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3. ŞEHZADE KÜLLİYESİ`NDE SU MİMARİSİ

3.2. Şehzade Camii

3.2.12 Suterazisi 1

Santos (1998), apoud Dias (2012) coloca que a produção de diferentes espaços se dá a partir da interação de forças materiais e imateriais, e que o homem atua constantemente como agente de produção do espaço através de suas ações. O espaço urbano do município foi algo que se constituiu dentro do seu processo histórico sempre recebendo contribuições humanísticas para sua formação.

A princípio, o espaço que compreendia o município em estudo, se caracterizava por elementos que, identificados como zona rural, possuindo todas as suas atividades ligadas ao campo, desde a economia, baseada na agricultura familiar, até a divisão do trabalho. As pessoas trabalhavam nas fazendas como agricultores e pecuaristas dando contribuição para a economia. Como a vila era uma espécie de sitio para seus moradores, era comum os habitantes exercerem algumas atividades como alimentar os animais em suas residências, colocar o cavalo amarrado em frente à porta de casa, dentre outras situações.

Contudo, após a emancipação foi adotado um código de postura na cidade, em que neste documento não se podia mais exercer determinadas práticas típicas da zona rural e que, agora, era de obrigatoriedade do cidadão vieirense se comportar como alguém da cidade.

O código de postura foi à primeira forma de organização e criação do espaço urbano aplicado no município. Como as pessoas eram privadas de comportar-se como antes, agora se fazia necessário que o espaço ganhasse novas formas e se materializasse, este foi o primeiro passo para a formação do espaço urbano em Marcelino Vieira. As realizações políticas feitas pelos coronéis, neste momento, proporcionaram transformações da vila, que do âmbito jurídico já era cidade. A cidade ganhou um matadouro público, instalação da luz elétrica, escolas municipais, construção de estradas, etc. Assim, verifica-se a edificação de sua estrutura pública e o início da modernização na prestação de serviços.

O contexto nacional, nesta época, possibilitou estas transformações que, não se restringiram somente a urbanização induzida por iniciativas na esfera municipal, mas amparadas nacionalmente por práticas governamentais, asseguradas

72 | P á g i n a constitucionalmente e que favorecerem principalmente o espaço urbano. Diferente da zona rural, foi no espaço urbano que os investimentos em infra-estrutura foram alocados. Isso se evidenciou com a implantação da rede de energia elétrica, a construção de calçamentos e praças, dentre outros equipamentos já citados. Toda atenção estava voltada para a produção do espaço urbano, os investimentos na zona rural ficaram para segundo plano, o que futuramente veio a contribuir para o êxodo rural e a urbanização da cidade.

“A cidade é uma realização humana, uma criação que vai se constituindo ao longo do processo histórico e que ganha materialização concreta, diferenciada, em função de determinadas historias especificas”. (ANA FANI, 1999, p.28). A cidade não é algo pronto e acabado, é um espaço que se constrói e pode/deve também ser analisada pela dimensão temporal. A análise do tempo vai permitindo o observador ler a cidade a partir da construção do seu espaço urbano. Ou seja, ver os elementos que contribuíram para esse processo. Dentre os quais podemos destacar a dinâmica social vivida.

Para a autora Cavalcanti (2008), a cidade é o local da vida social, porque não comporta somente a maior parte da população, ela também produz um modo de vida que se generaliza. E esse modo de vida vai construir novos espaços dentro daquele pré-existente.

A cidade de Marcelino Vieira não se construiu ainda e esta longe do conceito da ONU para se chegar à categoria de cidade, ela atende apenas o conceito nacional já mencionado, estar em processo de formação. Vejamos o que diz o autor Lefebvre,

O espaço urbano de Marcelino Vieira vem adquirindo uma (re) configuração de expansão urbana nos últimos sete anos. Isso se caracteriza principalmente quando observado a crescente expansão do território intraurbano municipal, a partir da atuação de agentes produtores do espaço, perante ação intensa que acaba por determinar a formação, evolução e caracterização de novas áreas dentro do urbano (DIAS 2012,p. 10).

O urbano (abreviação de “sociedade urbana”) define-se (...) não somente como realidade acabada, situada, em relação á realidade atual, de maneira recuada no tempo, mais, ao contrario, como horizonte, como virtualidade iluminadora. O urbano é o possível, definido por uma direção, no fim do percurso que vai em direção a ele. Para atingi-lo, isto é, para realiza-lo, é preciso em principio contornar ou romper os obstáculos que atualmente o tornaram impossível (LEFEBVRE 1991,p. 28)

O espaço urbano não tem fim, não pode ser terminado. Ele esta sempre se reproduzindo, se modificando, se transformando.

Essa reorganização e crescimento do espaço têm por fim atender alguns fatores e necessidades da cidade tendo em vista que ela passou a comportar um número de maior de pessoas, exigindo mais condições favoráveis à vida urbana. Os motivos para essa expansão devem-se a diferentes elementos que, Corrêa (2011) citado por Dias (2012), explica que “são eles os proprietários dos meios de produção, os proprietários fundiários, os promotores imobiliários, o Estado e os grupos sociais

73 | P á g i n a excluídos. A partir de sua ação, o espaço é produzido e impregnado de materialidade [...]”.

CONCLUSÃO

Em 1946 aconteceu uma grande proliferação de municípios no Brasil. O estado do Rio Grande do Norte ganhou 109 novas cidades entre os anos de 1946 e 1964. E consequentemente Marcelino Vieira, estava inserido dentro dos novos municípios. O que veio favorecer para esse fato histórico foi à constituição de 1946, que garantia orçamentos estaduais e federais para os municípios, lhes dando autonomia tanto no que se refere à arrecadação de impostos quanto na realização de eleições e escolhas de seus prefeitos e vereadores. De certa forma era liberada a independência dos municípios.

Por trás de tantas emancipações havia dois interesses que são apontados por Carneiro (2002) um deles era a criação de centros de consumo e o outro se atribuía ao fortalecimento de grupos políticos, municipais, estaduais e nacionais. Marcelino Vieira vem a si inserir no interesse partidário. Sua emancipação se deu através da intervenção politica do deputado Marcelino Vieira que depois veio a dar nome à nova cidade.

Uma das análises que pode explicar a origem da cidade de Marcelino Vieira, esta ligada a questão cultural, sobretudo, de ordem religiosa. Assim como já foi discutido no corpo deste texto. As terras que pertencem ao município são frutos de doações, a igreja de Santo Antônio de Lisboa. Nestas terras se construiu a vila ao lado da igreja que se emancipou em 1953 junto com as novas cidades potiguares, e também brasileiras.

A princípio, os cidadãos vieirenses insistiam em permanecer com comportamentos adequados ao espaço rural, com a adoção do código de postura a cidade começou a se organizar e produzir seu espaço urbano. Mudando hábitos, comportamentos e construindo novos espaços típicos da cidade.

Na construção deste trabalho, a partir da contribuição dos autores citados, foi possível perceber que a cidade não termina com a emancipação política. Após este momento, é que seu espaço urbano vai ser produzido, podendo ser observado a participação de diferentes agentes formadores do espaço. Permanecendo assim, em processo de (re) construção e (re) produção urbana.

REFERÊNCIAS

CARNEIRO, Romualdo Antônio Neto. De vida a cidade: O processo de emancipação

do município de Marcelino Vieira (1946-1955).Natal: Centro de Ciências humanas,

letras e artes, 2003.

CARLOS, Ana Fani Alessandri; SOUZA, Marcelo Lopes de; SPOSITO, Maria Encarnação Beltrão. A produção do espaço Urbano: agentes e processos, escalas e desafios. São Paulo: Contexto, 2011.

74 | P á g i n a CARLOS, Ana Fani Alessandri. A cidade. São Paulo: contexto, 1999.

CAVALCANTI, Lana de Souza. A geografia escolar e a cidade: Ensaios sobre o ensino de geografia para a vida urbana cotidiana. Campinas: SP: Papirus, 2008.

DIAS, Adriana da Silva; MOREIRA, Cicero Nilton da Silva. O processo de formação e

expansão do bairro Edilton Fernandes- Marcelino Vieira-RN.Pau dos Ferros: Geo

temas, 2012.

FERNANDES, João Bosco Queiróz. Marcelino Vieira: Apontamentos para a história

do município. Mossoró: Fundação Vingt-Un Rosado, 2000.

LEFEBVRE, Henri. O direito a cidade. São Paulo: Morais, 1991.

NASCIMENTO, Valdeci Carneiro. Marcelino Vieira-sinopse de sua historia & linhagens de famílias. Campina Grande, 2002.

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GT1 ESTUDOS URBANOS E REGIONAIS

Geralda Juliet Tavares de Souza Mestrando do programa de pós-graduação em Geografia-PPGE Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN [email protected]

Ione Rodrigues Diniz Morais Profa. Dra. do Departamento de Geografia -DGE Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN [email protected]

RESUM O

A pesquisa problematizou a geração de energia eólica no município de Tenente Laurentino Cruz, localizado na Microrregião da Serra de Santana, objetivando analisar as modificações sociespaciais existentes e avaliar a influência desse novo uso do território, em termos econômicos, no município estudado. Nessa perspectiva a geração de energia eólica vem configurando-se como uma nova forma de uso do território no município, provocando modificações socioespacias. Por se tratar de um processo recente, as modificações espaciais ainda não são tão visíveis, mas as repercussões econômicas já são percebidas, principalmente no que diz respeito ao pagamento dos arrendamentos das terras e o aumento dos valores dos aluguéis dos imóveis urbanos.

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INTRODUÇÃO

O município de Tenente Laurentino Cruz, nos últimos 5 anos, tem sido alvo de investimento destinados a implantação de parques de geração de energia eólica. Essa atividade está configurando-se uma nova forma de uso do território, uma vez que a economia desse município, historicamente, baseia-se em atividades no setor primário (agricultura e pecuária).

O Município de Tenente Laurentino Cruz, está localizado no Estado do Rio Grande do Norte, na Mesorregião Central Potiguar, na Microrregião Serra de Santana. Segundo dados do Censo Demográfico 2010 (IBGE), o município apresenta uma população de 5.406 habitantes, dos quais 4.254 residem na zona rural e 1.152 na zona urbana, perfil populacional que se diferencia daquele apresentado pelos municípios do seu entorno .

A história da fundação do município teve inicio em 1977, quando o então Prefeito de Florânia, Pe. Sinval Laurentino de Medeiros criou o Povoado de Tenente Laurentino Cruz, cujo nome é uma homenagem ao seu pai. Pe. Sinval era um político visionário e tinha o sonho de ver povoada a área localizada em cima da serra, que fazia parte das terras do município que administrava. Após a criação do povoado foram realizados investimentos em infraestrutura como construção de estradas, estabelecimento de luz elétrica, construção de açudes e outras iniciativas que possibilitassem a vida da população que viria a morar no alto da serra. Essa área já era povoada por alguns moradores que viviam em terras próximas a área que hoje corresponde a sede do município.

A partir da criação do povoado, um grande número de pessoas passou a residir no alto da serra, atraídas pela possibilidade de encontrarem, nesse local, melhores condições de trabalho, devido a boa qualidade das terras propícias para a agricultura.

O povoado seguiu sendo administrado pela Prefeitura de Florânia até 1993. Em março do citado ano, quando já estava com uma população significativa e uma economia próspera, foi realizado um plebiscito, na administração de Jandira Alves de Medeiros (esposa do Pe. Sinval), sobre a emancipação desse território. A maioria da população aprovou a emancipação do então povoado e, no dia 15 de julho do mesmo ano, através dalei nº6. 450, o povoado foi elevado à categoria de município. O primeiro Prefeito, Airton Laurentino Junior, sobrinho do fundador do povoado, foi eleito em 1996.

Apesar da recente emancipação política, o município apresenta modificações em sua dinâmica socioespacial, resultado dos novos processos de apropriação do espaço que vem se instalado na Microrregião da Serra de Santana. A implantação de parques eólicos já se tornou realidade em outros municípios dessa microrregião, como é o caso de Bodó e Lagoa Nova.

Os municípios que compõem a Microrregião da Serra de Santana (imagem 1), devido à localização geográfica na parte superior da Serra de Santana, em altitudes médias de 730 metros, apresentam um significativo potencial eólico. Em função desse

77 | P á g i n a diferencial foram inseridos entre as áreas alvo de investimentos para fins de produção de energia eólica no Rio Grande do Norte. A implementação de ações vinculadas a este processo produtivo tem definido novos usos do território e provocado modificações socioespacais que se refletem nas dinâmicas econômica, demográfica e territorial.

Mapa 1: Microrregião da Serra de Santana

Fonte: IBGE

Diante de a problemática apresentada à pesquisa objetiva analisar as modificações sociespaciais existentes e avaliar a influência desse novo uso do território, em termos econômicos no município estudado.

Considerando a importância que assume a base teórico-conceitual no âmbito de uma investigação científica, elegeu-se como aportes fundamentais à análise que se pretende desenvolver os conceitos de espaço, território e território usado, segundo Santos, Souza e Silveira (1994).

A compreensão do espaço em sua totalidade está associada às categorias de análise desenvolvidas por Santos (1989), quais sejam: forma, função, estrutura e processo, bem como suas relações dialéticas, as quais são indispensáveis nos estudos que abordam recortes espaciais.

Segundo Santos (1989), a forma refere-se ao aspecto visível dos objetos, ou seja, a aparência das casas, cidades, ruas entres outros. A função diz respeito a uma tarefa, um papel desempenhado pelos objetos. Nesse sentido, forma e função estão ligados intrinsicamente, dependente um do outro para que possa existir. A estrutura relaciona-se ao modo como os objetos estão organizados no espaço, ou seja, a um padrão espacial e a maneira como estão inter-relacionados entre si. O processo pode ser definido como uma ação que se desenvolve de forma continua, envolvendo tempo e mudança.

78 | P á g i n a As formas espaciais que vem sendo criadas no município estudado surgiram para desempenhar novas funções (geração de energia renováveis) decorrentes de demandas sociais que, por sua vez, estão inseridas em uma estrutura espacial que vem sendo construída ao longo de um processo histórico.

A concepção de território, segundo Gomes (2010), está associada à noção de espaço apropriado pela ação humana, onde se estabelecem relações de poder. Dessa maneira, a forma como o território está sendo utilizado define novos padrões espaciais, novas territorialidades. Portanto, território e territorialidades podem ser entendidos como partes complementares uma vez que o território é o “resultado e condição das territorialidades e temporalidades efetivadas entre sujeitos sociais e destes com a natureza exterior em cada relação espaço - tempo - território” (SAQUET, 2011)

No que se refere ao conceito de território usado, conforme Santos; Souza e Silveira (1994), este é entendido como sinônimo de espaço habitado, ou seja, sistemas de objetos e sistemas de ações. O território usado é construído através das horizontalidades e verticalidades que correspondem, respectivamente, as relações estabelecidas no espaço, entre pontos próximos espacialmente, e as relações entre pontes distantes um do outro.

Nessa perspectiva, as mudanças socioespaciais, decorrentes da implantação dos parques eólicos, que ocorrem no município estudado podem ser interpretadas como resultado das horizontalidades e verticalidades (Santos 2008) que se projetam no território. No caso da energia eólica, a politica governamental de geração de energia possivelmente é uma dos fatores responsáveis pela instalação dos parques eólicos na Serra de Santana. Desse modo, infere-se que a implementação dos parques de geração de energia eólica é proveniente de demandas externas a região serrana.

As relações horizontais também estão presentes no território do recorte estudado, sendo viabilizadas através das relações entre os próprios moradores que continuam a exercer suas atividades cotidianas (agricultura e pecuária), as quais coexistem com os novos objetos e ações destinados a geração de energia eólica.

Tendo em vista a problemática construída, a pesquisa foi desenvolvida com base no método dialético, por ser o que mais se adequa a realidade a ser estudada. A dinâmica territorial do recorte estudado resulta da produção capitalista do espaço, em grande parte responsável pelos diferentes usos do território e pela produção de novas territorialidades, que coexistem com aquelas já existentes. De acordo com Prodanov e Freitas (2013), o método dialético, busca interpretar a realidade partindo do pressuposto de que todos os fenômenos apresentam características contraditórias organicamente unidas e inseparáveis.

Para analisar as modificações socioespaciais no Território, foram desenvolvidos os seguintes procedimentos: Pesquisa historiográfica e documental; observação in lócus e Entrevistas.

A pesquisa historiográfica foi realizada com base em livros, artigos, dissertações e teses que tratam da formação territorial do município estudado,

79 | P á g i n a evidenciando os fatores responsáveis pela ocupação do espaço da Serra de Santana, bem como aspectos relacionados à evolução político administrativa do município.

Considerando que a origem dos municípios estudados está associada à dinâmica de formação e estruturação da Região do Seridó Norte-riograndense, realizou-se uma leitura de autores como Macedo (1998), Morais (2005) e Andrade (1990). Que tratam dos principais processos que resultaram na ocupação da Serra de Santana.

Para avaliar a influência dessa nova forma de uso do território na economia local, foram analisados dados referentes aos censos econômicos do IBGE e IPEA e entrevistas como moradores do município. No intuito de entender se as modificações espaciais já repercutem na economia do município estudado.

Benzer Belgeler