1.8. ÇOK ULUSLU ŞĐRKETLER VE SANAYĐLEŞMENĐN
1.8.3. Bayer-Nepal Felaketi
A importância da classificação da homofobia em suas manifestações e modalidades se encontra na formulação de respostas para esse fenômeno, as quais precisam ser tão diversas quanto as formas de discriminação. Enquanto realidade complexa e multidimensional, a discriminação homofóbica demanda, para o seu enfrentamento, um estudo acerca de suas causas, origens e manifestações, esforços os quais se procurou sintetizar nas seções anteriores.
Frise-se, ainda, que se a invenção do binômio diferenciador homossexual/heterossexual é um evento bastante recente, mais ainda o é a construção teórica acerca da homofobia e do seu enfrentamento, o que torna esta tarefa um tanto prospectiva.
Inobstante, parece acertado que qualquer formulação que vise o esgotamento ou, pelo menos, o abrandamento da discriminação contra gays, lésbicas, bissexuais e pessoas transgênero deve levar em conta tanto a dimensão individual dessa percepção negativa, quanto a dimensão social e coletiva do fenômeno. Nesse sentido, aduz Rios (2007, p. 116) que a superação de toda e qualquer espécie de preconceito envolve a combinação de abordagens individuais, coletivas e jurídicas.
As iniciativas individuais partem dos sujeitos e a eles se direcionam, se desenvolvendo em sua esfera psíquica e interpessoal. Destas podemos citar como exemplos a busca por autoconhecimento e pelo contato com o outro e com a sua realidade, de forma a se desenvolver empatia com as pessoas discriminadas. As iniciativas individuais dependem, assim, do ímpeto de cada pessoa em desconstruir em si as bases do preconceito e da discriminação.
As iniciativas coletivas são eminentemente sociais, sendo as políticas públicas um dos seus principais instrumentos. Alguns exemplos dessas ações são as políticas educativas sobre a homofobia nas escolas, as campanhas midiáticas de conscientização, os esforços na capacitação de profissionais para o trato com o público LGBT, etc.
As iniciativas jurídicas são aquelas que, por razões óbvias, falam mais diretamente com o objeto de estudo deste trabalho. Elas dizem respeito à atividade legiferante
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judicial.
Essas ações podem assumir tanto feições repressivas, a exemplo de uma sentença judicial que condene alguém a indenizar danos oriundos de uma conduta homofóbica, quanto afirmativas, como é o caso uma lei que reconhece os direitos previdenciários de um casal homoafetivo em igualdade de direitos com qualquer outro casal.
Não é dizer que as vias repressivas e afirmativas constituam campos de ação mutuamente excludentes, haja visto que uma das funções da punição é justamente educar o infrator.
No entanto, assiste sentido às formulações que optam por distinguir essas duas vias de enfrentamento, considerando que por ações afirmativas ou pedagógicas tem-se em vista aquelas que abrem mão do instrumento coercitivo, ao passo que as iniciativas repressivas são aquelas que tem como principal finalidade a extinção do comportamento discriminatório pela sanção dos respectivos autores.
Aderindo a essa linha de análise, Borrillo (2010, p. 107) aponta que as iniciativas pedagógicas em geral, não apenas as jurídicas, devem atuar na prevenção da homofobia, antecipadamente ao ato concreto de discriminação. Assim, o embate pela via pedagógica deve buscar, através da educação, destituir o locus privilegiado da heterossexualidade frente às demais orientações sexuais, denunciando o conjunto de automações incrustadas no funcionamento das instituições e a homofobia interiorizada nos indivíduos.
De outro lado, a resposta repressiva à discriminação perpassa pela punição do comportamento homofóbico em si, aquele concreto e consumado, capaz de ameaçar a integridade física e moral do agredido. Não se trata, assim, de sancionar o preconceito em sua dimensão interna e privada, sem que alguém haja sofrido algum dano expressivo, pois nesse caso haveria uma desvirtuação da atividade punitiva.
Entre os comportamentos homofóbicos passíveis de punição, o autor distingue os “atos de discriminação” dos “discursos de ódio”. O ato de discriminação designa a agressão, injúria ou insulto que tenha por motivação a orientação sexual ou a conformação de gênero do agredido, danificando sua integridade física e moral e impedido a fruição de direitos. Os
15 A esse respeito, interessante salientar o empenho de alguns teóricos em classificar os ordenamentos jurídicos
quanto ao nível de proteção aos direitos LGBT (BUGLIONI, 2007, p. 90). Nos ordenamentos com “grau mínimo de proteção” observa-se apenas a descriminalização das condutas desviantes da hétero-norma. Aqueles com “grau intermediário de proteção” se caracterizam por, além de não criminalizarem as condutas divergentes desse padrão, promoverem a punição dos comportamentos discriminatórios. Os ordenamentos jurídicos com “grau máximo de proteção”, além de não criminalizarem as condutas diversas da heterossexualidade e sancionarem o preconceito contra elas, adotam medias afirmativas de reconhecimento aos direitos de LBGT.
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discursos de ódio, por sua vez, são as expressões difamatórias ou caluniosas que incitam a violência contra um grupo ou indivíduo.
Diante desse panorama, são evidentes as potencialidades transformadoras do instrumento jurídico no combate à discriminação homofóbica, tanto em sua abordagem repressiva, visando sancionar e educar os infratores e reparar os danos sofridos pelas vítimas de homofobia, quanto por seu potencial pedagógico, ao colaborar com a crítica e com a destituição do modelo heterossexista vigente, por exemplo, afirmando e reconhecendo direitos fundamentais que são constantemente negados a sujeitos LGBT.
A defesa do papel do Direito no desmantelamento das estruturas sociais do preconceito e da discriminação se apoia em sua função essencialmente organizadora das relações humanas. É dizer que ao Direito, enquanto instância de poder coercitivo, não é possível permanecer “neutro” diante dessa realidade discriminatória, pois, como visto, o mero silêncio das leis ou dos seus mecanismos de aplicação engendra uma forma insidiosa, conjuntural e simbólica de homofobia.
Em Fortaleza, a Lei nº 8.211/98 prevê a sanção da discriminação por orientação sexual em “estabelecimentos comerciais, industriais, empresas portadoras de serviços e similares”, representando, pelo menos em tese, um instrumento jurídico de combate à homofobia pela via repressiva. Para adentramos no estudo da eficácia desse dispositivo legal é necessário enxergá-lo em perspectiva, não só frente à outras iniciativas e abordagens do combate à homofobia, mas também ao ordenamento jurídico em que ele se encontra inserido.
Nesse sentido, o capítulo seguinte abordará especificamente as bases da proibição jurídica à discriminação por orientação sexual em nosso ordenamento, analisando o aparato legal que se presta ao combate dessa realidade.
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3 A PROIBIÇÃO JURÍDICA À DISCRIMINAÇÃO POR ORIENTAÇÃO SEXUAL NO