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Anteriormente falou-se da flexibilidade e da autonomia que a escola e os professores possuem para gerir o Currículo e as componentes curriculares. O Despacho Normativo n.º6/2014, de 26 de maio (Autonomia Pedagógica e Organizativa das Escolas) corrobora esta ideia, afirmando que estas alterações, no que concerne à autonomia, permitem que as escolas façam uma adequação de forma livre e consciente.

Apesar da autonomia que é dada aos professores estes continuam a possuir orientações e programas previamente estabelecidos que determinam os conteúdos e as competências essenciais para cada ano de escolaridade e para cada área.

As OCPEB1C, O Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais e

Organização Curricular e Programas do Ensino Básico - 1.º Ciclo (CNEB) elaborados pelo

ME (2001), são documentos orientadores para os professores de 1.º CEB. Estes documentos salientam que as competências são encaradas como os saberes essenciais e necessários para se adquirir a qualidade pessoal e social de todos os indivíduos, e que devem ser desenvolvidos de forma progressiva ao longo da Educação Básica. Nesta sequência, salienta-se a importância de se desenvolver estas competências de uma forma transversal. O Decreto-Lei n.º 6/2001, de 18 de janeiro evidência que as áreas curriculares disciplinares e não disciplinares devem ser desenvolvidas de forma contextualizada e articulada com todos os saberes, pois só dessa forma seremos capazes de proporcionar aprendizagens significativas e integradoras.

No Decreto-Lei n.º 91/2013, de 10 de julho define-se as várias componentes do Currículo, sendo elas Português, Matemática, Estudo do Meio, Expressões Artísticas e Físico – Motoras e Apoio ao Estudo, e o número mínimo de horas para cada uma dessas componentes.

Neste sentido, ME (2015) nos Programas e Metas Curriculares de Português e ME (2013) nos Programas e Metas Curriculares de Matemática, estabelecem os conteúdos a serem lecionados para cada ano de escolaridade bem como os objetivos a alcançar, sendo que explicitam de forma clara as capacidades e os objetivos que devem ser adquiridos e desenvolvidos pelos alunos.

Relativamente ao documento Programas e Metas Curriculares de Português, ME (2015), evidência que este, nos dois primeiros anos de escolaridade, realçam a leitura e a escrita, visto que estas constituem uma novidade. Já nos outros dois anos o ensino recai sobre o aprofundamento e melhoramento da leitura, no que diz respeito à velocidade, na ampliação do vocabulário, na compreensão da leitura e na estruturação e criação de textos. A disciplina do Português encontra-se estruturada segundo vários domínios, sendo eles: a Oralidade, a Leitura e a Escrita, a Educação Literária e a Gramática.

No que respeita à Matemática, o ME (2013) nos Programas e Metas Curriculares de

Matemática destacam como fundamental “(…) a estruturação do pensamento, a análise do mundo natural e a interpretação da sociedade.” (p. 2). Assim, enfatiza-se a necessidade de os alunos apreenderem de uma forma hierárquica os conceitos matemáticos, o entendimento da matemática no que diz respeito a acontecimentos e fenómenos do mundo e por fim a utilização dos conhecimentos matemáticos, como as operações, as medidas de grandeza, etc no quotidiano.

No 1.º CEB, a Matemática encontra-se estabelecida segundo três domínios de conteúdos: os números e operações, a geometria e medida e a organização e tratamento de dados. Os conteúdos encontram-se estruturados para que se comece a trabalhar conteúdos mais concretos e, assim, de forma progressiva, se passe para conteúdos que exigem maior grau de abstração.

Atendendo que a Matemática é uma das áreas onde os alunos, genericamente, apresentam maior dificuldade e desinteresse, ME (2013) no documento supracitado ressalta a importância de se criar o gosto matemático nas nossas crianças, referindo que este gosto pode ser adquirido através da compreensão matemática e da resolução de problemas.

A Área do Estudo do Meio é suportada pela Organização Curricular e Programas do

Ensino Básico - 1.º Ciclo. Neste documento orientador, ME (2004) refere que não podemos esquecer que as crianças possuem inúmeras experiências e conhecimentos adquiridos do

contacto e exploração com o meio que as envolve. Nesta linha de pensamento, torna-se, então, essencial que a escola valorize, aperfeiçoe e alargue esses saberes e experiências e sobretudo que crie experiências, saberes e aprendizagens mais complexas.

O Programa de Estudo do Meio encontra-se estruturado e organizado por blocos de conteúdos, sendo eles: Bloco 1 — À descoberta de si mesmo; Bloco 2 — À descoberta dos outros e das instituições; Bloco 3 — À descoberta do ambiente natural; Bloco 4 — À descoberta das inter-relações entre espaços; Bloco 5 — À descoberta dos materiais e objetos e Bloco 6 — À descoberta das inter-relações entre a natureza e a sociedade. Importa frisar que estes blocos se encontram divididos por anos de escolaridade, desde o 1.º ao 4.º ano, com exceção do bloco 6 que é apenas recomendado para o 3.º e 4.º ano de escolaridade.

ME (2004) enfoca que os blocos seguem uma estruturam coerente e lógica, contudo exalta que estes, em contexto educativo, podem ser alterados e abordados com outra sequência, uma vez que este programa apresenta um carater flexível e aberto à mudança. Neste sentido, pretende-se que os professores tenham a capacidade de recriar e dar outro rumo ao programa, para que este vá ao encontro dos ritmos de aprendizagens existentes na sala, dos interesses e das necessidades dos alunos e, sobretudo, das características e especificidades do meio envolvente (ME, 2004).

O mesmo autor refere que para alcançar os conhecimentos e saberes não é fundamental que todos os alunos sigam o mesmo caminho e percurso, pois o essencial é fazer com que todos os alunos se tornem observadores ativos capazes de descobrir, pesquisar, investigar, explorar, experimentar e sobretudo de aprender.

Em suma, salienta-se ainda a existência das Expressões Artísticas que são vistas como parte integrante do Currículo e essenciais ao desenvolvimento holístico da criança. No Decreto- Lei n.º 46/86, de 14 de outubro – Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE), surge pela primeira vez a Educação Artística, onde se destaca a importância da mesma no desenvolvimento do indivíduo.

Atualmente, as Expressões Artísticas são reguladas pelo documento Organização

Curricular e Programas do Ensino Básico - 1.º Ciclo, e encontram-se divididas em quatro áreas, sendo elas Físico-Motora, Musical, Dramática e Plástica. Muito se tem debatido a importância destas áreas serem exploradas de forma transversal com as outras áreas do Currículo. O ME (2001) reforça que:

As artes permitem participar em desafios colectivos e pessoais que contribuem para a construção da identidade pessoal e social, exprimem e informam a

identidade nacional, permitem o entendimento das tradições de outras culturas e são uma área de eleição no âmbito da aprendizagem ao longo da vida. (p. 149).

Atendendo aos benefícios da educação artística na criança, o Decreto-Lei n.º 241/2001 refere que cabe ao professor fortalecer competências criativas e traçar estratégias, utilizar materiais, ferramentas e técnicas que possibilitem uma articulação das expressões artísticas com as outras áreas do Currículo.

Neste sentido, o essencial será o professor abordar todas estas áreas e componentes do Currículo de uma forma transversal, intencional e contextualizada. Além disso, o professor não se deve deixar, apenas, ficar com os conhecimentos que possui, mas sim investir na sua formação, a fim de proporcionar uma mudança na educação com vista a melhorar a qualidade do ensino.