BÖLÜM 3: BULGULAR VE YORUM
3.4. Đkinci Alt Probleme Đlişkin Bulgular ve Yorum
3.4.1. Okul Türüne Göre Đzlenim Yönetimi Taktiklerini Kullanımına Đlişkin Bulgular ve Yorum
Na busca de compreender e pensar os processos que se movimentam nos cotidianos escolares, que os produzem e são por eles produzidos, tem-se o apoio de algumas ferramentas conceituais propostas pela Esquizoanálise. Não se pretende uma revisão exaustiva dos autores convocados, mas, simplesmente, pinçar de suas teorias algumas ferramentas que possibilitem não apenas a descrição do que é feito, mas a compreensão do percurso que vem sendo produzido nas práticas escolares, a partir de seus efeitos.
A Esquizoanálise, como um plano de conhecimento amplo e ubíquo, fruto do encontro de Giles Deleuze e Felix Guattari, emergiu em torno dos anos 1970 como herdeira das lutas libertárias de maio de 68, e vem influenciando diversos pesquisadores no Brasil e no mundo.
Introduz, através da análise micropolítica das relações desejantes e de poder, uma leitura das relações clínicas, sociais e institucionais, que se desdobra em novas relações e uma nova conceituação sobre o inconsciente, o desejo, a subjetividade, focalizando a relação entre capitalismo e esquizofrenia, título de sua obra principal, que é dividida em dois tomos: “o antiédipo” e “mil platôs”.
Como crítica ao pensamento da representação e às filosofias da identidade, a Esquizoanálise propõe uma radical afirmação da vida e pela vida, um desprezo pelas verdades gerais e absolutas, e uma obstinada procura do novo, do insólito, do diferente. Mas não se limita à crítica: intenta intervir no campo político e social, para que o processo de produção desejante tenha seu curso, sem centro, sem hierarquias, sem chefes (TADEU, 2007).
A ciência dos paradigmas dominantes, através da interpretação das regularidades, procura explicar o mundo ordenado e quadriculado. A Esquizoanálise desvela-se num caçar linhas de fuga, privilegiando a potência inventiva que não está nem no sujeito, nem no objeto, nem nas idéias, nem nas coisas, mas sim no entre - espaço de invenção/lugar da produção.
Uma fábrica de conceitos: quer agenciar, maquinar, potencializar a potência do acontecimento, mover territórios, desestratificar, compor forças... E um novo paradigma: o ético-estético-político, que muda radicalmente o eixo de análise, passando a agregar outros elementos. Muylaert (2006) assim sintetiza: o processo de produção de saberes é relacional, atravessado por valores vitais – ético; que sustentam a criação de estilos de vida – estético; produzindo modos de existência atravessados por vetores de enunciação coletivos – político.
Há um conjunto de ferramentas conceituais que imprimem a possibilidade de uma nova compreensão dos fenômenos psíquicos, sociais, históricos e políticos, provendo também um conjunto de dispositivos de intervenção. Os conceitos podem ser considerados “caixa de ferramentas”, armas, estratégias de análise, ferramentas com ordenadas intensivas, acontecimentos. Não são fórmulas, mas formulações existenciais. Podem ser abordados desse modo, pois conforme Muylaert (2006, p. 110),
operam a partir da mesma qualidade de força da Arte: estados intensivos, produção de multiplicidade, transbordamento de fronteiras. Abrem-se para a expansão e multiplicação dos sentidos. Não enclausuram o pensamento e os fazeres em um único modo – certo, verdadeiro, científico, totalizante, geral. Provar, com-provar, reproduzir, generalizar são critérios da pesquisa científica positivista. Na esquizoanálise, importa saber se funciona e como funciona; o afetar e ser afetado; o traduzir e propiciar acontecimentos. Uma Filosofia da Diferença radicalmente potente para desbancar a primazia do idêntico; uma filosofia da imanência, que se opõe a
qualquer transcendente; uma filosofia das multiplicidades, pois conforme Deleuze e Guattari (1992, p. 82) o plano de imanência é povoado por multiplicidades, “um pouco como as tribos povoando o deserto sem que ele deixe de ser um deserto”. É lá que alguma coisa passa.
Para Benedetti (2007, p. 35), esta obra filosófica possibilita uma infinidade de entradas para fazer trepidar o pensamento, muitas formas e passagens para dela entrar e sair, e dependendo de como e por onde se acessa e por quais problemas se é impulsionado, pode-se enfatizar um ou outro conceito, “sabendo-se que são componentes de um mesmo construtivismo erigido como estilo de vida e pensamento, simultaneamente”. Interessa aqui destacar alguns de seus conceitos, a fim de potencializar discussões sobre o cotidiano escolar. Como salienta Silvio Gallo (2008), embora Deleuze não tenha se dedicado a problemas relativos à Educação, era um educador, e a fecundidade de seu pensamento pode nos permitir “pensar a Educação”, ou seja, propor exercícios de pensamento que potencializem pensar a educação como acontecimento, desalojando falsas certezas.
Um primeiro aspecto a considerar é que, nesta proposição, o desejo não é definido como falta ou como negatividade, mas como produção. O desejo era caracterizado, principalmente pela Psicanálise, como força impulsionadora individual que conduz os homens para a ação de buscar algo que os completará, algo que falta. Ao contrário, a Esquizoanálise pensa o desejo como produção, como fluxo, como potência que se atualiza nas relações, nos encontros com o mundo, produzindo realidades. O desejo resgata a força ativa dos corpos e a coloca na vida. E como força motriz, não é propriedade de um sujeito, ou de um objeto, muito menos é proveniente da falta. É produção não intencional, que ganha liga nos agenciamentos e cuja única “meta” é passar.
O desejo remete para uma nova forma de pensar o inconsciente: o inconsciente é maquínico, é usina, uma matéria virtual ativada pelo desejo-força que, a partir do agenciamento, dá forma e produz o real. É matéria acontecendo no momento mesmo em que acontece, o acontecimento trazendo seu sentido, sua compreensão, não havendo um “isso”, um lugar privilegiado separado do que acontece e do seu significado. O desejo é essa força afirmadora que atravessa todos os mundos, todos os corpos, podendo-se falar então, em uma produção social como produção desejante, que não se centra numa subjetividade individual, e sim coletiva (DELEUZE; GUATTARI, 1976).
Convém situar que o adjetivo maquínico não se propõe a descrever a realidade tendo por modelo a máquina, não se refere a maquinismo ou mecânica. Com este conceito Deleuze e Guattari (1976), privilegiam a ideia de funcionamento, de produção, de interação. Toda
máquina é uma rede complexa de partes em interação, em que cada parte é ela mesma uma máquina, que se conecta a outras máquinas e produz ações.
A noção de máquina é importante porque não se caracteriza pelo que é, mas pelo que faz, pelos efeitos que produz. Como salienta Guattari (1992), as máquinas referem-se a uma organização de fluxos, a uma engrenagem de produção regida por forças que circulam e afetam o mundo. São mecanismos produtores e reprodutores, e constituem acoplamentos heterogêneos que agenciam. Máquina, nessa acepção, consiste em uma tentativa de abandonar o vocabulário que torna possível remeter ao sujeito como agência, para substituí-lo por uma linguagem completamente nova. A linguagem idealista de almas e sujeitos é substituída por uma materialista, ligada às práticas, aos acoplamentos heterogêneos que produzem efeitos (OLIVEIRA, R., 2005).
Uma ideia a destacar nesta noção é que, como sintetiza Maia (2006), o todo (suposto em um conceito, ferramenta ou máquina) jamais totaliza, é apenas mais uma parte que totaliza umas tantas partes, sem deixar ela mesma de funcionar como parte de outras tantas partes. A este funcionamento por fluxos e cortes de fluxos, uma conexão da qual já não se diz mais que é, mas que se articula em um “e”, conectivo conectante, Deleuze e Guattari (1976) denominam como agenciamento maquínico.
O fluido interessante é que o agenciamento maquínico não funciona reduzido a uma causalidade linear, em que se parte de um centro e evolui naturalmente, dividindo-se e subdividindo. Ao contrário, como o todo jamais se totaliza, sendo parte de tantas outras partes, atravessadas por fluxos e cortes de fluxos, o modelo proposto para o agenciamento é o de rizoma (DELEUZE; GUATTARI, 1995a).
Como esclarece Silvio Gallo (2008, p. 76), a metáfora do rizoma subverte a ordem da metáfora arbórea, que tradicionalmente caracteriza a estrutura hierárquica e fragmentária do conhecimento. Ao propor regular o fluxo de informações pelos caminhos internos da árvore do conhecimento, este paradigma fechado, paralisa. Os rizomas, sempre abertos, fazem proliferar.
Os rizomas procedem por alianças, qualquer parte pode conectar-se a outra parte, sem pontos de chegada ou de partida, possibilitando pelos princípios de heterogeneidade, posto que qualquer conexão é possível, e de multiplicidade, pois envolve a contínua ligação e religação com outros elementos em um fluxo constante. E como fluxo, os rizomas colocam-se na horizontalidade, multiplicando as conexões que deles se originam, podendo, portanto, ser mapeados, cartografados, e mesmo acessados de vários pontos que remetem a outros tantos. Não há também qualquer processo de hierarquização. Embora territorializados e organizados,
estão continuamente atravessados por linhas de fuga que apontam para novas direções (DELEUZE; GUATTARI, 1995a).
Essas contínuas conexões entre elementos múltiplos e mutáveis, em diferentes formas e intensidades, e que se ramificam constantemente em outros elementos, estando eles próprios em constante metamorfose, configuram a realidade em devir ((DELEUZE; GUATTARI, 1997a)). Como dizem Parpinelli e Souza (2005), a realidade, constituída de maneira rizomática, se configura no entrelace de devires, imagens, objetos, afetos, etc. É no encontro de múltiplos elementos que se desenha uma cena da realidade. O devir converge com o conceito de multiplicidade, sendo para Deleuze e Guattari (1997, p. 33) “uma só e mesma coisa”.
Para Tadeu (2007), pela noção de multiplicidade, Deleuze e Guattari intentam sublinhar os processos de movimento e de devir, em vez das noções estáticas de essência e de um ser “já e para sempre constituído”. Isto permite pensar a diversidade e variedade do mundo sem recorrer às noções de uno e de múltiplo. Um mundo constituído de multiplicidades é um mundo em movimento contínuo, um mundo de criações.
Neste movimento também se podem situar as subjetividades. A subjetividade é uma noção complexa, concebida como um sistema aberto, constituído de múltiplas e diferentes forças, que não se reduz ao individual ou ao intragrupal.
Guattari (2006) considera a subjetividade pelo ângulo de sua produção e não como uma substância essencial do sujeito. Ou seja, falar em subjetividade é uma forma de tentar escapar à ideia tradicional de sujeito da consciência. O sujeito é geralmente compreendido como uma forma de apreensão pré-reflexiva, como unificador de estados da consciência. No entanto, como afirma Guattari (2006, p. 17), o sujeito não é evidente, “não basta pensar para ser, como proclamava Descartes. [...] o sujeito advém no momento em que o pensamento se obstina em apreender a si mesmo e se põe girar como um pião enlouquecido sem enganchar em nada dos Territórios reais da existência”. Por isso, considera mais apropriado falar em componentes de subjetivação, conceito que pode ser entendido como um agregado de inúmeras máquinas que compõem a realidade. A subjetividade é tecida no contexto dos múltiplos cruzamentos destes componentes e pela rede de micropoderes que lhe atravessa, numa articulação de aspectos psíquicos com todas as forças dinâmicas que compõem a realidade, de modo rizomático.
Conforme Guattari (2006), com o capitalismo e a ideologia liberal produziu-se uma nova organização dos indivíduos no mundo do trabalho, com novas formas de compreender o mundo, de travar relações entre si e de se perceber individualmente, gerando o que foi
denominado como modo de subjetivação capitalístico. Mas os modos de subjetivação, ou seja, os diferentes modos de produção de subjetividades, não estão restritos às sociedades capitalistas. Um modo de subjetivação está sempre ligado à busca de uma estabilização da subjetividade em torno de certo tipo de relação, que é diferente nos vários momentos históricos, e se estende à produção de um determinado tipo de configuração do campo social. Portanto, a subjetividade é fruto de um agenciamento social múltiplo, assumida e vivida em suas existências particulares, e está em circulação nos conjuntos sociais de diferentes tamanhos. Não pode ser encarada como uma coisa em si, uma essência imutável, pois os modos de existência – ou de subjetivação – são históricos e mantêm estreitas relações com uma conjuntura especificamente considerada. A subjetividade é a própria trama, e não tem um antes já dado; ela é a composição dos diferentes universos que habitam cada existência e que se alojam sob a forma de sensação, sempre versátil aos novos arranjos.
Catharino (2000, p. 45) observa que ao se considerar os modos de subjetivação, o interesse se volta para o processo, que é concebido como permanentemente recomeçado. Portanto,
[...] se falamos em subjetividades, o fazemos sempre referidos a um tipo de produção, coletivamente engendrada no tecido social. Isso não quer dizer que devemos ignorar a existência de uma individuação das subjetividades – afinal, não se trata de negar a existência do sujeito, mas de afirmá-lo como uma forma provisória, prismática e avessa à idéia de totalização.
Desse modo, as análises voltam-se para os modos de subjetivação, ou seja, o processo e as maneiras de produção através das quais elas se plasmam e se efetivam no campo social. Há um deslocamento do produto – a idéia de sujeito – para o processo – os modos de subjetivação. Não existe sujeito significante, não há lugar assinalável por uma transcendência qualquer, existem apenas processos em meio às multiplicidades (GUATTARI; ROLNIK, 1986).
A subjetividade não é passível de uma totalização ou de centralização no indivíduo. Uma coisa é a individuação do corpo. Os indivíduos são o resultado de uma produção em massa. O indivíduo é serializado, registrado, modelado. Outra é a multiplicidade de agenciamentos da subjetivação: a subjetividade é essencialmente fabricada e modelada no registro social (Ibidem, p. 31) Na era das revoluções informáticas, do surgimento das biotecnologias, da criação acelerada, de novos materiais de uma maquinização cada vez mais refinada do tempo, novas modalidades de subjetivação emergem continuamente. A realidade do mundo contemporâneo
impõe a circulação dos indivíduos por diferentes dispositivos e circuitos de produção de subjetividades engendradas entre outras verdades e certezas, pondo em questão aquelas às quais pretensamente estes vinham construindo. Consequentemente, as possibilidades subjetivas multiplicam-se. Mas Guattari (2006; 1992) alerta para o processo de produção de subjetividades homogeneizadas, chamando atenção para lutarmos contra os modos de subjetivação normalizantes. Propõe que se desenvolvam processos de singularização, estabelecendo guerra às máquinas de captura do Estado e do capitalismo mundial integrado, que pretendem transformar tudo em mercadoria.
Pode-se falar em processos de subjetivação, segundo Deleuze (1992), quando se consideram os diferentes modos pelos quais os indivíduos, grupos ou coletividades se constituem como sujeitos; mas tais processos só valem quando, ao acontecer, escapam tanto aos saberes constituídos como aos poderes dominantes, mesmo se engendram novos saberes ou novos poderes. Portanto, para engendrar o novo, Deleuze sugere que devemos suscitar acontecimentos, mesmo pequenos, que escapem ao controle, potencializando atos criativos.
Para a Esquizoanálise, a subjetividade se constitui e se autorreconstitui por fluxos de agenciamentos com os quais ela está constantemente se conectando e reconectando. E o desejo é a força motriz dessa máquina subjetiva, que mantém o fluxo do devir, que impulsiona o ser humano a produzir e se conectar com diversas máquinas processuais. Produzir, criar ligações, é a emergência de desejos instituintes.
O agenciamento é um conceito-ferramenta fundamental nessa teoria, e funciona conforme o modelo rizomático, num ir e vir de múltiplas conexões. O agenciamento, pura virtualidade, comporta dois segmentos: um de conteúdo e outro de expressão. O de conteúdo é o agenciamento maquínico, mistura dos corpos reagindo uns sobre os outros, misturando-se, transmitindo afectos. O segmento de expressão refere-se ao que se produz entre os corpos que se encontram, provocando transformações incorpóreas. Há uma mistura de atos e enunciados que, assim como o agenciamento maquínico, produzem uma multiplicidade rizomática de encontros, de modo tal que não pode ser reduzido a nenhum sujeito de expressão e, portanto, deve ser entendido como um agenciamento coletivo de enunciação (DELEUZE; PARNET, 2004; DELEUZE; GUATTARI, 2003).
Estes dois lados do agenciamento compõem um primeiro eixo, horizontal, ao que se acrescenta um outro eixo, vertical, no qual o agenciamento se estabiliza, por um lado, em territorializações e reterritorializações e, por outro, é impelido à desestabilização por linhas de fuga, nas desterritorializações (DELEUZE; GUATTARI, 1995b, p.29).
Maia (2006), discorrendo sobre territórios e territorializações, diz que é próprio do desejo agenciar, conectar-se, construir um plano no qual concretize sua potência, constituindo um território de atuação. Postulando que o desejo “produz e produz real”, salienta que Deleuze e Guattari vão utilizar o conceito de território como aquilo que é decorrente do agenciamento do desejo. E se o desejo é móvel, está em constante devir, torna-se mais interessante falar em territorialização. Território, nesta abordagem, não é um lugar, mas uma ação: “toda forma, todo agenciamento, toda expressão, toda função para um conteúdo qualquer, seja material ou não, constitui uma territorialidade. Não é uma apropriação de um meio dado por um vivente dado, mas uma conexão de máquinas que capta, delimita e codifica o fluxo do desejo” (MAIA, 2006, p. 58).
Como toda ação, há um dinamismo presente no território, constituindo movimentos de desterritorialização e reterritorialização. Muito resumidamente, pode-se dizer que a desterritorializaçao é o próprio princípio da criação. Esse movimento equivale a ultrapassar um limiar para além do qual não há mais outra coisa senão zonas de intensidades. Mas se, por um lado, constitui o motor da criação, anunciando a desestabilização das formas, por outro, pode se transformar, também, em linha de abolição ou pura catástrofe. A reterritorialização é todo ato de captura, em que “o desejo é moldado, formatado em padrões, linhas duras que tentam prendê-lo no estabelecido e pulverizar toda e qualquer força revolucionária que lhe é própria” (MAIA, 2006, p. 60).
O território é múltiplo, é uma heterogênese, e por isso tem múltiplos componentes que não estão equilibrados, mas sim constituídos em relações de forças em tensão constante, de linhas de força que se atravessam no plano em devir. Sintetizando, pode-se dizer que em todo território coexistem três tipos de linhas: linhas duras, linhas moleculares ou flexíveis, e linhas de fuga.
As linhas que correspondem a uma segmentaridade dura referem-se aos papeis modelados, aos segmentos bem determinados, em todas as direções, que enquadram os indivíduos em todos os sentidos como “pacotes de linhas segmentarizadas” (DELEUZE; PARNET, 2004, p. 145). São linhas molares que implicam dispositivos de poder, cada um fixando o código e o território do segmento correspondente, e envolvem um plano de organização ou de desenvolvimento que diz respeito, simultaneamente, às formas e seu desenvolvimento, aos sujeitos e à sua formação.
Com as linhas duras seguem linhas moleculares, bem mais flexíveis, que nos atravessam não apenas como indivíduos, mas como sociedade e grupos. De acordo com Deleuze, é sob essa segunda espécie de linhas, de fluxos moleculares, que se passam devires,
microdevires. Há ainda uma terceira espécie de linhas, que nos conduzem através dos segmentos, mas também através dos nossos limiares, numa direção não preexistente ou previsível, denominadas linhas de fuga. Não é demais salientar que todo território comporta linhas de fuga, nem sempre facilmente visíveis, que nos permitem sair dele. Para todo movimento de territorialização, ou seja, toda organização em uma forma, há uma força desorganizadora que o descompõe. “Descobrir ou construir tais linhas de fuga é o que nos permite sair de um território constituído, realizar uma desterritorialização” (MAIA, 2006, p. 59).
As três linhas são imanentes, tomadas umas nas outras, coexistem sempre, uma pressupondo a outra, sendo necessário um trabalho que foi denominado pelos autores como cartografia para o estudo dessas linhas. E, como diz Carvalho (2008) tudo é político, mas toda política é ao mesmo tempo macro e micropolítica. O plano macropolítico é o plano visível das formas e normas vigentes, enquanto o micropolítico é o plano invisível da produção das diferenças. A autora lembra que, para Deleuze e Guattari, não há oposição entre molar- molecular e macro-micro. O molecular como processo, pode emergir no macro e o molar pode se estabelecer no micro. Não há lógica de contradição entre estes níveis e linhas, tudo está em jogo no cotidiano. O que pode funcionar em nível molar, de modo emancipador, pode, em nível molecular, ser reacionário ou microfascista. Os problemas se colocam sempre e, ao mesmo tempo, nos dois níveis.
Importa no cotidiano escolar cartografar as linhas de um dispositivo, entrando nelas e se deixando atravessar por elas. Cartografar é acompanhar processos, é investigar um processo de produção de subjetividade e, portanto, estudar um território existencial.
O encontro com a esquizoanálise impulsiona a pensar a diferença, a problematizar o corpo maquínico, as subjetividades, colocando em cheque e questionamento as antigas referências de normal e de desvio, superando a causalidade e interessando-se pela transversalidade dos funcionamentos inventivos. Diferença que permite conceber a vida como