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BÖLÜM III. ERKEN CUMHURİYET DÖNEMİNDE MODERNİZM,

3.2. Türkiye’de Modernizm, Modernleşme ve Modern Mimarlık

3.2.2. Türkiye Cumhuriyeti’nde Modernizm, Modernleşme ve

No projeto político do governo a formação do Estado Nacional passaria necessária e principalmente pela homogeneização da cultura, dos costumes, da língua e da ideologia. Uma das dimensões estratégicas para o avanço de tal programa nacionalizador foi a educação. No entanto dois obstáculos precisavam ser ultrapassados: a sobrevivência de uma prática regionalista e a presença de núcleos estrangeiros nas zonas de colonização. Não faltaram propostas de criação de planos de "unificação ideológica do país" que tratavam basicamente da eliminação dos "focos de contaminação," identificados, ora com os comunistas, ora com os nazistas. A uniformização cultural implicava na exclusão dos "estrangeiros", entendidos aqui como grupos estranhos ao projeto de nacionalização.

126 BRASIL. Câmara dos Deputados, 1983, p. 54. 127 SILVA, 1980, p. 32.

A amplitude do que era considerado "estrangeiro" poderia fugir à simples e direta vinculação à pátria de origem. Sendo uma estigmatização político-ideológica, cidadãos brasileiros poderiam ser considerados como tal se discordassem da doutrina oficial. Não era preciso ter nascido em outro país para ser identificado com o comunismo ou com o nazismo.

Todo este esvaziamento das iniciativas isoladas, regionais e setoriais deveria ser compensado por um trabalho de mobilização cívica e patriótica realizado por iniciativa do próprio governo, através de diversos instrumentos de mobilização e propaganda. Aí, no entanto, existiam outros obstáculos. O governo de Vargas não comportava, na realidade, dose tão grande de mobilização. As estreitas bases sociais que lhe deram origem, a necessidade de manter constante negociação com fortes setores da sociedade e do Estado que nunca se submeteram completamente à sua tutela - as Forças Armadas, os grupos empresariais, a Igreja, as lideranças políticas dos estados - e, finalmente, a própria evolução da conjuntura internacional faziam com que a mobilização ficasse contida nas manifestações muitas vezes eloqüentes, mas de efeito quase meramente ritualístico, dos desfiles da Juventude Brasileira, dos corais orfeônicos espalhados pelo país, dos hinos memorizados pelas crianças sem o entendimento de seus conteúdos, dos materiais de propaganda difundidos pelo DIP.

Ao primeiro obstáculo, o da prática regionalista, o Estado respondeu com um projeto de padronização do ensino e de centralização das atividades escolares pela defesa da unidade de programas, de material didático, de normas e diretrizes. Ao segundo obstáculo, os núcleos estrangeiros nas zonas de colonização, o governo respondeu de forma mais enérgica, uma vez que tratava-se de homogeneizar a população, afastando assim o risco de impedimento do grande projeto de identidade nacional.

Dentro deste contexto, a nacionalização do ensino ou o “abrasileiramento” do ensino constituiu-se em um dos norteadores das políticas do governo Vargas na educação, principalmente no ensino primário, nos estados de acentuada imigração de origem estrangeira. A ação nacionalizadora foi empreendida, sobretudo nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, estando, porém os demais estados também inseridos na proposta nacionalizadora, como foi o caso do Espírito Santo, para tal fato foi baixada legislação completa, federal e estadual sobre o assunto.

Presente nas pautas de discussão desde o início do século a questão da nacionalização era tema freqüente de debates nos meios políticos e intelectuais, o Brasil constituído em grande parte por imigrantes, desde o início de sua formação, carecia de uma identidade nacional. Em todos os depoimentos, declarações, análises e avaliações do período o ponto de chegada é a urgência de reformulação da estrutura do ensino primário, da oficialização das escolas primárias, da criação de escolas nacionais, enfim, uma investida agressiva para sustar o desenvolvimento dos núcleos de colonização.

Desde 1931 já se destinavam verbas para a nacionalização do ensino, mas de 1935 a 1938 estas verbas se duplicam para os Estados com maior quantitativo de imigrantes. Durante a década de 1930 as noções de nacionalização do ensino foram recolhidas pelo Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, órgão do ministério da Educação dirigido por Lourenço Filho, responsável por dar subsídios ao ministro para a sua política de nacionalização do ensino que encontraria no Estado Novo o momento decisivo de sua resolução.

Como afirma Schwartzman, a realização de tal política durante o governo Vargas, principalmente no Estado Novo, não foi por acaso:

De um lado, havia a disposição do governo de enfrentar resistências à imposição de procedimentos coercitivos; de outro, uma conjuntura onde toda a ideologia dominante estava fundamentada na afirmação da nacionalidade, de construção e consolidação do Estado Nacional. Não havia, em projetos nacionalistas como o do Estado Novo, espaço para a convivência com grupos culturais estrangeiros fortes e estruturados nas regiões de colonização.128

Vários grupos estrangeiros conservavam suas tradições e hábitos, como língua, religião e culto a pátria de origem, tal situação somada ao isolamento desses grupos, muitas vezes provocado pelo descaso do próprio governo, gerava “ilhas de nacionalismo estrangeiro” no país. De todos os grupos estrangeiros presentes nas zonas de colonização, o alemão foi o que despertou a maior atenção e mesmo a maior preocupação nas autoridades governamentais. Reconhecido como o núcleo estrangeiro mais fechado em torno de sua própria cultura, de sua própria língua e de sua própria nacionalidade, eram os alemães freqüentemente acusados de impedirem o processo de nacionalização pela constância com que mantinham suas características étnicas.

O comportamento de fidelidade às suas tradições culturais e a pátria de origem e o sentimento de orgulho nacional, o que, em grande parte, faltava à sociedade brasileira, provocava um misto de admiração e medo nas autoridades nacionais. A fecunda consciência patriótica que os grupos estrangeiros preservavam não se diluía no nosso meio, mas, ao contrário, procurava se fortalecer, conservando as características dos países originários. Oliveira Viana afirmava serem os núcleos estrangeiros portadores do que mais nos faltava: um sentimento de orgulho nacional, de grandeza nacional, de superioridade nacional. Dessa forma, a perseguição aos grupos alemães deu-se mais pelo conflito entre os dois projetos nacionalistas e a inviabilidade de ambos conviverem no mesmo território e menos por oposição à ideologia que ele representava.

A constituição da nacionalidade deveria ser a culminação de toda a ação pedagógica do ministério. Em seu sentido mais amplo, o esforço de nacionalização deveria ser organizado nos seguintes aspectos: haveria que dar um conteúdo nacional à educação transmitida nas escolas e por outros instrumentos formativos, incorporando os aspectos relacionados com o ufanismo verde e amarelo, a história mitificada dos heróis e das instituições nacionais e o culto às autoridades; a presença marcante na noção de brasilidade, transmitida nas publicações oficiais e nos cursos de educação moral e cívica; da ênfase no catolicismo do brasileiro, em detrimento de outras formas menos legítimas de religiosidade; a firmação da nacionalidade pelo uso adequado da língua portuguesa de forma uniforme e estável em todo o território nacional; a padronização do ensino em todo território nacional; e a erradicação das minorias étnicas, lingüísticas e culturais que se haviam constituído no Brasil nas últimas décadas, cuja assimilação se transformaria em uma questão de segurança nacional.

O "abrasileiramento" destes núcleos de imigrantes era visto como um dos elementos cruciais do grande projeto cívico a ser cumprido pela educação, tarefa que acabou se exercendo de forma muito mais repressiva do que propriamente pedagógica, mas na qual o Ministério da Educação se empenharia a fundo.

O ano de 1938 no Brasil é especialmente fértil em medidas legais e projetos identificados com a construção do nacionalismo brasileiro. Alguns desses projetos e medidas revelam o conteúdo doutrinário e político do projeto nacionalista que se criava. Foi também em 1938 que a campanha de nacionalização do ensino chegou ao seu clímax, com a formulação e

promulgação de um número substancial de decretos-leis destinados essencialmente a deter a experiência educacional dos núcleos estrangeiros nas zonas de colonização.

Em 1940, o Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP), sob a direção de Lourenço Filho, faz um relatório apresentando os resultados da implementação das medidas de nacionalização conforme as cifras seguintes: Rio Grande do Sul 103 escolas fechadas e 238 novas escolas oficiais abertas, Santa Catarina 298 fechadas e 472 abertas, Paraná 78 fechadas e 70 abertas, São Paulo 284 fechadas e 51 abertas, Espírito Santo 11 fechadas e 45 novas escolas abertas.

Ao Ministério da Educação caberia o fechamento das unidades escolares estrangeiras e a fundação de novas escolas com direção e corpo docente nacionais, a inspeção e orientação do tipo de ensino ministrado priorizando o civismo e o patriotismo, caberia ainda, a tarefa de atuar junto à Igreja, transformando-a em órgão que colaborasse com o governo e não com o grupo estrangeiro.

Dentro da atmosfera de nacionalismo que presidiu a concepção do novo regime, foram nacionalizadas mais de duas mil escolas nos núcleos de colonização alemã particularmente no Sul do país e sobretudo depois de 1942, quando o Brasil rompeu relações e declarou guerra à Alemanha.