B. DAVA EHLİYETİ
3. Subjektif Dava Ehliyeti
O gosto pela leitura não é um ato que vem por acaso. Por traz de um leitor infantil, há sempre um pai ou uma avó que gosta de contar histórias ou uma professora que dá um sabor especial às palavras.
Para Ruth Rocha apud Moraes (2001, p.61), “leitor é aquele que lê bem, que tem pais que lêem, que tem livros em casa. Mas leitor é também aquele que nasceu para ler, que mesmo no meio do mato descobre um livro velho para ler.”
O estímulo às crianças, deve acontecer constantemente para que o interesse pelos livros também sejam constante. A leitura reconduz o leitor a si próprio, aos seus desejos mais autênticos e espontâneos.
Ler é um comportamento complexo que envolve aspectos motores, cognitivos e afetivos entre os dominós educacionais que devem ser cuidados no processo de ensino-aprendizagem. Não basta apreender a ler, é preciso gostar de ler.
É sabido que a criança tem uma característica que lhe é peculiar: a curiosidade. Quando ela começa ler um livro, passa logo para outro e assim sucessivamente, fascinando a si próprio e a quem a observa.
O livro tem o poder de desenvolver na criança leitora a criatividade, a sensibilidade, o senso crítico, a sociabilidade e a imaginação, levando a criança a aprender. A leitura aumenta a compreensão, a aprendizagem e alarga o pensamento onde, por conseqüência, o falar se torna, de fato, o fazer e o agir.
É na escola, porém, que a criança talvez esteja mais aberta aos conteúdos repassados dos livros que lê. Se a leitura é repassada pelos professores como uma atividade livre, sem cobranças e obrigações, com certeza a criança aprenderá a gostar de ler. E a sala de aula, assim como a biblioteca, são lugares privilegiados para se fazer da Literatura Infantil um momento de lazer.
O acesso à leitura deve ser estimulado durante a infância e a adolescência. Se a escola e a biblioteca não estão associadas com esse objetivo, resta o papel da família, representada, principalmente, pela mulher. As dificuldades da vida moderna, entre outras razões, fizeram com que a família delegasse esse papel à escola. A ausência do apoio que a biblioteca pode dar à escola agrava o problema. Portanto, a articulação entre biblioteca e escola é muito importante (LEITURA e cidadania, 2000, p.1)
Na escola, por exemplo, para o processo de formação do leitor exige, da criança e mais ainda dos professores, muita leitura. Infelizmente, segundo os professores, por falta de tempo, eles ‘obrigam’ os educandos a ler determinados livros e cobram resumos e fichas solicitadas no final da obra, por causa disto, não dão a estes a oportunidade de descobrir, de deleitar-se, de encantar-se e sentir prazer com o livro por ele escolhido.
Mas a leitura pode e deve ser cobrada, porém de diferentes maneiras: num diálogo, em grupo, em conversas informais em que a criança se sinta um leitor e não um examinando.
Pois é preciso saber se se gostou ou não do que foi contado, se se concordou ou não com o que foi contado... É perceber que ficou super-envolvido, querendo ler de novo mil vezes (apenas algumas partes, um capítulo especial, o livro todinho ...) ou saber que detestou e não querer mais nenhuma aproximação com aquela história tão chata, tão boba ou tão sem graça ... É formar opinião própria, é ir formulando os próprios critérios, é começar a amar um autor, um gênero, uma idéia, um assunto e, daí, ir seguindo por essa trilha e ir encontrando outros e novos volumes... (que talvez façam o amor pelo autor redobrar, ou provoquem uma decepção... isso tudo faz parte da vida!). (ABRAMOVICH, 1999, 143-144)
As crianças, na escola, lêem e lêem mais do que a maioria dos adultos. Bamberger confirma muito bem isto quanto diz que “em quase todos os países (excetuando-se a União Soviética), o número de crianças que lêem é duas vezes maior que o de adultos”. (1991, p.19).
Claro, a escola é campo fértil para se produzir leitura, aliás ela deve ser o espaço para o desenvolvimento das potencialidades, no que inclui-se o tornar-se leitor. Mas, a escola necessita ser preparada para isso, para não fazer da Literatura mero instrumento pedagógico com a finalidade de reproduzir padrões e valores da ideologia dominante. Ao contrário disso, a arte liberta porque transforma. (CAVALCANTI, 2002, p. 78)
Anteriormente, falou-se na linguagem como conseqüência da leitura. Para Carvalho, em relação a criança, a linguagem é o fator mais importante de realização.
Para a criança, a linguagem verbal é revelação, é descoberta contínua, que a encanta, desde que descobre maravilhada o som que ela própria pode elaborar, vibrando de entusiasmo, porque essa é mais uma atividade lúdica a seu serviço. (1989, p.201).
A criança, ainda cedo, gosta de ouvir a sua própria voz e a voz de outras pessoas. Ouvir histórias, versinhos, canções de ninar, tudo tem significado para a criança. E sob todos os aspectos a Literatura Infantil constitui o programa básico de sua formação.
O papel do educador é formar o gosto da leitura. Este é o primeiro trabalho para que a criança sinta o especial prazer de ler. Pois a boa leitura é aquela que “agrada, comove e instrui” (QUINTILIANO apud CARVALHO, 1989, p. 201).
Como educador destaca-se o papel do bibliotecário – profissional responsável em organizar e disseminar informações nas bibliotecas. Proporcionar oportunidades para uso de livros da biblioteca é sua tarefa primordial.
CAPÍTULO III 3 A BIBLIOTECA PÚBLICA
O termo biblioteca pública, como o próprio nome diz, é local para ser freqüentada pelo grande público das comunidades, preocupando-se com o atendimento às zonas urbanas e rurais.
Para Suaiden apud Sconholz,
É ela que oferece a oportunidade da democratização da vida cultural, seja através do acesso da população os bens culturais, seja através da formação indispensável dos conhecimentos, instrumentos e meios postos em uso pela prática cultural, seja pela participação ativa de cada um, na medida de suas possibilidades... no desenvolvimento cultural. (1984, p. 4).
O desenrolar histórico da biblioteca pública iniciou-se na era pré-cristã quando, ao contrário das particulares, passou a servir também a estudiosos e sacerdotes.
O tipo que mais se assemelha ao conceito moderno de biblioteca pública, foram as bibliotecas municipais surgidas em alguns países como Inglaterra, Escócia, França e Alemanha (século XV e XIX), criadas por doação de indivíduos ou por contribuição pública e confiadas à administração municipal.
No Brasil, as primeiras bibliotecas que se têm notícia são: a Biblioteca Pública Estadual, na cidade de Salvador, Bahia, em 4 de agosto de 1811 e a Biblioteca Estadual do Maranhão, em 29 de setembro de 1829. De lá para cá muitas outras foram fundadas nos diversos estados e também nos municípios e comunidades de todo o país.
Para entender melhor o que é uma biblioteca, é necessário conhecer suas missões e quais funções ela pode desempenhar.
Ela é o centro local de informações e deve permitir o pronto acesso dos usuários a todo tipo de conhecimento, independente da idade, raça, sexo, religião, nacionalidade, língua ou status social.
A biblioteca pública não possui apenas uma missão, pelo contrário, possui várias e todas elas relacionadas com informação, alfabetização, educação e cultura. São, portanto:
1. Criar e fortalecer o hábito de leitura nas crianças desde a mais tenra idade.
2. Apoiar tanto a educação individual e autodidata como a formal em todos os níveis.
3. Proporcionar oportunidades para o desenvolvimento criativo e pessoal. 4. Estimular a imaginação e a criatividade tanto de crianças como de jovens e adultos.
5. Promover o conhecimento da herança cultural e a apreciação das artes, realizações e inovações científicas.
6. Propiciar acesso às expressões culturais das artes em geral.
7. Fomentar o diálogo intercultural e favorecer a diversidade cultural. 8. Apoiar a tradição oral.
9. Garantir acesso aos cidadãos a todo tipo de informação comunitária. 10. Proporcionar serviços de informação adequados às empresas locais, associações e grupos de interesse.
11. Facilitar o desenvolvimento da informação e da habilidade no uso do computador.
12. Apoiar atividades e programas de alfabetização para todos os grupos de idade, participar deles e implantá-los se necessário. (ANTUNES, 2002, p.14)
É função da biblioteca pública prestar informações sobre o governo, serviços públicos e atividades úteis para as pessoas de um modo geral.
Outra grande função é, através das possibilidades de acesso às informações, contribuir para a formação continuada dos indivíduos, para o aprimoramento profissional, indo além do que o acervo oferece com programas especiais de palestras, exposições, concursos, etc.
Para isso é fundamental que o bibliotecário conheça bem o acervo da biblioteca bem como a comunidade onde a biblioteca se situa.
Mas a função primordial da biblioteca pública ou de qualquer outra biblioteca é incentivar e desenvolver no indivíduo (criança, jovem ou adulto) o prazer da leitura. O seu acervo literário, portanto, deve ser rico o suficiente para atender a todos. Principalmente às crianças que poderão ter acesso a livros de sua preferência e conhecer o que de mais novo já foi publicado.
Atualmente há o reconhecimento da necessidade de que toda a biblioteca pública tenha na sua estrutura, um setor voltado para a criança – o setor infantil. Dada a importância da contribuição da biblioteca pública ao desenvolvimento de leitores, o setor infantil assume papel de destaque em todas as bibliotecas.
Para que isso aconteça é interessante que a biblioteca possua um “cantinho”, com estantes, gravuras, esteiras, tapetes ou almofadas onde a criança possa sentar-se e manusear seus livros. E que, nela, o pequeno leitor se sinta bem, que goste de freqüentá-la e que deseje sempre voltar lá.