No decorrer da prática pedagógica em contexto de EPE foi possível experienciar diversas situações sobre as quais refleti e que me permitiram ampliar os meus conhecimentos sobre a Educação de Infância. Esta capacidade de refletir é fundamental no perfil do docente, na medida em que este ao pensar constantemente sobre a sua prática, repensa nos seus sucessos e fracassos e ajusta estratégias de modo a melhora o processo de ensino-aprendizagem. Neste sentido, como refere Alarcão (2010) os professores devem ser “(…) seres pensantes, intelectuais, capazes de gerir a sua ação profissional” (p. 50).
Ao longo do estágio educativo realizado na Sala dos Cristais foi sempre notório a existência de um ambiente positivo e acolhedor que envolvia as crianças com quem tive o privilégio de trabalhar. De modo a complementar este ambiente de bem-estar observado, posso referir que desde o primeiro dia fui bem-recebida pela equipa da sala e pelo grupo de crianças. Foi logo estabelecida uma relação de confiança e cooperação que permitiu uma maior segurança na realização das atividades e em toda a intervenção prática. Acredito que este ambiente de apoio tem influência no grupo pois ao presenciarem um clima de sala de aula
positivo conseguem mais facilmente sentir-se integrados e estabelecer relações baseadas na afetividade, na compreensão, na honestidade e no respeito mútuo.
Sendo este o meu primeiro contacto com o grupo, procurei desde logo estabelecer relações com as crianças e conhecer os seus interesses e necessidades, o que permitiu que as mesmas se mostrassem recetivas à minha presença. A segurança que eu lhes tentava transmitir possibilitou a aproximação e o afeto por parte delas pois uma criança sente-se segura com alguém que transmite empatia e, ao mesmo tempo, confiança. Além disso, esta aceitação fez com que o grupo estivesse implicado em toda a minha intervenção e conseguisse desenvolver diversas aprendizagens.
No que concerne às atividades desenvolvidas tive sempre o apoio da educadora e restante equipa educativa para realizar tudo o que tinha planeado. Em todas elas procurei responder aos interesses e curiosidades das crianças e criar momentos de partilha de saberes, de participação ativa, de cooperação e de autonomia. Além disso, tentei que em todos os momentos de aprendizagem fossem trabalhadas as diversas áreas de conteúdo de modo a proporcionar na criança um desenvolvimento holístico. Saliento que o mais importante no decurso das atividades eram as aprendizagens que as crianças construíam e não o seu resultado final.
Um dos aspetos que para mim foi mais complicado no início da prática pedagógica foi o controlo do grupo. Ao longo da intervenção educativa e à medida que fui adquirindo mais confiança considero que melhorei este aspeto pois conseguia manter a atenção do grupo por muito mais tempo. De modo a ultrapassar esta dificuldade fui adquirindo várias técnicas como a caixa do silêncio, exercícios de mímica e até canções, conseguindo, assim, captar a atenção das crianças. Contudo, saliento que de modo a melhorar esta situação deveria ter mais confiança na projeção da voz como a educadora tinha, mas considero que, por vezes, não me sentia muito à vontade para fazê-lo, talvez por ser um elemento novo na sala.
Em relação ao Projeto de I-A, pretendia que, através das estratégias implementadas, as crianças desenvolvessem a sua relação consigo próprias, gerindo e autorregulando as suas emoções. Desta forma, conseguiriam ter um comportamento assertivo para com as outras crianças, realizando ações de amizade, recorrendo à partilha, ajuda, cooperação, respeito e aceitação. Além disso, queria que o grupo tivesse a capacidade de pensar e refletir sobre as suas ações de modo a que as suas interações fossem positivas promovendo, assim, um clima de bem-estar.
Apesar do pouco tempo de estágio para responder adequadamente à problemática encontrada, foi possível verificar resultados positivos em relação às estratégias utilizadas. Contudo, a estratégia do elogio e reforço das boas atitudes, através do quadro das boas atitudes,
foi aquela que despoletou mais resultados positivos, talvez por ter sido implementada diariamente na Sala dos Cristais. Foi possível então verificar que a introdução deste quadro fez com que as próprias crianças tivessem noção do que significava realizar realmente uma boa atitude e proporcionou-lhes um maior desejo de as identificar e executar. Assim, ao longo da rotina diária, sempre que as crianças tinham uma boa atitude informavam um membro da equipa da sala para que o seu comportamento fosse elogiado, valorizado e registado no quadro das boas atitudes.
Considero que a presença de outras colegas estagiárias na mesma instituição educativa foi uma mais-valia, uma vez que partilhamos ideias e experiências que contribuíram eficazmente para o trabalho desenvolvido com as crianças. Através da interação e colaboração que existiu, desenvolvemos em conjunto algumas atividades com as diferentes salas da EPE. Deste modo, através de um trabalho em equipa, conseguimos dinamizar os diferentes momentos de aprendizagem, promovendo o convívio entre as crianças, o bom ambiente de trabalho, a partilha de conhecimentos e o progresso individual e coletivo.
Por fim, acredito que a minha presença na Sala dos Cristais contribuiu para a aquisição de boas aprendizagens nas crianças. Estou muito grata à educadora cooperante que, no decorrer de todo o estágio, esteve sempre pronta para conversar sobre a minha prestação, o que fez com que este diálogo contínuo me ajudasse a refletir sobre os aspetos que tinham corrido bem e os que poderia melhorar.