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Suicidal Intent due to Vareniclin Use: Case Report Özge GÜLMEZ, Ramazan AKÇAN

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Na teoria de Hale e Keyser, os templates são substituídos por estruturas arbóreas, que contêm núcleos lexicais, em geral, de categoria A, V, N e P.

Hale e Keyser apresentam um modelo teórico que pretende apreender as possíveis estruturas argumentais de qualquer tipo de verbo em qualquer língua. A grande inovação desse modelo está em que os autores acreditam que o comportamento de determinados verbos pode ser explicado pelo seu tipo de estrutura argumental. Entende-se por estrutura argumental as configurações sintáticas e/ou estruturais projetadas por um item lexical. Em geral, os itens lexicais que projetam uma estrutura sintática são os verbos, ou outros itens mediados por verbos, como veremos adiante.

O método utilizado para identificar diferentes tipos de estruturas argumentais é constituído principalmente por testes de alternância. Após realizar testes de alternância causativo-

incoativa e de alternância média em dados de diversas línguas, de diferentes famílias linguísticas, como o inglês (germânica), navajo (athabaskan), ulwa (misumalpan), o’odham e hopi (uto- asteca), Hale e Keyser chegam a quatro estruturas argumentais possíveis para explicar a projeção de um item lexical nuclear por meio de operações sintáticas.

É preciso notar que os autores assumem que não só palavras categorizadas69, como verbos e preposições, podem definir e projetar uma estrutura argumental, mas também raízes acategoriais (R na estrutura abaixo), ainda que essa seja uma ideia um pouco tímida no trabalho. Um exemplo de verbo que se forma a partir da projeção de uma raiz sem categoria definida é dado na estrutura (6) do texto original e reproduzida em (120) abaixo70:

(120) V 3 DP V The pot 3 V R | break

Essas estruturas recebem o seu nome de acordo com o número de argumentos que o núcleo pode tomar, sejam eles complementos ou especificadores. As relações Núcleo- complemento e Especificador-Núcleo-Complemento são suficientes para definir as funções semânticas dos itens na estrutura, ou seja, esse modelo prescinde da atribuição de papeis temáticos em favor de relações estruturais motivadas pela semântica dos itens. Segundo Chomsky (1995:313): “A θ-role is assigned in a certain structural configuration; ß assigns that θ-role only in the sense that it is the head of that configuration (though the properties of ß or its zero-level projection might matter)”71. Gostamos muito da afirmação de Chomsky porque ela inclui o importante detalhe de que não somente as propriedades de ß importam, mas também as

69 Estamos usando palavras categorizadas para o que Hale e Keyser chamam de palavras plenas, ou seja, palavras que não precisam ser fonologicamente complementadas por uma base para que se constituam como palavras realmente, ou seja, não são itens defectivos, como os afixos, por exemplo. Para eles, exemplos de palavras plenas são nomes como laugh ou dance.

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A ideia de que a estrutura argumental de um item lexical não é necessariamente determinada pela categoria gramatical desse item é uma das diferenças entre Hale e Keyser (2002) e Hale e Keyser (1993). No texto de 1993, a projeção das estruturas estava ainda vinculada à categoria do item lexical, ao passo que na versão mais recente assume-se que qualquer categoria pode em princípio figurar nas quatro estruturas argumentais propostas para as línguas do mundo.

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“Um papel-θ é atribuído em uma certa configuração; ß atribui aquele papel temático somente no sentido de que é o núcleo daquela configuração (ainda que as propriedades de ß ou de sua projeção de nível zero importem).

propriedades de sua projeção de nível zero. Isso implica que os “papeis” semânticos se definem composicionalmente, localmente e estruturalmente. Vejamos cada estrutura com mais detalhe:

a. Estrutura Argumental Monádica

(121) Núcleo 3 Núcleo Comp

Os autores apontam que, em inglês, verbos inergativos formados a partir de uma raiz ou de um nome são, frequentemente, representados por estruturas monádicas. Ainda, expressões analíticas, como make a fuss abaixo, e verbos transitivos simples, como kick, parecem compartilhar a mesma estrutura.

(122) V 3 V R cough (123) V 3 V COMP72 Make a fuss (124) V 3 V N laugh (125) V 3 V DP kick the ball

É importante notar que, nas estruturas acima, temos apenas aqueles argumentos que são projetados no léxico por operações sintáticas. Outros argumentos não presentes nessas estruturas, como o especificador de make a fuss ou kick the ball, são introduzidos na sintaxe.

A estrutura Monádica Básica cobre aqueles verbos monoargumentais que a literatura denominou de Inergativos. O núcleo lexical dessas estruturas projeta apenas uma posição de complemento e, por isso, elas são monoargumentais. No que cerne aos testes de alternância, essas estruturas não podem ser transitivizadas automaticamente e nem participam da alternância média.

Só podem receber um argumento externo, agente ou causador, na sintaxe, fora da estrutura argumental.

(126) a. The engine coughed b. *I coughed the engine (127) a. He made a fuss

b. *A fuss makes easily

b. Estrutura Argumental Diádica Básica

(128) Núcleo 3 Spec Núcleo 3

Núcleo Comp

Essa estrutura tende a conter a categoria Preposição no inglês:

(129) V 3 V P 3 DP P 4 3 A horse P N (with) | saddle (130) V 3 V P 3 DP P 4 3 A book P N (on) | shelf

Nas estruturas em (129) e (130), o núcleo é uma preposição que toma como complemento um substantivo e como especificador um sintagma nominal. Essas estruturas podem ser chamadas também de depreposicionais, por terem como núcleo uma preposição que toma um núcleo nominal como seu complemento e, ainda, são conhecidas como denominais, justamente porque são derivadas, de algum modo, de um nome. É fato que preposições funcionais expressam uma relação e, por isso, pedem saturação de argumentos, projetando assim uma estrutura argumental. Essas estruturas participam da alternância média:

(131) I shelved those small books.

‘Eu emprateleirei aqueles livros pequenos.’ (132) Small books shelf easily.

‘Livros pequenos emprateleiram fácil.’ (133) He saddled a quarter horse.

‘Ele selou um cavalo de corrida.’ (134) A quarter horse saddles easily.

‘Cavalo de corrida sela fácil.’

Verbos como os de (131) a (134) são chamados de tipo location/locatum. Os verbos como shelf têm a semântica de “colocar algo em algum lugar” e por isso são chamados de location. Já os verbos como saddle têm semântica de “fazer algo ficar com alguma coisa”, locatum. Assim, em princípio, esses verbos podem ter formas analíticas, como em “put the books on the shelf” e “get the horse with a saddle”, em que não haveria a operação de conflation entre os núcleos.

c. Estrutura Argumental Diádica Composta

(135) Núcleo* 3 Spec Núcleo* 3

Núcleo* Comp

O asterisco indica que há uma diferença entre a estrutura diádica composta e a estrutura Diádica Básica. A diferença está em que, na diádica composta, o núcleo “hospedeiro” projeta um especificador por exigência de seu complemento (break, por exemplo, em (136)). Naquela estrutura, diádica básica, é o próprio núcleo que exige e projeta o seu especificador (with ou on) em (129) e (130)). A diádica composta tende a se realizar com a categoria de adjetivo em inglês, mas não exclusivamente:

(136) V1 3 V1 V2 3 DP V2 4 3 The pot V2 R | break (137) V1 3 V1 V2 3 DP V2 4 3 The sky V2 A | clear

A estrutura diádica composta compreende a classe dos verbos inacusativos alternantes. Muitos trabalhos em teoria gerativa padrão assumem que, nas alternâncias causativo-incoativas, haveria um processo de intransitivização a partir de um verbo transitivo (Cf. Burzio (1986) para uma das primeiras e célebres análises desse tipo)73. Contrariamente a essa tendência, Hale e Keyser apresentam argumentos para que se assuma a forma intransitiva (inacusativa) do verbo como a primitiva. Evidências surgem da morfologia de línguas como o o’odham, que tem uma adição de morfologia ao verbo em sua forma transitiva. Em (138) e (139) abaixo, há exemplos com os verbos hu:m (esvaziar) e ha:g (derreter). Apresentamos a forma mais simples, intransitiva e, em seguida, a forma transitiva com adição da morfologia –id.74

(138) hu:m (intr) > hu:mid (tr) (Esvaziar) (139) ha:g (intr.) > há:gid (tr) (Derreter)

Os verbos de estrutura diádica composta sofreriam o que é chamado de Transitivização Automática, isto é, têm, em sua estrutura primária, uma posição para um possível especificador do núcleo transitivizador V1. Em outras palavras, por terem um especificador projetado por V2, abrem a possibilidade de serem transitivizados por V1. Eles permitem que o especificador de V2

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Burzio (1986) sugere uma transformação sintática desencadeada pelo fato de queo verbo deixa de atribuir função temática ao seu argumento na posição de sujeito, detematizando-o. Assim, esse mesmo verbo não poderá atribuir Caso ao seu objeto direto, que se move para a posição de sujeito e recebe lá o seu Caso, tornando-se visível para a interpretação. Essa correlação entre papel temático e Caso é a chamada Generalização de Burzio.

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Apresentamos esses dois casos apenas como ilustração. Para um paradigma mais completo dos verbos desse tipo em O’odham, Cf. Hale e Keyser, 2002: 132, ex. (47).

funcione como objeto de V1, já que receberá caso acusativo de V1 em uma configuração de marcação excepcional de caso. Vejamos a estrutura abaixo:

(140) V1 3 DP V1 John 3 V1 V2 Break 3 DP V2 4 3 The pot V2 R

Vejamos que a estrutura em (140) tem dois núcleos básicos: uma raiz e um verbo que seleciona essa raiz. Ainda, a adição de um V1 permite a inserção de um novo especificador. Por conta de possibilidade de transitivização automática, verbos desse tipo participam da alternância causativo-incoativa, bem como da alternância média:

(141) I broke the pot. (‘Eu quebrei o pote.’) (142) The pot broke. (‘O pote quebrou.’)

(143) The pot breaks easily. (‘O pote quebra fácil’) (144) The screen cleared. (‘A tela clareou.’) (145) I cleared the screen. (‘Eu clareei a tela.’) (146) The sky clears easily. (‘O céu clareia fácil.’)

Essa estrutura é muito importante para o tipo de fenômeno que tratamos nessa tese, especialmente o que chamaremos de verbos de mudança de estado, com outros autores (Cançado e Godoy, 2012). Logo adiante, sugeriremos uma estrutura para os verbos parassintéticos desse tipo semântico que se pareia com a estrutura diádica composta.

No momento, cabe um questionamento ao argumento de que a forma intransitiva deve ser a mais básica baseado na realização morfológica mais complexa da forma transitiva. Há línguas que, diferentemente de o’odham, apresentam na estrutura intransitiva uma morfologia mais

complexa do que na forma transitiva, como é o caso do russo e do polonês, segundo Alexiadou, Anagnostopoulou e Schäfer (2006):

(147) Russo:

a. katat’-sja rolar (intr) b. katat’ rolar (tr)

(148) Polonês:

a. zlamać-się quebrar (intr) b. zlamać quebrar (tr)

Assim, toda abordagem que assume que uma variante é derivada da outra está assumindo que existe uma forma mais básica e uma forma mais complexa, como a da Semântica Lexical que vimos acima. Nesse sentido, a forma mais complexa deveria sempre apresentar mais marcação morfológica porque exige uma operação extra (de adição ou subtração) em algum nível da gramática. Para abordagens pela transitivização (como é a de Hale e Keyser), o problema são línguas em que a forma intransitiva é marcada com morfologia especial (mais complexa), como é o caso do russo e do polonês cujos exemplos estão imediatemente acima. Por outro lado, como Hale e Keyser já destacaram, para abordagens pela detransitivização, o problema são línguas em que a forma transitiva é mais complexa e, como haveria um processo de detransitivização, algo deveria ser apagado. Além disso, o que consideramos mais interessante, é que há diversas línguas em que a morfologia não ajuda a identificar a variante mais básica, pois as supostas contrapartes transitivas e intransitivas ou são idênticas (chamada alternância labile) ou totalmente supletivas. Os exemplos são originalmente de Haspelmath (1993:91) e retomados em Alexiadou; Anagnostopoulou e Schäfer (2006:5):

(149) Japonês:

a. atum-aru reunir, juntar (intr) b. atum-eru reunir, juntar (tr)

Russo:

a. goret’ queimar (intr) b. žeč queimar (tr)

Inglês:

a. open abrir (intr) b. open abrir (tr)

A maior parte dos verbos do português se comporta como os verbos do inglês, em que a forma transitiva é idêntica à forma intransitiva. Entretanto, há discussões acerca da morfologia de clítico de terceira pessoa presente em alguns verbos inacusativos. Autores como Duarte (2003)75 (apud Pereira (2007)) assumem que o clítico se é a marca morfológica de uma operação de decausativização sobre a forma causativa de um verbo. Segundo a autora, a presença do clítico é lexicalmente condicionada na medida em que, para alguns verbos, ela é obrigatória, opcional para outros e não permitida para um outro grupo. Entretanto, tal ideia é bastante discutível. Primeiro, na maior parte dos casos, o clítico é opcional, e em PB até dispensável. O verbo quebrar, por exemplo, que na sua forma transitiva admite um argumento externo de tipo agente ou causador, também admite o uso do clítico se em sua versão intransitiva, mas é mais naturalmente formado sem ele.

(150) O João quebrou o vaso. (151) O vento quebrou o vaso. (152) O vaso quebrou com o vento. (153) O vaso (se) quebrou.

Por outro lado, verbos de mudança de estado internamente causada não aceitam a presença do clítico, revelando aspectos importantes sobre esse tipo de verbo, como veremos com mais detalhes no próximo capítulo.

(154) *A fruta se amadureceu/apodreceu.

Em suma, a presença de se nas sentenças intransitivas do português não esclarece muito acerca do debate sobre a escolha de um processo de transitivização ou detransitivação para explicar a suposta alternância verbal, pois a sua presença tende para a opcionalidade. O que essas tipologias morfológicas das línguas parecem apontar de fato é que tentar determinar uma direcionalidade no processo de alternância é um impasse insolúvel, e que uma abordagem em que as duas formas são derivadas de modo independente é mais plausível (ALEXIADOU; ANAGNOSTOPOULOU; SCHÄFER, 2006). Assumiremos, para o caso mais geral, essa postura, acreditando que a raiz que forma o verbo é o elo entre as supostas variantes causativas e inacusativas. Voltaremos a esse tópico no Capítulo 4.

d. Núcleo

Por fim, há uma estrutura com apenas um núcleo que não projeta estrutura argumental. Para o inglês, e para a maior parte das línguas do mundo, o núcleo caracteriza um nome não argumental. Como exemplos simples em português, teríamos nomes como mesa ou flor, não- predicativos.

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