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1.4. Yerel Özerklik

1.4.4. Yerel Özerklikle İlgili Yasal Düzenlemeler

1.4.4.1. Türkiye’deki Düzenlemeler

Pode-se considerar que a carreira política de Menotti Del Picchia em São Paulo inicia-se em 1920, quando assume o cargo de redator político do Correio Paulistano, pois em 1921 já respondia na condição de porta-voz do presidente do Estado de São Paulo, Washington Luís, para quem também redigia textos. Ao eclodir a Semana de Arte Moderna, em 1922, o grupo modernista contava com o apoio não só do presidente de São Paulo como tinha também no jornal do Partido Republicano Paulista, um canal aberto para suas manifestações. Foi na condição de redator político do jornal do partido que dominava a política brasileira que Paulo Menotti Del Picchia discursou como articulador do acontecimento e orador oficial, em fevereiro de 1922, na segunda noite do famoso evento artístico no Teatro Municipal de São Paulo, marco na história sociocultural paulistana.52

Segundo o seu relato autobiográfico, Menotti conquistara o cargo de redator político do Correio Paulistano ao substituir o advogado Antônio Covello, ausente na ocasião da reforma do ensino lançada por Washington Luís.53 Covello pediria demissão logo depois,

aborrecido com o artigo publicado por Menotti sobre o tema, sob a orientação de Alarico Silveira, secretário de Educação à frente da reforma.54 Menotti assim descreveu seu oponente

em suas memórias:

52 A importância do papel de Menotti naquela conjuntura é perceptível. Sérgio Buarque de Holanda, por

exemplo, na avaliação que faz do movimento de 1922, afirma: “Foi Menotti Del Picchia quem deu o primeiro grito de alarme contra tal estado de coisas e abriu caminho assim para a nova geração mais audaz e mais fecunda em talentos. Moyses, esse grito de alarme não era um poema moderno para a época mas era moderno para São Paulo” (apud ALVES, 1971:67).

53 Antônio Covello ficara famoso na década de 1910 por seu desempenho como advogado. A Cigarra, de

11.12.1914, noticia com a manchete “Echos de um processo sensacional” o sucesso do advogado após o reconhecimento da inocência de Julio Manetti e Elia Del Sole pelo júri e pelo Tribunal de Justiça, em um caso de assassinato “por estrangulamento” de uma mulher, de nome Ema Bellini. Os temas associados a assassinatos de mulheres por “legítima defesa da honra”, além de serem freqüentes na época, vão desempenhar um papel importante na ficção de Menotti Del Picchia.

54 Alarico Silveira ocupou, em 1918, na administração de Washington Luís, como prefeito de São Paulo, o posto

de diretor de Salubridade Pública. Como governador, Washington Luís o nomeou secretário do interior, abrangendo os assuntos de educação e saúde, quando assumiria a tarefa de realizar a grande reforma do ensino, que tomou o nome de Reforma Washington Luís. Era bastante informado quanto aos problemas sanitários associados a tuberculose, especialmente, em São José dos Campos. Desde jovem, interessou-se também pelos assuntos ligados à sabedoria popular.

Em Antônio Covello, espírito íntegro e ardoroso, a mestiçagem reagia dentro da vacilação que lhe criava sua dicotomia étnica. O orgulho do brasileiro nato, filho de mãe brasileira e a ternura pelo pai, o italiano que saltara um oceano fascinado pela aventura de construir no acaso um novo destino. Todo imigrante é um forte. O italiano, latino e cristão, sentia, nos donos da terra – os brasileiros – a afinidade de um irmão que chegava mais tarde na terra que o luso descobrira e desbravara. “Todos no Brasil somos estrangeiros – sentenciava Washington Luís – a diferença é que uns vieram antes e outros depois”. O filho do italiano, porém, sofreu o complexo do “cristão novo”. Agarrou-se com mais ardor à terra natal para dar a si mesmo maior segurança, ostentando uma brasilidade bravia na ânsia de expulsar o meteco da sua origem e orgulhoso de ostentar a sua cidadania na pátria que o pai lhe acabara de escolher.

Registro essas reflexões para explicar a perplexidade que me causou, bruscamente, um convite que Covello me fez. Foi na redação do Correio Paulistano do qual ele era então redator político e eu mero cronista social.

O convite feito por Antônio Covello, que deixara Menotti perplexo, seria para a criação e participação em uma sociedade de filhos de italianos. Na compreensão de Covello, segundo Menotti, a comunidade italiana, além de ser a mais copiosa, era também a mais integrada e ligada à terra. Se coordenados, os filhos de italianos, sem representar uma cisão partidária, gerariam no interior do PRP um agrupamento homogêneo, com grande mobilidade tática. Mas Menotti foi terminantemente contra essa idéia.

Expliquei: a criação de uma Sociedade de Filhos de Italianos seria um óbice ao processo de absoluta integração do nosso plasma étnico num povo que não deve ter nenhum preconceito de cor, de credo ou de origem. Caracterizados os brasileiros “filhos de italianos” como elementos à parte, dissociados do plasma nacional, seria, criando amanhã a casta de filhos de sírios, de espanhóis, de judeus, de alemães, de japoneses, desmantelar a nossa unidade étnica a qual, rica de tantos e tão vivos elementos vai, democraticamente, apresentando ao mundo a mais cristã e bela das comunidades humanas baseada na generosa raiz étnica nascida do milagre português que fundiu, originariamente, o homem branco com o índio moreno e absorvendo o negro que foi como que o carvão que nutriu o fogo do

maravilhoso cadinho étnico. Não, eu não poderia aceitar a proposta. Ao contrário: era meu dever, como brasileiro, combatê-la.

A sociedade morreu no nascedouro.

De acordo com o relato de Menotti, sem o propósito de ferir Covello, ele mesmo faria uma alusão ao episódio na imprensa da época, assim como em uma sessão da Câmara, posteriormente, já como deputado estadual. No entanto, não se tocaria mais na proposta de tal sociedade.55 O fato de ter assumido posteriormente o cargo almejado no órgão perrepista é um indício de que as idéias e os projetos defendidos por Menotti prevaleceram sobre os de seu concorrente, até mesmo no que se refere à percepção do Brasil como um “cadinho étnico”.

O cargo de chefe de redação do Correio Paulistano já era ambicionado por Menotti Del Picchia desde sua mudança de Itapira para São Paulo, em 1918. Mas, por motivos políticos, segundo o autor, o cargo fora inicialmente preenchido por Antônio Covello. Também nas crônicas sociais que escreve para esse jornal o autor defende o modelo assimilacionista de “todos os contingentes étnicos” para a formação da nacionalidade.56

No fundo, porém, nos largos extratos sociais estrangeiros, o sentimento de integração existe, palpitante e sincero, que entre nós se tem traduzido nessa prodigiosa força que amalgama, no formidável núcleo nacional, todas as levas sadias de imigrantes que para aqui acorrem dispostos a colaborar para a grandeza de sua pátria de eleição, que se transforma na pátria de seus filhos (“Crônica social: a questão racial”, assinada por HÉLIOS, Correio Paulistano de 15 de setembro de 1921).

O amplo trânsito de Menotti na condição de jornalista na capital paulista dava ao autor a possibilidade de acesso às representações das diversas classes e seus modos de vida. Essas representações, no âmbito do arsenal selecionado pelo autor, vai-se constituir como o substrato cultural que ganhará vida própria nos seus romances e contos. Os dilemas sociais que o autor percebia nesse movimento serão reapresentados em suas peças de ficção.

55 Na reunião de seus discursos parlamentares, publicada em 1927, consta, de fato, a referência a tal querela

(DEL PICCHIA, 1927: 28).

56 As crônicas de Menotti na imprensa da época foram reunidas no trabalho de Yoshie Sakiama Barreirinhas, Menotti Del Picchia O Gedeão do Modernismo: 1920-22. Os temas são os mais variados possíveis e a seleção

inclui algumas crônicas que discutem a formação racial brasileira. No entanto, o chamado “problema do negro” não é diretamente tratado pelo autor na época. Quando se refere à questão racial, dirige-se ao “caboclo”, ao “jeca” e às diferentes levas de imigrantes estrangeiros. Note-se na citação que o modelo assimilacionista referido é para as “levas sadias” de imigrantes.