As características geológicas dos cinco tipos de mineralizações enriquecidas em ferro, cobre e fósforo levam a crer que são mineralizações pertencentes a um sistema magmático/hidrotermal do tipo IOCG e skarn. É comum a ocorrência proximal desses dois tipos de mineralizações (IOCG e skarn), devido o fato dos dois tipos serem originados de fluídos magmáticos, sendo a grande diferença que os skarns se formam quando os fluídos entram em contato com rochas carbonáticas e precipitam.
No atual nível de conhecimento, pode-se admitir que o minério hematítico estudado em que os cristais de hematita euédricos com geminações romboédricas envolvem cristais reliquiares de magnetita, deformados e parcialmente alterados para hematita (martitização), é de substituição relacionado a um processo de eskarnitização, e sublinha provavelmente outra geração de minério de ferro. Levando em consideração apenas o exposto em superfície, este minério possui bom potencial econômico, tendo em vista a concentração de alto teor de ferro livre (em média de 60%).
Os métodos geofísicos integrados mostraram áreas com potencial em mineralizações, sejam elas de minério de ferro magnetítico sem sulfetos associados, de minério de ferro magnetítico com sulfetos associados e de sulfetos disseminados em meio às rochas metadioríticas sem magnetita. As anomalias mostraram continuidade entre os perfis, com direção preferencial norte-sul, aproximadamente, confirmando a direção dos filões magnetítito com malaquita mapeados em campo. Além de continuidade lateral, algumas anomalias estão abertas em profundidade, sugerindo continuidade em zonas mais profundas.
Além dos tipos de mineralizações detectáveis pelos métodos geofísicos aplicados, existem corpos de minério hematítico maciço, que são comuns em depósitos do tipo IOCG, em zonas de maior fugacidade de oxigênio. A hematita não é um mineral polarizável, portanto não é detectável no método da polarização induzida,
98 e não é magnético, por isso não mostra anomalias ao longo do levantamento. O que torna a área ainda mais interessante do ponto de vista prospectivo.
Portanto, é mais do que recomendável, uma etapa de sondagem, seguido de geoquímica, que avalie com precisão se realmente a área trata-se de um depósito, seja de ferro, seja de cobre, seja de cobre e ferro, ou apenas uma ocorrência mineral.
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