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Türk Makâm Müziği Nazarî Tarihinde Isfahan Makâm Târifleri

3.4. TANBURİ CEMİL BEY’İN BESTELEDİĞİ SAZ ESERLERİNİN FORMSAL VE

3.4.1. Türk Makâm Müziği Nazarî Tarihinde Isfahan Makâm Târifleri

Moscou não foi construída de uma só vez (ditado popular)

Iúri Lótman no ensaio “A Simbologia de Petersburgo e os problemas da

semiótica da cidade” classificou as cidades como concêntricas e excêntricas. 137

A forma circular de uma cidade simboliza, de um lado, o seu crescimento natural

e gradual, e, do outro, uma proteção para os seus habitantes. De acordo com S. M.

Teliéguin:

Nesse

contexto, Moscou representa uma perfeita cidade concêntrica enquanto São Petersburgo, obviamente, seria uma cidade excêntrica. A cidade de Kíev, a primeira capital da Rússia (que naquela época era chamada de “Rússia de Kíev”), também pode ser considerada uma cidade concêntrica. O mesmo se refere a Nóvgorod, outra precursora de Moscou.

A forma circular da cidade sempre carrega a ideia de perfeição, finalização, harmonia. Nos mitos, o círculo simboliza o espaço caracterizado pela concentração da energia sagrada especial. [...] A forma circular está relacionada à forma do Sol e seu movimento, com o céu e também com o útero materno. Da mesma forma, uma

137 LÓTMAN, Iúri. A Simbologia de São Petersburgo e os problemas da semiótica da cidade (Simvólika

cidade, principalmente se for organizada de forma circular, é associada ao princípio materno: ela recebe todos em si e gera tudo de dentro de si.138

Até hoje Moscou cresce em forma circular: o primeiro anel é formado pelo

Kremlin, depois segue o Anel dos Jardins. Até mesmo os subúrbios são delineados

pelos anéis rodoviários (rodoaneis). O metrô de Moscou possui uma Linha Circular, que

circunda o centro da cidade, e existem projetos de construção de outras linhas circulares

de metro, já que a cidade encontra-se em um constante crescimento. A forma circular da

atual capital subentende a sua função centralizadora: ao redor do centro da cidade

agrupam-se outros prédios, assim como ao redor da capital juntam-se outras cidades,

formando o país.

Planta de Moscou de 1497

138 TELIÉGUIN, S.M. Mito de Moscou como expressao do mito da Rússia (Mif Moskvy kak vyrajiénie

Se a origem do nome da cidade de São Pedro é obvia e bem conhecida, os

historiadores e linguistas não chegaram a um acordo em relação ao topônimo de

Moscou, que em russo soa como Moskvá. Todas as teorias existentes relacionam o

nome da cidade com o rio Moscou, ou seja, a cidade recebeu seu nome graças ao rio nas

margens do qual ela foi erguida.

Basicamente, as teorias se dividem em três grupos: alguns pesquisadores

afirmam que o nome do rio tem origem fino-úgrica, outros defendem a origem eslava,

terceiros apontam a sua procedência das línguas bálticas. Uma das teorias dos

defensores da origem fino-úgrica traduz o nome como “Água das vacas”. Outra teoria

liga o topônimo com a raiz eslava mosk, que estaria relacionada com umidade. Portanto,

o nome pode ser traduzido como “úmido”, “pantanoso”. Porém, de acordo com a versão

de Vladímir Toporov139

O fato da palavra “Moskvá” ter a possibilidade de ser traduzida como “lugar

pantanoso” é bastante curioso, pois é a cidade de São Petersburgo que é lembrada como

a cidade construída sobre os pântanos. De fato, tanto a teoria da origem do nome do rio

Moscou quanto os dados geográficos confirmam que a região onde futuramente surgiu a

cidade de Moscou era mesmo um local úmido e de muitos pântanos. É apenas um dos

detalhes que une as duas cidades que costumam ser vistas como totalmente opostas. , o rio recebeu seu nome por volta do século I antes do Cristo,

na época em que os povos eslavos e bálticos (hoje representados por lituanos e letões)

formavam um único grupo lingüístico, ou seja, as línguas ainda não tinham se separado.

Nas línguas bálticas a raiz mask possui o mesmo significado de “úmido” e “pantanoso”

e parece que o nome do rio, e consequentemente da cidade, realmente pode estar

relacionado a esse conceito.

139 TOPOROV, V.N. A ‘Báltica’ de Podmoskóvie [arredores de Moscou?] («Baltika » Podmoskóvia). In:

A história de Moscou antiga hoje é recriada inclusive através das obras

histórico-literárias, ou seja, coletâneas de crônicas russas dos séculos XII – XV.

Justamente nas crônicas da época é possível encontrar a primeira menção a Moscou e

também o início do seu texto. A mais antiga referência à cidade encontra-se na crônica

chamada “Ipátievskya”, que representa uma coletânea do século XIII. O artigo referente

ao ano 6655, a partir “da criação do mundo”, menciona que o príncipe Iúri Dolgorúki,

ao retornar da campanha contra as terras de Nóvgorod, convidou o príncipe Sviatoslav

Ólgovitch com as seguintes palavras: “venha até mim, irmão, para Moscov”. A

expressão “para Moscov” se refere diretamente à existência de um povoado onde os

príncipes deveriam se encontrar. A data dessa menção corresponde a 4 de abril de 1147,

que é considerada a data mais antiga de menção a Moscou. Das poucas informações

contidas na crônica torna-se claro que naquela época, Moscou já era um povoado

conhecido, pois o príncipe Sviatoslav supostamente tinha conhecimento do local onde

eles deveriam se encontrar. Não é possível afirmar que, em 1147, Moscou já era uma

cidade, porém, sem dúvida, era um povoado grande, capaz de receber os príncipes com

suas drujínas140

A menção posterior relativa à Moscou em crônicas já se refere a ela como uma

cidade. Na crônica chamada de “Tverskaia” é informado que Iúri Dolgorúki “fundou a

cidade de Moscou na foz do rio Nieglínna, acima do rio Auza”; isso aconteceu em 1147.

Nesse ano, as relações tensas entre Iúri Dolgorúki, que em 1155 tornou-se príncipe de

Kiev, e o príncipe Iziaslav de Tchernígov, que pretendia destroná-lo de Kiev, forçaram

o príncipe Iúri Dolgorúki a iniciar a edificação de uma fortaleza em Moscou. Dessa

forma, durante cem anos, Moscou desempenhou o papel de uma fortaleza limítrofe. .

Aqui encontramos mais uma semelhança com São Petersburgo: além de ser

construída em um lugar úmido e pantanoso, Moscou, no momento de sua formação, não

era uma cidade central e sim periférica, nos limites de principados feudais.

Para a construção da fortaleza, posteriormente chamada de Kremlin, foi

escolhida a parte mais alta, que se encontra na junção dos rios Nieglínka e Moskvá: a

colina Borovítski. Foi assim que se formou o principal centro semântico da cidade, o

seu ponto dominante. É importante notarmos que o Kremlin foi construído com o

objetivo militar de defender e abrigar os seus habitantes no caso de um ataque inimigo.

Por essa razão, o Kremlin, como muitas outras fortalezas medievais, era todo rodeado

pelos rios. Além do objetivo de dificultar o acesso para inimigo, não podemos esquecer

o papel divisor dos rios entre o mundo dos vivos e o mundo do além na cultura popular.

Provavelmente, essa ideia da cidade cristã rodeada por inimigos de fé diferente serviu

como um ponto de partida para a tendência de receber tudo que é alheio e estrangeiro

com desconfiança e até inimizade.

As crônicas mais antigas relatam que dentro do Kremlin encontravam-se o

palácio do príncipe, algumas construções, o túmulo (Catedral do Arcanjo) e outras

igrejas do príncipe. A sacralização do espaço por meio de igrejas também é um detalhe

importante do texto moscovita.

As dimensões iniciais de Moscou eram modestas, cerca de três hectares. Era

uma cidade típica da Rússia medieval. Nos séculos XII e XIII, Moscou raramente era

mencionada em crônicas. Obviamente, a posição limítrofe da fortaleza de Moscou

resultava na organização militar da população da cidade, porém, em 1238, as tribos

mongóis lideradas por Khan Batu tomaram a cidade e a queimaram. Apesar das penosas

conseqüências ocasionadas pela destruição, passados apenas vinte anos, Moscou tornou-

dos mongóis, Moscou transformou-se em uma residência do príncipe e, em 82 anos de

sua existência anterior não havia conseguido tal posição? As razões principais foram as

grandes mudanças demográficas e econômicas causadas pela instalação do domínio de

Horda sobre as terras russas. Os ataques militares dos mongóis às grandes cidades

russas, tais como: Vladímir, Súzdal e Rostóv, fizeram com que a população fugisse para

a periferia, onde, na segunda metade do século XIII, se inicia um enorme crescimento

de cidades, tais com Tver, Kostromá, Níjni Nóvgorod e Moscou. Dessa forma, a

transformação de Moscou em uma capital do principado refletiu o processo geral de

desenvolvimento do nordeste da Rússia, causado pela instalação do poder dos

conquistadores estrangeiros, mongóis.

O historiador Ivan Zabiélin, refletindo sobre o significado de Moscou não

apenas para a Rússia, mas para toda a humanidade, escreveu:

Provavelmente, Moscou, como cidade, possui em sua história um grande sentido político que não pode ser esquecido, nem mesmo nas pequenas pesquisas sobre uma de suas fronteiras históricas. O que favoreceu o desenvolvimento de Moscou? O que favoreceu o fato de que ela, de uma pequena propriedade feudal, tenha se tornado o centro vivo e forte de toda a terra russa? Não foi o comércio, é claro, nem a educação, nem as demais condições particulares de desenvolvimento popular. Ela se desenvolveu através da união popular de um grande movimento político do povo rumo à conscientização de seu objetivo histórico. Se isso for verdade, então Moscou deve ter expressado, e realmente expressou, em cada linha, em cada curvatura de seus muros, ruas e travessas, uma grande ideia popular, e não apenas tsarista, de união política.141

141 ZABIÉLIN, Ivan. As antiguidades de Moscou (Drévnosti Moskvy). In: Viésnik Evropy, 1867. Março.

A partir desse momento inicia-se o desenvolvimento intenso da cidade, das

construções e da economia. Assim, as crônicas apontam para que o ano de 1326 seja

conhecido como o ano do início das construções de pedra na cidade, já que

anteriormente as construções eram de madeira, material do qual era feita a maioria das

catedrais e igrejas. No ano de 1365, o príncipe Dmítri, futuramente chamado de

Donskói, começou a construção do Kremlin de pedra, pois a fortaleza anterior, feita de

madeira, havia sido destruída durante o incêndio. As suas paredes foram feitas de blocos

de calcário e, portanto, eram brancas. Apesar do Kremlin de pedra haver existido por

apenas 120 anos, e posteriormente ser substituído pelo de tijolos vermelhos, o que pode

ser visto até os nossos dias, na memória do povo, ficou impressa a imagem da “Moskvá

belokámenaia”, ou seja, a Moscou de pedra branca. Além da correspondência aos fatos

históricos, no epíteto “de pedra branca” podemos atentar para a cor branca, que costuma

simbolizar a pureza e inocência.

Nos anos de 1368 e 1370, outros estrangeiros, dessa vez os lituanos, por duas

vezes tentaram tomar a fortaleza, porém sem sucesso. Em 1380, os moscovitas tiveram

papel decisivo na famosa batalha de Kulikóvo, porém, dois anos depois o novo Khan,

Tokhtamysh, tomou Moscou. Os mongóis incendiaram o Kremlin e a cidade, quase um

quarto da população morreu, muitos foram capturados. Eles também roubaram muitos

adornos preciosos dos ícones, louças religiosas de ouro e prata. No incêndio foram

queimados vários manuscritos trazidos para as catedrais do Kremlin de todos os cantos

de Moscou para preservação. Tal acontecimento causou atraso no desenvolvimento da

cidade. Moscou começou a se recuperar 20 anos após essa devastação. Provavelmente,

nessa reconstrução teve seu início o mito sobre Moscou como uma cidade eterna que

Moscou começou a atrair estrangeiros; inclusive, já havia alguns vivendo lá,

entre eles pintores oriundos da Grécia e arquitetos italianos. Assim se iniciou o contato,

embora com certa desconfiança por ambas as partes, entre moscovitas e europeus. A

transformação de Moscou em uma cidade europeia significativa foi interrompida pela

luta cruel entre os príncipes da dinastia de Moscou pelo poder. As crônicas da época

narravam esses episódios sombrios das guerras feudais.

Um deles é relacionado ao grande príncipe Vassíli Vassílievitch, que perdeu a

visão, devido a ações cometidas por seus parentes, rivais. Porém, ele mesmo fora o

iniciador desse tipo de crueldade com seus adversários. Em 1445, o príncipe Vassíli II

foi derrotado e preso pelo Khan de Kazan. A cidade entrou em pânico, no decorrer do

qual um incêndio destruiu todas as construções de madeira do Kremlin; porém, o receio

dos moscovitas, que temiam a chegada dos Mongóis, não foi concretizado. Vassíli II foi

libertado por meio de uma enorme recompensa. Havia rumores de que a capital seria

reinada diretamente pelo Khan de Kazan. Houve uma conspiração contra o príncipe

Vassíli, da qual participaram muitos moscovitas e até seus parentes próximos. O

príncipe foi capturado, cegado e exilado. De acordo com o historiador N.Karamzín, ao

cegar o príncipe, os seus executores disseram: “Por que gostais dos tártaros e entrega as

cidades russas como alimento para eles? Por que cobres os infiéis com a prata e o ouro

cristão?”142

142 KARAMZÍN, N. História do estado russo (Istória gosudárstva rossíiskogo). 12 volumes. Volume V.

In: http://www.bibliotekar.ru/Karamzín/50.htm

Apesar disso, pouco tempo depois o príncipe conseguiu retomar o trono. A

partir de então, ele passou a ser chamado de Vassíli Tiomnyi (Vassili, o Cego). Como

podemos observar, esse episódio mostra as duas características culturais russas muito

de que as cidades russas também são centros religiosos que devem resistir aos inimigos

infiéis e expandir a ortodoxia para o mundo.

Após a seção das guerras feudais, em meados do século XV, começou a se

desenvolver a vida urbana em Moscou, com o aumento da população e a inclusão de

novos edifícios construídos de pedra. Entretanto, as edificações de pedra se restringiram

ao Kremlin, onde a cada ano era construída uma nova igreja, mas de tal qualidade que

depois de 20 a 50 anos, elas tiveram que ser totalmente reconstruídas. A mudança

ocorreu nos anos 70 do século XV: foram adicionados a Moscou novos principados e

terras, principalmente a República de Nóvgorod, em 1477. Através disso, foram

confiscadas muitas riquezas e vários arquitetos de Pskov, Nóvgorod, e, principalmente,

da Itália, vieram para transformar o estilo de Moscou.

O primeiro dos italianos foi Aristotele Fioravanti, de Bolonha. Entre 1475-1479,

ele ergueu no Kremlin a Catedral da Anunciação, que se conserva até os nossos dias. A

Catedral teve sua decoração atribuída aos mais talentosos pintores de ícones, dentre os

quais podemos destacar o então jovem Andrei Rubliov. A Catedral

impressionou a crônica de Moscou por suas dimensões, pela perfeição arquitetônica, e

Catedral de Anunciação no Kremlin

Fioravanti era um artista muito prestigiado e Ivan III lhe pagava um enorme

salário: 10 rublos por mês. Naquela época, com esse dinheiro era possível comprar

aproximadamente três aldeias. Tal generosidade mostra que o estrangeiro nem sempre

foi visto de maneira negativa: a Europa, sua arte e arquitetura serviam como modelo

para a construção de Moscou.

É necessário frisar que mesmo as igrejas e catedrais, que eram um símbolo da fé

genuína russa, eram construídas por estrangeiros. Dessa forma, podemos concluir que

se, de um lado, todo estrangeiro foi tratado no mínimo com desconfiança, também foi

admirado e copiado como um modelo perfeito. Aqui se encontra a raiz e a razão do

futuro surgimento de São Petersburgo (uma capital que modelava várias cidades

europeias) e da sua oposição a Moscou tradicional, que se afastava de tudo que lhe era

alheio.

As guerras que Ivan III conduzia nos anos 70-80 do século XV mostravam a

iniciada a construção de um novo Kremlin de Moscou, da qual novamente participaram

alguns arquitetos italianos; assim, a fortaleza e o centro da cidade reconstruído, aos

poucos, adquiriam um aspecto bastante ocidental. Embaixadores estrangeiros, que se

tornavam o novo assunto das crônicas, passaram a vir com mais freqüência a Moscou.

Muitos estrangeiros encontravam em Moscou sua segunda pátria. Assim, fortificando o

Kremlin à moda europeia, construindo novos prédios, ampliando e replanejando as ruas,

recebendo novas pessoas, Moscou, de uma pequena fortaleza na Colina Borovítski

transformou-se na capital do maior Estado do leste da Europa.

A função centralizadora de Moscou, após a queda do jugo dos mongóis em

1480, a união de muitos estados separados no Grande Estado de Moscou, o casamento

do grande príncipe Ioann III com Sofia Paleolog (sobrinha do último imperador

bizantino), sucessos militares no Oriente (a conquista dos reinados de Kazan e de

Ástrakhan) contribuíram para o surgimento e para a formação da ideia de que Moscou