BÖLÜM IV. ERKEN CUMHURİYET DÖNEMİNDE SİNEMA VE MİMARLIK
4.2. Türkiye’nin Kalbi Ankara (1934) Filmi İncelemesi
4.2.4. Üçüncü Bölüm: Ankara
Lançadas as candidaturas de Getúlio Vargas à presidência da República e de João Pessoa, presidente da Paraíba à vice-presidência, a campanha se intensificou, com os partidários da Aliança Liberal percorrendo o país com o sistema da caravana, porém intensificou-se também a repressão por parte dos governos estaduais ao movimento.
As forças políticas estaduais dividiram-se em duas correntes opostas em relação às candidaturas para presidência do país em 1930. Uma delas era aquela que congregava os políticos que apoiavam o situacionismo na esfera local e federal, apoiando Washington Luís e seu candidato à presidência Júlio Prestes. Compunham o grupo situacionista os políticos ligados á administração de Aristeu de Aguiar, os partidários de Bernardino Monteiro e muitos seguidores de Jerônimo Monteiro que, apesar de discordarem do governo local, hipotecavam apoio ao situacionismo federal.
A outra corrente, minoritária, vinculou-se à Aliança Liberal e era integrada por alguns políticos como o deputado estadual Fernando de Abreu; Afonso Corrêa Lírio, anti-jeronimista extremado; o deputado federal Geraldo Viana, antes ligado ao governo; o juiz de direito João Manoel de Carvalho ligado a Jerônimo Monteiro, dentre outros. Hipotecaram apoio ao movimento, vendo nele a possibilidade de concretização de seus objetivos políticos, dentre eles o de chegar ao comando da direção política estadual, uma vez que diante da situação vivenciada no período seria muito difícil pelas vias eleitorais alcançá-los.
No estado a região sul polarizou com maior ênfase a luta oposicionista, por ser mais suscetível a influências políticas e culturais do Rio de Janeiro do que da capital Vitória. A região central, ao contrário, não se constituiu em grande palco oposicionista e sim situacionista. A região norte, apesar de nesse período estar emergindo economicamente com o café, ainda estava pouco habitada e não constituía um espaço capaz de alterar muito o contexto da política estadual.
A propaganda eleitoral aliancista no Espírito Santo fora marcada por algumas agitações, com a repressão, por parte do governo, às reuniões da Aliança Liberal aqui no estado, como por exemplo, o incidente na noite do dia 13 de fevereiro de 1930, quando forças policiais reprimiram uma manifestação dos oposicionistas acabando em tiros e com o resultado de cinco mortes. Outro fato foi o empastelamento do jornal de oposição A Gazeta em 14 de fevereiro do mesmo ano.
A caravana da Aliança Liberal, chefiada pelo senador do Piauí Pires Rebello e acompanhada pelo Major Cristovão Barcelos, Dr. Evaristo de Moraes e uma brigada de estudantes, chegou a Vitória no dia 12 de fevereiro, precedida de intensa propaganda jornalística bombástica.158 O comício atraiu uma multidão e por volta das 22 horas durante o discurso de Pires Rebello os ânimos se exaltaram e pipocou o primeiro tiro, causando enorme confusão e enfrentamento entre os aliancistas e a polícia. Logo depois várias versões foram dadas para o fato ocorrido.
O governo que apoiava a candidatura do candidato situacionista, Júlio Prestes, mandou realizar inquérito sobre o evento, chegando-se à conclusão de que houve cinco mortes e atribuindo a responsabilidade aos caravaneiros.159 Luiz Derenzi presenciou o ocorrido e em seu relato afirma que durante o discurso de Pires Rabello:
A cavalaria fez sentido, os animais se indocilizavam. O homem, pausadamente expôs sua tese. [...] até que pronunciou estas palavras fatídicas... este governo, ladrão de votos... Pipocou o primeiro tiro de mosquete.
Os cavalos, esporeados pelos milicianos, pisotearam aos espectadores. Do pátio do Colégio, uma pistola respondeu ao desafio. As carabinas policiais dispararam e o esquadrão, em galope acossou a massa indefesa e inocente. Tornou-se difícil a fuga. A cavalaria percorria em fúria o circuito Coutinho Mascarenhas, becos laterais ao Edifício da Prefeitura, ruas 7 de Setembro, Cel. Monjardim, em macabros volteios.160
Terminada a campanha eleitoral e realizadas as eleições, as urnas confirmaram o que já estava posto pelos arranjos políticos do país, como de praxe a vitória coube ao candidato indicado pelo presidente da república, Júlio Prestes. No âmbito local os candidatos pré-estabelecidos pelas oligarquias que controlavam o poder político foram eleitos para os cargos no legislativo federal. No entanto, os ânimos já desgastados com a velha ordem da “política dos
158DERENZI, Luiz Serafim. O 13 de fevereiro. In: ESPÍRITO SANTO (Estado). Assembléia Legislativa. O
Espírito Santo na revolução de 30. Vitória: Departamento de Imprensa Oficial, 1980, p. 15.
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PACHECO, Renato José Costa. Os dias antigos. Vitória: EDUFES, Secretaria Municipal de Cultura, 1998, p. 34.
governadores” se faziam sentir em várias regiões que discordavam do resultado das eleições para presidente, como a Paraíba, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, se fazendo sentir também no Espírito Santo.
No dia 3 de outubro de 1930 a revolução estoura nos estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e em seguida na Paraíba. Dias depois, percebendo que a revolução ganhava cada vez mais espaço no cenário nacional, o presidente do estado Aristeu Borges de Aguiar coloca as forças militares estaduais em alerta. A essa altura as forças oposicionistas que apoiaram a campanha aliancista no estado já se organizavam e recebiam no estado pessoas adeptas do movimento para minar eventuais resistências à revolução.
Elucidativas nesse sentido são as Memórias de João Punaro Bley:
[...] o capitão Magalhães Barata e os tenentes Wolmar Carneiro da Cunha e Milton Pio Borges, estes dois últimos antigos e prestigiosos integrantes do 3°B.C.; e dois ex-alunos da Escola Militar de Realengo, desligados em 1922, José Lindenberg e Jurandir Magalhães, haviam chegado a Vitória antes da eclosão do movimento revolucionário, com a finalidade de entrarem no entendimento com o tenente Lins, tesoureiro do 3° B.C. e representante da Revolução em Vitória, no sentido de levarem a Guarnição Federal, o que não ocorreu devido a ação rápida das autoridades estaduais.
Como decorrência, Barata fugiu para Cachoeiro do Itapemirim, de lá alcançando Minas Gerais; Wolmar e Pio Borges foram obrigados a se homiziarem na casa de um pescador; José Lindenberg e Jurandir Magalhães, presos.161
Aos poucos o movimento revolucionário foi ganhando força no estado e atraindo novos integrantes, pessoas que não haviam hipotecado apoio ao movimento aliancista antes da eleição, passaram a apoiar francamente o movimento revolucionário, como foi o caso de Carlos Lindenberg, que se alia ao movimento para ajudar o irmão José M. Lindenberg. 162
Ao saber da eclosão do movimento revolucionário o então presidente do estado, Aristeu Borges de Aguiar, logo se encarregou de pedir reforços ao governo federal. Sua posição diante dos fatos é narrada em seu depoimento da seguinte forma:
Entendi-me então com o Sr. Presidente da República, cientificando-o do que acabava de ser informado, e solicitando-lhe os indispensáveis elementos para promover a defesa do Estado no caso de invasão de suas fronteiras. Acrescentei que todo o Estado do Espírito Santo continuava em perfeita calma. Em resposta recebi a
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BLEY, João Punaro. Memórias. Fotocópia manuscrita. CPDOC/FGV, J.P.B.d.0000.00.00/2, Rio de Janeiro, p. 62.
comunicação de que os recursos federais estavam sendo providenciados com urgência, e o apelo para que evitássemos a invasão até a chegada dos recursos prometidos. Pelo vapor Itagiba, armado em transporte de guerra, chegou alguns dias depois o Coronel José Armando de Paula, levando como oficiais do Estado Maior o major Aristides Paes Brasil e o Capitão João Punaro Bley.
[...] Com a expedição militar me era transmitido o apelo do Governo Federal para que a direção da defesa do Espírito Santo ficasse integralmente a cargo do Coronel José Armando e seu Estado maior, pela necessidade de unidade de comando, que obedeceria ao plano estudado pelo Estado Maior do Exército no Rio de Janeiro. [...] O regimento Policial Militar, por essa razão, em virtude do apelo que recebi, foi posto à disposição do Coronel Jose Armando [...] Ficou assim, confiada inteiramente [...] (a ele) e seu Estado maior a defesa Militar do Estado. 163
O destacamento contra-revolucionário enviado pelo governo federal chega ao estado em 10 de outubro, formado por um grupo de sete oficiais do Exército e treze sargentos sob o comando do coronel José Armando. Chegando ao estado seria integrado pelo 3° Batalhão de Caçadores, pela Polícia Militar do Espírito Santo e por alguns “batalhões patrióticos”. Dentre os oficiais estava o Capitão João Punaro Bley que posteriormente aliou-se aos revolucionários.
Em seus depoimentos e em suas Memórias, Bley sempre enfatizava que já durante a viagem para o Espírito Santo cogitava desertar por ter seus ideais alinhados com o movimento revolucionário:
Vindo da guarnição de Curitiba onde servi por espaço de sete anos e fiz parte do Comitê Revolucionário chefiado pelo saudoso Major Plínio Tourinho, cursava o 2° ano da escola de estado maior do Exercito no Andaraí (RJ), quando na manha de 4 de outubro de 1930, entramos de prontidão. [...] Era a eclosão de um movimento revolucionário de graves proporções [...] na tarde do dia 6 de outubro, recebi a seguinte ordem assinada pelo meu comandante General Raimundo Barbosa:
Senhor Capitão Punaro Bley. Devei-vos apresentar-se ao senhor chefe do Departamento de Pessoal a fim de seguirdes, ainda hoje, para o Espírito Santo, com o Coronel José Armando.
Durante a travessia, que foi morosa, aproveitei a oportunidade para expor francamente ao meu comandante meus sentimentos para com a revolução e, como decorrência, a determinação em que me mantinha de procurar entendimentos com oficiais ligados à causa revolucionaria e nela incorporar-me, pela deserção. Ouviu- me atentamente esse bondoso e compreensivo chefe, limitando-se a dizer-me: “Em Vitória estudaremos melhor o seu problema de consciência”. Dessa entrevista dei imediatamente ciência aos Tenentes Sady Martins Viana e Celso Lobo.164
Mas aqui chegando Bley preferiu intensificar os contatos com os oficiais comprometidos com o movimento orientando-os a não oporem resistência ao avanço da coluna revolucionária. Tal comportamento ocorreu no sul, para onde foram enviados os Tenentes Sady Martins Viana e Celso Lobo e norte (Colatina) do estado.
163 AGUIAR, Aristeu Borges de. O meu governo e a defesa dos meus atos. Rio de Janeiro: Oficinas de Obras
do Diário de Notícias, 1932, p.50-51.
164 BLEY, João Punaro. A Revolução de Outubro de 1930. In: Espírito Santo (Estado). Assembléia Legislativa.
O estado via-se ameaçado de invasão por parte de três colunas revolucionárias. Com a vitória da revolução praticamente garantida em Minas Gerais, concentram-se colunas de forças revolucionarias nas fronteiras do Espírito Santo e, no dia 14 de outubro, o invadem simultaneamente por diversos pontos. A coluna do sul, sob o comando do capitão do exército Joaquim Magalhães Barata, era formada por elementos da Polícia Militar de Minas Gerais, por civis recrutados e por chefes políticos locais tais como: Demerval Amaral, Fernando de Abreu, Genaro Pinheiro, Adílio Valadão e outros, tinha a missão de ocupar Cachoeiro de Itapemirim, a maior cidade do sul do estado. A missão foi cumprida em 16 de outubro quando a cidade foi ocupada, sem resistência.
A coluna do norte, a principal e mais numerosa, tomou o caminho do vale do Rio Doce, pelo leito da Estrada de Ferro Vitória a Minas, e ficou parada na altura de Baixo Guandú, a espera de que o governo fosse dissuadido da inutilidade da resistência. Comandada pelo Coronel Otávio Campos do Amaral, da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais era formada por policiais militares e por irregulares recrutados na zona do Rio Doce. Algumas escaramuças aconteceram na altura de Aimorés e Baixo Guandú, de que resultaram poucas baixas entre mortos e feridos de ambos os lados do conflito. A terceira coluna era bem mais modesta e constituída exclusivamente de civis, comandada pelo famoso João de Calhau, chefe político em Ipanema, Minas Gerais, visava ocupar Afonso Cláudio, quase na divisa com o estado mineiro.165
Segundo Achiamé estas colunas podem ser comparadas a uma espécie de caravana eleitoral, pois não foi por mera coincidência que políticos já militantes no estado vão até Minas Gerais de onde voltam com as colunas e são beneficiados com cargos políticos no poder local. Isso tudo pressupõe uma certa combinação de forças políticas e uma certa organização conspirativa por parte das oposições locais, a que a campanha da aliança Liberal deu alento.
Como salienta Achiamé:
[...] Mais do que um papel militar, essas colunas tiveram um caráter político, e nos rastros de suas passagens foram deixando figuras-chave nos locais em que atuaram diretamente. Ou, em outros termos, para além de uma parada militar, essas colunas fizeram um passeio político no sul e no norte do estado. 166
165 BLEY, 1980, p. 134; BLEY. Memórias, p. 61-62. 166 ACHIAMÉ, 2005, p. 110-111.
O estado contava com o 3° Batalhão de Caçadores localizado em Vila Velha e o Regimento Policial Militar pessimamente armado e municiado, onde alguns elementos não escondiam sua simpatia pela revolução. As providências do governo estadual se limitaram à organização de dois Batalhões Patrióticos, organizados por empreiteiros de estradas de rodagem, seus fracos efetivos constituídos por pobres operários, recrutados sob promessas de roupas, calçados, alimentação e problemático soldo.
É importante lembrar que não havia no estado uma expressiva mobilização das massas populares no sentido de apoio à Revolução de 1930. Era visível a impopularidade do governo Aristeu de Aguiar, a população ainda desgastada pelo desfecho dos acontecimentos de 13 de fevereiro atribuía ao Secretário do Interior, Mirabeau Pimentel, os desmandos policiais. Notava-se o sentimento da população de simpatia para com a revolução, no entanto não se notava qualquer arregimentação ou outra atividade tendente a apoiá-la francamente. 167A forma assumida pelo movimento revolucionário, em outubro de 1930, evidenciava a disputa no seio da classe dominante pelo controle político do governo Estadual.
A invasão do Espírito Santo realizou-se por diversos pontos, sendo ocupadas sem luta as cidades de Calçado, Veado (Guaçuí), Alegre e Rio Pardo. A polícia entrincheirada em Alegre recebia ordem do Coronel José Armando para ceder terreno ao adversário. Com o recuo da milícia espírito-santense, os invasores resolveram marchar contra Cachoeiro do Itapemirim, ponto importante de entroncamento ferroviário, para lá se haviam retirado as forças que defendiam Alegre, preparando naturalmente novas defesas. Já o Baixo Guandú havia sido invadido, depois de um combate sustentado contra a polícia do estado, pela coluna que se destinava a Colatina.168
Decorridos alguns dias da chegada das forças do exército, encaminhadas pelo governo federal para proteger o estado, a situação era cada dia mais de avanço das forças aliancistas que ganhavam espaço e adesão de vários membros da polícia militar – a exemplo os tenentes Carlos Marciano de Medeiros e Nicanor Paiva – e do exército simpatizantes da Revolução. O comando militar, representado pelo Coronel José Armando, ao ser questionado pela pouca eficácia na contenção dos revoltosos afirmava ao presidente Aristeu de Aguiar que estavam
167
BLEY, 1980, p. 136; BLEY. Memórias, p. 61-62.
168 LIMA SOBRINHO, Barbosa. A verdade sobre a Revolução de Outubro – 1930. 2. ed. São Paulo: Alfa-
adotando a tática do Marechal Joffre (herói da Primeira Guerra Mundial) recuar para oferecer resistência num ponto mais estratégico e defensável.
Quando Aristeu de Aguiar percebe que o ponto mais estratégico ao qual se referia o comando militar era a ilha de Vitória, facilmente neutralizável, do ponto de vista militar, pelo corte em seus suprimentos de água e eletricidade, já era tarde demais. Solicitou ao Governo Federal a ida urgente de um destróier para Vitória, não sendo atendido.
A Associação Comercial de Vitória, representante da classe dominante local, demonstrou claramente sua influência na política estadual no período em questão. No início do período revolucionário hipotecou apoio e se mostrou solidária ao governo Aristeu de Aguiar, porém ao pressentir a direção que tomava os fatos, os diretores da Associação se dirigem ao palácio do governo com o objetivo de propor a Aristeu de Aguiar um acordo com as forças revolucionárias, buscando evitar um confronto entre as forças revolucionárias e as forças legalistas em Vitória, o que representou um ultimato para Aristeu, pois perdera um de seus principais sustentáculos no poder, o mesmo abandonou o cargo no dia seguinte, embarcando no dia 16 de outubro no navio italiano Atlanta que se achava no porto de Vitória e se destinava ao Rio de Janeiro, porém este recebe ordem das altas autoridades da República para não atracar no Rio de Janeiro (negando-se a receber “desertores”) e acabou rumando para Bahia onde Aristeu de Aguiar embarcou no transatlântico Francês Belle Isle para Lisboa.
Com Aristeu fugiram todos os seus parentes que ocupavam cargos públicos. O povo, parodiando a marchinha Taí, de Carmem Miranda - grande sucesso do carnaval de 30 - execrou Aristeu e seu secretário de Interior e Justiça:
No dia 13 de fevereiro Mirabeau virou guerreiro. E quando viram a coisa feia fugiram tal qual gente da aldeia. Cadê Aristeu e Mirabeau que ninguém vê. Azularam com o dinheiro do Estado e ficou o povo todo sacrificado Seu Aristeu tenha paciência. Que seu Governo foi uma indecência. Entrega o dinheiro que não é seu e Mirabeau, aquele judeu.169
O cargo de presidente estadual ficava vago e como Joaquim Teixeira de Mesquita, vice- presidente do estado, encontrava-se ausente de Vitória, assume o governo o presidente do congresso Legislativo, Antônio Francisco de Ataíde que percorre as ruas da cidade acalmando
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CHEQUER, Namy. Aristeu, primeiro o meu. Seculodiario Jornal On Line, Vitória, 09 março 2008. Disponível em: <http://www.seculodiario.com.br/arquivo/2008/marco/08_09/index.asp>. Acesso em: 09 março 2008.
a população e cerca de três horas depois entrega o poder ao Coronel José Armando de Paula, nomeado interventor militar no Espírito Santo pelo Ministro da Guerra em nome do presidente Washington Luís.
Punaro Bley fez várias tentativas de convencer o Coronel José Armando a tomar o poder e assumir o governo estadual em nome da revolução, o que quase conseguiu, no entanto após o abandono da presidência do estado por Aristeu de Aguiar o Coronel recebeu uma mensagem telegráfica do Ministro da Guerra, General Nestor Sezefredo dos Passos, promovendo-o a General de Brigada e determinando que assumisse o governo legal intensificando a resistência. Apesar da tentativa de Punaro Bley de demover o Coronel José Armando mostrando-lhe a inutilidade de seu empenho legalista com duas frentes revolucionárias prestes a invadir o Estado, o que faria seu provável governo legal ter a duração máxima de poucas horas, o Coronel decidiu assumir o governo do estado em nome do governo federal, certamente seduzido pela repentina promoção ao generalato.170
No dia 16 de outubro, Bley chega à cidade de Cachoeiro de Itapemirim, já tomada pela Coluna Magalhães Barata, e “em nome dos companheiros de Vitória” explica ao chefe revolucionário que não havia necessidade de perder tempo marchando contra a capital visto que esta já se podia considerar reduto revolucionário e sugeriu-lhe que dedicasse sua atenção à região de Campos, no Rio de Janeiro, área ainda ocupada pelas tropas legalistas. Sendo suas sugestões acatadas pelo Coronel Magalhães Barata que marchou para aquela cidade no dia seguinte. No dia 17 Bley volta a capital onde chegando dirige-se ao palácio do governo.171
Dada a situação de avanço das forças revolucionárias em direção a capital e a adesão de oficiais de seu estado-maior ao movimento, dentre eles Punaro Bley, o coronel José armando, sem outra alternativa, embarca pela manha do dia 18 de outubro para o Rio de Janeiro no navio do Lóyde Brasileiro que o governo mandara a Vitória com sete engenheiros da Central do Brasil para dinamitarem as pontes da Vitória a Minas com o objetivo de dificultar o avanço da coluna Amaral. Nesse mesmo dia a Força Pública do estado adere ao movimento e afinal a tarde a capital é pacificamente ocupada pela coluna Amaral que usou uma composição da
170 BLEY, 1980, p. 138-139. 171 Ibid, p. 139.
Estrada de Ferro Vitória a Minas, seguindo dois dias depois os componentes desse grupo para Teresópolis. 172
O coronel Campos do Amaral trazia ordens do presidente de Minas Olegário Maciel para