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VI. BÖLÜM: TÜRKİYE’DE VE DOĞU ANADOLU BÖLGESİ’NDE EĞİTİMİN

6.3. Türkiye’de ve Doğu Anadolu Bölgesi’nde Yatılı Eğitim

Para concretizar os seus ideais de educador dos jovens, além dos valores a serem adquiridos e dos resultados almejados, o próprio D. Bosco assumiu a preventividade como parâmetro educativo, mas incluiu outras ações e metodologias que aperfeiçoou e conferiu uma identidade própria ao método e aos processos de que se valeu, tendo como base referencial a sua experiência educativa. Desde o início de seu trabalho com os jovens, a partir de 1841 e mais precisamente desde 1847, quando conseguiu uma sede própria para o seu trabalho com os jovens e iniciou a oferecer-lhes cursos e até abrigo, inicialmente, para depois deslanchar e conseguir abrigar em Valdocco (bairro de Turim – Itália onde toda a obra salesiana começou), entre estudantes e aprendizes, mais de 600 jovens.

Colocou em prática toda a sua experiência inicial, que expressou muito bem no regulamento para os educadores e jovens que ali residiam e estudavam. Posteriormente, já na última década de sua vida, compilou um texto denominado “Sistema Preventivo que se usa em nossas casas”. Esse texto apresenta a síntese do sistema preventivo, comparando-o ao sistema repressivo em educação que vigorava na época. Assinala as motivações e vantagens por que se deve usar nas casas salesianas o sistema preventivo. Ao mesmo tempo, escolhe afirmações mestras para fixar os pontos centrais e mais destacados de sua metodologia pedagógica. Uma observação necessária: não se reduz a sistematização do sistema preventivo a esse texto, ele é uma grande referência, mas existem outros textos muito importantes, como o da Carta de Roma de 1884 (um verdadeiro compêndio pedagógico para muitos estudiosos do assunto).

As três palavras mais significativas desse texto são: razão, religião e carinho. Elas são importantes, pois saem a partir de uma afirmação desse teor: esse sistema se resume em processos e procedimentos baseados na razão, na religião e no carinho. De fato, para os educadores salesianos, esses termos, contextualizados como valores orientativos e determinantes dentro do sistema preventivo de D. Bosco, expressam e conceituam atitudes, valores e a qualidade dos processos que devem conferir identidade ao sistema preventivo. Refletem muito a maneira sintética e ao mesmo tempo abrangente de D. Bosco se expressar. Ele sempre afirmou que a prática e seu modo de agir pedagogicamente em suas posturas educativas com os jovens foram mais explícitos e abrangentes do que aquilo que ele conseguira escrever.

Assim, para D. Bosco, o termo razão deve expressar, nas relações educativas, toda a razoabilidade das posturas e leis que ordenam os processos educativos. Vale também afirmar que esse termo explicita o bom senso na educação, a postura esperada tanto dos educadores como dos educandos, dentro de um padrão aceito pela sua racionalidade promotora do bem dos jovens e capaz de conferir consistência às posturas dos educadores. A razoabilidade permite o exercício do educador em seu mister que se posiciona no respeito à identidade e às necessidades dos educandos em suas circunstâncias de tempo, idade, objetivos coletivos ou pessoais e a vigência de uma compreensão recíproca no exercício de cada identidade. Respeito, razoabilidade ou racionalidade no exercício recíproco de auxiliar e ministrar a aprendizagem e de compreender e assimilar os conteúdos, os processos vivenciados na valorosa relação educativa em que cada um sabe

conduzir a vida no exercício da própria função de ensinar e, o outro, de assimilar processos e dominar conteúdos geradores de conhecimentos ou de valores, a partir de conceitos mestres da vida.

A religião sempre foi compreendida por D. Bosco como referência de reciprocidade entre educadores e educandos ao se colocarem, ambos, sob a orientação e assimilação dos ensinamentos dos Evangelhos, da Igreja como caminho de construção do sentido verdadeiro da vida. Uma vez que o processo adquire uma racionalidade perante os valores da vida em si, a religião pauta a vivência dos valores espirituais, dando sentido amplo para a vida e para as relações educativas, para o mundo e para todo o ser criado. A religião, além de referir-se ao sobrenatural, indica a dimensão completa da antropologia salesiana: não há educação verdadeira e completa sem a presença da religião que confere à comunidade educativa, educadores e educandos valores essenciais para uma vida feliz e amparada também espiritualmente.

A religião, dessa forma, se transforma em práticas que auxiliam a referencialidade dos jovens na vida diária; torna importante a aquisição de valores espirituais e morais, proporciona uma identificação através da fé, indica um caminho de certezas perenes, fortalece o espírito quanto à vivência dos valores, do respeito, da imagem das pessoas e da sociedade.

Certezas vividas na fé conferem valores, consistência e alegria nesse tempo de aprendizagem, bem como alegria na vida profissional para os educadores; assim, tudo proporciona uma verdadeira integração comunitária, pois os educadores se transformam em verdadeiros colaboradores do projeto de Dom Bosco para que cada jovem possa se dedicar e desenvolver os próprios dons.

A terceira palavra expressiva para D. Bosco no sistema preventivo, é a amabilidade – o carinho, a bondade – ou, em termo italiano mais abrangente, amorevolezza.

A amabilidade dos educadores nas relações educativas era uma questão fundamental para D. Bosco. Sua inspiração veio da prática da amabilidade de S. Francisco de Sales (bispo de Genebra) para com os seus inimigos; mediante a bondade e a mansidão, S. Francisco de Sales conquistou muitos infiéis de sua diocese. Da mesma forma, D. Bosco desejava e propunha que, na educação preventiva, uma das tonalidades que deve estar presente em todas as relações educativas é a bondade, a mansidão, o carinho, a capacidade de acolher, de ter

uma maneira cordial de corrigir e de mostrar as falhas para que o aluno, sentindo-se aceito e acolhido, aceite sempre as orientações e as correções.

Para D. Bosco, o princípio da amorevolezza deveria estar presente em todas as iniciativas e em todas as relações educativas. O jovem, sentindo-se respeitado, considerado e acolhido se predisporia então a aceitar a orientação, a se corrigir quando necessário e a estabelecer proximidade com os educadores. O princípio de D. Bosco era: Deve-se “iluminar a mente do jovem para tornar bom o coração” (STELLA, 1969, v.2, p.443). Nesse sentido, aos jovens que “frequentavam o Oratório estimulava sempre para que tivesse confiança no diretor. E de outra parte, no Regulamento do Oratório de S. Francisco de Sales (1852) prescrevia-se que o diretor deve „mostrar-se constantemente como um amigo, companheiro e irmão de todos‟. Deve ser como um pai em meio aos próprios filhos, deve estar atento e corrigir. E baseado na relação pai/filho D. Bosco desejava que essa relação fosse fundamental na relação educativa (...).

No regulamento que D. Bosco escreveu como normas educativas para os educadores e educandos, ele indicava a religião como fim e como instrumento educativo, a caridade como qualidade fundamental do educador, a confiança entre o diretor e os jovens conforme a modalidade do amor paterno e filial; como também aí estão, enfim, as exortações para que o educador procure ganhar o coração dos educandos, se desejar uma relação educativa produtiva e promotora da vida.

O termo amorevolezza sintetiza para D. Bosco as expressões mais fortes do processo pedagógico do sistema preventivo. É um valor que se estiver ausente deteriora toda a práxis proposta. A amorevolezza permeia todas as relações educativas de uma instituição salesiana. Sem ela, as relações educativas podem até ser muito consideráveis, mas deixarão de ser a expressão da pedagogia salesiana. Essencial para D. Bosco é que os jovens se sintam amados para poderem penetrar no processo educativo com maior abertura de alma e para se deixarem guiar e assumir os valores da vida salesiana que devem expressar a beleza da vida, o sentido de tudo e a presença de Deus na história de cada pessoa, de cada jovem.

A doçura, a gentileza, a bondade, a paciência, a compreensão, a afabilidade, a simpatia, o carinho, a proximidade, o entusiasmo, todos esses valores ou dimensões vitais são importantes na formação de todos os jovens. Devem estar presentes nas relações educativas como qualificação da vida, como expressão de todas as dimensões da pessoa que se educa a partir de relações honestas, verdadeiras e profundas.

Se a razoabilidade dos processos educativos é portadora de uma verdade conquistada e respeitada, se a religião confere, no processo educativo, o sentido amplo e sobrenatural da vida, iluminando aos educandos a dignidade de ser pessoa e de ser filho de Deus, a amorevolezza confere a melhor qualidade e nobreza às relações educativas e estabelece um bem maior, a qualidade entusiasmante da relação educativa. Desse conjunto surgem outros valores muito significativos para se estabelecer uma grandeza inequívoca ao ambiente educativo, a nobreza, a alegria, o respeito, a liberdade, autossatisfação, a criatividade, o entusiasmo e, sobretudo, um dos maiores frutos da educação salesiana, a alegria da vida.

Em qualquer ambiente salesiano, em qualquer parte do mundo onde estiver presente e disseminada nos corações dos educadores e educandos a amorevolezza, haverá espírito de alegria, de gratidão, de paz e principalmente de entusiasmo pela vida. A maior descoberta tanto dos educadores e dos educandos será: alegria por estar ali e fazer bem o que tem que ser feito, na liberdade e na competência profissional, como pessoa generosa que se doa aos educandos. A história da congregação salesiana tem sobejamente mostrado quanto é enriquecedora para um ambiente educativo a amorevolezza vivenciada por todos em suas funções de educadores e educandos.

Benzer Belgeler