2.4. KÜRESEL ÇEVRE ÇALIŞMALARI
2.4.7. Birleşmiş Milletler Çevre Ve Kalkınma Konferansı (1992)
A primeira menção da Constituição Federal ao princípio jurídico da liberdade encontra-se inscrita em seu preâmbulo, quando se afirma que os representantes políticos do povo brasileiro estão reunidos em assembleia constituinte para instituir um Estado Democrático destinado assegurar, entre outras coisas, a liberdade.
A noção de liberdade é um dos temas mais centrais da ética e da filosofia ocidentais e também uma de suas discussões mais antigas, travada, pelo menos, desde Grécia e Roma antigas. Sua importância é evidente: o ser humano é o único animal da natureza que, aparentemente, conhece a liberdade, aqui entendida como a capacidade moral de realizar escolhas a partir do uso da razão e da consciência. Por dispor dessa faculdade é que é possível ao homem organizar-se em sociedades. Portanto, é a liberdade que primeiramente atribui ao Homo sapiens o estado de “ser humano”.
Nesse sentido é que esse princípio, ao lado da igualdade e da dignidade, é um dos alicerces dos direitos fundamentais humanos (estes também chamados de “liberdades fundamentais”), pois ele se apresenta não apenas como pressuposto de existência desse conjunto de direitos28, mas ainda como objetivo prospectivo, fim último da sua realização.
A liberdade como princípio jurídico está positivado na Constituição Federal no caput do Artigo 5º como Direito Fundamental, além de aparecer em diversos outros incisos desse artigo e em diferentes momentos no texto constitucional (liberdade de consciência e crença, liberdade de associação, liberdade de locomoção, liberdade de imprensa, liberdade de reunião, etc).
28“Artigo 1º Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade” (Declaração Universal dos direitos
69 O conteúdo deste direito consiste no respeito à faculdade moral de escolha do indivíduo, o qual deve ser livre para reger sua vida e o seu futuro como melhor lhe aprouver. Essa capacidade, no entanto, não se apresenta de maneira irrestrita, bastando rememorar-se que as bases para a criação do Estado Moderno estão na conciliação entre a liberdade do indivíduo e a autoridade do Estado. Em favor da coletividade é que o indivíduo abre mão de parcela da sua liberdade.
Em um Estado Democrático de Direito essas restrições à vontade livre dos cidadãos só podem ser estabelecidas pelo Estado por meio de lei, o que garante a proteção do indivíduo contra eventuais arbitrariedades estatais. Considerando a importância desse valor, é dado que mesmo a lei deve poder ser controlada por um conjunto de valores e princípios superiores positivados na Constituição.
Essas constatações nos remetem a uma concepção de liberdade enquanto um dever de abstenção, ou seja, é vedado ao Estado e aos particulares interferirem na autodeterminação de um indivíduo de maneira excessiva, arbitrária e ilegítima.
As implicações dessa primeira concepção da liberdade enquanto princípio jurídico, que nasce junto com o Estado Moderno no seio das revoluções burguesas do século XVIII, frente ao exercício da orientação sexual, revelam-se extremamente importantes.
A sexualidade é um dos principais meios de realização pessoal para os seres humanos, sendo, portanto, um componente próprio e inseparável da vivência e da personalidade humana. Dada a importância venal desse atributo, o comando do princípio da liberdade é patente: não pode o Estado interferir na esfera íntima dos indivíduos para realizar restrições desnecessárias ao livre exercício da sua sexualidade. A expressão irrestrita da orientação sexual encontra-se, portanto, plenamente resguardada pela vigência do princípio da liberdade.
Entre as consequências práticas dessa constatação, pode-se listar a vedação à imposição de penalidades às relações sexuais consentâneas entre adultos do mesmo sexo e proibição à discriminação por orientação sexual.
Inobstante se reconheça a importância dessa abstração da noção de liberdade enquanto faculdade de autodeterminação pura e simples, Barroso (2010, p. 678) bem observa a existência de uma outra concepção que complementa a primeira. Deve-se levar em conta as condições objetivas de que o indivíduo dispõe para ser livre.
A liberdade, efetivamente, tem um conteúdo nuclear que se situa no poder de decisão, de escolha entre diversas possibilidades. Mas tais escolhas são condicionadas pelas circunstâncias naturais, psíquicas, culturais, econômicas e
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históricas. Portanto, trata-se de uma capacidade que não é apenas subjetiva, mas consiste na possibilidade objetiva de decidir.
Nesse sentido, a afirmação da liberdade como direito fundamental ganha contornos mais complexos, especialmente no terreno da orientação sexual, tema em torno do qual ainda gravitam tantos preconceitos.
O Brasil é um exemplo de país cuja ordem jurídica, aparentemente, não interfere direta e ostensivamente na expressão de nenhuma orientação sexual, contando inclusive com normas proibitivas à discriminação fundada nesse critério. Não obstante, a mera abstenção estatal nesse caso é insuficiente para garantir o livre exercício da sexualidade, especialmente a livre orientação sexual. Isso por que as circunstâncias fáticas e jurídicas associadas às orientações divergentes da heterossexual ameaçam enormemente a sua livre expressão, demandando mais que a simples garantia formal de liberdade.
Do princípio da liberdade decorre a autonomia privada de cada um. Não reconhecer a um indivíduo a possibilidade de viver sua orientação sexual em todos os seus desdobramentos é privá-lo de uma das dimensões que dão sentido a sua existência. Tal como assinalado, a exclusão das relações homoafetivas do regime da união estável não daria causa, simplesmente, a uma lacuna, a um espaço não-regulado pelo Direito. Esta seria, na verdade, uma forma comissiva de embaraçar o exercício da liberdade e o desenvolvimento da personalidade de um número expressivo de pessoas, depreciando a qualidade dos seus projetos de vida e dos seus afetos. Isto é: fazendo com que sejam menos livres para viver as suas escolhas (BARROSO, 2010, 679).
Portanto, a compreensão contemporânea do princípio jurídico da liberdade abrange tanto o reconhecimento desse atributo como prerrogativa inerente à vida humana pelo respeito a liberdade pura e simples de escolha de todo indivíduo, como também a necessidade de garantir a todos as condições materiais para o gozo dessa faculdade de escolher.
No tocante ao exercício da sexualidade em suas diversas orientações, é certo, portanto, que a positivação do princípio da liberdade na ordem constitucional brasileira garante a livre expressão desse atributo, inclusive vedando a discriminação que nele se funda. Inobstante, é preciso reconhecer que não há como exercer livremente a sexualidade sem que o Estado afirme e garanta uma série de outros direitos fundamentais que são negados a gays e lésbicas, como acesso a saúde e a educação sem discriminações e o reconhecimento jurídico das uniões e da adoção por pessoas do mesmo sexo, por exemplo.