2.2 Yapıların Sürdürülebilirliği Değerlendirmeye Yönelik Yaklaşımlar
2.2.1 Ölçütlere Dayalı Değerlendirme ve Sertifika Metotları
2.2.1.2 LEED
2.2.1.2.1 LEED Şemaları
No final dos anos 1930, a Revista do Globo passou por um processo de aprimoramento em suas coberturas cinematográficas, contando desde então com a presença e indiscutível influência de Jacob Koutzii. Este também foi um período de grande turbulência na vida pessoal de Charles Chaplin; em inúmeras oportunidades seu nome foi alvo de escândalos. Conforme a nossa vigésima80 ilustração, demonstrando preocupação com a carreira de Carlitos, o crítico dedicou uma considerável porção do seu espaço com a publicação de um grande retrato do ator, questionando os reais motivos por sua aparente perda de prestígio. Algum tempo depois, Koutzii procurava desmentir os
Rumores sobre o divórcio com a atriz Paulette Goddard, defendendo81 que entre o casal sobravam “os olhares mais enternecidos deste mundo”.
O pai da crítica cinematográfica do Rio Grande do Sul aproveitava seu espaço na Revista do Globo para descrever o clima de descontentamento que entidades representativas dos principais atores dos Estados Unidos, contrárias às políticas implementadas por Hitler, demonstravam meses antes do início da Segunda Guerra Mundial, afirmando82 que a cineasta Lení Riefenstahl sofrera “o desgosto de sentir a indiferença, quase o desprezo, das maiores e mais populares figuras do cinema americano”. Ao identificar a mulher responsável pelos mais notáveis registros cinematográficos da ascensão nazista como uma “amiguinha do Fuehrer”, Koutzii ilustrava com precisão o seu posicionamento. Atento aos primeiros comentários sobre O Grande Ditador, publicou:
80
MORAES, Plínio. Chaplin parece que perdeu alguma coisa, prestígio? Revista do Globo, Porto Alegre, nº. 234, p. 23, agosto 1938.
81 MORAES, Plínio. Paulette ainda é de Carlitos. Revista do Globo, Porto Alegre, nº. 253, p. 72, junho
1939.
O filme de Charles Chaplin continua na ordem do dia. O assunto tem provocado as maiores controvérsias, e o próprio Carlitos não tem deixado passar uma ocasião sem atirar um graveto na fogueira. O embaixador alemão protesta, protesta o sr. Goebels, protesta o sr. Hitler, e protesta o comediante também contra tanto protesto. A intolerância de certos grupos políticos, diz Carlitos, torna impossível o desenvolvimento das artes. Antes de aparecer o sr. Hitler, eu já usava bigodes, e não acredito que suas Tropas de Assalto me obrigarão a raspá-lo... Ah! Isto é que não... Os protestos parece que nada adiantarão, diante da formidável campanha anti-nazista que Hollywood vem empreendendo com o apoio do governo americano. E dizem que o cinema é pouca coisa nesse mundo...83
Os cineastas hollywoodianos pareciam empenhados em uma campanha contrária à expansão nazista. Em 1939, Koutzii apontava84 Confissões de um Espião Nazista como um alvo privilegiado de discussões. O governo argentino, depois de proibir sua exibição, reconsiderava a ordem por determinação do Congresso, cujos membros teriam assistido à película em sessão especial. No Chile, o embaixador alemão ameaçou o país com represálias econômicas caso o filme fosse exibido. O Poder Executivo não teve dúvidas em declarar ao representante diplomático os princípios da Constituição chilena, onde a democracia o impediria de lavrar o decreto proibitivo. Em uma de suas últimas colaborações com a Revista do Globo, o crítico flertava com os admiradores de Carlitos ao apontar que:
Carlito já tem pronto não somente o argumento do seu novo filme “O Ditador” como também já escolheu os seus principais colaboradores. Sabe-se, por exemplo, que Paulette Godard, a sua esposa, ou ex-esposa, terá o papel feminino principal. O seu famoso estúdio já foi inteiramente adotado a essa sua nova criação que, ao que parece, vai superar “Tempos Modernos”. Um repórter que visitou recentemente o estúdio de Carlito, adiantou que a filmagem até já foi começada, pois lá encontrou um local que representa uma rua superatravancada de uma cidade qualquer da Europa, onde se passa grande parte do filme. Carlito trabalha em silêncio!... porque seus filmes são uma bomba!85
83 MORAES, Plínio. O Ditador. Revista do Globo, Porto Alegre, nº. 255, p. 70, julho 1939.
84 MORAES, Plínio. Hollywood X Nazismo. Revista do Globo, Porto Alegre, nº. 258, p. 70, agosto 1939. 85
MORAES, Plínio. Para os admiradores de Carlito. Revista do Globo, Porto Alegre, nº. 260, p. 64, setembro 1939.
Um ano mais tarde, a Revista do Globo passaria a contar com a colaboração de um correspondente internacional, Ernest Gwynn. Atualizando os leitores com as últimas notícias de Hollywood, em uma de suas notas Gwynn adiantava toda sua temeridade quanto à exibição do filme no Brasil, ao afirmar86 que ainda não estava determinada a data em que “essa prodigiosa película de Carlitos será exibida no Brasil”, e isso “se o for...”. O último trecho desta citação é fundamental para os Rumos desta pesquisa, na qual novamente seria Getúlio Vargas o protagonista da manifestação anticomunista sofrida por Charles Chaplin. Ainda que a lista de inimigos fosse outra àquele momento, o anticomunismo nunca esteve ausente das prioridades do governo, acabando por acometer o filme através da censura oficial. Para Inimá Simões:
Proibir a exibição de um filme de Chaplin é um escândalo sob quaisquer circunstâncias e em qualquer período histórico. Nesse caso, o filme chegava sob a aura de obra- prima do antinazismo, hors concours na campanha de guerra. O problema é que a crítica chapliniana aos regimes ditatoriais, enfocando especificamente o caso alemão e a figura de Hitler, acabou por atingir a nossa versão tupiniquim de regime de força. O major Coelho dos Reis, então diretor do DIP, fez várias objeções a O Grande Ditador, considerando algumas cenas definitivamente comunistas e desmoralizadoras das Forças Armadas.87
A Revista do Globo dedicou grande cobertura ao novo filme de Chaplin, pois como atesta nossa vigésima primeira88 ilustração, em meio ao processo de censura que proibiria a exibição de O Grande Ditador no Brasil, fora publicada uma belíssima capa dedicada à obra. Este é um fato que aparentemente entra em contradição com os argumentos expostos no capítulo anterior, mas não. Nossa hipótese é de que o periódico não teria abandonado seus vínculos com os interesses da elite política, mas passado a criticar as posturas de Vargas ao apostar em um promissor alinhamento com os Estados Unidos. Neste sentido, acreditamos que o filme atenderia a dois propósitos básicos: ludibriar a censura e obter o lucro resultante da popularidade de Carlitos junto à população.
86 GWYNN, Ernest. “O Grande Ditador” de Charles Chaplin. Revista do Globo, Porto Alegre, nº. 280, p.
64, setembro 1940.
87 SIMÕES, Inimá. Roteiro da Intolerância: A Censura Cinematográfica no Brasil. São Paulo: Editora
Senac, 1999. p. 28.
88
CHARLIE Chaplin em “O Ditador”. Revista do Globo, Porto Alegre, nº. 282, p. 01, outubro 1940. Capa.