4. REKABET VE SRATEJİK ANALİZLER
4.6. Durum Analizi
4.6.2. SWOT Analizi
Esta pesquisa está inserida na área da Educação Matemática, localizada na área de Ciências Humanas, que engloba questões relacionadas aos objetos de estudo da Educação, da Matemática e da própria Educação Matemática. Esses campos de pesquisa, embora compartilhem de práticas sociais, que na maioria das vezes estão localizadas dentro das instituições educacionais, possuem interesses distintos, em termos de pesquisa. Mas, como um sujeito (neste caso, eu, professora de Cálculo em cursos de Engenharia) que passou grande parte da vida trabalhando com Ciências Exatas pode se encorajar a desenvolver uma pesquisa na área das Ciências Humanas? A resposta para essa pergunta pode ser encontrada no posicionamento de Araújo e Borba (2006):
E quando um professor (de Matemática) se dispõe a realizar uma pesquisa na área de Educação (Matemática), talvez seja porque ele vem problematizando sua prática, o que poderá levá-lo a se dedicar com afinco ao desenvolvimento de uma pesquisa originada desta problematização, e, para isso, é preciso que ele sintetize suas inquietações iniciais em uma (primeira) pergunta diretriz (ARAÚJO; BORBA, 2006, p. 30).
Foi exatamente problematizando minha própria atividade docente que busquei pelo entendimento de questões relacionadas ao ensino de Cálculo em cursos de Engenharia; inicialmente, a primeira pergunta diretriz que norteou a presente pesquisa foi: de que forma a
Modelagem Matemática, aliada a recursos computacionais, pode melhor inter-relacionar a
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Não uso o termo coleta de dados por entender que o papel do pesquisador pode se configurar como aquele que constrói dados para a pesquisa que se propõe desenvolver. Os dados não podem ser coletados pelo simples motivo de eles, por vezes, nem sequer existirem. Só pode ser coletado o que existe. O verbo coletar pode ser sinônimo de juntar ou reunir algum objeto ou coisa. Quando se utiliza esse verbo em pesquisas, no sentido de juntar ou reunir dados, uma pressuposição de que já existam os dados a serem reunidos ou juntados é considerada. Contudo, essa pressuposição pode assumir caráter falso, quando o pesquisador vê-se em faces de construir os dados que necessita, visando buscar entendimento para a questão que se propõe investigar.
disciplina de Equações Diferenciais Ordinárias às demais disciplinas “técnicas” dos cursos de Engenharia?
Porém, ainda que Alves-Mazzotti (1999, p. 147) considere que “o foco da pesquisa, bem como as categorias teóricas e o próprio design100 só deverão ser definidos no decorrer do processo de investigação”, ela defende que:
trabalhar de forma altamente indutiva, deixando que o design e a teoria emerjam dos dados, é difícil até mesmo para pesquisadores mais experientes. Quanto menos experiente for o pesquisador, mais ele precisará de um planejamento cuidadoso, sob a pena de se perder num emaranhado de dados dos quais não conseguirá extrair qualquer significado (ALVES-MAZZOTTI, 1999, p. 148).
Refletindo acerca dos apontamentos de Alves-Mazzotti (1999), decidi tentar perceber o movimento do foco e do design da pesquisa aqui relatada, na tentativa de, mesmo que informalmente, que o planejamento da pesquisa fosse cuidadoso e, ao mesmo tempo, adotasse certo grau de flexibilidade. Nesse processo de co-construção de foco e design da pesquisa, acabei por delinear a seguinte pergunta diretriz: “quais aprendizagens expansivas podem ser evidenciadas pelas e nas atividades desenvolvidas por um Grupo de Estudos e Pesquisa em Modelagem Matemática (GEPMM) num contexto de formação em Engenharias?”
Conforme exposto no capítulo 1, a concepção de aprendizagem assumida na pesquisa faz parte do referencial teórico conhecido como Teoria Histórico Cultural da
Atividade, na qual um dos seus cinco princípios afirma que a análise da atividade e dos
componentes que a formam deve sempre ser tomada em sua historicidade: perceber o papel das contradições no movimento de uma atividade torna possível, também, a reconstituição de sua evolução e do desenvolvimento de suas práticas ao longo da história. Com isso, entendo que a abordagem metodológica histórico-dialética, que questiona fundamentalmente a visão estática da realidade, considerando o caráter dinâmico, contraditório e histórico dos fenômenos educativos, deve ser considerada nesta investigação. Essa abordagem metodológica considera que:
Aquilo que hoje se apresenta diante de nossos olhos é apenas uma síntese do processo histórico em transformação. Por isso, procura apresentar uma concepção unitária, coerente e orgânica do mundo, fazendo da crítica seu modelo
100 “O termo ‘design’, no que se refere à pesquisa, tem sido traduzido como desenho ou planejamento. O design
corresponde ao plano e às estratégias utilizadas pelo pesquisador para responder às questões propostas pelo estudo, incluindo os procedimentos e instrumentos de coleta, análise e interpretação dos dados, bem como a lógica que liga entre si diversos aspectos da pesquisa” (ALVES-MAZZOTTI, 1999, p. 147).
paradigmático; mesmo porque não há modelo teórico ou síntese, por melhor que seja, que dê conta da realidade (FIORENTINI; LORENZATO, 2009, p. 66).
Para tal abordagem, é preciso entender os conflitos dos interesses, além de desvendar as contradições que emergem da realidade, conforme preconizado pela Teoria da Atividade. Além disso, não basta compreender a realidade, é preciso também intervir nela, visando à emancipação (libertação) dos sujeitos (FIORENTINI; LORENZATO, 2009). O entendimento dos conflitos de interesses pode ser enquadrado na análise das regras, na constituição da comunidade e na divisão do trabalho, como referenciados no capítulo 2, segundo a Teoria da Atividade proposta por Engeström (1987). No sentido de não bastar compreender a realidade, mas, sobretudo, intervir nela, entende-se que o papel das
contradições, segundo a Teoria da Atividade, assumido como constituinte da força motriz
capaz de promover transformações expansivas na atividade, reafirma a necessidade de intervenções que podem estar relacionadas às possibilidades de emancipação e liberdade dos
sujeitos partícipes.
Além disso, entendo que tal orientação metodológica coloca minha pesquisa em consonância com a abordagem qualitativa de investigação. Bogdan e Biklen (1994) utilizam a expressão investigação qualitativa como sendo um termo genérico no qual os dados construídos são ricos em pormenores descritivos relacionados a pessoas, locais e conversas, e o objetivo é investigar fenômenos em toda sua complexidade em um contexto real.
Tendo em vista se tratar de uma investigação de natureza qualitativa, torna-se pertinente analisar as suas características principais. Bogdan e Biklen (1994) apresentam-nos as cinco principais características da investigação qualitativa, que foram os princípios orientadores para esta pesquisa:
1. Na investigação qualitativa a fonte direta de dados101 é o ambiente natural, constituindo o investigador o instrumento principal;
2. A investigação qualitativa é descritiva;
3. Os investigadores qualitativos interessam-se mais pelo processo do que simplesmente pelos resultados ou produtos;
4. Os investigadores qualitativos tendem a analisar os seus dados de forma indutiva; 5. O significado é de importância vital na abordagem qualitativa.
Vale ressaltar que esses cinco princípios orientam, porém, não necessariamente, definem e, nem sequer, limitam o uso da abordagem qualitativa em investigações, como é o
101
Conforme apontado no início deste capítulo, entendo que na investigação qualitativa os dados são construídos no ambiente natural que abriga o objeto da pesquisa.
caso desta tese. Assim, podemos definir que a pesquisa se inclui em uma abordagem qualitativa.
Para que as atividades escolares possam ser transformadas, expandidas, Engeström (2002) afirma que é necessário, antes de tudo, questionar radicalmente o sentido e o significado do contexto e, com isso, almejar a construção de um contexto alternativo mais amplo. As ações direcionadas para tal construção, segundo Engeström e Sannino (2010b), podem ser sistematizadas em um ciclo de aprendizagem expansiva, conforme explicitado no capítulo 2. Engeström (2002) sugere que toda e qualquer atividade escolar deveria ser preconizada por uma crítica meticulosa sobre seus conteúdos e procedimentos à luz de sua história. Para o autor, o contexto da crítica pressupõe possibilidades de resistência, questionamento, contradição e debate. Nele, os conteúdos e procedimentos são considerados sob a ótica da necessidade da coletividade afetada pela escolarização em termos históricos, culturais e sociais.
No tópico que segue, definirei o contexto e os participantes, assim como os instrumentos de construção e análise de dados.