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A presença educativa entre os educandos é parte importante na aplicação do sistema preventivo de D. Bosco; jamais se concebeu na educação salesiana um distanciamento entre educandos e educadores. Um pressuposto para uma digna aplicabilidade e resultados otimizados é o envolvimento fraterno dos educadores com os educandos, fato que no sistema preventivo denomina-se presença, ou, como antes se chamava, “assistência”. Existem condições para que uma presença se torne de fato educativa. Em primeiro lugar, as pessoas nas relações educativas devem saber e estar conscientes e assumir, através de posturas e atitudes, a própria identidade e função como educadores; bem como os educadores devem agir como tais, vale dizer, não podem deixar de se importar com os educandos.

Uma vez assumida a presença entre os educandos como fator importante no sistema preventivo, os educadores, além de conscientes, vão percebendo que os jovens ou crianças deixar-se-ão mover pela interação educativa, uma vez que passam a admirar e a reconhecer no educador uma pessoa amiga com a qual

poderão contar. São expressões educativas que não se proclamam, mas são vivenciadas simplesmente no cotidiano das tarefas e encontros. Uma presença amiga sempre vai permitir que o educando seja ele mesmo em suas posturas de relações simples; ao lado de estabelecer todas as facetas possíveis de uma confiança enriquecedora, o educando sentir-se-á acolhido e disposto a assumir as propostas ou caminhos a serem percorridos com agrado e ânimo.

No sistema preventivo, a presença será educativa quando os educadores ultrapassam os limites daquilo que eles dominam tecnicamente, quando além dos conteúdos, comunicam expressões enriquecedoras da vida, de sentido, de visão ampla, de aberturas de horizontes possíveis para a aquisição de hábitos e processos simples para que os jovens possam resolver com maior rapidez suas tarefas ou adquirirem processos e metodologias de trabalho mais eficazes. Porém, uma presença altamente educativa deveria, segundo o espírito de D. Bosco, inspirar algo além da técnica e da agilidade nos processos, deveria ser modelar na vida.

Um educador que tenha capacidade de mostrar-se constantemente dedicado e alegre por aquilo que faz com competência, já adquire um considerável respeito, mas aquele que, além da vida alegre, da simpatia, da habilidade de relacionar-se, além de saber suscitar consensos e aprendizagens, se tornar uma referência pelos valores da vida que testemunha pela capacidade de trabalho, de atualização, de respeito e de mostrar as potencialidades dos jovens e com eles vibrar, torna-se um exemplo, conforme nos elucida BRANDÃO (1997), “Percebe-se, assim, a importância do papel do educador, o mérito da paz com que viva a certeza de que faz parte de sua tarefa docente não apenas ensinar os conteúdos, mas também ensinar a pensar certo” (p. 29).

4.2.3 Bons Cristãos e Honestos Cidadãos: Uma Proposta Pedagógica

A principal finalidade do Sistema Preventivo é formar bons cristãos e honestos cidadãos, sem dúvida. Não se pode conceber um sistema educativo que não apresente um sentido da vida com clareza e distinção.

O objetivo maior de D. Bosco sempre esteve claro em todas as suas iniciativas: fazer o bem aos jovens e trabalhar para a maior glória de Deus. A primeira parte, fazer o bem aos jovens, pode-se entendê-la em diversas etapas ou dimensões. Porém, a luta de D. Bosco foi sempre realizar o bem possível a todos os jovens e que esse bem fosse compreendido em amplitude a partir do bem maior

constatável: cuidar da dignidade da vida deles. Assim viu os jovens que estavam nas prisões, soube como é terrível tantos jovens imigrantes que não encontrando amparo ou auxílio, ou orientação, desviaram-se na vida e praticamente perderam o bem maior, dirigindo-se para o caminho do vício ou do crime.

Além de criar condições para que a vida dos jovens fosse preservada, concomitantemente tomou outras iniciativas para alcançar as outras dimensões de suas vidas: promover o seu desenvolvimento, a educação e a dignidade através do desenvolvimento dos dons, da conscientização quanto a um caminho plausível de autorrealização. Para isso lutou até conseguir levar muitos jovens para se abrigarem no Oratório de Valdocco. Ali teriam o suficiente para viver e para se promoverem na vida com dignidade.

Na mente de D. Bosco, a consequência seguinte era imediata: bons cidadãos. Os jovens descobriam a vida cidadã como expressão de possibilidade de uma vida digna, participativa de todos, como um bem geral.

FREIRE (1997), ao falar deste bem maior da sociedade, afirma que:

“É a convivência amorosa com seus educandos e na postura curiosa e aberta que assume e, ao mesmo tempo, provoca-os a se assumirem enquanto sujeitos sócio-históricos-culturais do ato de conhecer, é que ele pode falar do respeito à dignidade e autonomia do educando” (p. 11).

Assim, ser bom cidadão decorria de ser também um bom cristão que considerava os direitos e os deveres de todos como sustentáculo do bem maior da sociedade. Além de estar na sociedade como pessoas e profissionais, estavam assumindo sua vida cidadã como cristãos convictos de que Deus fazia parte do seu mundo para que a justiça, o respeito e a dignidade de todos estivessem garantidos por lei e por dever de consciência de todos. Sempre os alunos de D. Bosco souberam que ser cristãos implicaria ser cidadãos competentes e honestos, pois a vida como dom de Deus seria sempre merecedora de respeito, portadora de uma dignidade que não se pode apagar.

4.2.4 Responsabilidade Social na Convivência Humana: Uma Questão de

Benzer Belgeler