5. ÇOCUKLARDA MÜZİKLE TEDAVİNİN LİTERATÜRÜ
5.1. Türkçe Kitaplar
As escolhas com relação ao uso das mediações e ferramentas de análise são fundamentais na exegese. Elas estabelecem uma relação quase que determinante no encaminhamento da pesquisa. Todavia, para explorar a riqueza de um texto, muitas vezes, é necessário recorrer a diferentes ferramentas de análise. Sendo assim, utilizaremos alguns elementos da metodologia histórico-crítica; certos conceitos da narratologia, utilizados para a abordagem dos textos narrativos e discursivos com objetivo de compor uma teoria que explique o conjunto da redação joanina. A mediação sociológica será usada numa ótica mais abrangente da perspectiva de Vernon Robbins (1996a) 27 que reúne literatura e visão sociorreligiosa, integrando a crítica literária focada na retórica do texto com um olhar para características específicas de grupos cuja linguagem simbólica é tipicamente religiosa.
Além da perspectiva sociorreligiosa, empregaremos a mediação cultural da antropologia social. Com ela pretendemos superar o reducionismo teológico do qual são reféns muitas análises de textos bíblicos. As metodologias mais tradicionais sempre usaram os pressupostos teológicos na análise do EJ e com isso impuseram e projetaram quase que automaticamente mais os conceitos teológicos de seus intérpretes do que os do próprio texto. Na opinião de Destro e Pesce,
Dedicar-se a un estudo antropológico do cristianismo significa substituir essa herança conceitual teológica tradicional pelas ciências sociais. Isso implica um delicado processo de confronto, ao qual, às vezes, os cultores das disciplinas teológicas opõem uma resistência quase que instintiva (DESTRO & PESCE, 2002, p. 15).
27 Cf. Pedro Cabello MORALES (2011, p. 61), V. K. Robbins é professor da Universidade Metodista de Emory (Atlanta) e foi quem introduziu no campo dos estudos bíblicos o termo sócio-retórico e assim vem realizando nos últimos anos uma verdadeira sistematização metodológica. Sua primeira aplicação prática da análise sócio-retórica apareceu no livro Jesus the Teacher. A Socio-Rhetorical Interpretation of Mark (1984).
Sendo assim, adotamos a mediação antropológica porque ela retrata o texto de caráter religioso numa perspectiva que considera a religião como fenômeno humano marcado pela cultura. Entendemos, como Destro & Pesce, que tais textos precisam ser considerados nessa ótica para evitar o risco do anacronismo de posicionamentos teológicos tradicionais ou de uso exclusivo que cada confissão religiosa acaba projetando nos textos.
As teologias tradicionais, contudo, usam, se bem que nem sempre, para cada fenômeno da própria religião, um termo que só pode ser utilizado no quadro referencial próprio dela, e por isso tendem a considerar o fenômeno relativo como um fato único. Por exemplo, a teologia cristã usa o termo eucaristia, e não refeição sagrada ou ceia comunitária para definir o rito que, de acordo com os Evangelhos sinóticos e a Primeira carta aos Coríntios, Jesus realizou na última ceia (DESTRO & PESCE, 2002, p. 15).
Na perspectiva cultural e sociorreligiosa pode-se ver o conjunto do EJ como relato prioritariamente de afirmação de identidade religiosa. Destro e Pesci, assim o veem, pois, ao confrontarem formas religiosas de associação ao contexto dos Evangelhos, propõem o modelo associativo do discipulado como parâmetro para compreender o EJ. Dessa forma, eles o consideram como afirmação e formação da identidade sociorreligiosa da comunidade distinguindo-a inclusive do discipulado proposto por Jesus:
O que diferencia substancialmente o discipulado do Evangelho de João dos discípulos de Jesus são dois fatores fundamentais. Primeiramente, no discipulado joanino estão completamente ausentes as exigências radicais, típicas dos evangelhos sinóticos, que Jesus impunha a seus discípulos itinerantes (abandonar a casa, a família, o trabalho e a posse de bens). Se tivesse restado como única fonte para se conhecer Jesus o Evangelho de João e aqueles que se tornaram seus admiradores, não saberíamos absolutamente nada sobre a radicalidade de vida que parece ter sido abraçada pelo grupo de Jesus. O discípulo de Jesus no Evangelho de João caracteriza-se primeiramente pela necessidade da adesão ao mestre e pela fidelidade a sua palavra. Trata-se, porém, de uma palavra que não exige o abandono da família, do trabalho e das posses, como acontece principalmente no Evangelho de Lucas e no de Mateus. Em segundo lugar, já fazendo então tempo que Jesus havia se ausentado, o relacionamento histórico com o mestre foi substituído por um relacionamento sobrenatural. Agora Jesus é concebido como um ser que está na casa divina (por sobre os céus que estão sobre a terra), com o qual se comunica mediante o espírito. Esses dois aspectos fazem o discipulado joanino próximo a formas religiosas comuns às religiões de mistério e a seus variados aspectos iniciáticos (DESTRO & PESCE, 2002, p. p. 42-46).
Assim como fazem esses autores, há uma tendência nos estudos neotestamentários e de modo especial nas investigações do EJ, de pressupor o uso de mediações emprestadas das ciências sociais, mais precisamente dos modelos da antropologia cultural. Algumas vezes são mediações associadas a outras ciências como a história, arqueologia, sociologia e literatura. Modelos desenvolvidos por essas ciências nos servirão para compreender costumes e imaginários implícitos ou explícitos em Jo 13,1-17.
Alguns dos modelos da antropologia social e seus métodos de abordagem serão adotados como fio condutor de nossa investigação, pois privilegiam de um lado a abordagem histórica sem desconsiderar a distinção entre o tempo do redator e seus problemas históricos específicos e o tempo do conteúdo relatado (o Jesus histórico). O conteúdo dos conflitos históricos vividos por Jesus aparece como relato interpretado na ótica do segundo tempo, o do redator e de seu ambiente histórico imediato. Por isso mesmo, de outro lado, essa forma de tratar o EJ, tal como demonstraram Destro e Pesci no texto acima, abre caminho para outras abordagens, inclusive para aquelas que usam a metodologia narratológica de caráter mais literário; e tudo isso sem perder o horizonte da identidade cultural e sociorreligiosa de textos como esse cuja linguagem religiosa transparece no primeiro plano de sua intencionalidade.
Entretanto, faremos uso de elementos de metodologias literárias como a narratológica sem a negação de instrumentos do método histórico-crítico, pois é preciso considerar mediações sociorreligiosas centradas na dimensão da linguagem bem como a realidade cultural pressuposta pelo texto. Isso exige no caso do EJ uma teoria literária de fundo sobre o conjunto do documento que possa ser coerente com a história da comunidade que lhe está subentendida como interlocutora privilegiada.