades econômicas provenientes da depressão, empreendendo uma carreira criminosa para defender o lar onde moravam sua esposa e seu filho. Adotando diversos pseudônimos e transitando em distintas partes da França, o homem se casava com mulheres ricas, preferivelmente solitárias. Após finalizar os assassinatos, o criminoso assumia suas respectivas fortunas para seguir em frente. É verdade que sofreu alguns tropeços. Em um caso se compadeceu da vítima, em outro encontrou uma mulher aparentemente indestrutível e finalmente acabou sendo descoberto por um dos familiares vitimados. Quando se entregou à justiça, foi condenado à morte. Para o crítico Walter da Silveira:
O filme aparece dentro da guerra fria, do macartismo, da nova campanha difamatória contra Chaplin. Corresponde ao período mais amargo de sua história pessoal: aquele em que Joan Barry o acionou para obrigá-lo a reconhecer judicialmente um filho que não era dele, da ação aproveitando-se a imprensa para voltar a acusá-lo de torpe e traidor. É também a fase em que, no plano internacional, com tão poucos anos de paz, ressurge a ameaça de conflitos militares em conseqüência dos ideológicos. E internamente, chegou a hora da “caça às feiticeiras”, do questionamento político mais agudo à livre manifestação das idéias.111
Em sua defesa perante o juiz e o representante da igreja, argumentava que a sociedade o obrigara a empreender sua carreira criminosa, na qual o crime seria o extremo lógico da competência que criavam os negócios. Era provável que um roteiro semelhante, construído ao redor de um simpático vilão, pudesse conduzir uma grande carga de crítica social, certamente mais intensa do que a prometida e insuficientemente cumprida em Tempos Modernos. Porém, a obra não apenas contestava o mundo dos negócios através de frases muito duras, como criticava uma realidade freqüente na sociedade americana,
111 SILVEIRA, op. cit., p. 58.
onde muitas destas viúvas persistiam como verdadeiros parasitas na sociedade americana, empreendendo campanhas inúteis para justificar seus rendimentos.
As vantagens obtidas por essas mulheres irritavam a Chaplin, em parte como um simples observador do mundo e mais por sua experiência de vítima em verdadeiros escândalos frente às mulheres com quem se envolveu. A ação de Monsieur Verdoux poderia ter transcorrido na América moderna, porém, Chaplin preferiu ambientar sua história na França de um passado próximo, especificamente no período anterior à Segunda Guerra Mundial, explicando assim o seu protagonista como vítima da depressão econômica e aproximando a história da lenda de Henri Landru, ainda que com certo cuidado, para que o filme fosse entendido como uma parábola em vez de um documentário. As objeções à película não tardariam a acontecer, surgindo muitas vezes das circunstâncias em que foi produzido e estrelado.
No princípio de 1947, Charles Chaplin era duramente combatido pelo conteúdo de seus filmes anteriores e por seu apoio à União Soviética em 1942. A estréia de Monsieur Verdoux apenas confirmou esses ataques. A conferência de imprensa, convocada para anunciar o novo filme em Nova Iorque, foi o palco para uma série de protestos políticos dos jornalistas contrários a Carlitos; logo depois apareceriam os piquetes da Legião Americana a cercar o local. A película ficaria apenas seis semanas em cartaz na cidade, período em que o ator era surpreendido diariamente com notícias que anunciavam o cancelamento do filme em outras cidades. O boicote planejado pela Legião era muito eficaz, pois as salas que exibissem Monsieur Verdoux entrariam para uma lista negra, com conseqüências imprevisíveis. Conforme Georges Sadoul:
As perseguições contra os dez de Hollywood, a campanha contra Charles Chaplin, cedo mostraram seus objetivos quando o cinema americano, depois desses avisos, se lançou na produção em série dos filmes anti-vermelhos e de guerra. O objetivo final da campanha aparecia claramente. Wall Street queria preparar a opinião pública para a World War III. Os armamentos em grande escala e as operações militares iam suceder à reconversão do imediato após- guerra.112
112 SADOUL, op. cit., p. 209.
O homem Charles Chaplin transpareceu sua rebeldia contra a sociedade americana ao discutir seus postulados básicos e ao atacar diretamente suas mais reconhecidas instituições, na tentativa de provar que a vilania social seria ainda mais perigosa do que a sua. O protagonista encarnava e condenava ao mesmo tempo o mundo onde vivia e de que era um produto típico. A distância de hoje nos permite ver nitidamente que a ofensiva desencadeada em Nova Iorque foi uma das armadilhas iniciais de uma batalha ainda mais vasta, os primeiros passos de uma campanha deliberadamente destinada a orientar a opinião pública para uma nova guerra. Um dos maiores criadores do século passado precisou destruir o mais definitivo dos seus personagens, nunca mais podendo construir outro com as características do eterno vagabundo Carlitos.