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5. ÇOCUKLARDA MÜZİKLE TEDAVİNİN LİTERATÜRÜ

5.2. Türkçe Makaleler

J. L. Martyn (1987, p. 149-175), Senén Vidal (1997), Boismard e Lamouille (1977)apresentaram teorias bem elaboradas acerca das etapas da redação do EJ e todos concordaram com a intervenção de pelos menos três redatores. Eles se distanciam na forma como justificam e provam suas teses estilística e literariamente, variando na escolha deste ou daquele texto para identificar esta ou aquela etapa. Entretanto, é possível verificar traços comuns entre eles apontando para uma primeira etapa da escrita em que o evangelho recebe sua redação inaugural e cuja base é o livro dos sinais (2-12) e a narrativa da paixão (1º redator). A segunda etapa é identificada com o aparecimento dos discursos mais longos de Jesus completando as narrativas anteriores onde se vê de maneira bem acirrada o conflito e a ruptura com a sinagoga (2º redator). Na terceira etapa nota-se o aparecimento das divisões internas da comunidade e a necessidade do fortalecimento da coesão interna, fazendo eco no testemunho das cartas joaninas e na redação do capítulo 21 (3º Redator).

Mas é sem dúvida, Raymond Brown (1985) o autor que mais aproximou teoria redacional a uma hipótese consequente da história da comunidade joanina. Há em sua versão sobre o que ele chama de fases da redação, uma coerência entre texto e contexto e mais precisamente, para o que nos interessa na análise de Jo 13,1-17, uma interação entre texto e o ambiente cultural e sociorreligioso que se pode inferir das diferentes camadas redacionais pressupostas a partir da história redacional do EJ. Os conflitos de ordem sociorreligiosa e cultural são o fio condutor da história redacional do EJ. Ora são conflitos com grupos externos, ora com grupos próximos e por vezes identificados com os próprios discípulos. No caso de Jo 13,1-17 estamos na fase redacional cujo momento expressa conflito de ordem mais interna do que

externa, embora a identidade ali proposta aponte também para grupos exteriores à comunidade e de certa forma, para toda a sociedade.

Em sua proposta para a história da redação Brown distingue, sem negar a possibilidade de três redatores, mas um processo marcado por quatro fases.

Primeira fase, a era pré-evangélica inclusive as origens da comunidade, e sua relação com o judaísmo da metade do século primeiro. No tempo em que o evangelho foi escrito os cristãos joaninos tinham sido expulsos das sinagogas (Jo 9,22;16,2) porque eles reconheciam Jesus como Cristo. Tal expulsão reflete a situação no último quartel do século primeiro [...]. Embora o evangelho tenha sido escrito depois dessa expulsão, a história pré-evangélica certamente incluía as controvérsias entre cristãos joaninos e os chefes da sinagoga [...]. E assim podemos ter razão quando datamos a primeira fase, o período pré-evangélico da história joanina consciente, num período de várias décadas, desde a metade dos 50 até o fim dos 80. A Segunda fase envolvia a situação da vida da comunidade joanina no tempo em que o evangelho foi escrito. “Escrito” é um termo ambíguo, pressupondo-se a atividade tanto de um evangelista como de um redator, mas o período de aproximadamente 90 d.C dataria a principal redação do evangelho. A expulsão das sinagogas então já passou, mas a perseguição (Jo16,2-3) continua, e há profundas cicatrizes na alma joanina em relação aos “judeus”. A insistência numa alta cristologia, tornada cada vez mais intensa pelas lutas com “os judeus” afeta as relações da comunidade com os outros grupos cristãos, cuja avaliação de Jesus é inadequada segundo os padrões joaninos. As tentativas de proclamar a luz de Jesus aos gentios podem também ter encontrado dificuldades, e “o mundo” tornou-se um termo geral para todos aqueles que preferem as trevas à luz. Esta fase nos fornece informações detalhadas sobre o local da comunidade joanina num mundo pluralístico de crentes e não crentes, no final do século.

A Terceira fase envolvia a situação de vida nas comunidades joaninas agora divididas, no tempo em que foram escritas as epístolas, provavelmente por volta do ano 100 d.C. [...] Argumentarei com a hipótese de que a luta acontece entre dois grupos dos discípulos de João, que estão interpretando o evangelho de maneira opostas, no que se refere à cristologia, à ética, à escatologia e à pneumatologia. Os temores e o pessimismo do autor das epístolas sugerem que os separatistas estão tendo maior sucesso numérico (1Jo 4,5) e o autor está tentando defender seus adeptos contra posteriores incursões de falsos mestres (1Jo 2,27; 2Jo10,11). O autor sente que é a “última hora” (1 Jo2,18).

A Quarta fase viu a dissolução dos dois grupos joaninos depois que as epístolas foram escritas. Os separatistas, não mais em comunhão com a ala mais conservadora da comunidade joanina, provavelmente tenderam mais rapidamente no século segundo para o docetismo, o gnosticismo, cerintianismo e montanismo. Isto explica porque o quarto evangelho, que eles levaram consigo, é citado mais cedo e mais frequentemente por escritores heterodoxos do que por escritores ortodoxos. Os adeptos do autor de 1Jo no começo do século segundo parece terem gradualmente se incorporado no que Inácio de Antioquia chama “a Igreja católica”, como se demonstra pela aceitação crescente da cristologia joanina da pré- existência do Verbo. Entretanto, esta incorporação deve ter custado o preço da aceitação joanina da estrutura autoritária do ensino da Igreja, provavelmente porque seu próprio princípio do Paráclito como o Mestre

não ofereceu defesa suficiente contra os separatistas (BROWN, 1985, p.20-23).

Essa teoria das fases de Raymond Brown alia teoria literária e história mostrando os principais conflitos vividos pela comunidade segundo os diferentes momentos de sua história. Texto, conflito e história. São três elementos em constante interação, ora um esconde o outro, ora eles se revelam e se completam. As fases demarcam no tempo os conflitos inscritos na história que o texto pode ter em parte registrado, afinal nunca se escreve tudo. Cabe agora, a partir do que temos nos textos, buscar a reconstituição desses conflitos. Mas isso será objeto de análise dos capítulos três e quatro. Neste capítulo é suficiente deixar claro então que Jo 13,1-17 é expressão de conflitos e problemas que estão entre a terceira e a quarta fase, pois manifestam o fortalecimento de identidade sociorreligiosa a ser construída mediante a indicação clara daqueles que traem a comunidade e saem dela (Judas Iscariotes), tanto quanto daqueles que ficam ou estão próximos (Pedro), mas ainda não assumem por completo as implicações dessa pertença.