1. Genel Bilgiler
1.3. Ajansa ĠliĢkin Bilgiler
1.3.5. Sunulan Hizmetler
A avaliação cognitiva dos três sujeitos (S5, S7 e S8) participantes foi realizada em janeiro de 2016. A avaliação consistiu na aplicação da prova infralógica
Stadex – Figures Graduées (NOELTING; FERLAND, 1973) e das provas de
classificação de Piaget29 (Prova de dicotomia – troca de critério; Prova de inclusão de classes e Prova de Intersecção de classes) (MCDOWELL, 1994). As duas provas tinham o objetivo de avaliar o funcionamento operatório dos sujeitos-participantes desta pesquisa.
Foram necessários dois encontros com cada sujeito para a avaliação cognitiva. Cada encontro teve a duração de 50 minutos.
A prova Stadex consta de uma única prova, na qual os participantes são solicitados a reproduzirem 15 figuras geométricas apresentadas pela pesquisadora. A apresentação de cada cartão é feita em um grau progressivo de complexidade na ordem estabelecida pelos autores do teste. Os participantes não podem utilizar borracha, mas podem tentar duas vezes o desenho de cada figura (Figura 19).
Figura 19 - Stadex – Figures Graduées
Fonte: (CLOUTIER; GIRARD, 1976, p. 240)
Com base em dados da pesquisa de Noelting e Ferland (1973), os autores foram capazes de consolidar teoricamente essas figuras em níveis estruturais do pensamento cognitivo. Estes níveis foram estatisticamente diferenciados e organizados do menos evoluído para o mais evoluído: simbólico inferior (OA), simbólico superior (OB), intuitivo inferior (IA), intuitivo médio (IB),
29
Optamos pelo teste Stadex e pelas provas piagetianas para avaliação cognitiva por serem os testes utilizados no grupo de pesquisa LER, do qual pesquisadora e orientadora fazem parte.
intuitivo superior (IC), operatório concreto inferior (IIA), operatório concreto superior (IIB), operação formal inferior (IIIAI), transição para o formal (IIIA2).
A evolução progressiva que se realiza desde o estádio Simbólico Inferior ao estágio Transição para o Formal, é interpretada por Noelting e Ferland (1973) como uma equilibração progressiva que o sujeito vai realizando com os dados que ele incorpora do meio.
Para a aplicação do Stadex – Figures Graduées adotamos os seguintes procedimentos para cada um dos sujeitos participantes em uma única sessão separada:
Pesquisadora: (mostra cada figura ao sujeito e solicita sua cópia) (Figura 20).
“Você está vendo a figura? Você deve copiá-la igual nessa folha. Você pode olhar para figura quantas vezes quiser. Vou deixá-la aqui na sua frente. Você não poderá usar borracha. Se quiser ao terminar o seu desenho e achar que não ficou igual poderá tentar mais uma vez”.
Pesquisadora: (após a conclusão de cada desenho)
“Você concluiu? Você acha que precisa fazer esse mesmo desenho ou já podemos fazer o outro?”
Figura 20 – Cartões com as Figures Graduées
A análise do teste Stadex – Figures Graduées indicou que apenas um sujeito (S8) encontra-se no nível Operatório Concreto Superior (IIB) e os dois outros sujeitos (S5, S7) participantes apresentaram desempenho compatível com o nível Intuitivo Superior (IC) (Quadro 5).
Quadro 5 – Resultados do teste Stadex – Figures Graduées (Pré-teste)
Fonte: Elaborado pela pesquisadora
No Quadro 5 observamos que o desempenho de S8 foi superior ao dos demais sujeitos; no decorrer da aplicação ela mostrou-se bastante perceptiva e metódica. Os sujeitos S5 e S7 demonstraram comportamentos diferentes de S8. Os sujeitos S5 e S7 solicitaram para repetir algumas figuras, enquanto S8 não solicitou repetição das figuras ao longo de toda a aplicação. Apesar dessa pequena diferença quanto ao desempenho dos três sujeitos, observamos que nas provas de classificação de Piaget, que serão apresentadas a seguir, todos eles obtiveram semelhante desempenho, compatível com o mesmo nível.
As provas de classificação de Piaget (Prova de dicotomia – troca de critério; Prova de inclusão de classes e Prova de Intersecção de classes) objetivam avaliar o nível de estrutura cognitiva com que o sujeito é capaz de operar na situação presente (APÊNDICE B). De acordo com o desempenho do sujeito podemos identificar se o desenvolvimento do seu pensamento encontra-se no nível: intuitivo global (quando agrupa as fichas considerando as semelhanças entre forma, tamanho, cor, apenas de um elemento com o outro); intuitivo articulado (quando consegue agrupar as fichas em pequenos grupos usando apenas um critério de classificação – forma, tamanho ou cor); ou no nível do pensamento operatório (dicotomia segundo os três critérios: forma, tamanho e cor).
Mediante as provas de Diagnóstico Operatório, podemos chegar a determinar o grau de aquisição de algumas das noções chaves do desenvolvimento cognitivo, cujo o conteúdo se leva em conta em cada uma delas de um modo muito especifico. Algumas provas versam sobre a noção de conservação de quantidade, referindo-se a aspectos numéricos, geométricos ou físicos, e outros indagam as questões vinculadas às classes e às relações.
Passaremos a seguir a apresentar cada prova e o modo de sua aplicação. A Prova de dicotomia – troca de critério, consistia que o sujeito agrupasse as fichas considerando as semelhanças entre forma, tamanho, cor, segundo os três critérios: forma, tamanho e cor (Figura 21).
Figura 21 - Prova de troca de critério (dicotomia)
Fonte: Elaborada pela pesquisadora
Na prova de dicotomia a pesquisadora colocou as fichas em desordem sobre a mesa e iniciou um diálogo provocando a resolução nas situações- problemas, conforme no Quadro 6.
Quadro 6 – Mediação na prova de dicotomia Situação Pesquisadora Sujeito pesquisado
Apresentação do material “Poderia me dizer o que tem aqui?”
S5 “São pequenos, papel”
S7 “São, são, essas vermelhas e azuis” S8 “São uns pedacinhos. Aqui tem vermelho. Olha. Igual a esse outro, e tem esses aqui, ó, que são verdes” Classificação espontânea “Você poderia reunir em
grupo todas as fichas que são parecidas?”
S5 “Pode” S7 “hãm hãm” S8 “Eu posso” Classificação espontânea “Por que você colocou desta
maneira?”
S5 Levanta os ombros e balança a cabeça.
S7 “Aqui são vermelhas e aqui são azuis”
S8 “Porque eu peguei essas aqui, ó, e são vermelhas, tá vendo, ó, e aqui são verdes” (Pesquisadora intervém falando azuis). “Então, azuis”
Dicotomia “Agora você poderia fazer somente dois grupos e colocá-los nesses dois espaços?” (Duas folhas em branco)
S5 Realiza a ação S7 Realiza a ação S8 Realiza a ação
Dicotomia “Por que colocou todos esses juntos?”
S5 aponta e diz “Vermelho. Azul” S7 “Vermelho aqui; azul aqui”
S8 “De novo! Ó, aqui vermelho, aqui, como é mesmo?” (Pesquisadora inicia a palavra azul “a”) “Zul”.
Dicotomia “Como poderia chamar este monte?”
S5 Levanta os ombros e balança a cabeça.
S7 “Vermelho” S8 “Vermelho” Dicotomia “E este outro?” S5 “Azul?”
S7 “Azul” S8 “Verde” Segunda mudança de
critério
“Poderia agora colocá-los de outra maneira, em dois grupos?”
S5 “Não”
S7 Aluno troca a posição das fichas. S8 “Não, tá bom assim, ó”
Terceira mudança de critério
Não houve, pois os alunos pararam na primeira dicotomia.
S5 - S7 - S8 - Fonte: Elaborado pela pesquisadora
Nessa prova, quando o aluno voltava ao primeiro critério, a pesquisadora solicitava que ele encontrasse outra maneira de colocá-los em dois grupos. Quando necessário, era iniciada uma nova classificação e pedia-se que o sujeito continuasse. Porém, os três participantes agruparam as fichas em pequenos grupos com base apenas no critério cor. Dessa forma, nessa prova sobressaiu-se o nível do pensamento intuitivo articulado. No pensamento intuitivo articulado os objetos, mediante atitudes de ensaio e erro, articulam-se entre si, segundo suas funcionalidades.
Dando prosseguimento a avaliação cognitiva aplicou-se a prova de inclusão de classes. A Prova de inclusão de classes objetiva avaliar a capacidade de quantificação da inclusão, isto é, se o sujeito é capaz de comparar o número de elementos de uma subclasse com o de uma classe mais geral em que está incluída (Figura 22).
Figura 22 - Prova de inclusão de classes (frutas)
Fonte: Elaborada pela pesquisadora
O procedimento para aplicação dessa prova consiste em colocar as frutas (duas maçãs e 5 bananas – Figura 22) em cima de uma mesa, e em seguida a pesquisadora questiona: “O que é tudo isto? Você conhece outras frutas? Quais? De qual delas gosta mais?” Após esse contato inicial com o material a ser utilizado na prova, a pesquisadora faz uma série de intervenções com o intuito de provocar o conflito sóciocognitivo nos alunos, conforme se observa no Quadro 7.
Quadro 7 – Mediação na prova de inclusão de classes
Pesquisadora Sujeito pesquisado
Pega uma fruta de cada vez e pergunta: “O que é isto? Qual o nome dela (banana)? E o nome desta (maça)?”
S5 “Banana”/ “Maçã” S7 “Banana”/ “Maçã” S8 “Banana”/ “Maçã” “O que a maçã é? O que a banana é?”
Após as respostas a pesquisadora aponta e diz que são frutas.
S5 “Maçã”/ “Banana” S7 “Vermelha”/ “Amarela”
S8 “É de comer”/ “Eu gosto, muito”. “Aqui na mesa tem mais maçãs ou tem mais
frutas? – Por quê? Como você sabe disso?”
S5 “Maçã”/ Levanta os ombros e balança a cabeça/ Levanta os ombros e balança a cabeça S7 “Maçãs”/ “Duas maçãs”/ “Um, dois”
S8 “Banana”/ “Sete, tudim sete”/ “Aqui bebê, um, dois”
“Aqui na mesa tem mais bananas ou tem mais frutas? – Por quê? Como você sabe disso?”
S5 “Banana”/ Conta todas: “Sete”/ Conta novamente
S7 “Fruta”/ “Aqui tem maçã e mais aqui bananas”/ Conta as bananas
S8 “Banana”/ “São frutas. Eu gosto banana”/ Conta as bananas e depois as maçãs “Aqui na mesa tem mais maçãs ou tem mais
bananas? Por quê? Como você sabe disso?
S5 “Banana”/ Conta todas: “Sete”/ Conta novamente
S7 “Banana”/ “Cinco banana e um, dois maças”/ Conta novamente
S8 “Banana”/ Conta e diz “Cinco”/ “Bebê, olha, uma, duas, maçãs, viu? Uma, duas, três, quatro, cinco banana, viu?”
Fonte: Elaborada pela pesquisadora
Na aplicação dessa prova, observamos que ao indagar aos sujeitos se havia mais maçãs ou frutas, todos responderam que havia mais maçãs. Esse tipo de resposta ocorreu porque, de acordo com o pensamento intuitivo articulado, um elemento não pode ao mesmo tempo, segundo o raciocínio pré-lógico, pertencer à classe das maçãs e das frutas. Na nossa pesquisa, verificou-se que os sujeitos participantes oscilavam constantemente entre a inclusão e a não inclusão.
Aplicou-se também a Prova de Interseção de classes, com a finalidade de avaliar se os sujeitos eram capazes de acertar as questões sobre classes não relacionadas, e compreender aquelas relativas à interseção e a inclusão. Para essa prova utilizou-se cinco fichas redondas azuis, cinco fichas redondas vermelhas, cinco fichas quadradas vermelhas, um cartão tamanho A4 com dois círculos entrelaçados (Diagrama de Venn). O procedimento consiste em distribuir as fichas no cartão do seguinte modo: as fichas redondas azuis e os quadrados vermelhos são colocados nas partes externas, enquanto as redondas vermelhas na parte comum. Em seguida, pede-se a criança que nomeie as fichas e dê suas características (Figura 23).
Figura 23 - Prova de intersecção de classes
Fonte: Elaborada pela pesquisadora
Para avaliar a prova de intersecção de classes, a pesquisadora realizava perguntas, conforme observamos no Quadro 8.
Quadro 8 – Mediação na prova de intersecção de classes
Pesquisadora Sujeito pesquisado
Por que você acha que estas fichas (redondas vermelhas) estão no meio?
S5 Levanta os ombros e balança a cabeça. S7 “Aqui já tem, aqui já tem também” S8 “Aqui não cabe mais ó”
Tem mais fichas vermelhas ou mais fichas azuis? Por que?
S5 Conta e diz “Vermelhas” /”Porque tem mais” S7 Conta e diz “Vermelhas”/”Vermelhas” S8 Conta e diz “Vermelhas”/”Aqui, vermelha” Tem mais fichas quadradas ou mais fichas
redondas? Por que?
S5 Levanta os ombros e balança a cabeça
S7 Conta e diz “Redonda”/”Porque tem isso tudo aqui, ôh” (aponta para redondas)
S8 Conta e diz “Redonda”/Junta as redondas e diz “Porque tem muitas aqui”
Você acha que tem mais fichas redondas ou vermelhas?
S5 Levanta os ombros e balança a cabeça. S7 Conta e diz “Vermelha”
S8 Conta e diz “Vermelha”
Como você sabe? Você pode mostrar? S5 “Hãm, hãm”. Conta e diz “dez”
S7 “Sim”. Separa todas as peças vermelhas das azuis S8 “Pode”. Conta e separa vermelhas de azuis
Você acha que tem mais fichas quadradas ou mais fichas vermelhas?
S5 “Vermelha” S7 “Vermelha” S8 “Vermelha”
Como você sabe? Pode mostrar? S5 “Sim”. Conta e diz “Dez”
S7 “hãm, hãm”. Conta e diz “Dez vermelhas” S8 “Pode. Aqui ó muito vermelho”
Fonte: Elaborado pela pesquisadora
Na maioria das questões de interseção, os sujeitos não responderam de modo adequado, o que caracteriza o pensamento intuitivo articulado.
As análises das provas demonstraram que os três sujeitos participantes da pesquisa se encontravam no nível de pensamento intuitivo articulado. Ou seja,
eles apresentavam muitas oscilações. Verificou-se que quando eles eram capazes de emitir uma resposta correta, ao serem confrontados e colocados diante de uma contra-argumentação, eles modificavam seu julgamento.
Em síntese, com base nos resultados da avaliação cognitiva, dentre os três sujeitos participantes, um deles (S5) no teste Stadex – Figures Graduées apresentou desempenho compatível com o nível operatório concreto superior (IIB) e os demais (S7, S8) apresentaram desempenho compatível com o nível intuitivo superior (IC). Nas provas de classificação de Piaget (Prova de dicotomia – troca de critério; Prova de inclusão de classes e Prova de Intersecção de classes) todos eles apresentaram desempenho que caracteriza o pensamento intuitivo articulado.
De posse dos dados sobre o perfil cognitivo dos sujeitos que compreendeu a aplicação do Stadex – Figures Graduées e as provas de classificação de Piaget (Prova de dicotomia – troca de critério; Prova de inclusão de classes e Prova de Intersecção de classes), passa-se a apresentar os resultados da aplicação da avaliação da autorregulação.