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BÖLÜM 2: TÜKENMĐŞLĐK (BURNOUT) SENDROMU

2.1. Tükenmişliğin Kavramsal Çerçevesi

Bartel e Sicherman (1990) observam que várias pesquisas apontam uma tendência

para salários mais elevados em indústrias caracterizadas por elevadas taxas de inovação.

Ademais, há uma forte correlação entre a maior inclinação à mudança tecnológica e os

salários mais elevados de trabalhadores mais educados com relação àqueles que têm menor

grau de instrução. Os autores examinam a relação entre a atividade inovativa e os salários por

meio de uma análise em painel se valendo de dados do National Longitudinal Survey of Youth

(NLSY), que computam uma amostra de 12.686 indivíduos, estes jovens trabalhadores

observados entre os anos de 1979 e 1993. Como corriqueiramente os dados da mudança

tecnológica enfrentada pelos trabalhadores não são disponíveis em qualquer conjunto de

dados não baseado no nível da firma, os autores se valeram de medidas ao nível da indústria

para servir de parâmetros para a atividade inovativa. Tendo em mente a conclusão de

Griliches (1994), para o qual a obtenção deste tipo de medidas é complicada para setores que

não sejam os industriais, os autores restringiram a análise para as firmas manufatureiras,

muito embora reconheçam que mesmo as proxies utilizadas para medir o grau de atividade

inovativa não sejam exatamente perfeitas. Tal como em estudos prévios ao seu, os autores

encontraram uma correlação positiva entre a mudança tecnológica e os salários: o maior

salário nas indústrias mais dinamicamente inovativas estão relacionados ao maior grau de

qualificação dos trabalhadores, independentemente de sexo ou raça.

Usando várias proxies para a mudança tecnológica, que são baseadas em insumos

(investimento em computadores, uso de patentes, investimento em P&D e a relação entre

cientistas e engenheiros), os salários encontrados para aquelas indústrias mais dinamicamente

ativas são, em média, entre 6 e 13% maiores. Os autores reconhecem que em parte esses

resultados podem se dever à existência de maior capital humano nas firmas que inovam mais,

ou ainda que a taxa da indústria de mudança tecnológica está correlacionada com outras

características da indústria que aumentam os salários.

Valendo-se de uma regressão por MQO, em que o logaritmo do salário é a variável

independente, e esta é controlada para um vetor de características controláveis para a firma,

além de ser exercido um controle para as características observáveis da mão-de-obra, os

autores encontraram uma correlação positiva entre a taxa de mudança tecnológica e os

salários. Em geral, esses resultados se revelaram mais significantes para os trabalhadores não

ligados à produção, de tal sorte que eles têm um ganho superior, em média, entre 7,3% e

20,8%. Para os trabalhadores do setor produtivo, o efeito da atividade inovativa é entre 1,2% e

4,5%. Por fim, uma possível explicação para esses resultados, que também são corroborados

por meio de uma regressão por MQO, é que os trabalhadores de indústrias com maiores taxas

de inovação são mais capazes, ou seja, esse adicional no salário observado reflete um

processo de seleção baseado em características não-observáveis.

Os autores encontraram uma correlação positiva entre os salários e a atividade

inovativa, que, contudo é enfraquecida significantemente quando é controlada a

heterogeneidade não-observada entre os indivíduos, usando-se a estimação por meio de

efeitos fixos. Apesar de terem confirmado a existência de diferenciais de salário entre as

indústrias, ao se manter constante a heterogeneidade de todos os trabalhadores, os autores

apontam que esses diferenciais não são correlacionados com a inovação.

Krueger (1993), ao proceder a uma análise do uso de computadores e a mudança

organizacional nas firmas estadunidenses, encontra retornos maiores para os trabalhadores.

Resultado semelhante foi encontrado por Van Reenen (1996), que levou em conta dados

disponíveis para firmas do Reino Unido. Entretanto, muitos desses resultados podem

identificar uma correlação espúria, uma vez que os trabalhadores mais competentes e com

maior grau de instrução são propensos a receber maiores salários, e são, ademais, igualmente

propensos a fazer melhor uso dos computadores e das novas tecnologias.

Van Reenen (1996) e Martínez-Ros (1999) apontam, respectivamente para o caso do

Reino Unido e da Espanha, que as firmas que se engajam no processo de inovação pagam

salários mais elevados do que as firmas não inovadoras quando fatores como o tamanho da

firma e a qualidade da mão-de-obra são controlados.

Van Reenen (1996), no mesmo artigo em que discute os impactos da inovação sobre o

nível de emprego, tendo, pois, por base o mesmo banco de dados – London Stock Exchange e

SPRU, que juntas contabilizam 598 firmas industriais – conclui que os salários médios na

firma aumentam como resultado da inovação, em um período compreendido entre três e

quatro anos após o seu lançamento comercial. Em contrapartida, a inovação na firma

concorrente tende a reduzir a média salarial. Segundo o autor, os referidos efeitos são

revestidos de robustez para os controles dos efeitos fixos, a endogeneidade e a estrutura de

mercado. Tal quadro, ainda que esteja em consonância com o modelo de rent-sharing dos

salários, também pode ser uma atribuição, mesmo que contestável, de fricções na demanda ou

ainda por mudanças técnicas enviesadas em torno de qualificações – skill biased technical

change.

Além disso, o autor recorda a presença do aumento das desigualdades de renda nos

anos de análise do seu estudo, que em muitos casos foram associados à mudança tecnológica.

Nesse sentido, um dos achados mais interessantes se refere ao maior crescimento na dispersão

salarial em países com menor tradição sindicalização, como os EUA e o Reino Unido, o que

representa um padrão contrário àquilo que é preconizado na literatura.

Todavia, Hirsch e Hirschey (1986), ainda a respeito da relação entre sindicalização,

inovação e salários, demonstraram, a partir de amostra de firmas estadunidenses, que a maior

sindicalização reduz a contribuição dos investimentos em P&D para os lucros das firmas, o

que foi interpretado como uma evidência de que os trabalhadores tenham adquirido maior

fração das rendas obtidas por meio da inovação.

Doms, Dunne e Troske (1997) reportam, numa análise feita em cross-section, que as

firmas que possuem equipamentos mais sofisticados do ponto de vista tecnológico empregam

uma maior quantidade de trabalhadores qualificados, estes que, por seu turno, recebem

salários entre 8% e 20% maiores. Todavia, esse resultado está sujeito a uma contestação:

valendo-se dos mesmos dados, disponibilizados pelo Survey of Manufacturing Technology

(SMT), entre os anos de 1988 e 1993, uma análise de séries temporais apresenta que as firmas

mais tecnologicamente avançadas já pagavam maiores salários mesmo se considerado o

período anterior à inovação. Esses resultados podem sinalizar que a correlação observada na

análise de cross-section entre o uso da tecnologia e a os salários dos trabalhadores pode se

dever a diferenças não observáveis entre as qualificações dos trabalhadores: há, inclusive, um

apontamento dos autores que viria a corroborar essa afirmativa, qual seja, o fato de que o

prêmio salarial pela maior tecnologia empregada – technology wage premium – na firma cai

substancialmente quando são levadas em conta as características dos trabalhadores. A

despeito dessas ambigüidades reveladas no trabalho, os autores asseveram que, a despeito de a

adoção de novas tecnologias ocorrer com maior probabilidade em firmas cujos trabalhadores

revelam maior capacitação, o ato em si da adoção de inovações não altera de maneira drástica

o salário pago aos funcionários.