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3.4. TANBURİ CEMİL BEY’İN BESTELEDİĞİ SAZ ESERLERİNİN FORMSAL VE

3.4.10. Türk Makâm Müziği Nazarî Tarihinde Râst Makâm Tarifleri

Quando Pedro, o Grande iniciou suas atividades de europeização da Rússia, o

país era chamado, na Europa, de “Moscóvia bárbara”, provavelmente graças à crueldade

de Ivan IV, o Terrível, e o tempo turbulento que se iniciou após a sua morte, em 1584, e

terminou em 1613, com a chegada da dinastia Románov ao poder. Com as inovações de

Pedro, o país gradualmente começou a transformar-se no Império Russo. Há 300 anos,

na política européia, não havia muita consideração pela Rússia. Os europeus raramente

viajavam à Rússia, por ela não os atrair muito. E, aqueles que viajavam, dificilmente

iam além de Moscou, cidade que por si só representava, para os estrangeiros, um

enorme país.

As mudanças começaram com a assim chamada “Grande Embaixada”, de Pedro

I, entre os anos de 1697 e 1698. Com a peregrinação do tsar russo (que viajava

incógnito) e alguns representantes da alta nobreza pelos países ocidentais, foi

literalmente “aberta a janela para a Europa”, mesmo antes da construção de São

Petersburgo. O objetivo oficial da “Embaixada” era a confirmação da união dos Estados

cristãos contra a Turquia e a Criméia, porém, os objetivos diplomáticos não eram os

únicos: era necessário conhecer a vida política européia, usar os modelos militares e

políticos para a reforma dessas instituições na Rússia e, através do exemplo do

soberano, incentivar os súditos a visitar os países ocidentais para aprender idiomas

estrangeiros, boas maneiras, diversas profissões e a arte militar.

A missão política da “Grande Embaixada” acabou fracassando, pois a autoridade

da Rússia na Europa não era forte. Porém, no que hoje chamaríamos de “intercambio

cultural”, os ganhos foram significativos para ambas as partes. Não apenas os círculos

acontecimento inédito, a presença da “Moscóvia Bárbara”, mexia com as mais variadas

camadas da comunidade européia. A maior atenção era dirigida a uma personalidade

misteriosa que fazia parte da “Embaixada”: um jovem chamado Piotr Mikháilov. Ele

costumava se isolar da “Embaixada” e se colocava em vários lugares para aprender arte

marítima e engenharia: “dele nada passava despercebido; ele possuía uma surpreendente

sede de conhecimento, esperteza e capacidades extraordinárias; esse homem

surpreendente era o próprio tsar de Moscou”.148 A aparição do tsar moscovita na Europa despertou muita curiosidade, já que ele representava para o mundo ocidental o seu

misterioso e desconhecido país. Entre os interessados estavam duas mulheres,

representantes da sociedade civilizada européia: A princesa de Hanover, Sofia, e sua

filha, a princesa de Brandemburgo, Sofia Charlotta. As referências de ambas sobre o

tsar conservaram-se, e em uma delas Sofia Charlotta descreve:

Eu imaginava suas caretas muito piores do que são na verdade, e ele não consegue abster-se de algumas delas. Além disso, nota-se que ele não foi ensinado a comer com asseio. Mas eu gostei de sua naturalidade e desenvoltura.

A sua mãe era mais benévola em relação ao líder dos russos:

O tsar é alto, sua face tem traços maravilhosos e ele tem postura nobre: tem uma grande vivacidade da mente, suas respostas são rápidas e corretas. Mas a natureza o presenteou com todas as suas qualidades, seria desejável que ele fosse menos grosseiro. Ele é um soberano muito bom e, apesar disso, muito ruim. Em relação à

148 BLUDÍLINA, N. D. “A Grande Embaixada de Pedro I e a visão de Moscou na Europa no limiar dos

séculos XVII-XVIII. (Velíkoe Possolstvo Petra I i otnoshenie k Moskve v Evrope na rubezhe XVII- XVIIIvv). In: Moscou na literatura russa e mundial (Moskva v russkoi i mirovoi literature). Moscou, Nasledie, 2000. P. 35

moral, é um verdadeiro representante do seu país. Se tivesse recebido uma educação melhor, seria uma pessoa perfeita, pois tem muitas qualidades e uma mente extraordinária.149

Todo o percurso da “grande Embaixada” foi acompanhado por muitos jornais

europeus, e, dessa forma, os periódicos alemães, estupefatos, relatavam sobre a viagem

incógnita do tsar russo, suas vestimentas simples e seu empenho no estudo das artes da

marinha e de guerra. Quando perguntaram para um diplomata russo sobre o motivo de

haverem tantos russos na Europa, ele respondeu que a contratação de especialistas

estrangeiros custa muito caro, portanto o tsar decidiu mandar os seus súditos para

estudar no exterior.

Em agosto de 1699, o soberano retornou a Moscou e a partir de então se iniciou

a nova contagem do tempo. A “Moscóvia”, sacudida pelas reviravoltas de Pedro,

continuava alvo de atenção de todos os jornalistas da Europa: a introdução da roupa

européia, a barba cortada dos boiardos russos, a reforma da igreja, do calendário e do

exército. Na personalidade de Pedro, havia uma combinação de despotismo oriental e de

racionalismo ocidental. A primeira qualidade, naturalmente, repugnava os europeus e a

segunda os encantava. Ele era único e muito diferente de todos os outros soberanos

europeus. Com pavor foram recebidas notícias sobre as medidas cruéis tomadas por

Pedro contra os streltsi150

149 Idem, p. 36.

rebeldes. Rumores apontavam que Pedro cortava cabeças com

as próprias mãos, e que os revoltados eram colocados em caldeirões com água fervente.

No século XIX, mais precisamente em 1870, o compositor Modest Mússorgski dedicou

a esses acontecimentos sombrios sua opera Khovánshina. A abertura da ópera, “Aurora

no rio Moscou”, menciona a imagem simbólica da antiga cidade acordando para um

novo dia e a música possui caráter claramente popular.

Todas as mudanças em Moscou eram vistas na Europa como mérito pessoal de

Pedro, pois o povo russo, na opinião dos ocidentais, era inerte, possuía caráter de

escravo, bebia demais e era selvagem por natureza. Portanto, era muito atrasado em

relação aos outros países da Europa. A expansão do novo Império perturbava as mentes

europeias:

As vitórias militares da Rússia eram recebidas com preocupação: a Moskóvia tornava-se “violadora da tranqüilidade”; o sucesso das tropas russas levava a novas aquisições territoriais da Rússia e causava medo por sua imprevisibilidade: o que acontecerá depois? Quem será o próximo?151

O interesse da Europa em relação à Rússia não era apenas espontâneo. Pedro, de

modo consciente, participava da sua formação. Os artigos favoráveis à Rússia,

publicados na imprensa européia, recebiam incentivo financeiro, muitos cientistas

estrangeiros foram convidados a trabalhar no país. Posteriormente, estes contribuíram

muito para a formação de uma imagem positiva da Rússia no ocidente. Entre eles pode

ser mencionado Christian Stieff, professor de história e retórica, autor da obra “Relatos

sobre a posição contemporânea do Império dos Moscovitas”, datado de 1706. Embora

para os europeus da época a Rússia já não representava um Estado longínquo e isolado,

os “Relatos” de Stieff compunham uma primeira monografia com amplas informações

151 BLUDÍLINA, N. D. “A Grande Embaixada de Pedro I e a visão de Moscou na Europa no limiar dos

séculos XVII-XVIII. (Velíkoe Possolstvo Petra I i otnoshenie k Moskve v Evrope na rubezhe XVII- XVIIIvv). In: Moscou na literatura russa e mundial (Moskva v russkoi i mirovoi literature). Moscou, Nasledie, 2000. P.37.

sobre as mudanças na Rússia. A obra do autor alemão inicia-se com as seguintes

palavras:

Os governantes do amplo Estado Moscovita, durante o último século, estabeleceram múltiplas ligações estaduais com seus vizinhos, mas nunca nenhum soberano moscovita causou no mundo impressões maiores do que o todo-poderoso Tsar Piotr Alekséievitch, que renovou o mecanismo Estatal e militar do seu país e o colocou em pé, além de adquirir gloria eterna para suas armas na Livônia Sueca. Por meio dessa nota, será conhecida a situação atual do Reino Moscovita para cessar quaisquer rumores, ainda mais que o autor por si próprio tenha conseguido suas informações das melhores fontes e das mais recentes notícias.152

A obra de Stieff era universal: ela mencionava as normas de conduta na antiga e

nova Moscou, sobre a igreja e religião, sobre tradições, comércio e ciência, entre outros.

Finalmente, o autor chega às seguintes conclusões:

Até agora, eles viviam na maior barbárie do mundo, mas agora estão mais ou menos civilizados... tornar o povo inteiro culto é um assunto não para apenas um ano, mas para um século inteiro, enquanto não se estabelecer e não for cumprida a lei escrita... Não é fácil lidar com um povo igual aos moscovitas, nascido para a escravidão; a sua natureza é tão criminosa que eles, por livre e espontânea vontade, não querem fazer nada, e é possível obrigá-los a trabalhar apenas batendo neles cruelmente.153

152 BLUDÍLINA, N. D. “A Grande Embaixada de Pedro I e a visão de Moscou na Europa no limiar dos

séculos XVII-XVIII. (Velíkoe Possolstvo Petra I i otnoshenie k Moskve v Evrope na rubezhe XVII- XVIIIvv). In: Moscou na literatura russa e mundial (Moskva v russkoi i mirovoi literature). Moscou, Nasledie, 2000. P. 39

De acordo com o cientista alemão, a autoavaliação dos russos é alta demais,

porém ele não havia encontrado fatos suficientes para justificar todo esse orgulho (o

autor acusava o povo russo de ser grosseiro e selvagem):

Apesar desses costumes [...] eles se acham corajosos, orgulhosos e melhores em comparação com os outros povos, vangloriam-se demais e afirmam ter vantagens em todos os assuntos, sem exceção.154

Se enquadrarmos isso na linguagem moderna, o papel messiânico que os russos

atribuíam ao seu povo e ao país pode ser chamado de “autoestima elevada”. Apesar das

diferenças entre os povos da Europa e da Rússia, Pedro não entendia os conceitos

“Rússia” e “Europa” como opostos, não no espírito da idéia de Moscou como Terceira

Roma, e não como os eslavófilos do século XIX; ele considerava a Rússia um país

integrante da Grande Europa. Foi com essas idéias que ele iniciou a construção de São

Petersburgo.