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Leal (2009, p. 92) define Planícies Flúvio-marinhas como “[...] áreas planas de influência marinha do rio e se situam, como as praias, entre o nível médio de maré baixa e o nível médio de maré alta equinocial.” Esclarece também que:

[...] o médio-litoral médio corresponde à área da planície flúvio-marinha, situada entre os níveis médios das baixas-marés e preamares de quadratura, segundo a Resolução COEMA nº 02, de 27 de março de 2002 (DOE de 10/04/02) e sua importância decorre do fato de abrigar o mais importante ecossistema da planície flúvio-marinha: os manguezais.(LEAL, 2009, p. 92).

Os manguezais são considerados Áreas de Preservação Permanente (APP), pelo Artigo 3º da Resolução CONAMA nº 303, de 20.03.02, que os define como:

[...] ecossistema litorâneo com influência flúvio-marinha, que ocorre em terrenos sujeitos à ação das marés, formados por vasas lodosas ou arenosas recentes, às quais se associa, predominantemente, a vegetação natural, conhecida como mangue, com influência flúvio-marinha, típica de solos limosos de regiões estuarinas e com dispersão descontínua ao longo da costa brasileira, entre os estados do Amapá e Santa Catarina. (LEAL, 2009, p. 92).

Diógenes e Diniz (1988) apontam a Planície Flúvio-marinha como uma unidade geoecológica de dinâmica intensa e acentuada instabilidade ambiental, tendo em vista a sua formação recente, referida do Quaternário. Compreendem faixas de terrenos baixos, mais ou menos planos, adjacentes ao canal do rio, que podem ser alargados nos setores mais rebaixados deste, próximo à foz. Geralmente, são áreas sujeitas a inundações periódicas, provocadas por variações de maré ou aumento da vazão do rio. Ambos os casos são possíveis de ocorrerem na Planície Flúvio-marinha, mas, o segundo segmento refere-se à Planície Fluvial. A planície de inundação, característica comum aos referidos ambientes, é composta por sedimentos de natureza e granulometria variada (argilo-siltosos, arenosos e orgânicos) que podem ser de origem fluvial, quando transportados e acumulados pelo rio, ou, de origem flúvio-marinha, quando a deposição desses sedimentos e resultante da combinação de processos de acumulação tanto fluvial como marinha.

Diógenes e Diniz (1988) explica que a sedimentação dos materiais ocorre sequenciada de montante para jusante, conforme o tamanho das partículas juntamente com a ação do clima, dos organismos vivos e combinados a outros fatores, implicaram na formação de diversas unidades de solos ao longo do curso de um rio. No caso, o rio Cocó conta na Planície Flúvio-marinha, com duas unidades de solo, que são: Solonchack Solonétzico e os solos indiscriminados de mangue, os quais apresentam alta salinidade e baixo nível de oxigênio, devido a uma drenagem imperfeita e, consequentemente a hidromorfia. Tais características são atribuídas a constante influência das águas oceânicas que sob essas condições desenvolve uma vegetação arbóreo-mangue, com adaptação própria, raízes escoras, respiratórias e aéreas, tolerância à alta concentração de sais, grande poder de regeneração e outras. No Quadro 6 consta a lista de espécies vegetais comumente encontradas no “manguezal do Cocó”, com seus respectivos nomes populares e científicos, e a família pertencente.

Quadro 6 - Espécies Florísticas do Mangue do rio Cocó

FAMÍLIA NOME CIENTÍFICO NOME POPULAR

Rhizophoraceae Rizophora mangle Manguel vermelho

Combretáceas Lagunculária racenosa Mangue manso

Verbenáceas Avicennia mítida Mangue canvé

Fonte: Braga (1960).

As Figuras 23, 24 e 25 possibilitam uma amostragem da vegetação de mangue e uma percepção das modificações ocorridas em especial na foz do rio Cocó, na Praia do Caça e

Pesca e Sabiaguaba, considerando o intervalo espaço-temporal de 1988 a 2011, totalizando um período de 23 anos.

Figura 23 - Detalhe da vegetação de mangue do rio Cocó, no interior do Parque Adhail Barreto e na Praia do Caça e Pesca no ano de 1988.

Figura 24 - Detalhe da vegetação de mangue do rio Cocó, na Praia do Caça e Pesca no ano de 1988.

Fonte: Diógenes e Diniz (1988).

Figura 25 - Percepção do avanço das ocupações das margens de mangue do rio Cocó na Praia do Caça e Pesca e da Sabiaguaba no ano de 2011, em relação aos registros das fotos de 1988 (Figuras 20 e 21)

De acordo com Leal (2009, p. 92) “Os manguezais são mais típicos de regiões equatoriais e não sobrevivem em climas frios rigorosos, por isso se distribuem preferencialmente nos trópicos entre os paralelos 23º27’N e 23º27’S.” Porém, a temperatura não é único condicionante para formação de grandes manguezais. Walsh (1974) sugere a necessidade de algumas condições ambientais, para que isso aconteça, tais como: substratos aluviais, onde predominam lodos ricos em matéria orgânica, costas desprovidas de fortes ondas, que impossibilitem a fixação dos propágulos (sementes); salinidade da água entre 0,5 e 3,0%; e, finalmente, marés de grande amplitude e costas com pequena declividade. No estuário do rio Cocó, o manguezal estendia-se desde a foz até as proximidades da BR 116.

Confirmando com Diógenes e Diniz (1988), o avanço da ocupação urbana e os processos de degradação ambiental vêm ocorrendo de forma acelerada nas áreas próximas ao baixo curso do rio Cocó, dificultando precisar o limite da Planície Flúvio-marinha do rio citado. Todavia, com base nas observações in loco da vegetação e dos tipos de solos existentes na mesma, pode-se concluir que, esta, inicia-se na praia do Caça e Pesca, tendo como principal via de acesso a Avenida Zezé Diogo, próximo onde o rio deságua, estendendo-se até a BR-116, chegando ao conjunto Tancredo Neves, onde possivelmente se dá o seu entroncamento, após um percurso de aproximadamente 13 quilômetros de influência das marés, segundo delimitação feita pelo Plano Diretor de Drenagem (AUMEF/77).

Através da Figura 26, apresentada na página posterior, com uso de fotos de Diógenes (1988) e imagens de 2010 da DigitalGlobe é possível uma percepção geral do processo acelerado e indiscriminado de desmatamento e ocupação das áreas de mangues e dunas, na desembocadura do rio Cocó, abrangendo as áreas de praias do Caça e Pesca e Sabiaguaba. E, para reforçar a situação de descaso em relação à crescente degradação ambiental (visível a olho nu) de bens naturais, como os mangues do rio Cocó, dunas e praias relacionadas ao referido recurso hídrico, fato causado predominantemente pela especulação imobiliária capitalista, para fins residenciais, comerciais e para outras atividades ligadas ao turismo. Por isso considerou-se interessante mostrar um quadro síntese de imagens e fotos, aéreas, segundo Leal (2009) de todo o estuário do rio Cocó (Anexo C).

Figura 26 - Percepção do avanço da destruição da paisagem natural dos mangues do rio Cocó.dunas e praias do Caça e Pesca e Sabiaguaba, nas quais o referido rio deságua suas em águas.

Fonte: Adaptação das Imagens 2010DigialGlobe e Fotos de Diógenes e Diniz (1988). Situação parcial das dunas, pouco ocupadas e hoje totalmente devastadas.

Vista superior do mangue com relativa exuberância e hoje totalmente descaracterizado.

Detalhe da desembocadura (maré baixa).

F O T O S / 1 9 8 8 / P R A I A D O C A ÇA E P E S C A Ponte de ligação da Praia do Caça e Pesca a Sabiaguaba. Desmatamentos e ocupações indiscriminadas na margem do rio Cocó e dunas da Praia do Caça e Pesca e Sabiaguaba.

Imagem @2010DigitalGlobe

Benzer Belgeler