1.4. TURİZMİN MAKROEKONOMİK ETKİLERİNİN HESAPLANMASI
2.1.2. Türkiye’de Turizm İstatistikleri
(Apud Diógenes Laércio, Vidas e obras dos filósofos ilustres, IV.6-15)
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Testimonia, doctrina et fragmenta, Fr. 2.42294
ἀλλὰ καὶ πρεσβεύων πρὸς Ἀντίπατρον περὶ αἰχµαλώτων Ἀθηναίων κατὰ τὸν Λαµιακὸν πόλεµον, καὶ κληθεὶς ἐπὶ δεῖπνον πρὸς αὐτὸν προηνέγκατο ταυτί· ὦ Κίρκη, τίς γάρ κεν ἀνήρ, ὃς ἐναίσιµος εἴη, πρὶν τλαίη πάσσασθαι ἐδητύος ἠδὲ ποτῆτος πρὶν λύσασθ' ἑτάρους καὶ ἐν ὀφθαλµοῖσιν ἰδέσθαι; καὶ τὸν ἀποδεξάµενον τὴν εὐστοχίαν εὐθὺς ἀνεῖναι. Tradução:
Testemunhos, doutrina e fragmentos, Fr. 2.42
Mas ainda por missão, foi pleitear junto a Antípatro pelos prisioneiros atenienses feitos durante a guerra lamíaca e, tendo sido convidado para jantar junto à ele, proclamou o seguinte:
Ó Circe, então qual homem que fosse correto poderia suportar desfrutar de comida e de bebida
antes de soltar os companheiros e contemplá-los com os olhos?295
E Antípatro, aprovando sua sagacidade, libertou-os imediatamente.
Comentário:
Λαµιακὸν πόλεµον: o trecho acima é retirado da obra de Diógenes Laércio, que a
escreveu no século III.296 Se considerarmos que a obra de Xenócrates realmente fazia
uso desse adjetivo λαµιακός, ele foi o primeiro a usá-lo, e talvez tenha sido mesmo o
294
Texto grego retirado de Parente, 1982 = TLG.
295 Cf. Homero, Odisseia, X.383 – 5.
criador dessa palavra. Contudo, como só temos dele os fragmentos encontrados em outros autores, não é possível fazer tal inferência e, por isso, a criação do adjetivo λαµιακός não pode ser atribuída a Xenócrates com certeza. Muitos estudiosos
atribuem tal cunhagem a Coerilo de Iaso, contemporâneo de Xenócrates.297 O uso
desse adjetivo para descrever a revolta que os atenienses organizaram contra os macedônios logo após a morte de Alexandre talvez estivesse em voga por volta dos séculos IV-III a.C.
Essa revolta — que, ao que parece, foi de magnitude histórica — ficou conhecida como Guerra de Lâmia, por ter acontecido nos arredores da cidade grega de
Lâmia, mencionada anteriormente neste mesmo trabalho por Sílax de Carianda.298 Os
eventos dessa guerra se passaram no período do inverno de 323-322 a.C., e os
macedônios saíram vitoriosos.299
297 Cf. nesta tese Coerilo de Iaso, pp. 103-105, onde fazemos uma discussão acerca do nome da guerra,
que também ficou conhecida como Guerra Helênica; cf. Walsh, 2011, que está comentado mais detalhadamente nesta tese em Coerilo de Iaso.
298
Cf. nesta tese Sílax de Carianda, pp. 64-65. A Guerra de Lâmia se iniciou logo após a morte de Alexandre o grande (junho de 323 a.C.), e constituiu-se como um movimento rebelde: algumas cidades gregas formaram uma coalisão para libertar a Grécia do jugo da Macedônia. Acredita-se que tal movimento recebeu esse nome, Guerra de Lâmia, em razão de um de seus episódios decisivos: o sítio que sofreu o exército macedônico nessa cidade. A Suda afirma que Lâmia "[...] é também uma cidade da Tessália, de onde os gregos, animados e liderados pelos atenienses, após a morte de Alexandre, buscando conquistar a liberdade, venceram Antípatro" - Suda, Λ (lambda), entrada 84: "[...] ἔστι δὲ καὶ πόλις Θεσσαλίας, ὅθεν ὁρµηθέντες οἱ Ἕλληνες µετὰ τὸν Ἀλεξάνδρου θάνατον, Ἀθηναίων ἡγουµένων, τῆς ἐλευθερίας ἀντιποιησάµενοι τὸν Ἀντίπατρον ἐνίκησαν. Μένανδρος Ἀνδρογύνῳ". Cf. a "Introdução" desta tese, p. 33, nn. 105 e 106, onde estre trecho e a discussão acerca dele podem ser vistos mais detalhadamente. Sobre a Guerra de Lâmia, cf. Hornblower & Spawforth, 1996, p. 790; Cancik & Schneider, vol. 7, p. 183; Hansen & Nielsen (IACP), 2004, pp. 712-713, n. 431; Walsh, 2011; Walsh, 2012; Ashton, 1984; Bertosa, 2003; Worthington, 2014, p. 299.
299 Os macedônios ocupavam o território grego desde sua conquista por Filipe II da Macedônia, pai de
Alexandre o grande, que iniciara esse movimento em 352 a.C. ao avançar sobre Tebas. As declarações de guerra entre Atenas e Pela aconteceram oficialmente em 340 a.C., após vários episódios de desentendimento entre Filipe II e os atenienses, espartanos e tebanos. Filipe então resolveu expandir seu império e anexou a Grécia. Os gregos se revoltaram contra seus vizinhos dominadores muitas vezes, durante toda a duração do Império Macedônico, que permaneceu estável por apenas dois anos (Romm, 2011, p. xiii). Mesmo Alexandre o grande enfrentou sublevações frequentes durante seu reinado, que durou pouco mais de dez anos (334-323 a.C.). Várias delas partiram de seus próprios soldados, macedônios como ele, que achavam que ele estava se "orientalizando" em demasia após as conquistas asiáticas e o casamento com Roxana, filha do rei da Sogdiana (Romm, 2011, p. 12). Acuado por seus próprios compatriotas, Alexandre anunciou o repatriamento de mais de dez mil de seus soldados, que voltariam para casa junto de um de seus generais, Crátero. Apaziguou, dessa maneira, os ânimos de seus cansados combatentes. Seguindo a mesma linha, nos Jogos Olímpicos de 324 a.C. Alexandre anunciou o Decreto dos Exilados, permitindo que todos os gregos exilados de suas cidades, por quaisquer motivos, voltassem para casa. Pouco tempo depois, em 323 a.C., já de volta à Babilônia, cidade que havia libertado do jugo persa sete anos antes e incorporado a seu império (em outubro de 331 a.C.), contraiu uma misteriosa febre (ou foi envenenado, ou alguma outra possibilidade, não há certeza alguma das causas de sua morte) e morreu repentinamente, no dia 13 de junho, deixando órfão o mais extenso império da Antiguidade. Nas palavras de John Hazel, "sua morte prematura levou, em último caso, ao colapso de seu império em meia dúzia de estados (muitos dos quais eventualmente caíram sob domínio romano nos 300 anos seguintes), que eram governados pelos generais de seu
exército. Há um sentimento de que Roma seria o verdadeiro herdeiro de Alexandre" (Hazel, 2000, p. 12: "His premature death led ultimately to the collapse of his empire into half a dozen states [many of which eventually fell to Roman domination within the following 300 years], which were ruled by the generals of his army. There is a sense in which Rome was to be the true heir of Alexander"). Em seu livro, Romm narra uma história a respeito de um guru que acompanhava os oficiais de Alexandre, de nome Calano. Ele caiu enfermo quando o exército chegou a Persis e resolveu se matar, pois previra uma morte lenta e agonizante para si. Assim, em uma cerimônia fúnebre de despedida, ele disse adeus e abraçou cada um dos oficiais de Alexandre. Ao ver o rei macedônico se aproximar, no entanto, ele disse que o abraçaria quando eles se encontrassem na Babilônia, o que foi tomado como delírio de um enfermo. Calano se atirou em uma pira de fogo e morreu. Alexandre caiu enfermo poucos dias após adentrar a Babilônia com seu imponente exército, cf. Romm, 2011, p. 10). As notícias da morte de Alexandre atingiram a Grécia um bom tempo após a ocorrência do fato em si, mesmo assim, quando os gregos tomaram conhecimento delas, viram nessa a oportunidade de se livrarem de vez dos macedônios invasores. Além desse motivo, Atenas e a Liga Etólia tinham outra razão para se rebelarem contra o Império Macedônico: o Decreto dos Exilados. Por esse decreto, os atenienses, que haviam ocupado a ilha de Samos e exilado todos os seus habitantes, deveriam devolvê-la a eles, e da mesma maneira a Liga Etólia, que havia ocupado a cidade de Eníades, no litoral do mar Jônico. Assim, uma coalisão de cidades gregas se formou (os atenienses, a Liga Etólia, os fócios, os lócrios, os argivos e os tessálios [com exceção dos habitantes de Lâmia], num total aproximado de 25 a 30 mil combatentes), instigada pelo estratego ateniense Leóstenes e pelo orador ateniense Hipérides, e denominada por eles de Liga Helênica. O principal objetivo da Liga recém formada era expulsar os macedônios definitivamente do território grego. Leóstenes, originário do demo ateniense de Céfale, havia obtido reconhecimento militar ao ser nomeado estratego de Atenas para a defesa da cidade em 324 a.C., e adquirira experiência em combate vivendo como mercenário na Ásia. Quando Alexandre anunciou o repatriamento de mais de dez mil mercenários de seu exército, Leóstenes foi imediatamente enviado para negociar com eles e os reuniu no Cabo Tenaro (hoje Cabo Súnio, o extremo sul da Grécia continental), próximo ao templo de Poseidon. Na época da morte de Alexandre, Leóstenes tinha mais de oito mil desses mercenários a seu dispor reunidos naquela região (Walsh [2012] tece considerações acerca do papel de Leóstenes na reunião desse exército de mercenários. Ele afirma que esse papel é muito menor do que o anunciado por Diodoro Sículo, e aceito pela maioria dos especialistas. Ver Diodoro Sículo, pp. xx desta tese para uma discussão mais aprofundada). Os macedônios, que tinham os beócios como aliados (num total muito inferior de 13 mil combatentes), eram pessoalmente liderados por Antípatro, um dos generais de Felipe e Alexandre, que havia sido designado pelo último como guardião da Grécia enquanto ele próprio estivesse em campanha na Ásia. Os beócios tinham estado em uma série de guerras contra os tebanos pelo controle da administração do santuário de Delfos, que ficaram conhecidas como Guerras Sagradas. Essas escaramuças envolviam os aliados dos dois lados beligerantes: Atenas, aliada dos tebanos, e Esparta, aliada dos beócios, e já vinham acontecendo muito antes da conquista do território grego pelos macedônios — desde antes de 446 a.C. Os beócios temiam que Tebas reestabelecesse seu domínio do santuário caso os atenienses e seus aliados ganhassem, e retomasse o controle de seus próprios territórios (cf. Hornblower & Spawforth, 1996, pp. 1343-1344). Desse modo, os gregos, com Leóstenes à frente, derrotaram os beócios em Plateia, arrasando completamente seu exército e, em seguida, os macedônios, no paço das Termópilas. Esses últimos foram obrigados a se refugiar na cidade fortificada de Lâmia e lá se entrincheiraram à espera de reforços. Os gregos sitiaram os macedônios em Lâmia, com a esperança de que tomariam a cidade rapidamente, e de que a frota ateniense barraria a frota macedônica que vinha da Ásia com reforços. Isso feito, os macedônios perderiam a guerra. Contudo, não apenas a cidade de Lâmia se mostrou inexpugnável, como a frota ateniense sofreu duas derrotas fatais tanto no Helesponto quanto na ilha de Amorgos. Os gregos perderam muitos homens nas tentativas de sobrepujar os muros de Lâmia, e os macedônios, com a derrota da frota ateniense, ficaram com as águas livres para transportar os reforços e desembarcá-los no Golfo de Mália a tempo de salvar os sitiados. Em 322, uma ofensiva relâmpago dos macedônios sitiados deixou o general Leóstenes mortalmente ferido e os atenienses foram obrigados a bater em retirada por um tempo, deixando seus aliados enfraquecidos. Em Atenas Leóstenes recebeu homenagem dupla: Hipérides escreveu e proclamou sua oração fúnebre, e Arcesilau decorou uma stoa no Pireu com retratos dele e de seus filhos. A queda de Leóstenes foi devastadora para a causa da Liga Helênica, e a retirada momentânea dos atenienses foi a oportunidade por que Antípatro e seus comandados esperavam: eles deixaram Lâmia, reuniram-se aos reforços vindos da Ásia e derrotaram definitivamente os revoltosos na Batalha de Cranon, uma cidade tessália próxima de Lâmia (Hansen & Nielsen, 2004, pp. 694-695). A revolta foi completamente obliterada, as cidades rebeldes aliadas foram obrigadas a capitular e aceitar os tratados de paz impostos pelos macedônios, e a
Diógenes Laércio afirma que Xenócrates participou de três embaixadas
enviadas pelos atenienses aos macedônios: uma a Filipe e duas a Antípatro.300 O
trecho acima trata da embaixada enviada a Antípatro em 322 a.C., da qual Xenócrates, junto a Fócion, tomou parte para negociar a rendição dos atenienses após a derrota da
coalisão grega na Guerra de Lâmia.301 A Xenócrates foi oferecida a cidadania
ateniense após ter prestado esse serviço, que ele recusou por não concordar com os
termos a que os atenienses se submeteram: preferiu continuar estrangeiro.302
Podemos notar a parcimônia de Xenócrates que, como Odisseu, não desfrutou do banquete que lhe era oferecido antes de ver seus companheiros livres. Xenócrates cita a Odisseia, no episódio em que Odisseu, convidado por Circe a se banquetear, recusa a oferta, alegando não ter estômago para tais frivolidades enquanto seus
companheiros estão sofrendo, transformados em porcos.303 Esse é um comportamento
exatamente contrário a toda a semântica da palavra λάµια, pois contraria a voracidade alimentar aludida por ela.
Grécia permaneceu sob o jugo macedônico. Jugo esse que seria substituído pelo jugo romano, a partir do século II a.C., após novas batalhas em Lâmia. Para referências à Guerra de Lâmia cf., neste mesmo trabalho, Hipérides, pp. 97-102; Coerilo de Iaso, pp. 103-105; Menandro, pp. 120-122; Políbio, pp. 133-137; Diodoro Sículo, pp. 140-151; Estrabão, pp. 154-163; Plutarco, pp. 173-194; Pausânias, pp. 198-208; Polieno, p. 214; Diógenes Laércio, pp. 274-275.
300 Diógenes Laércio, Vidas e obras dos filósofos ilustres, IV.6-15.
301 Cf. Hornblower & Spawforth, 1996, p. 1628; cf. também Suda, Α (alpha), entrada 2704:
"<Ἀντίπατρος·> οὗτος ἐπεὶ διεδέξατο τὴν ἀρχὴν τῶν Μακεδόνων, ἐπολιορκήθη µὲν ἐν Λαµίᾳ τῆς Θεσσαλίας ὑφ' Ἑλλήνων· ἀναχωρησάντων δὲ τῶν Αἰτωλῶν, εἶτα τῶν ἄλλων, ἐσώθη. νικήσας δὲ ᾔτει τοὺς ιʹ ῥήτορας, οὓς ἐξέδοσαν Ἀθηναῖοι, Δηµοσθένην, Ὑπερίδην, Λυκοῦργον, Πολύευκτον, Ἐφιάλτην, Θρασύβουλον, Χάρητα, Χαρίδηµον, Διότιµον, Πατροκλέα, Κάσσανδρον" - "[...] este, após ter recebido o comando dos macedônios, foi sitiado em Lâmia, na Tessália. Mas, quando os etólios se retiraram, e os outros em seguida, foi salvo. Assim, vencedor, ordenou aos atenienses que entregassem os dez oradores: Demóstenes, Hipérides, Licurgo, Polieucto, Efialtes, Trasíbulo, Cáreta, Caridemo, Diótimo, Pátroclo e Cassandro". Cf. ainda, nesta tese, "Introdução", p. 32, n. 103.
302 Xenócrates foi um dos diretores da Academia (339-314 a.C.), e também foi escolhido como
embaixador para negociar a a rendição ateniense com Antípatro em 322 a.C. Para ler mais sobre sua obra e seu trabalho filosófico, cf. Hornblower & Spawforth, 1996, p. 1628.
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῾Υπερείδης - Hipérides 389-322 a.C.
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Nota inicial: resolvemos não escrever dois comentários aos dois trechos aqui citados
da Oração Fúnebre de Hipérides, uma vez que ambos apresentam a mesma palavra, o mesmo contexto e a mesma morfologia. Desse modo, primeiro apresentaremos os trechos, cada um seguido de sua respectiva tradução, e o comentário aos dois seguirá após o final da tradução do segundo.
—————————————————————————————————— Ἐπιτάφιος 5.21-5.38 (Jensen) / 12-13 (Herrman)304 ἐντεῦθεν δ' ἐλθὼν εἰς Πύ- λας καὶ καταλαβὼν τὰς πα]ρ̣όδους, δι' ὧν καὶ πρότερον ἐ- πὶ τ]οὺς Ἕλληνας οἱ βάρβαροι ἐ- πο]ρεύθησαν, τῆς µὲν ἐπὶ τὴν] Ἑλλάδα πορείας Ἀντί- π]α̣τρον ἐκώλυσεν, αὐτὸν δὲ κα]ταλαβὼν ἐν τοῖς τόποις τού- τοι]ς καὶ µάχηι νικήσας ἐπολι- όρ]κει κατακλείσας εἰς Λαµίαν· Θ]ε̣τταλοὺς δὲ καὶ Φωκέας καὶ Αἰ]τωλοὺς καὶ τοὺς ἄλλους ἅπαν- τας τοὺς ἐν τῶι τόπωι συµµάχους ἐποιήσατο, καὶ ὧν Φίλιππος καὶ Ἀλέξανδρος ἀκόντων ἡγού- µενοι ἐσεµνύνοντο, τούτων Λε- ωσθένης ἑκόντων τὴν ἡγε- µονίαν ἔλαβεν.
304 Texto grego retirado de Jensen, 1963 = TLG. Os números após a barra obedecem à numeração de
Tradução:
Epitáfio, 5.21-5.38 / 12-13
E, assim, indo aos Portões305
e bloqueando as passagens
através das mesmas, as quais, primeiro, os bárbaros foram perseguidos
pelos helenos, impediu Antípatro de marchar contra a Hélade e na batalha vencendo, fez um cerco,
prendendo-o em Lâmia.
Então tessálios, fócios e etólios, todos juntos, naquele lugar, ele fez companheiros de batalha e,
apesar de terem exaltado, sem querer, a liderança de Filipe e Alexandre,
305 Os Portões, Πύλας, é a maneira como Hipérides se refere à passagem das Termópilas, onde alguns
séculos antes Leônidas e seus homens atrasaram o exército persa, comandado por Xerxes, em sua segunda tentativa de invadir e dominar a Grécia, cf. Cooper, in Worthington, Cooper & Harris, 2001, p. 131, nota 2; cf. também Hornblower & Spawforth, 1996, pp. 843-844, Leonidas; e ainda cf. Herrman, 2009, p. 77, n. 12, onde ele faz um comentário específico sobre a palavra grega Πύλας, e a região das Termópilas. Na verdade, "portões quentes" é o significado da palavra thermópylai em grego, e denominava o espaço entre o Monte Calídromo e o rio Euripo, constituindo a principal via de acesso do norte da Grécia às suas partes central e sul, cf. Hornblower & Spawforth, 1996, p. 1507. A Batalha das Termópilas, como ficou conhecida, aconteceu provavelmente em agosto de 480 a.C., e incluiu de seis a sete mil gregos, que seguraram a passagem por aproximadamente dois dias até serem traídos por um habitante local, que revelou aos persas a existência de uma outra passagem, que chegava diretamente na retaguarda do exército grego. Após esse fato, os fócios bateram em retirada, e apenas os espartanos, téspios, micênios e talvez, tebanos, lutaram até o último homem (há alguns relatos que dizem que os tebanos se renderam para não serem massacrados), cf. Hornblower & Spawforth, 1996, pp. 1507-1508. Há um monumento na região onde era o caminho central do Paço das Termópilas, construído na década de 1950 com financiamento de gregos-americanos, em homenagem aos guerreiros caídos nessa batalha. O monumento é um muro, com três estátuas: no centro dele, uma enorme estátua de Leônidas, vestido para a batalha e com a lança em posição de ataque, está de pé e olha para frente; em suas laterais, há duas estátuas de deuses reclinados, e no comprimento do muro há um friso com cenas da batalha, cf. http://odysseus.culture.gr/h/2/eh251.jsp?obj_id=1446, o sítio eletrônico oficial do governo grego para informações sobre atrações turísticas, ruínas, templos, monumentos, etc. Havia um monumento antigo, erigido pela Liga Anfictiônica em homenagem aos guerreiros caídos nessa batalha, que contava com uma inscrição de Simônides de Ceos, que dizia: "Ὦ ξεῖν', ἀγγέλλειν Λακεδαιµονίοις, ὅτι τῇδε / κείµεθα τοῖς κείνων ῥήµασι πειθόµενοι" – "Ô estrangeiro, anuncia aos lacedemônios que aqui / jazemos, obedientes às palavras deles", mas ele não sobreviveu, cf. Page, 1967 = TLG, 7.249; cf. ainda Hornblower & Spawforth, 1996, p. 1409, para informações sobre a vida e a obra de Simônides. Houve, ainda, outra batalha na região das Termópilas, que é, contudo, menos conhecida. Essa batalha aconteceu em 191 a.C., entre os romanos e os selêucidas, liderados por seu rei, Antíoco III. Para esta batalha, cf. neste mesmo trabalho, Anexos, Tabelas, Tabela 9, Guerras Macedônicas, Roma x Império Selêucida, pp. 328-329, especialmente nota 742.
de cada um deles
Leóstenes recebeu o comando.
Ἐπιτάφιος 7.17-7.25 (Jensen) / 18 (Herrman) ...] ἀλλὰ µὴν τήν γε π[ερὶ Π̣]ύλας καὶ Λαµί- αν µάχην γεν̣[οµέν]ην οὐχ ἧττον αὐτοῖς ἔνδο[ξον γεν]έσθαι συµ- βέβηκεν ἧς [ἐν Βοιω]τοῖς ἠγωνίσαν- το, οὐ µόνον [τῶι µαχο]µένους νικᾶν Ἀντίπατρον [κ̣α̣ὶ τοὺς σ]υµµάχους ἀλλὰ καὶ τῶι τόπω[ι, τῶι ἐ]νταυθοῖ γε- γενῆσθαι τὴν µ[άχην.] Tradução: Epitáfio 7.17-7.25 / 18 [...] mas
contudo, a batalha que ocorreu nas cercanias dos Portões e de Lâmia não foi inferior e resultou para eles tão gloriosa quanto a que tiveram com os beócios, não apenas porque os soldados venceram Antípatro e seus combatentes, mas também pelo próprio lugar onde aconteceu a batalha.
Comentário:
Λαµίαν: Hipérides escreveu a oração fúnebre para os combatentes caídos na Guerra
de Lâmia. Era um hábito ateniense honrar seus mortos em batalha com um poema, que tradicionalmente era pronunciado por um cidadão ilustre, e continha três partes fundamentais: um elogio aos caídos, uma consolação para os vivos, e uma exortação
aos grandes feitos da Cidade e aos vivos, para que se espelhassem nos mortos.306
Hipérides segue exatamente esse programa de apresentação em seu Epitáfio: introduz seu assunto (Epitáfio 1.1-2.24), diz que não vai se deter em elogios à cidade, pois todos conhecem suas glórias (Epitáfio 2.25-3.40), celebra o génos e a paideia atenienses (Epitáfio 3.41-4.59), exalta Leóstenes e seus companheiros de batalha e seus feitos na Guerra de Lâmia (Epitáfio 4.60-13.257), e finaliza com a consolação
aos vivos (Epitáfio 13.258-13.277).307
O general Leóstenes, que estava no comando da coalisão das cidades gregas, foi morto em batalha durante o cerco aos macedônios refugiados na cidade tessália de Lâmia. Como era a praxe, Hipérides faz uso dos atributos de Leóstenes para elogiar todos os combatentes gregos que tiveram a coragem de arriscar suas vidas pela
liberdade da cidade.308 Leóstenes havia sido um dos comandantes dos mercenários
gregos que lutavam no exército de Alexandre na Ásia, e, por isso, quando o imperador macedônio resolveu mandar todos esses mercenários de volta para casa, Leóstenes os
estava esperando no Cabo Súnio para contratá-los.309 Desse modo, quando Alexandre
Thuc. 2.34.1), unique to Athens (Dem. 20.141), that a citizen of distinction would deliver an oration over the dead who had fallen in battle during the previous year. As a conventional form, the funeral oration had a set structure that included praise, consolation, and exhortation." - "Era uma tradição antiga (veja Tucídides 2.34.1), exclusiva de Atenas (Demóstenes 20.141), que um cidadão distinto pronunciaria uma oração para os mortos que haviam caído em batalha no ano anterior. Como uma forma convencional, a oração fúnebre tinha uma estrutura fixa que incluía exaltação, consolação e exortação. Cf. ainda Herrman, 2009, pp. 14-20, em que ele faz um sumário dos discursos mais importantes proferidos nessa batalha verbal empregada pelos oradores atenienses para convencer a Assembleia a lutar contra os macedônios, desde a derrota para Filipe II na Batalha de Queroneia em 338 a.C. até a Oração Fúnebre de Hipérides, proferida no início de 322 a.C.; cf. Herrman, 2009, pp. 3- 14, para o contexto histórico do Epitáfio, pp. 14-20, para o contexto retórico do mesmo, e pp. 76-78, para comentários sobre especificidades tanto no contexto histórico quanto no retórico da passagem do texto dos parágrafos 10, 11 e 12; Cooper, in Worthington, Cooper & Harris, 2001, pp. ; e Hornblower & Spawforth, 1996, pp. 547-548, que citam os outros oradores escolhidos para proclamar orações fúnebres, além de Hipérides: Péricles (440 e 431 a.C.), Arquino (data desconhecida, mas certamente entre a última oração de Péricles e a de Demóstenes) e Demóstenes (338 a.C., depois da Batalha de Queroneia), cf. id., ibid., p. 737, segundo e terceiro parágrafos, para uma lista das obras de Hipérides e pensamentos sobre seu estilo similar ao de Lísias. Cf. ainda Loraux, 1981.
307 Cf. Herrman, 2009, pp. 20-26, nas quais ele faz um resumo do Epitáfio, apresenta algumas
estratégias narrativas de Hipérides e também algumas peculiaridades do texto com relação às outras Orações Fúnebres disponíveis, sempre em correlação ao contexto histórico e político em que ela foi composta e proferida. A numeração aqui apresentada é referente ao sistema do TLG, que mantém a