1. GİRİŞ
1.8. Kısaltmalar
As questões ligadas à estéticas são bem antigas. Foram apresentadas ainda no pensamento de Platão, "Embora a palavra “estética” em si, no contexto filosófico em que ela viria a ser inserida, só tenha aparecido em 1735 [...]” (Santaella, 1994: 12).
A estética quase sempre esteve relacionada à arte e a beleza, mas não só a arte transcendeu o que se caracterizava tradicionalmente por artístico como a própria noção do belo se estendeu numa pluralidade de sentidos e conceitos que nascem, misturam-se, transformam-se e também ridicularizam-se. A vulgarização a que chegou esse termo foi tamanha a ponto de perdermos o seu sentido original. O termo estética que conhecemos hoje, mais relacionado a uma beleza fundada na aparência do corpo, com o objetivo de se atingir um padrão imposto por determinada cultura (e mais especificamente pelas mídias de massa) é só um exemplo do limite a que pode chegar a distorção de um termo, proposto inicialmente para fins ideológicos distintos.
A palavra estética deriva do grego aisthesis, que significa sentir, um sentir voltado para a sensorialidade, sensação e percepção através dos sentidos. O termo foi cunhado pela primeira vez por Baumgarten como ciência da percepção em geral e este foi o primeiro a abordar a Estética como uma disciplina filosófica ou sinônimo de “conhecimento através dos sentidos [...] um tipo de conhecimento que a sensação, a rede de percepções físicas nos trazem” (Santaella, 2008: 11).
Nesse aspecto, a estética delimita o potencial que algo (uma música, uma palavra, um perfume etc), que se apresenta diante de nós, possui para acionar nossa sensibilidade “tornando mais sutil nossa capacidade de apreensão das qualidades daquilo que se faz presente aos sentidos" (Santaella, 2008: 35). Entretanto, este algo, pode ir ainda muito além do que se relacionava somente ao circuito da arte, sofrendo transformações e reajustando-se às novas formas de sentir, exigidas por transformações na própria cultura.
De acordo com Costa (1995: 33), as tecnologias da comunicação abrem possibilidades estéticas que vão muito além do que se conhece por artístico. Assim,
[...] as novas tecnologias da comunicação, também enquanto capazes de integrar as possibilidades abertas pela informática, parecem-nos um
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verdadeiro e próprio evento antropológico, capaz de reconfigurar radicalmente a vida do homem e a sua experiência estética (COSTA, 1995: 27).
O autor explica (p. 45) que as imagens, os sons e os movimentos passaram a ser produzidos, conservados e recriados tecnologicamente ao mesmo tempo em que o artista se viu desapropriado de seu próprio corpo como instrumento de operação da arte, na medida em que ocorria a passagem da técnica como prolongamento desse corpo à tecnologia com suas funções separadas.
Por outro lado, Domingues (2008: 55) nos fala que as diferentes teorias estéticas que participaram da história da cultura humana “sempre dialogaram com o aparato tecnológico de sua época”. Ela cita a ciberestética como um ramo recente da disciplina estética “que estuda os processos de percepção e as formas de sentir ao agir em conexão com o ciberespaço". Assim,
As raízes epistemológicas da disciplina estética ficam reafirmadas pelo design digital e a presença de interfaces que acoplam os órgãos sensoriais a sistemas artificiais, sendo a experiência estética determinada pelos comportamentos vividos nas conexões (DOMINGUES, 2008: 55).
Dessa forma, na medida em que a tecnologia se transforma, surgem novas realidades e novos modos de pensar e assim, novos envolvimentos sensoriais, envoltos em imagens tele, foto, cine e info gráficas vão sendo suscitados. As grandes transformações estéticas que se deram com o aparecimento de aparatos tecnológicos a partir da fotografia, vieram deslocar os modos de sentir na medida mesma em que ocorria uma
[...] tendência à absorção transformadora das estéticas precedentes pelas estéticas subseqüentes, gerando associações, interações, convergências, intertraduções e hibridismos cada vez mais intensos de linguagens, técnicas, formas, padrões, em que o texto impresso, o discurso falado, a voz, música, som ambiente, gestos, linguagem matemática, linguagens de programação de software, fotografia, cinema, vídeo, animação bi e tridimensionais, teatro, artes plásticas, dança, etc. tornam-se, agora, graças ao computador, elementos descategorizados do seu sentido original enquanto meio ou linguagem (GARCIA, 2007 apud SANTAELLA, 2008).
É nesse sentido que os modelos tradicionais de pensamento sobre o belo relacionado à arte não mais dão conta de tal reconfiguração de efeitos estéticos, produzidos por novas formas de organização da experiência sensível. Por outro lado, a dissolução da questão da autoria (antes fixada pela cultura impressa), o deslocamento do espaço e tempo, a criação de espaços simulados totalmente novos, as possibilidades de participação e interação, a experimentação de subjetividades e o imediatismo da experiência alterada a todo instante no agenciar do ambiente virtual são só alguns exemplos do novo potencial estético apresentado pelas novas mídias que impõe, como nos diz Basbaum (2003), uma reorganização dos sentidos, moldando a maneira como organizamos pensamento e conhecimento.
Dessa forma, podemos abrir nosso olhar para estéticas voltadas às novas tecnologias, preferindo ainda entendê-las como pós-humana, já que a tecnologia não se encontra somente no digital, mas em muitos outros meios ao longo do tempo. E de acordo com o que vimos, a estética pode se manifestar em todos eles.
Sobre isso, Santaella (2008: 37) nos fala que a estética no tecnológico, ainda fundada na definição filosófica de Baumgarten, corresponde a uma capacidade sintética
[...] que se desenvolve [ao se] abrir os poros do espírito e as janelas dos sentidos para fenômenos nos quais predominam os aspectos qualitativos: cores, luzes, forma, pulsações, texturas, volumes, acelerações, retardamentos, temperaturas, atmosferas, durações, proximidade, distância, projeções, espelhamentos, expansões, fluxos, ordenamentos, misturas, palpitações, sequencialidades, animações e muitos outros mais (SANTAELLA, 2008: 14).
Mas que não se limita mais somente ao circuito artístico e pode fazer-se presente em filmes, sites, games, TVs, celulares, entre outros. Assim, juntamente com a instabilidade e a fluidez que caracterizam a cultura de nossa sociedade informacional, as estéticas tecnológicas colocam-se e retiram-se com uma rapidez impressionante ao mesmo tempo em que demonstram, a todo momento, uma estética que mais se mistura do que se separa nos diferentes meios.
É exatamente esse potencial tecnológico de um despertar das sensações nos games que pretenderemos abordar aqui não nos prendendo a um conceito fechado, visto que tanto a estética não se impõe de forma fixa e se apresenta de forma fluida nos diversos meios como os próprios games já demonstraram sua fluidez como um objeto que se reinventa e se transforma a todo momento, desenvolvendo uma estética própria.
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