2.4. Memlûk Devleti ile Akkoyunlu-Karakoyunlu İlişkileri
2.4.1. Sultan Barsbay’ın Diyarbakır Seferi
Pesquisa realizada em 2010 pelo IPEA põe em foco a importância econômica e social dos investimentos na formação dos trabalhadores. Naquele ano, do universo de 6,5 milhões de desempregados, somente 1,9 milhões (29%) possuíam qualificação e experiência profissional. Quanto ao contingente de 1,7 milhões de ingressantes no mercado de trabalho, apenas 751 mil (45%) apresentavam qualificação que poderia ser considerada adequada para o exercício imediato do trabalho. Cinco milhões e meio de trabalhadores necessitavam de formação profissional no país (IPEA, 2010).
Esse é o contexto no qual a presidente Dilma assume a presidência, com a ressalva de que a ampliação dos programas de apoio à inserção de jovens no mercado de trabalho foi uma de suas promessas de campanha. No primeiro ano de mandato, a indicação de uma jovem para o cargo de Secretária da Juventude e a realização da 2ª Conferência Nacional de Juventude foram alguns sinais de que a importância conferida a este segmento no governo anterior seria mantida.
A Conferência mobilizou cerca de 500 mil jovens nas etapas preparatórias e reuniu 03 mil delegados no encontro nacional. Suas recomendações incluíram a necessidade da ampliação e interiorização de cursos técnicos, tecnológicos e profissionalizantes e a construção de um plano nacional de trabalho decente, com indicadores e metas (BRASIL, 2013).
As propostas foram incorporadas ao Plano Plurianual 2012/2015, sinalizando um processo de maior participação da sociedade civil na definição das prioridades nas políticas sociais. A ampliação da oferta dos cursos é prevista por meio da expansão das redes federais e estaduais, utilizando mecanismos como concessão de bolsas voltadas para estudantes e trabalhadores, financiamento estudantil, matrículas em educação profissionalizante de jovens e adultos e a ampliação de processo gratuito de reconhecimento de saberes do trabalhador (BRASIL, PPA, 2012).
Algumas dessas ações integram o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC), lançado em abril de 2011. O Programa tem como objetivo maior “expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos de educação profissional técnica de nível médio e de cursos de formação inicial e continuada ou qualificação profissional presencial e a distância” e envolve iniciativas como a expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica; o Programa Brasil profissionalizado; a Rede e-Tec Brasil; o acordo de gratuidade com o Sistema S e o FIES Técnico e Empresa. (BRASIL, PPA, 2012)
Saldanha (2012) tece algumas críticas acerca do PRONATEC. Ela acredita que o Programa demonstra descontinuidade em relação à política de integração entre educação profissional e ensino médio, iniciada a partir de 2004, que em sua visão possibilitaria uma relação mais orgânica entre conhecimento geral e conhecimento específico.
Para Saldanha (2012, p.8), a questão central é que o PRONATEC, em sua percepção, “atende a concepção oficial expressa na atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional, mediante as “articulações” que
reforçam as parcerias com o setor privado, estratégicas para a desobrigação do Estado em relação a esta modalidade de ensino e oportuna para os interesses do setor privado”.
Além dos objetivos de ampliação e interiorização de cursos técnicos, tecnológicos e profissionalizantes e a construção de um plano nacional de trabalho decente, com indicadores e metas, muitas outras metas que constam no PPA 2012/2015 acenam para avanços nas políticas de juventude, sendo o incentivo à participação social um dos que se destacam (BRASIL, PPA, 2012).
No entanto, ao contrapô-los ao relatório de atualização do PPA em julho de 2013, preocupa a “revisão” de algumas metas, conforme anuncia o quadro 12:
Quadro 12 – Alterações do PPA 2012-2015
OBJETIVO: 0276 - Coordenar as políticas públicas de juventude, por meio da articulação das iniciativas governamentais e da intensificação da participação social.
Órgão Responsável: Presidência da República
Meta Original Meta alterada
Ampliar a participação social, constituindo 10 grupos de trabalho temáticos com a participação da sociedade civil e fortalecendo o Conselho Nacional de Juventude.
Ampliar a participação social, constituindo 03 grupos de trabalho temáticos com a participação da sociedade civil e fortalecendo o Conselho Nacional de Juventude.
Realizar seleções públicas de apoio a 240 órgãos estaduais/municipais de juventude, com seus respectivos conselhos, para estruturação destes órgãos a nível local.
Apoiar até 100 órgãos estaduais/municipais de juventude, e seus respectivos conselhos, para criação e/ou estruturação desses órgãos.
Constituir Sistema de avaliação e monitoramento dos programas de juventude.
Constituir diretrizes de avaliação e monitoramento dos programas de juventude.
Elaborar proposta e iniciar a implementação do Sistema Nacional de Juventude.
Elaborar proposta do Sistema Nacional de Juventude. OBJETIVO: 0582 – Expandir, interiorizar, democratizar e qualificar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica [...].
Órgão Responsável: Ministério da Educação
Meta original Meta alterada
Elevar o número de escolas da rede federal de educação profissional e tecnológica para 622.
Elevar o número de escolas da rede federal de educação profissional e tecnológica para 562.
Oferecer 8 milhões de vagas para a educação profissional e tecnológica, com a concessão de 4 milhões de bolsas a estudantes do ensino médio da rede pública [...].
Oferecer 8 milhões de vagas em cursos de educação profissional técnica de nível médio e cursos de formação inicial e continuada, contemplando a oferta de 3 milhões de vagas por meio de bolsas, prioritariamente para estudantes da rede pública [...].
OBJETIVO: 0588 - Ofertar vagas de educação profissional para jovens e adultos articulada com a elevação de escolaridade e realizar processos de reconhecimento de saberes e certificação profissional. Órgão Responsável: Ministério da Educação
Meta original Meta alterada
Elevar o percentual de matrículas de educação de jovens e adultos na forma integrada à educação profissional, de forma a alcançar a meta do PNE 2011- 2020.
Elevar o percentual de matrículas de educação de jovens e adultos na forma articulada à educação profissional, em consonância com o PNE 2011-2020.
Ampliar a oferta de programas de reconhecimento de saberes para fins da certificação profissional em formação inicial e continuada e técnico de nível médio.
Ampliar a oferta de programas de reconhecimento de saberes para fins da certificação profissional.
Fonte: Elaborado a partir do documento Alterações do Plano Plurianual 2012/2015 (BRASIL, 2013).
O PPA, além de se tratar de um instrumento útil para a gestão governamental em termos de planejamento deve funcionar como elemento de controle social, para que se constitua realmente um valor importante para toda a sociedade.
O controle social precisa ser constante. Um balanço das promessas de campanha de Dilma realizado após dois anos de gestão indicou que o governo diminuiu o investimento em programas de inserção de jovens no mercado de trabalho nos últimos anos. Em 2011 e 2012, foram investidos apenas R$ 42 milhões em programas do gênero, contra R$ 518 milhões investidos em 2009 e 2010 (O GLOBO, 2013).
Assim como fez sentido destacar algumas divergências entre o PPA e sua atualização em 2013, cabe reconhecer que houve muitos avanços no governo Dilma no âmbito das políticas públicas para a juventude, como a ampliação dos investimentos em acesso da população juvenil ao ensino superior mediante a expansão dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, Programa REUNI envolvendo as Universidades Federais e continuidade do PROUNI – Programa Universidade para Todos.
Dentre os aspectos concernentes ao PPA 2012/2015 que puderam avançar pontua-se os objetivos de implementar o Plano Nacional de Aprendizagem Profissional (PNAP) e ampliar o número de jovens admitidos em contratos de aprendizagem. O plano foi aprovado em maio durante a primeira reunião do Fórum Nacional de Aprendizagem Profissional de 2013. O documento contempla as diretrizes das ações a serem realizadas até 2015, detalhando metas e cronogramas, além de nove ações destinadas às pessoas de 14 a 24 anos e pessoas com deficiências.
Vários outros objetivos demonstram sinais de evolução, mas a aprovação do Estatuto da Juventude é o que obtém maior destaque. Após quase dez anos de tramitação na esfera legislativa, o Estatuto foi aprovado em 09 de julho de 2013 e sancionado por meio da Lei N°. 12.852 em 05 de agosto de 2013. A Seção III trata do Direito à Profissionalização, ao Trabalho e à Renda e estabelece que:
Art. 14. O jovem tem direito à profissionalização, ao trabalho e à renda, exercido em condições de liberdade, equidade e segurança, adequadamente remunerado e com proteção social.
Art. 15. A ação do poder público na efetivação do direito do jovem à profissionalização, ao trabalho e à renda contempla a adoção das seguintes medidas:
I - promoção de formas coletivas de organização para o trabalho, de redes de economia solidária e da livre associação;
II - oferta de condições especiais de jornada de trabalho por meio de: a) compatibilização entre os horários de trabalho e de estudo;
b) oferta dos níveis, formas e modalidades de ensino em horários que permitam a compatibilização da frequência escolar com o trabalho regular; III - criação de linha de crédito especial destinada aos jovens empreendedores; IV - atuação estatal preventiva e repressiva quanto à exploração e precarização do trabalho juvenil;
V - adoção de políticas públicas voltadas para a promoção do estágio, aprendizagem e trabalho para a juventude;
VI - apoio ao jovem trabalhador rural na organização da produção da agricultura familiar e dos empreendimentos familiares rurais, por meio das seguintes ações:
c) estímulo à produção e à diversificação de produtos;
d) fomento à produção sustentável baseada na agroecologia, nas agroindústrias familiares, na integração entre lavoura, pecuária e floresta e no extrativismo sustentável;
e) investimento em pesquisa de tecnologias apropriadas à agricultura familiar e aos empreendimentos familiares rurais;
f) estímulo à comercialização direta da produção da agricultura familiar, aos empreendimentos familiares rurais e à formação de cooperativas;
g) garantia de projetos de infraestrutura básica de acesso e escoamento de produção, priorizando a melhoria das estradas e do transporte;
h) promoção de programas que favoreçam o acesso ao crédito, à terra e à assistência técnica rural;
VII - apoio ao jovem trabalhador com deficiência, por meio das seguintes ações:
i) estímulo à formação e à qualificação profissional em ambiente inclusivo;
j) oferta de condições especiais de jornada de trabalho;
k) estímulo à inserção no mercado de trabalho por meio da condição de aprendiz.
Art. 16. O direito à profissionalização e à proteção no trabalho dos adolescentes com idade entre 15 (quinze) e 18 (dezoito) anos de idade será regido pelo disposto na Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da
Criança e do Adolescente, e em leis específicas, não se aplicando o previsto nesta Seção.
A publicação do Estatuto da Juventude, em sua quase totalidade, reafirma direitos já previstos pela Constituição, mas é importante para o fortalecimento das políticas para a juventude e prevê a criação de espaços para ouvir a juventude e estimulá- la a participar dos processos decisórios, tornando obrigatória a criação de conselhos estaduais e municipais da juventude.
Ainda é cedo para dimensionar os possíveis avanços que resultarão da implementação do Estatuto. A regulamentação deste, assim como a elaboração do Plano
Nacional da Juventude são de responsabilidade do Comitê Interministerial da Política de Juventude (COIJUV).
Em encontro realizado em novembro de 2013 foi esclarecido que a elaboração do plano será precedida por um balanço da Política Nacional de Juventude, desde a criação da SNJ e do CONJUVE até os dias atuais e consistirá em um diagnóstico com indicadores sobre as políticas de juventude, diretrizes, metas e objetivos sobre cada direito que prevê o Estatuto da Juventude. O diagnóstico já está sendo realizado pela Secretaria Nacional de Juventude e Secretaria de Assuntos Estratégicos da Secretaria Geral da Presidência da República.
Espera-se num futuro próximo ser possível afirmar que os custos com a exequibilidade da operação do sistema nacional de juventude valerão a pena e que o Estatuto venha responder de fato às demandas da juventude já manifestas no decorrer das Conferências de Juventude, protestos e tantas outras formas. Os quadros a seguir ilustram, respectivamente, alguns acontecimentos importantes para a juventude ocorridos desde o início do governo Dilma e as principais políticas.
Quadro 13 – Marcos para as Políticas de juventude no período de 2011 a 2013
ANO AÇÃO
2011 Encontro de alto nível da ONU sobre a juventude em Nova Iorque 2011 Aprovação do Estatuto da Juventude na Câmara Federal
2011 2ª Conferência Nacional da Juventude
2013 Publicação do Estatuto da Juventude (Lei 12.852/2013) Fonte: Pesquisa direta, 2014.
Quadro 14 – Políticas de juventude no período de 2011 a 1013 Programas/Projetos SNJ Instituições Responsáveis
Plano Juventude Viva SNJ, Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Ministério da Justiça Estação Juventude SNJ e Conselhos municipais e estaduais
Participatório SNJ
Juventude Rural SNJ
Demais Programas/Projetos Instituições Responsáveis
PROJOVEM Urbano Ministério da Educação
PROJOVEM Campo Ministério da Educação
PROJOVEM Trabalhador Ministério do Trabalho e Emprego
Cultura Viva Ministério da Cultura
Segundo Tempo Ministério do Esporte
Praças da Juventude Ministérios do Esporte e da Justiça
Projeto RONDON Ministério da Defesa
Projeto Soldado Cidadão Ministério da Defesa
PRONASCI Ministério da Justiça
PRONAF Jovem Ministério do Desenvolvimento Agrário
Juventude e Meio Ambiente Ministérios da Educação e do Meio Ambiente
Escola Aberta Ministério da Educação e UNESCO
PRONATEC Ministério da Educação