C- İdareye İlişkin Bilgiler
II- AMAÇ ve HEDEFLER
A análise documental busca identificar informações em documentos a partir de questões de interesse ou, no caso da pesquisa acadêmica, do objeto de estudo. Consiste na operação ou onjunto de operações visando representar o conteúdo de um documento sob forma diferente da original, a fim de facilitar, num estado ulterior, a sua consulta e referenciação (CHAUMIER, 1989).
Vimos que sua base está no processo de transformação, que consiste na passagem de um documento primário para um documento organizado de acordo com as prioridades e interesses de quem o decompõe, isto é, de acordo com a lupa do pesquisador. Bardin (2011) traz que o propósito da análise documental é o armazenamento sob uma forma variável e a facilitação do acesso ao observador, de tal forma que se obtenha o máximo de informação (aspecto quantitativo), com o máximo de pertinência (aspecto qualitativo). A análise documental é, portanto, uma fase preliminar da constituição de um serviço de documentação ou de banco de dados.
Neste estudo, utilizamos, inicialmente, documentos nacionais que dizem respeito às políticas públicas, aos direitos e deveres dos cidadãos; como as leis orgânicas da saúde, da assistência social, a lei de criação do Programa Bolsa Família, os dados dos censos demográficos de 2000 e 2010, além da própria Constituição Federativa do Brasil, de 1988. Passamos cerca de três meses fazendo o levantamento e organização de todos os dados sobre o Grande Bom Jardim, contidos nos censos demográficos do IBGE, o que significou o estudo sobre os cinco bairros que formam o GBJ, além dos dados sobre o município de Fortaleza, o estado do Ceará e sobre o Brasil. Organizado o material de base do estudo, fomos para a pesquisa de campo em busca de documentos e de outros dados sobre a realidade do estado do Ceará, do município de Fortaleza, da regional V e do Grande Bom Jardim.
Iniciamos o processo de busca dos documentos na sede da SER V, com intenção de obter registros referentes às décadas de 1990 e 2000, de forma ainda mais precisa. Fizemos o pedido formal ao gabinete do secretário da SER V; à assessoria de planejamento e desenvolvimento institucional; e às quatro coordenadorias que compõem o atual organograma da SER V. Apenas numa delas, a coordenadoria de conservação e serviços públicos, nos forneceu documentos relativos aos serviços públicos e aos recursos ambientais da SER V. Ainda na mesma sede, localizamos sala do Sistema Nacional de Emprego - SINE e do Cadastro Único – Cadúnico, os quais também não nos forneceram material.
Nossa surpresa foi a ausência desses documentos nos setores da sede da regional. Inicialmente, pensamos que estava havendo a negação do nosso acesso aos documentos, o que pode ter acontecido, em parte. Mas, após conversas com muitos profissionais, percebemos que esses documentos também estavam ausentes da rotina de trabalho deles, o que consideramos um elemento desafiador para o bom desempenho das gestões, pois não há a oportunidade de desenvolver trabalhos de forma mais articulada com os próprios processos históricos da implementação de políticas públicas locais.
A partir disso, continuamos o trabalho de pesquisa documental nas secretarias municipais, como visitas à Secretaria Municipal de Saúde; à Secretaria Municipal de Educação; à Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, à Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho e Combate à Fome, e à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor), onde obtivemos alguns documentos com indicadores importantes e relatórios de gestão, mas nada da década de 1990.
Como houve um destaque para a política pública de Segurança neste estudo, procuramos pessoas que estiveram na coordenação do findado Projeto Território da Paz, com quem obtivemos documentos sobre o assunto, e procuramos também à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do estado do Ceará, que nos atendeu com ofícios contendo parte dos dados solicitados. Sobre esse tema, relatórios produzidos por grupos de estudos da Universidade Federal do Ceará e da Universidade Estadual do Ceará foram de grande valia para esse trabalho.
Começamos a compartilhar essa situação de dificuldade de acesso aos documentos com os participantes do estudo, os quais passaram a contribuir de forma significativa com esse processo também. Com eles, conseguimos relatórios sobre a Assistência Social e seus equipamentos em Fortaleza, bibliografia sobre as gestões municipais na década de 1990, atlas de Fortaleza referentes a essa década, dentre outros. Documentos produzidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e, especialmente, os informes produzidos pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), que apresentaram dados sobre os bairros de Fortaleza, nos permitiram grandes extrações dos dados do GBJ e uma melhor compreensão de sua realidade.
Além disso, duas organizações não governamentais, o Movimento de Saúde Mental Comunitária (MSMC) e o Centro de Defesa da Vida Herbert de Sousa (CDVHS), foram muito importantes na indicação e no fornecimento de documentos para esse estudo. Dentre eles, destacamos o diagnóstico sócio participativo do Grande Bom Jardim (2004), dissertações em que o GBJ foi estudado e livros, como alguns que colaboraram para a compreensão de processos históricos do movimento social nesse lugar, a partir do envolvimento com as Comunidades Eclesiais de Bases – CEBs.
Ao mesmo tempo em que construíamos nosso banco de dados secundários, continuávamos a realização das visitas e das entrevistas. Para nós, foi interessante o momento em que os participantes do estudo, representantes das entidades organizadas e trabalhadores da sede da SER V, passaram a nos telefonar para pedir dados sobre o Grande Bom Jardim.
Nesse momento, tivemos mais clareza sobre a importância da nossa inserção no lugar e do reconhecimento das pessoas em relação a nossa pesquisa, ao nosso quantitativo de dados.
Com mais noção sobre o que já tínhamos caminhado para a construção do banco de dados, passamos a organizar o material, com um olhar para o conjunto de documentos de forma analítica, com foco no objetivo a ser alcançado. Para Pimentel (2001), organizar o material significa processar a leitura segundo critérios de análise de conteúdo, comportando algumas técnicas, tais como fichamento, levantamento qualitativo e quantitativo de termos e assuntos recorrentes, criação de códigos para facilitar o controle e manuseio, o que foi desenvolvido neste estudo.
Por fim, destacamos que temos a clareza de que os documentos obtidos não são simples representação dos fatos ou da realidade. Flick (2009) aponta que uma instituição produz os documentos visando a algum objetivo e a algum tipo de uso, o que também inclui a definição sobre a quem está destinado o acesso a esses dados. Neste estudo, tivemos a intenção de analisar os documentos e extrair deles os elementos importantes sobre o Grande Bom Jardim, sem perder de vista suas características e as condições específicas em que foram construídos. Dessa forma, consideramos ter criado uma estrutura que propiciou o alcance das respostas buscadas com a investigação.