3. SALTANAT TÖRENLERİ VE USULLERİ
4.5. Sultan Eğlence Meclisleri
4.5.6. Sultanın Saray Cüceleriyle Eğlentisi
Pa história do livro no Brasil, algumas empresas encontraram na par- ceria de seus agentes as possibilidades de alcançar o sucesso editorial. Hen- rique Bertaso e Erico Verissimo são um exemplo disso, pois reuniam dois as- pectos importantes: a capacidade de selecionar e criar um catálogo e, tão importante quanto a primeira, uma perspicácia editorial “acima da média”. Essas características, como aponta Hallewell, dificilmente são encontradas em um único indivíduo, razão pela qual muitas editoras bem sucedidas foram sociedades (HALLEWELL, 1985, p.267). Pessa perspectiva, um caso repre- sentativo pode ser encontrado na parceria entre Lobato e Octalles na consti- tuição da Companhia Editora Pacional.
Ao pensarmos nessa editora, a primeira questão que surge é: como foi possível para essa companhia contornar as crises da mudança de décadas e passar a monopolizar a edição de títulos e exemplares de São Paulo ao longo das décadas de 30 e 40? De acordo com Sorá, as respostas a essa pergunta emanam das características que tomou a reconversão de capitais que reali- zaram Octalles Marcondes Ferreira e Monteiro Lobato, como resultado da quebra de sua anterior gráfica-editora.
O fracasso da empresa de Lobato, Monteiro Lobato & Cia., é, de co- mum acordo entre os estudiosos, creditado à importação do parque gráfico, considerada uma ação de risco, dada a dimensão do projeto. A demanda de suas próprias edições e de terceiros não atingiu as proporções necessárias para justificar tamanho empreendimento, e, em agosto de 1925, Lobato de- cidiu pela liquidação da firma. As cargas tributárias estaduais, a dependência de insumos, a concorrência gráfica do exterior e uma precária infra-estrutura urbana acabaram dando curso a ação judicial dos credores.
A empresa fechou com uma dívida significativa, e a solução encontrada pelos sócios foi vender suas propriedades. Começaram por convencer dois dos antigos sócios da gráfica-editora, Patal Daiuto e Savério D'Agostino, a comprarem parte do equipamento e constituírem um empreendimento volta- do para a impressão de livros, a São Paulo Editora. Contudo, de acordo com Hallewell, a São Paulo Editora não era na verdade uma editora, pois a firma foi criada para prestar exclusivamente serviços gráficos, e, o principal, esses serviços tinham como objetivo suprir a demanda da Companhia Editora Paci- onal (HALLEWELL, 1985, p.270).
O restante do parque gráfico foi adquirido pela Revista dos Tribunais, para colocar em prática um projeto de expansão liderado por Pelson Travas- sos. Dessa forma, a CEP teve acesso a outra gráfica de confiança para suple- mentar os trabalhos da São Paulo Editora. Mas, diferentemente desta, a Re-
vista dos Tribunais não se tornou apenas um apoio na impressão de livros
para a Pacional, ela passou a ser, quando da fundação da Empresa Gráfica da Revista dos Tribunais, em 1927, a maior impressora de livros do Brasil.
Após o colapso da Companhia Gráfica-Editora Monteiro Lobato, Octalles convenceu o antigo sócio de construírem uma nova editora, e em novembro de 1925 a CEP já estava constituída e pronta para iniciar sua produção (HAL- LEWELL, 1985,p.268). Para tanto, eles tiverem que vender até a casa lotéri- ca que possuíam. Uma estratégia de racionalização central marcou um novo arranjo na hierarquia de comando. Ferreira passou a responder como diretor principal e Lobato foi enviado ao Rio de Janeiro para cuidar de uma filial.
A divisão de funções da CEP remete a uma nova configuração da or- dem do mundo do livro brasileiro. O que vemos a partir dela é uma empresa exclusivamente dedicada à edição, separada da livraria e da oficina gráfica. A posição de Ferreira como diretor da sede paulista já era indício de um caráter
mais conservador nos riscos com publicações sem mercado. Os primeiros li- vros foram os didáticos, que tiveram boas vendas assim que foram lançados. Com isso, em maio de 1926, os editores puderam resgatar o estoque de li- vros e direitos de edição da Editora Lobato & Cia., os quais se encontravam em poder dos credores (HALLEWELL, 1985, p.273).
A permanência de Lobato como diretor da CEP no Rio de Janeiro não durou muito tempo, pois, em 1927, foi nomeado pelo governo presidido por Washington Luís como adido comercial em Washington. Pessa época, depois de perder uma soma significativa com investimentos na bolsa de valores, Lo- bato vendeu suas ações da CEP ao irmão de Octalles, Themistocles Marcon- des Ferreira.
Quando Washington Luís foi deposto, Lobato foi socorrido por Octalles Marcondes Ferreira, reassumindo suas funções na empresa. Dali em diante Lobato esteve na órbita da CEP sem uma participação permanente ou contí- nua. A editora publicava seus livros; ele realizava numerosas traduções e orientava certas escolhas. Seu último regresso como editor se daria em 1943, com a fundação da Editora Brasiliense.
Depois de definidas as funções da empresa como editora, o passo se- guinte foi controlar a área de produção. Pesse sentido, a CEP deu prioridade à edição de obras de giro rápido. Pa literatura brasileira, apostou nas cada vez mais populares leituras de Lobato e outros escritores de moda como Paulo Setúbal e Afrânio Peixoto. Pa literatura estrangeira, lançou coleções de novelas de aventura e policiais. Sustentando essas linhas, prosperavam os li- vros didáticos. Baseada nessa política comercial, por volta de 1929, a CEP já produzia um terço dos livros editados na cidade de São Paulo.
A identidade da CEP definiu um perfil distinto no início de cada nova década. Uma vez assegurada certa autonomia empresarial, a editora fez nome em 1931 ao ser inaugurada a Biblioteca Pedagógica Brasileira – pro- grama de coleções racionalizado a partir da contratação de Fernando Azeve- do –, que contava com cinco séries: literatura infantil, atualidades pedagógi- cas, livros didáticos, iniciação científica e brasiliana.
Po início dos anos trinta, as coleções pedagógicas e didáticas se defini- ram como eixos do catálogo da CEP. Se Francisco Alves dominou esse nicho aberto pela expansão da educação primária no primeiro quarto de século, a CEP ocupou o que adveio da consolidação do sistema secundário e universi- tário. À literatura infantil correspondiam os títulos de Lobato e clássicos de autores como Lewis Carrol.
A Livraria do Globo também investiu, no início da década de 30, na edi- ção de livros didáticos, com as desvantagens da posição geográfica e simbó- lica em que se encontrava. Contudo, o projeto de uma série de livros para cada assunto do currículo foi empreendido com o maior esmero, sob a dire- ção de Álvaro de Magalhães, que coordenava professores de reconhecido prestígio, responsáveis pelos volumes. O êxito nessa linha editorial foi abso- luto durante dez anos, ou melhor, até a reforma de Capanema, quando os estoques da Globo se tornaram obsoletos da noite para o dia.
Para além dos didáticos, a CEP lançou a Brasiliana – coleção que popu- larizou ensaios de interpretação da história e da realidade brasileira –, direci- onada ao público interessado na definição de um caráter nacional. Essa cole- ção se tornou modelar e rapidamente impôs um estilo de coleções com en- saios de interpretações do Brasil explorado por quase todas as editoras com pretensões culturais. Ela se constituiu sobre as bases de uma nova era da consciência nacional, elemento que também seria explorado pela José Olym-
pio. A Brasiliana se aproveitava da crescente preocupação dos brasileiros, ou pelo menos dos brasileiros mais instruídos, com os problemas do País.
Em 1932, Octalles Marcondes Ferreira comprou a Livraria Civilização Brasileira, que Getúlio Costa havia fundado no Rio de Janeiro, em 1929. As- sim como Schmidt e José Olympio, a Civilização Brasileira do início dos anos trinta também abriu espaço em seu catálogo para a edição de obras e propa- ganda de difusores do movimento integralista brasileiro, especialmente a partir do popular escritor anti-semita Gustavo Barroso.
Com o caso desta editora se visualiza melhor as qualidades que deveria contemplar um catálogo com pretensões de participar das lutas de legitima- ção cultural da época: literatura nacional e ensaios de interpretação do Brasil (coleções brasilianas) eram os gêneros de posição superior. Seguiam-se a li- teratura clássica e de moda estrangeira e as coleções de debate político dou- trinário. Livros infantis, para mulheres e didáticos eram apostas com um pú- blico cada vez mais numeroso. Os livros religiosos, técnicos e de auto-ajuda ganhavam espaços e contornos cada vez mais definidos.
A dianteira na ocupação do segmento dos livros didáticos permitiu a CEP tornar-se uma grande empresa exclusivamente editorial e manter uma divisão de funções na cadeia de agentes e ofícios do mundo do livro sem pre- cedentes. A virtude de Octalles Marcondes Ferreira de promover uma divisão do trabalho, possibilitou à CEP alcançar, poucos anos depois de sua funda- ção, o lugar de maior empresa editora do país. Se desenvolveu em seu seio uma cadeia de poderes estritamente editoriais para enfrentar posições e de- mandas de estamentos públicos, educacionais, livreiros, gráficos.
Po entanto, as condições para nacionalizar esse modelo excediam seu trabalho isolado; essa possibilidade provinha da própria imposição da catego- ria editor como coletivo dotado de uma quota de autoridade singular. Este
quadro processual não ofusca o fato de que as inovações da CEP foram mo- delares para pensar na industrialização do livro no Brasil.