3.1 Ölçütlere Dayalı Değerlendirme ve Sertifika Metotlarının Türkiye
3.1.1 Türkiye’deki BREEAM Uygulamalarının Seçilen Örnekler Üzerinden
Os problemas do Estado Novo resultaram mais da inserção do Brasil no quadro das relações internacionais do que das condições políticas internas do país. Essa inserção impulsionou as oposições e abriu caminho a divergências no interior do governo. Após a entrada do Brasil na guerra e dos preparativos para o envio de tropas à Itália, personalidades da oposição começaram a explorar a contradição existente entre o apoio do Brasil às democracias e a ditadura varguista. O governo procurava enfrentar as diferentes pressões justificando a continuidade da ditadura pela existência da guerra, ao mesmo tempo em que prometia realizar eleições ao final do conflito. Nesse momento, Vargas declarava que não se candidataria à presidência da República.
O apoio do PCB ao governo Vargas consistiu em um dos fatos mais curiosos daqueles anos. Ele se explica por características do próprio partido e pela orientação vinda de Moscou, onde os partidos comunistas de todo o
mundo deveriam apoiar os governos de seus países, integrantes da frente antifascista, fossem eles ditaduras ou democracias. Em 1945, o Brasil estabeleceu relações diplomáticas com a União Soviética pela primeira vez em sua história. No mesmo ano, uma iniciativa promovida pelos círculos trabalhistas ligados a Getúlio, com o apoio dos comunistas, mudou os Rumos da sucessão presidencial. Foi a campanha “queremista”, assim chamada porque seu objetivo se sintetizava na palavra de ordem “queremos Getúlio”. Os “queremistas” saíram às ruas defendendo a instalação de uma Assembléia Nacional Constituinte com Getúlio no poder.
Com a “benção” da legalidade, o PCB cresceu de modo excepcional no fim da Segunda Guerra Mundial. Pela primeira vez na sua história conquistava as massas, aumentando consideravelmente o número de simpatizantes. Neste período, o partido lançou seus próprios candidatos para o Congresso Nacional e para a presidência da República. O súbito sucesso do movimento provocou a reação das classes dirigentes, impedidas de negar o papel da União Soviética no conflito europeu. A época de intolerância e incompreensão parecia distante, e tudo levava a crer que dentro do atual sistema democrático brasileiro houvesse lugar para a participação da esquerda comunista, sonho destruído por um novo surto reacionário.
A situação em que os Estados Unidos se encontravam no final da Segunda Guerra Mundial era extraordinária. A morte do presidente Franklin Delano Roosevelt, em 1945, marcaria definitivamente não somente o fim da política de Boa Vizinhança como da política de Coexistência Pacífica com a União Soviética. Com a ascensão de Harry Truman, a nova administração adotaria definitivamente a política do Globalismo, descartando as antigas teses Isolacionistas. Depois de um convívio forçado e desconfortável com os socialistas e comunistas, o Departamento de Estado elaborou a Doutrina de Segurança Nacional, que passaria a orientar as relações da grande potência com o resto do mundo. A América Latina não demorou a sentir os efeitos dessa alteração, sendo enquadrada nos esforços da Guerra Fria pouco tempo depois.
Com o anúncio da Doutrina Truman em 1947, os Estados Unidos declaravam estar dispostos a conter toda e qualquer manifestação de avanço do comunismo internacional, intervindo militarmente para proteger os governos aliados de qualquer ameaça. Naquele mesmo ano, foi posto em prática o Plano Marshall, um imponente projeto de recuperação das economias enfraquecidas pelos esforços de guerra, alinhando o mundo capitalista à hegemonia do “Tio Sam”. Além da aprovação dos objetivos de Truman, o Congresso sancionou a Lei de Segurança Nacional e a formação do Departamento de Defesa, que passaria a coordenar os esforços nacionais gerais para o conflito bipolar. Desta forma, estavam constituídos os pilares necessários à Doutrina de Segurança Nacional. Sobre o nascimento de mitos e imagens coerentes à Guerra Fria, Paulo Fagundes Vizentini afirma:
A Doutrina Truman e o Plano Marshall materializaram a partilha da Europa e lançaram as bases para a formação de blocos político-militares. O problema é que ainda existia uma forte opinião pública mundial marcada pelo espírito de Yalta, pelo antifascismo e pelo pacifismo, sendo que atrasava e perturbava a implementação da Guerra Fria. Era preciso lançar mão de poderosos mitos e imagens que desarticulassem essa corrente e condicionassem a população a uma visão maniqueísta. A “ameaça soviética” e a “defesa do mundo livre” constituíram esses mitos mobilizadores e legitimadores da nascente Guerra Fria.108
Em sintonia com sua fúria anticomunista, o poder executivo obrigou todo o funcionalismo público a prestar um juramento de fidelidade às instituições nacionais. Truman indicou os arquivos do Comitê da Câmara Contra Atividades Antiamericanas como fonte oficial de provas contra os servidores. Pouco tempo depois, foram convocados a depor os chamados Dez de Hollywood. Grande parte dos profissionais investigados tiveram suas carreiras arruinadas e foram condenados a penas que variavam de seis a doze meses de cadeia. Joseph McCarthy faria suas primeiras acusações em 1950, iniciando a febril inquisição do Macartismo. Entre suas vítimas, Charles Chaplin. Sobre a consolidação do processo de Caça às Bruxas, Román Gubern afirma:
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VIZENTINI, Paulo Fagundes. A Guerra Fria: O Desafio Socialista à Ordem Americana. Porto Alegre: Leitura XXI, 2004. p. 74.
La violenta purga que sacudió lãs entrañas de Hollywood entre 1947 y 1953, diezmando intelectualmente las filas de sus talentos más valiosos, se inscribe en el vasto panorama histórico del crecimiento y consolidación en áreas del poder político norteamericano de variadas formas de la ideología fascista, que siempre ha estado presente en la sociedad capitalista norteamericana y que ha cobrado especial virulencia en los períodos de las postguerras mundiales. La primera postguerra mundial se caracterizo por una fuerte actividad sindical y luchas obreras que fueram severamente reprimidas, la segunda postguerra ha pasado a los anales de la historia de la repressión por la triste caza de brujas maccarthysta. Ello significa que el maccarthysmo fue meramente una de las muchas variantes que puede revestir la ideología y la acción fascistas en una sociedad de capitalismo avanzado, dotada de unos macanismos democráticos excesivamente vulnerables y manipulables por parte de los poderosos grupos de presión financieros, militares y ultraconservadores que existen en su seno.109
O alinhamento da América Latina aos anseios “yankees” foi consagrado ainda em 1947, onde no Rio de Janeiro nascia o pacto que pretendia enlaçar militarmente estas nações, o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, ou simplesmente TIAR. Os Estados Unidos, além de exportar para os seus vizinhos um preocupante anticomunismo, esperavam igualmente fixar as bases de dependência militar, abrindo um amplo mercado para exportar seus amplos estoques de armamento convencional. Por fim, a criação da Organização dos Estados Americanos, a OEA, tratava de regulamentar a Pax Americana, mostrando a insignificância de rivalidades locais frente à ameaça maior que era a expansão da União Soviética e a presença dos Partidos Comunistas em seus territórios. Sobre a prática destas medidas no Brasil, afirma Voltaire Schilling:
Durante uma visita de cortesia realizada ao Brasil, logo após o término da II Guerra, o general Eisenhower teve a mão beijada por Otávio Mangabeira, deputado da União Democrática Nacional. O inusitado gesto, similar às cerimônias feudais de homenagem e vassalagem, revelava que a oligarquia brasileira colocava-se definitivamente sob a proteção do novo senhor. Completava-se, com este ato público de submissão, a afirmação do elemento subjetivo que completava a subordinação militar, econômica e diplomática da América Latina aos Estados Unidos.110
109 GUBERN, Román. McCarthy Contra Hollywood: La Caza de Brujas. Barcelona: Editorial Anagrama,
1970. p. 07.
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SCHILLING, Voltaire. Estados Unidos e América Latina: Da Doutrina Monroe à Alca. Porto Alegre: Leitura XXI, 2002. p. 76.
No país, a orquestração produziu resultados efetivos neste mesmo ano. Após a posse do presidente Eurico Gaspar Dutra, o rompimento das relações diplomáticas com a União Soviética reforçava o triunfo da Guerra Fria no Brasil. Nos círculos conservadores, é comum associar ao governo Dutra o respeito à legalidade. Porém, quando se tratava dos comunistas e dos trabalhadores organizados, o legalismo era muitas vezes convenientemente esquecido. Como não bastasse, o Supremo Tribunal Federal decidiu cassar o registro do Partido Comunista. A decisão fora “baseada” no texto da Constituição, que vedava a existência de qualquer partido político cujo programa ou ação contrariassem o regime democrático, sustentado na pluralidade dos partidos e na garantia dos direitos fundamentais do homem.
No mesmo dia do fechamento do PCB, o Ministério do Trabalho ordenou a intervenção em catorze sindicatos, fechando uma central sindical controlada por comunistas. Nos meses seguintes, prosseguiram novas ações repressivas, a ponto de haver mais de duzentos sindicatos sob intervenção no último ano do governo Dutra. Embora fosse real a influência dos comunistas em muitas destas organizações, era evidente que, em nome do combate ao comunismo, o governo procurava desmobilizar as organizações de trabalhadores contrários à sua orientação. Em 1948 foram completadas as medidas que levariam o PCB à clandestinidade, em que uma lei aprovada pelo Congresso Nacional determinava a cassação dos mandatos dos deputados, senadores e vereadores eleitos pela legenda do partido.