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Türkiye’de Ulaştırma Alanında Kamu Özel İşbirliği

BÖLÜM 2: DÜNYA’DA VE TÜRKİYE’DE KAMU ÖZEL İŞBİRLİĞİ

2.2. Kamu Özel İşbirliğinin Türkiye’de Sektörel Açıdan İncelenmesi

2.2.3. Türkiye’de Ulaştırma Alanında Kamu Özel İşbirliği

Diante disso, começamos por explicitar nossas perguntas de pesquisa. Nossa pergunta principal é: Quais são as possibilidades de influência de uma prática pedagógica de ensino de ciências, circunstanciada pelo uso de blogs, sobre a formação das identidades juvenis? Essa pergunta maior foi subdividida em outras questões: (a) Como esse tipo de prática de educação

105 científica poderia se aproximar da vida e das culturas dos estudantes? (b) Quais as possibilidades desse tipo de prática quanto à produção do pensamento reflexivo e crítico sobre o próprio estilo de vida dos jovens? (c) Seria possível aprimorar o pensamento crítico em torno dos efeitos do desenvolvimento científico e tecnológico sobre os impactos sociais e ambientais? (d) Essas reflexões teriam algum potencial de influência sobre a formação de suas identidades?

Essas perguntas não existiram de modo claro para a pesquisadora desde o princípio. Elas foram continuamente reelaboradas à medida que estabelecemos o diálogo com o referencial teórico, a revisão bibliográfica, as primeiras análises de dados, as sugestões do orientador e da banca do exame de qualificação. Assim, questões bastante genéricas tornaram- se mais específicas e produtivas. Entretanto, a pergunta principal, depois de lapidada, traz grande parte do desejo inicial que mobilizou o início dessa pesquisa.

Essas questões estão vinculadas ao processo de transformação do currículo da escola investigada, vivido pela pesquisadora no papel de professora e de participante do grupo de discussão e produção do texto da matriz curricular de ciências. Como essa matriz foi construída tendo por fundamentação teórica os Estudos Culturais, as questões se vinculam a uma forma de conceber a educação como uma prática cultural e como um ato político que tem o compromisso de fazer intervenções em prol das minorias subjugadas da comunidade local.

No campo dos Estudos Culturais da Ciência, encontramos pesquisas fundamentadas em autores como Sousa Santos (1987, 2000), que se preocupam em problematizar os efeitos do desenvolvimento científico e tecnológico sobre a sociedade. Para esse autor, a problematização desse desenvolvimento é necessária para que a produção de conhecimento ocorra de modo prudente e de modo a voltar-se à melhoria da qualidade de vida para todos. Mais ainda, nessa problematização caberia a entrada de outros tipos de racionalidades e culturas (como o senso comum) para aprender a prudência.

A partir da construção da matriz curricular, os professores de ciências da escola investigada passaram a criar inovações em suas práticas pedagógicas que tentassem incluir esses aspectos. A pesquisa surge desse movimento e do questionamento da pesquisadora (professora participante desse grupo) quanto aos resultados e efeitos das novas práticas, temas e conteúdos criados por esse grupo em relação às metas de formação a que se propuseram60.

60 Em um dado momento, perguntamo-nos em uma das reuniões do grupo de professores: será que todo esse estudo e trabalho levam a algum lugar? Ou estamos no mesmo lugar de antes? Estamos influenciando de algum modo mudanças na formação dos alunos por meio dessas inovações?

106 3.2. A produção dos dados: uma prática pedagógica na sala de aula de uma escola

3.2.1. Local de coleta: a escola

Passamos agora a problematizar as condições de criação do desenho experimental. Iniciemos pela escola escolhida.

Os dados foram coletados em uma escola da rede particular da cidade de São Paulo. Ela faz parte de uma rede de colégios, composta por um grupo numeroso de escolas confessionais que atendem famílias de poder aquisitivo variável e escolas gratuitas destinadas às comunidades de baixo poder aquisitivo. Há em torno de 20% de alunos bolsistas, filhos de funcionários da escola. Ela foi selecionada devido à possibilidade da obtenção dos dados visto que a pesquisadora atua na instituição.

Abaixo apresentamos uma descrição do seu entorno e algumas características de sua população, pois entendemos que estes fatores influem no comportamento dos sujeitos dessa pesquisa.

A escola atende aproximadamente 3.500 alunos, uma população bastante heterogênea quanto ao nível de renda, à cultura religiosa e à composição étnica e racial.

Ela está localizada em um bairro central, numa avenida de tráfico intenso e em frente a uma estação do metrô e de um terminal de ônibus. Além dos terminais de transporte público, muitas pessoas circulam, em seu entorno em função da presença de extenso setor de serviços com: vários prédios de escritórios, que sediam profissionais liberais; três escolas particulares e três públicas de grande porte; comércio bastante variado, destacando um Shopping Center, uma padaria, duas farmácias, duas papelarias, um supermercado, três lanchonetes pertencentes à rede alimentar de grande porte, uma lanhouse, duas lojas de material de construção, duas bancas de jornal, muitas lojas com finalidades comerciais diversificadas e vários camelôs; um corpo de bombeiros, uma igreja de ordem católica e duas evangélicas, laboratórios de análises clínicas, hospitais e postos de saúde públicos e particulares61.

O acesso dos alunos investigados à escola é bem variado: ônibus, metrô, carro, bicicleta e skate. Alguns vêm com os pais e outros sozinhos. Alguns moram nas imediações,

61 Os espaços sociais citados são tanto locais de circulação dos jovens da comunidade, portanto, locais de suas culturas, como potenciais fontes de investigação para a construção das atividades constituintes dos temas culturais das várias séries da escola.

107 mas vários moram em bairros distantes, cujos pais trabalham na região ou que moram próximo à linha do metrô. Portanto, a escola atende uma população bastante heterogênea, que não é constituída apenas pela comunidade do bairro.

A escola conta com muitos recursos materiais, tais como: biblioteca infantil e juvenil com acervo superior a 40 mil livros, revistas e material audiovisual; aparelhos de videocassete e televisão em todas as salas de aula; laboratórios de física, química, biologia e robótica; planetário móvel, estação meteorológica, cinco lousas eletrônicas disponíveis, cada qual em salas especiais; três salas de informática com equipe de apoio e quatro auditórios, uma capela, área para prática esportiva variada e amplo estacionamento para os funcionários e área para embarque e desembarque dos ônibus de transporte escolar, além de uma chácara localizada em cidade circunvizinha de fácil e rápido acesso para estudos do meio das variadas disciplinas. Todos esses recursos são utilizados com bastante freqüência pela maioria do corpo docente.

Os professores da área de ciências empregam o laboratório uma vez por semana e utilizam as demais aulas (duas aulas entre 6º e 8º ano e 3 aulas para o 9º ano) com outros recursos em sala, embora no início dessa pesquisa a metodologia usada predominantemente nas aulas pelos docentes fosse expositiva, associada à sofisticação do emprego dos recursos audiovisuais disponíveis para ilustração da apresentação. Há entre 7 e 8 classes de cada uma das quatro séries que compõem o nível fundamental II, cada qual com 35 a 38 alunos.

Esta escola conta com professores de formação profissional bastante variada. O corpo atual de professores da área de ciências é constituído por sete professores. Seis têm graduação em biologia e um em química. Destes, dois tem o curso magistério e um terceiro foi técnico de laboratório. Dos setes professores, um tem doutorado na área específica e o outro é doutorando em educação. Além disso, dois dos setes professores escreveram coleções de didáticos de ciências para o curso de 1ª a 4ª séries. No início da implantação havia outros dois professores, graduados em biologia.

Ela faz parte de uma rede de colégios que está em processo de produção e implantação de matrizes curriculares, fundamentadas nas teorias curriculares pós-críticas, principalmente nos Estudos Culturais. Ela foi selecionada porque os professores da área de Ciências participaram de modo engajado e em níveis distintos da elaboração e implantação dessa matriz. Outro motivo foi a facilitação da obtenção dos dados devido ao fato da pesquisadora atuar nessa escola.

108 Consideramos que esse último motivo é um fator de influência sobre os resultados da pesquisa, pois a proximidade entre a pesquisadora e os alunos da Instituição poderia ser uma fonte de produção de dados contaminados. Cientes disso, procuramos estabelecer critérios com o intuito de cuidar do rigor dos processos de coleta e análise dos dados, que serão descritos a cada seção desse texto.

Porém, queremos ressaltar que, ao mesmo tempo em que esse fato pode ser tomado como uma limitação da pesquisa, também entendemos que ele produz uma vantagem. Como professora da escola, a pesquisadora se torna uma participante da cultura dessa comunidade e tem, com isso, muito conhecimento das práticas culturais do local. Além disso, como utilizamos um referencial teórico de suporte para o qual não há neutralidade, todo pesquisador é participante mesmo que não seja profissional do local onde coleta dados para a sua pesquisa. Esse é um fato a ser levado em conta e a ser cuidado.

3.2.2 Os participantes da pesquisa

Dada a importância das características das culturas juvenis para essa pesquisa, produzimos um capítulo com esse enfoque: o capítulo 1. Lá apresentamos, como essas culturas têm sido estudadas, algumas das características comuns às culturas das grandes metrópoles atuais, o papel da tecnocultura para essas culturas juvenis e a importância das particularidades na diferenciação dos vários grupos culturais entre os jovens. Como essas particularidades são bastante relevantes, iniciamos a coleta de dados por meio de uma dinâmica de grupo construída com a intenção de fazer o “mapeamento62” das práticas

culturais dos jovens da comunidade local.

A dinâmica de grupo criada, denominada de “Orkut Concreto”, foi aplicada aos estudantes de cinco das seis classes, devido aos problemas de organização do horário disponível da escola na época. Com isso, coletamos informações a respeito de 159 jovens.

62 Fazer mapeamentos é o mesmo que produzir um mapa. Um mapa não é a cópia do lugar. Ele é uma interpretação do cartógrafo. Um mapa não está fechado. Ele é aberto à continuação de suas ruas, montanhas, rios em outros mapas. No caso da dinâmica descrita aqui, o mapeamento é a descrição das culturas juvenis por parte de uma escala de mapa e por um observador. É uma escolha e essa escolha define o estudo acerca dos jovens por um determinado foco. Porém, o mapa é estratégico, pois ele define o que está nas margens e o que está no centro. Em geral, os “diagnósticos” escolares privilegiam os conhecimentos científicos e indicam o que “falta” aos alunos para alcançá-los. No mapeamento aqui construído, o que estava na borda dos diagnósticos passa a ser central, isto é, a cultura dos alunos e indica a necessidade de problematizar o posicionamento desses dois saberes ( ALBUQUERQUE JÚNIOR, VEIGA-NETO e SOUZA FILHO, 2008). “Uma vantagem de uma concepção de currículo inspirada nos Estudos Culturais é que as diversas formas de conhecimento são, de certa forma, equiparadas” (SILVA, 1999/2005, p.136)

109 Mais adiante, os participantes dessa pesquisa foram os 192 jovens de 13 a 15 anos, estudantes de seis turmas do 9º ano do Ensino Fundamental da escola descrita acima. Na fase preliminar, foram coletados os dados produzidos por todos os estudantes das seis turmas a partir dos blogs que foram produzidos em trabalho em grupo durante as aulas de ciências. Mais adiante, selecionamos apenas oito estudantes para fazer uma análise qualitativa, mais aprofundada, em relação aos textos dos blogs de dois grupos.

A dinâmica para o mapeamento foi feita em duas aulas do período regular em cada turma, com grupos em torno de 33 alunos. Coletamos dados a partir do perfil do aluno gerado na dinâmica proposta e da produção de um texto individual.

A dinâmica constou das seguintes etapas: (1) os alunos trouxeram uma fotografia para representar quem eles são; (2) redigiram seus “perfis” em uma folha de papel, escolhendo características para se apresentar aos colegas; (3) cada um colocou seu perfil com a fotografia em um dos sacos plásticos, dispostos nas paredes da sala, como se fosse o perfil de apresentação da página virtual do Orkut; (4) em seguida, todos passearam pela sala e visitaram o perfil dos colegas, escrevendo comentários conforme algumas regras: a- escrever para pelo menos dois colegas; b- escrever apenas em perfis que tivessem no máximo dois comentários já registrados; c- registrar as características comuns entre o visitante e o autor do perfil. Na sequência, cada aluno recolheu seu perfil e fotografia para ler os comentários deixados pelos colegas. Houve discussão dos resultados percebidos e solicitamos a produção de um texto com o tema “De onde vem o que eu sou hoje?”.

Separamos os dados do perfil dos jovens em duas listas: os que foram citados pelo autor (freqüência individual) e os que foram apontados pelo visitante como motivo de identificação com o autor (freqüência de identificação). Os dados foram utilizados para interpretar quais eram as principais práticas culturais dos jovens da escola e para criar os temas culturais do curso de ciências. Os temas forneceram a possibilidade de produção dos textos nos blogs e de análise dos discursos.

Nessa seção, descrevemos o procedimento de coleta de dados durante a dinâmica. A análise dos resultados está descrita no capítulo 4, seção 4.2.

110 3.2.3. O procedimento de coleta de dados da pesquisa.

Com a intenção de estabelecer os meios para a coleta de dados, a professora (e pesquisadora) organizou um curso de ciências no ano de 2009 para seis classes de 9o ano do Ensino Fundamental na escola descrita, que foi transversalizado pela produção dos blogs.

O curso se desenvolveu por meio de três temas culturais63, denominados de “Eu me remexo muito”, “Peleshop: ctrl-c, ctrl-v” e “Se liga, broh”. Todos tratam de práticas da cultura juvenil e sua relação com as ciências. O primeiro aborda a participação da biomecânica nas práticas corporais (danças, lutas, esportes, brincadeiras, expressão corporal, ginástica), o segundo aborda as práticas culturais de estética da segunda pele64 entre os jovens e em algumas culturas étnicas. Nesse tema foi analisada a relação de alguns marcadores de identidade com os conhecimentos da química dos metais e as relações destes com a saúde humana e os impactos ambientais. O terceiro tema é um desdobramento do segundo tema, onde os alunos investigaram a criação e funcionamento de alguns aparelhos de telecomunicações e de seus conteúdos (mídias), analisando a sua relação com o consumismo, os impactos ambientais e com o sistema econômico durante a 1a e 2a revoluções industriais. Os títulos dos temas foram sugeridos pelos estudantes.

Cada tema cultural foi desenvolvido por meio de diversas atividades efetuadas individualmente e em grupo. Com a intenção de obter material para a análise dos discursos dos alunos quanto à ciência e tecnologia, propusemos que, ao longo das diversas atividades65 que compuseram o desenvolvimento dos três temas culturais, os alunos trabalhassem em grupos responsáveis pela produção de blogs.

A escolha da ferramenta cultural “blog” foi feita levando em consideração a presença e importância da Internet na vida dos jovens. Porém, embora em nosso mapeamento tenhamos detectado que o “Msn” e o “Orkut” sejam os recursos que mais empregam em seu cotidiano, precisávamos de uma ferramenta com maior potencialidade para a reflexão e argumentação, o que necessita de um recurso de produção de textos mais extensos e de modo assíncrono. Fica explicitado, portanto, que houve intenção por parte da pesquisadora, desde o início, em

63Os temas culturais foram propostos por Corazza (1997) como um desdobramento dos temas geradores de Paulo Freire.

Eles ultrapassam os limites da cultura popular para contemplar outras culturas. Enquanto o trabalho com os temas geradores tem por intenção emancipara os alunos oprimidos por meio da libertação de sua condição de alienação, os temas culturais fundam-se na concepção de que o intelectual é alguém que caminha junto com os “estudantes”, auxiliando na desconstrução e construção de novas perspectivas. São práticas de “autoprodução”, onde todos, professores e estudantes, dão novos sentidos as suas próprias vidas, conforme produzem novos textos acerca do fenômeno em estudo.

64 O tema de estética da segunda pele se refere a qualquer tipo de adorno ou pintura ou transformação que os seres humanos

aplicam a sua pele. São exemplos: bijuterias, vestuário, piercing, tatuagem, cirurgia plástica...

111 estimular a produção de textos para a reflexão e argumentação. É importante observar quais são as concordâncias que encontramos em nossas interpretações e quais foram os estranhamentos que surgiram a partir dessa intenção.

3.2.4 Procedimento de seleção e recuperação dos dados

Mehan (1979) foi dos primeiros pesquisadores a construir um método de análise para observar a comunicação nas aulas, visto que até a década de 1970, a maior parte das investigações em Educação era do tipo “estudos de correspondência”66. Esse último era uma

pesquisa quantitativa, efetuada em larga escala, que tinha por intenção contribuir com informações para que a escola pudesse compensar os déficits dos alunos, existentes na entrada no sistema.

O método proposto por Mehan, denominado etnografia constitutiva, partiu da premissa de que a estrutura social é sempre produto da interação entre as pessoas de um dado contexto. Assim, ele buscou uma forma de interpretar a natureza das interações que aconteciam nas aulas com a intenção de capturar a interdependência dos comportamentos dos vários participantes da aula: alunos e professores. Focou sua investigação sobre as atividades escolares, visto que estas organizam a estrutura de relações sociais desse ambiente e têm influência da estrutura do macro-sistema. Estabeleceu relações entre a estrutura das relações sociais presentes na escola e o modo como essa estrutura surge da estruturação das atividades escolares. O foco é a descrição das interações entre os diferentes componentes participantes da escola durante os trabalhos que efetuam no ambiente escolar.

Na criação do método, ele partiu das características da pesquisa etnográfica do tipo “observação participante”, existente na época, mas criou uma série de premissas metodológicas para ultrapassar as críticas quanto ao seu rigor. Havia desconfiança quanto à representatividade das interpretações e generalizações apresentadas, pois embora fosse coletada uma grande quantidade de material, o pesquisador selecionava poucos segmentos da interação para efetuar a análise, sem explicitação dos critérios de seleção dos trechos. Com isso, ele separava o material de análise do seu contexto, tornando-o muito específico e isolado das influências provenientes dos ambientes externos ao evento investigado. Para contornar

66

Nesse tipo de estudo, investigavam-se as relações existentes entre as variáveis situadas no ponto de partida da escolarização (classe social, idade e sexo dos professores; tamanho da classe, habilidades iniciais dos alunos, características das famílias dos alunos) e as variáveis, que consideravam dependentes, situadas no ponto de saída da escolarização (sucesso econômico, modelos de carreiras, desenvolvimento dos alunos).

112 essa crítica, Mehan sugeriu que fosse feita uma descrição mais detalhada das atividades de aula e das formas de seleção do material empírico. Por fim, transformou o modo de apresentação do material empírico. Em vez de publicar tabelas, produzidas a partir de anotações em um diário de campo, Mehan propôs que o pesquisador deveria produzir modos de armazenar e recuperar os dados para o acesso de outros.

Tomando por base a reflexão que estabelecemos até aqui quanto à natureza ontológica e epistemológica do método, optamos por organizar a pesquisa em duas etapas: uma quantitativa e outra qualitativa. Utilizamos alguns procedimentos sugeridos por Mehan tanto para a coleta como para a seleção dos dados. Passamos a descrevê-los a seguir.

3.2.2.a. Meios de recuperação dos dados

Mehan sugere que sejam utilizados meios de organizar um banco de dados que possibilite ao pesquisador ou a outros pesquisadores retornar aos dados originais em busca de novas interpretações. Assim, em vez dos diários de anotação da pesquisa de observação participante, ele sugere o uso de registros audiovisuais, que podem ficar armazenados em um banco de dados para uso posterior. Convém ressaltar em relação a esse aspecto que os dados “não falam por si mesmos”, isto é, eles são interpretados a partir de condições específicas do momento. Essas se referem ao conhecimento teórico e metodológico do pesquisador, a seus