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1. KAMU İDARESİ HAKKINDA BİLGİ

1.3 Cari Yıl Bilgileri

1.3.5 Üretim ve Maliyetler

Na concepção de Reigota (2004) o conteúdo da EA não deve ser restrito a transmissão de conhecimentos específicos, como por exemplo, a biologia e a geografia, pois a mesma envolve vários outros que dependem da faixa etária do educando e dos contextos educativos e, devem partir dos problemas ambientais cotidianos dos alunos que queiram resolver. Os conceitos básicos (ecossistemas, hábitat, nicho ecológico, fotossíntese, cadeia alimentar, cadeia de energia, etc.) não devem ser decorados e sim, apreendidos de modo a fazer ponte com o cotidiano do aluno, o que torna importante a contribuição de cada disciplina nas atividades da EA e promove ao aluno uma visão das ligações entre ciência, problemas imediatos e os mais gerais.

Ainda, segundo o autor, para a definição de uma metodologia adequada para a EA é indicado que cada professor estabeleça a sua, faça uso de sua criatividade e atenda as particularidades de seus alunos, entretanto, não são aconselhadas aulas expositivas, tão somente quando bem elaboradas e haja espaço para questionamentos. Conforme Reigota (2004, p. 38) na EA podem ser utilizados quatro métodos:

[...] passivo (só o professor fala), ativo (em que os alunos fazem experiências sobre o tema), descritivo (em que os alunos aprendem definição de conceitos e descrevem o que eles puderam observar, por exemplo, numa excursão) e o analítico (em que os alunos completam sua descrição com dados e informações e respondem a uma série de questões sobre o tema).

O método ativo, numa concepção mais ampliada que a anterior, deve proporcionar ao educando uma maior participação no exercício de sua cidadania, através de questionamentos e ideias sobre o tema, capacitando-o na sugestão e apresentação de soluções. Nele, o aluno é participativo, constrói progressivamente conhecimentos e comportamentos com relação ao tema abordado na EA, porém, é indispensável um ambiente propício, como abertura pedagógica, democracia e diálogo integrado entre alunos, professor-aluno, corpo administrativo da escola, na comunidade onde estão inseridos, e na sociedade civil como um todo.

Reigota (2004) aponta também a existência do método interdisciplinar, entendido e aplicado de várias formas. Geralmente acontece quando professores de disciplinas diferentes

se juntam para realizar atividades comuns, entorno de um único tema, possibilitando interpretações e contribuições diferenciadas. Outras metodologias também são citadas, como: Histórias de Vidas e Pedagogia de Projeto. O primeiro consiste em um levantamento feito pelos alunos sobre histórias relacionadas às questões ambientais vivenciadas por eles ou dentro de seu círculo familiar, vizinhança e amizade. As histórias ao serem expressas oralmente, através da escrita ou da arte, promovem criatividade, compreensão, identificação e busca de soluções coletivas dos problemas que aparecem na mesma.

No método da Pedagogia do Projeto toda a escola é envolvida, inclusive os pais dos alunos, com suas experiências e conhecimento sobre o tema, que deve compartimentar em subtemas, ligando-os ao conhecimento científico e ao cotidiano. Reigota (2004) confirma que essa metodologia é praticamente desconhecida no Brasil, mas que sintetiza as demais abordadas, pois os alunos participam das decisões escolares, buscam soluções e fazem parte do processo de aprendizagem. Assim, o conhecimento origina-se do individual e do coletivo, considerando-se a importância da interdisciplinaridade em que a comunidade é tema de aprendizagem.

Quanto ao processo avaliativo da EA, conforme o autor referendado é importante o estímulo a autoreflexão e o diálogo, ou seja, é aconselhável a autoavaliação, considerando que a EA se propõe a mudanças de mentalidade, comportamentos e valores, logo, a avaliação não deve ser para mensurar acertos e erros, mas explorar o que precisa ser melhorado enquanto solução para os problemas abordados nos temas desenvolvidos.

Reigota (2004) informa que os recursos didáticos da EA podem ser vários, simples e sofisticados, entretanto, para uma aplicação eficaz, depende muito da criatividade do professor. A própria aula, quanto contextualiza os problemas ambientais cotidianos e faz ligações com o conhecimento científico constitui um excelente recurso. Na escola, dentro e fora dela há diversos elementos para discussão e busca de soluções de problemas. Os meios de comunicação de massa também podem ser bastante úteis para debates, elaboração de “mural ou jornal ambiental”.

Conforme Reigota (2004) os recursos mais sofisticados, como “estudo do meio ambiente”, ou vinculação de filmes, vídeos, teatro etc. que demandam custos podem ser buscados através de entidades culturais. Quanto ao uso de livros didáticos de EA, estes, requerem uma atenção rigorosa, pois na sua maioria são direcionados ao estudo da biologia e geografia. Porém considerando a falta de investimento na EA no país, podem ser usados com cautela, desde que transcendam o conteúdo científico e não o transformem como guias de EA.

Destaca, ainda, que os recursos artísticos e criativos são mais apropriados, além de simples, baratos e despertar interesses.

Em todas as conferências da EA permeou-se a dimensão cidadã e a ética, reforçada para a formação de novos códigos morais e comportamentais, entretanto predominou o caráter geral dos documentos, o que possibilitou que conceitos-chaves, como por exemplo, participação e interdisciplinaridade fossem apropriadas por interesses específicos, ficando no patamar das ideias sem base epistemológica e filosófica. Segundo Gohn (2001 apud LOUREIRO, 2004a, p. 75) na categoria da participação existem pelo menos três eixos: liberal, revolucionário e democrático radical, em que a prática expressa o significados dos mesmos, diferenciando-os na ênfase de cada processo: o primeiro foca no indivíduo e privilegia o setor privado; o segundo no coletivo e na ruptura com o capitalismo e o terceiro na cidadania, movimentos sociais e democracia substantiva. Conforme Loureiro (2003) na categoria da interdisciplinaridade existem duas linhas, uma adepta a teoria crítica, do conceito de totalidade e complexidade e a outra ao monismo epistemológico e do positivismo.

Loureiro (2004a, p. 76) com base no pensar de Leff (2001) afirma que:

[...] o saber ambiental, completo e interdisciplinar está em processo de gestação, na busca de suas condições de legitimidade ideológica, de concretude teórica e de objetivação prática. Esse saber emerge de um processo de problematização e transformação dos paradigmas dominantes do conhecimento e do modo, como nos relacionamos em sociedade, conosco, com o ouro e com o planeta. Transcende as teorias ecológicas no estudo dos processos sociais, abordando dialeticamente o humano em sua especificidade e o natural, numa compreensão que se estabelece pela práxis na totalidade da vida. (LEFF, 2001 apud LOUREIRO, 2004a, p. 76).

Conforme Loureiro (2004) o sentido da interdisciplinaridade expresso por Leff (2001) e enquanto princípio da EA é uma prática entre pessoas, um compartilhar de conhecimentos científicos que relaciona o racional/intuitivo, cognitivo/sensorial e constrói conhecimentos direcionados a novos paradigmas de compreensão do mundo (natural e histórico) com vistas à formação de ser humano integrado e, para isso, é indispensável o trabalho coletivo, envolvendo conteúdos, disciplinas, a escola como um todo e as ações não formais (relações do poder, modo de gestão, definição do projeto político-pedagógico, etc.). O fato é que todo conceito antes de ser apropriado pelo educador ambiental deve ser analisado criticamente, para perceber o significado implícito no mesmo e não haver uma perpetuação de um sistema que vai de encontro com os próprios objetivos da EA, ou seja, deve-se ter o cuidado em proporcionar uma consciência ambiental para uma mudança concreta na relação homem e natureza e entre homens, o que remete a uma transformação da

sociedade como um todo, implicando em modificações posturais e de atitudes, mas principalmente de inovar um novo sistema de produção socioeconômico e ordem política que conduza a humanidade para uma autêntica responsabilidade e sustentabilidade da vida planetária, incluindo a sobrevivência humana, com ética e equidade social.

Loureiro (2004) propõe uma EA de transformação societária, onde a dialética do seu conteúdo deve contribuir para uma emancipação ou provocar mudanças individuais e coletivas em abrangências locais, globais, estruturais e conjunturais, econômicas e culturais, ou seja, como diz Morin (1999, p. 188 apud LOUREIRO, 2004a, p. 89): “[...] trata-se ao mesmo tempo de mudar de vida e transformar o mundo, de revolucionar o indivíduo e unir a humanidade.”

O autor defende o posicionamento de não ser mais possível esperar pelo milagre da mudança de circunstâncias intelectuais ou econômicas, ou pela pregação moralista, normativa, idealista e naturalista e reforça com Max, quando alerta que a doutrina materialista ao afirmar que o homem é produto das circunstâncias, esquece que elas são modificadas pelo homem e que o próprio educador deve ser educado.

Loureiro (2004) aponta cinco princípios para uma EA transformadora:

1. Mediadora de interesses e conflitos, devendo ser a base do diálogo entre os agentes sociais do meio ambiente.

2. Promover uma percepção ambiental as dimensões “naturais”, econômicas, políticas, simbólicas e ideológicas, contextualizada historicamente.

3. Perspectiva crítica e histórica das relações entre Educação e Sociedade, Trabalho e Natureza, com implicações sociais.

4. Indissocialiabilidade entre Teoria e Prática (agir cotidiana)

5. Preparaçãode uma ação educativa significa para instrumentalizar o indivíduo para uma participação decisória nos diferentes espaços.

Esses princípios, segundo Quintas (2000 apud LOUREIRO, 2004b) requerem procedimentos participativos e dialógicos, cognitivo-conteudistas, perceptivos, sensoriais lúdicos, de acordo como o momento pedagógico, permitindo que o processo educacional leve o educador-educando a conhecer a realidade de maneira sistêmica, reflexiva e com ação fortalecer a ação coletiva e organizada, articular diferentes saberes para resolver problemas, compreender o ambiente dentro da sua complexidade e a vida totalitária.

A EA transformadora não é temática disciplinar, mas uma dimensão essencial no processo pedagógico, situada no centro do projeto educativo de desenvolvimento humano e

engloba todas as esferas da vida planetária e social, inclusive a individual, conforme mostra a Figura 8, a seguir.

Figura 8 - As esferas de inter-relação em Educação Ambiental.

Fonte: Sato e Santos (2001) apud Loureiro (2004b, p. 92).

Em uma EA crítica os conhecimentos são apreendidos através da compreensão da própria realidade a partir de algumas categorias indissociáveis: contexto real do ambiente, global ou o envolvimento das relações como um todo, multidimensional ou compreensão do homem e sociedade, enquanto unidades diversas e o complexo ou visão unificada do todo, ou seja, as relações conectivas e inseparáveis entre o conhecimento e o contexto, conforme reforça Loureiro (2004b) quando menciona que “Complexus significa o que foi tecido junto [...] e [que] há um tecido interdependente, interativo e inter-retroativo entre conhecimento e seu contexto, as partes e o todo, o todo e as partes, as partes entre si.” (MORIN, 1999 apud LOUREIRO, 2004b, p. 94).

De acordo com Loureiro (2004b) não há compatibilização na concepção da EA transformadora entre ambientalismo e uma educação libertária com o Capitalismo, considerando que este não se limita a sobrevivência humana, mas a valorização de troca, resultando em uma sociedade descartável e de alienação do homem de si e da natureza, quando o sujeito passa a ser uma coisa ou mercadoria de compra, vende e troca e os bens naturais são esgotados indiscriminadamente. Para tanto, segundo Loureiro (2004b, p. 99) a escolha teórico-metodológica para legitimar a EA transformadora está baseada no:

[...] método dialético consolidado no pensamento marxista, que, conforme Leff (2001:44) é um método, uma produção teórica e uma atuação política que permite explicar os efeitos do modo de produção capitalista sobre suas formas ideológicas e culturais e sobre suas bases ecológicas de sustentabilidade.

O referido método partiu do princípio que o homem é natureza, embora com particularidades que o diferencia das outras espécies, não existindo, portanto, separado da

natureza, enquanto totalidade, mas não é visto como um ser orgânico diluído na mesma. Entretanto, a singularidade humana de possuir a propriedade do raciocínio reflexivo e critico, possibilita o homem uma diversificação na produção de seu próprio espaço social, tornando-o capaz de alterar os ecossistemas naturais, modificar as relações sociais, políticas, econômicas, educacionais e culturais e, consequentemente transformar sua realidade socioambiental, dentro de uma relação dialética concreta entre Natureza e Sociedade.

Loureiro (2004b) ressalta que o método em questão serviu como base de inspiração e diálogo para diversos autores para referenciar a EA, como Edgar Morin, Paulo Freire, Moacir Gadotti e Enrique Leff, embora com algumas discordâncias, destaca ainda a existência daqueles que utilizam os citados autores para negarem Marx, desconhecendo a profundidade filosófica de sua teoria ou por defenderem seus próprios posicionamentos científicos e outros que fazem uso solto, puramente por modismo. Com isso o autor faz uma alerta para a coerência do uso da teoria de Marx quando se pretende efetivar uma EA crítica, transformadora e popular.

Rodriguez e Silva (2009, p. 199) defendem que a:

Incorporação da sustentabilidade ambiental aos processos de desenvolvimento deve partir de medidas organizativas, do acionar político, de esforços de inversões e implantações de infraestruturas dirigidas a organizar os espaços que integram o território, de tal forma que sustentem os processos geoecológicos e que garantam a sustentabilidade ambiental.

O citado autor acrescenta que esses processos focam o entorno, o meio, o espaço que suporta a sustentabilidade e que isso, não é suficiente para garantir cenários de sustentabilidade, pois, dependem da internalizarão subjetiva humana, pessoal e coletiva, para a necessidade dessa sustentabilidade, buscada no desejo interior de cada ser humano, na satisfação de suas necessidades mais íntimas, surgidas na relação homem e meio, não apenas em objetivos restritos e, para alcançar essa subjetividade, o autor reforça o papel protagônico da educação.

Rodriguez e Silva (2009, p. 200) colocam que uma educação para o desenvolvimento sustentável deve partir de uma concepção pedagógica ambiental sistêmica, de modo que integre dois componentes pedagógicos: a transmissão dos conhecimentos, dentro de uma relação professor ou facilitador e o potencial da cultura comunitária. Essa reflexão é reforçada com o pensar de Reyes (1997 apud RODRIGUEZ; SILVA, 2009, p. 200), quando afirma que um processo educacional direcionado à sustentabilidade inclui tanto a formação

comportamental individual como o fazer coletivo e, para isso, deve possuir em sua modalidade pedagógica sistêmica os seguintes princípios:

a) Relação Ser Humano-Natureza: considerar e aceitar a relação sistêmica entre

homem e a natureza, sistemas autônomos que se inter-relacionam dialeticamente e formam uma unidade contraditória, e juntos um supersistema, onde a Natureza sofre impactos com o modo de produção estabelecido nas formações econômico-sociais;

b) Sociedade-Cultura: a cultura é um subsistema fruto das relações sociais e o

meio (natural e social) e regido por leis sociais;

c) Conhecimento: visão unilateral, materialista, em que o conhecimento tem

como fonte principal a ciência e a tecnologia, que articula uma base estrutural e teórica para definir a vida, a sociedade e a cultura, dentro de uma compreensão racional subjetiva e dialética das expressões do mundo interior e exterior;

d) Educação: deve objetivar o acesso ao conhecimento e a cultura, a formação de

pessoas éticas e cidadãs, o diálogo como o meio e contribuir para o desenvolvimento de habilidades e atitudes construtivas para recriar o mundo;

e) Escola/ Ensino-Aprendizagem/ Relação Professor-Aluno: a escola tem a

função de educar e formar pessoas, tanto em conhecimentos e como em princípios éticos, habilidades e hábitos. O ensino-aprendizagem deve ser permanente e direcionado na aplicação da metodológica sistêmica, qualificada na centralização de objetivos de gestão educativa planejada, focalizando a independência do educando, observando a interdisciplinaridade e transversalidade, de maneira a integrar os subsistemas do conhecimento teórico, prático e afetivo. Na relação professor/aluno, o primeiro é considerado o facilitador e o organizador do processo educativo e entre ambos deve existir o caráter pedagógico e social, enfocar o cognitivo, a ética, a formação política e sociocultural;

f) Metodologia: combina a metodologia formal de aplicação de aulas (exposição

de conteúdos, instrumentalização tecnológica e atividades dinâmicas formais e informais), prioriza o ensino a partir de problemas contextualizados com a realidade do educando, fortalece o trabalho em equipe, uso de meios locais e regionais, orienta para solução de problemas cotidianos dos educados, articula cognitivo/emotivo e considera as ações pedagógicas dentro de um fazer aprendendo e aprender a cotidianidade;

g) Avaliação: considera o ato de educar dentro de uma visão integral e

permanente e combina nos processos avaliativos: provas e exames acerca do conteúdo e trabalhos práticos, seminários e projetos;

h) Concepção do currículo: centrada no conteúdo, nos objetivos do processo

educativo e seu planejamento, combinados com atividades extraescolares; considera importantes as atividades culturais e desportivas, é estruturado em disciplinas com eixos transversais, prioriza a eficiência e eficácia, organização sistêmica horizontal e vertical, direcionada a uma educação integral.

Segundo Rodriguez e Silva (2009, p. 204) a pedagogia sistêmica busca o equilíbrio entre conhecimento do professor e a organização formal do processo educativo, de maneira a proporcionar a independência do aluno. Coloca ainda que, embora esteja próximo das características críticas da Educação, ainda faz uso de elementos tradicionais e tecnicistas. Como modalidade da EA pode ser enquadrada no tipo ético-social e, para tanto ressalta que além dos conhecimentos é fundamental o compromisso e a transformação social, para a qual é necessária a construção de novos valores, habilidades e atitudes além de enfrentar uma dupla situação: cognitiva e ética. O autor sugere a construção de textos e a organização de atividades dentro da EA. Ainda conforme Rodriguez e Silva (2009) podem ser classificadas em dois tipos: fragmentárias e integradoras.

As fragmentárias são estudos parciais do meio ambiente, sem contextualização histórico-espacial dos problemas, com desarticulação teórica/prática e podem ser divididas em atividades pontuais (únicas, de curta duração e sem continuidade, voltadas para um tema específico, como palestras sobre o meio ambiente, campanhas para coleta seletiva etc) e atividades desarticuladas (abordagem de temas diversos com realização de trabalhos se vinculação teórico-metodológica, como por exemplo: trabalhos em escolas envolvendo plantios, palestras e excursões) (RODRIGUEZ; SILVA, 2009, p. 205).

As integradoras acontecem de maneira inversa à fragmentária, envolve o estudo e a busca de soluções concretas para problemas da realidade, através de uma contextualização histórico-espacial, vinculando teoria e prática que podem ser exemplificadas através de projetos de EA e curriculares. O primeiro corresponde ao conjunto de ações a partir de um objetivo central, de maior duração, com certa integração entre si e articuladas na medida do possível ao currículo; o segundo compreende a organização de propostas curriculares ou projetos pedagógicos.

Rodriguez e Silva (2009, p. 214) apontam dez princípios básicos que deveriam fundamentar uma educação para o desenvolvimento sustentável, conforme Ferreira e Leitinho

(2000): complexidade ambiental (real e objetiva); representação social, (conhecimento de acordo com a realidade social); cultura ambiental (a partir do saber, ética e gestão); continuidade e ruptura cultural (mediação do saber científico e o popular); conhecimento (como meio e o fim); criatividade (flexibilidade nas soluções dos conflitos); comprometimento (com desenvolvimento total da pessoa e suas relações sociais); prática didática (articulação das práticas ao currículo) e o trabalho de campo (obtenção de habilidades e hábitos.

Brasil (1999 apud RODRIGUEZ; SILVA, 2009, p. 215), aponta que uma educação para o desenvolvimento sustentável deve preparar o educando para atuar nos três domínios da ação humana (a vida em sociedade, a atividade produtiva e a experiência subjetiva) e para tanto deve se apoiar nos eixos estruturais da Educação atual, ou seja, aprender a conhecer (conhecimento como meio e fim), aprender a fazer (desenvolvimento de habilidades), aprender a viver (relação com o outro e percepção das interdependências) e a ser (desenvolvimento total da pessoa).

Guimarães (2000) destaca que qualificar a EA para a formação de um cidadão comprometido com a qualidade ambiental é diferenciar-se das propostas ligadas aos grupos dominantes. Para tanto a EA deve ser totalitária no processo de educar, fazer parte do projeto pedagógico, ser coletiva, envolvendo escola/comunidade e deve estar articulada a movimentos populares, ou seja, dentro de participação política. A mesma, para além da mudança de comportamento, precisa intervir no mundo, nas relações socioeconômicas e culturais, ser uma EA crítica ao modelo societário atual, participativa nas conquistas por mais justiça social e equilíbrio ambiental, vincular-se, portanto aos princípios da concepção de Educação Popular, que significa desenvolver uma práxis pedagógica direcionada a hegemonia popular.

Figueiredo (2003) concorda com Guimarães (2000), propondo uma Educação Ambiental Dialógica (EAD), alicerçada no pensamento científico freiriano que diz “Mudar a linguagem faz parte do processo de mudar o mundo. A relação entre linguagem-pensamento- mundo é uma relação dialética, processual, contraditória.” (FREIRE, 1994, p. 68 apud FIGUEIREDO, 2003 p. 29) e na Teoria das Representações Sociais. O olhar freiriano inspira Figueiredo (2003) para uma EAD, destacando na abordagem de Freire (1994) que:

[...] Sua ênfase na capacidade ontológica, própria do humano de “ser mais”, de superar as “situações-limites”, críticas, na direção de um “sonho possível”, por meio de um percurso que transita da curiosidade do senso comum para a “curiosidade

epistêmica”, metódica - parece-nos delinear um caminho precioso para a educação ambiental. (FIGUEIREDO, 2003, p. 29).

Figueiredo (2003) ao concordar com Paulo Freire, ou seja, na existência de uma relação direta entre linguagem-pensamento-mundo, conclui que a interação com a linguagem, quando mediadora e materializadora do pensamento e ação, possibilita um processo permanente de intervenção e transmutação da pessoa no mundo, no pensamento, na linguagem. Assim, centrado na Abordagem Dialógica de Freire, o referido autor desenvolveu uma proposta de Educação Ambiental que, “[...] voltada para os oprimidos desse mundo, pense sua linguagem e construa um saber parceiro, sob a Perspectiva Eco-Relacional.” (Figueiredo, 2003, p. 29). E, ao qualificar a linguagem como meio de materialização do pensamento em sua relação com o mundo, encontrou na Teoria das Representações Sociais a mediação ou ponte entre pensamento/mundo, pois “[...] a linguagem expressa nas

Benzer Belgeler