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Su (Âb, Mâ), Kevser, Selsebil, Zemzem, Zülâl

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O conceito de prevenção é o fundamento de toda a atividade de polícia, e este 24

pode exercer-se em diversos momentos: antes de o dano ocorrer, durante a ocorrência 25

do dano, adotando medidas que impeçam o alastramento dos danos e depois de o dano 26

ocorrer, através da aplicação de sanções136.

27

A esta trilogia temporal, podemos associar uma outra trilogia, à qual MANUEL

28

VALENTE designa por trilogia funcional de prevenção onde inclui a função de vigilância, a 29

função de prevenção criminal stricto sensu e a função de restabelecimento da paz 30

jurídica e social137.

31

132 Brito, M. N. (2013). Direito de Polícia…, (Vol. I, pp. 281-456). Coimbra: Almedina, p. 362. 133

Dias, H. V. (2012). Metamorfoses da Polícia…, p. 85

134 Brito, M. N. (2013). Direito de Polícia…, (Vol. I, pp. 281-456). Coimbra: Almedina, p. 364. 135 Brito, M. N. (2013). Direito de Polícia…, (Vol. I, pp. 281-456). Coimbra: Almedina, p. 364. 136

Quanto a esta matéria, em sede de Direito Penal aconselhamos a leitura de FIGUEIREDO DIAS quanto aos

fins das penas: Dias, J. F. (2004). Direito Penal: Parte Geral (2.ª ed., Tomo I). Coimbra: Coimbra Editora, pp. 43-85.

A função de vigilância, como ensina MANUEL VALENTE, consiste “em evitar que

1

se infrinjam os limites estipulados pelas normas jurídicas e pelos actos legítimos e legais 2

emitidos das autoridades destinados a defender e a garantir a segurança interna, a 3

legalidade democrática e os direitos dos cidadãos”138. Esta, para o autor, constitui a

4

função primordial da Polícia e a razão de ser desta, implicando dois dos quadrantes que 5

estudamos na tridimensionalidade (funcional) da polícia: a polícia de ordem e 6

tranquilidade pública e a polícia de natureza administrativa. 7

Assim, nesta fase, cabe à Polícia, como ensina MANUEL VALENTE, por um lado,

8

impedir a produção de lesões, a que MARCELLO CAETANO denomina de «danos», e, por

9

outro, implica “a organização de informação atinente para preparar a Polícia para intervir 10

em caso de lesões efectivas com o menor grau de afectação e restrição de direitos e 11

liberdades fundamentais de todos os cidadãos”139.

12

Dentro desta função, MANUEL VALENTE distingue dois momentos: a prevenção do

13

perigo, onde reina o primeiro quadrante – polícia de ordem e tranquilidade pública –, e a 14

prevenção de lesão (risco da lesão) do bem jurídico, que já nos reporta ao segundo 15

quadrante da tridimensionalidade da polícia – polícia de natureza administrativa. 16

Enquanto no primeiro momento ainda não estamos perante um perigo, cabe pois, à 17

Polícia “obter e recolher informação operacional que lhe permita deter um quadro 18

organizativo de conhecimentos teóricos e práticos que possam criar um modus operandi 19

eficiente e eficaz na reacção a uma futura ameaça concreta”140. Já no segundo momento,

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onde se encontra a polícia de natureza administrativa, esta já assume a existência de um 21

perigo, mas que ainda é policialmente permitido. É o caso dos toureiros, dos caçadores e 22

dos pugilistas. Nesta fase, cabe à Polícia a fiscalização destas atividades que envolvem, 23

apesar de permitido, um perigo, e no incumprimento da lei aplicar as medidas preventivas 24

administrativas e as medidas cautelares administrativas141.

25

A função de prevenção criminal strictu sensu, como ensina MANUEL VALENTE

26

“consiste em adoptar «medidas adequadas para certas infracções de natureza criminal», 27

que visam a protecção de pessoas e bens, a vigilância de indivíduos e locais suspeitos, 28

por meio da aplicação de medidas cautelares e de polícia, sem que se restrinja ou limite 29

desproporcionadamente ou com o abuso do excesso o exercício dos direitos, liberdades 30

e garantias142. Nesta função, como se pode depreender, estamos já na dimensão da

31

138 Valente, M. M. G. (2013). Do Ministério Público e da Polícia..., p. 308. 139 Valente, M. M. G. (2013). Do Ministério Público e da Polícia..., p. 308. 140 Valente, M. M. G. (2013). Do Ministério Público e da Polícia..., p. 313.

141 Quanto a este ponto, importa referir, que é neste quadrante da tridimensionalidade funcional da polícia e,

em consequência nesta segunda fase da função de vigilância que se desenvolvem os nossos 2 Capítulos que se seguem.

polícia de natureza judiciária, onde existe já um perigo policialmente não permitido, que 1

pode vir a lesar um bem jurídico. 2

Segundo MANUEL VALENTE, esta função compreende, também, duas fases: a 3

prevenção reativa à lesão do bem jurídico e a prevenção dos efeitos negativos colaterais 4

da lesão do bem jurídico. 5

Quanto à primeira fase, o autor considera esta o cordão umbilical entre a 6

prevenção criminal em sentido originário – isto é, a prevenção criminal associada apenas 7

ao Direito Penal – e a prevenção criminal lacto sensu, cabendo à Polícia enquanto OPC 8

reagir ao crime e atuar “reprimindo, quantum necessarium, a lesão do bem jurídico 9

tutelado criminalmente”143 e cuidar “dos elementos motivadores da decisão da acção

10

penal por parte do MP que fará a ignição da repressão criminal pelo tribunal”144.

11

Quanto à segunda fase, como afirma MANUEL VALENTE, os fins imediatos já não

12

são processuais, mas sim “humanitários e sociais”145. Cabe nesta fase à Polícia,

13

“promover todas as diligências no sentido de facilitar a intervenção médica, de 14

acompanhamento e orientação e informação dos direitos”146 da vítima de um crime. Nesta

15

fase, o autor acrescenta, ainda, que as medidas cautelares e de polícia desenvolvem-se 16

já num plano mediato e detêm natureza preventiva por prevenirem efeitos colaterais 17

negativos147.

18

A função de restabelecimento da paz jurídica e social, para o autor, “é o 19

culminar da prevenção criminal na sua globalidade face ao fracasso da prevenção 20

criminal da função de vigilância e só é alcançável quando a responsabilização do agente 21

do crime se rege pelos valores, princípios e axiomas e regras de um Estado servido por 22

uma Polícia e um MP subordinados à ordem jurídica material vigente e dignificante da 23

pessoa humana”148.

24

Nesta função, o autor divide, também em dois momentos: a prevenção geral e 25

especial, sendo esta, para MANUEL VALENTE “o estádio mais complexo e mais árduo da

26

acção de prevenção ampla por ser nele que se manifesta a repressão criminal do tribunal 27

e por ser nele que o sistema de justiça penal se apresenta à comunidade como garante 28

efectivo dos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos”149 e a prevenção científica,

29

que corresponde “ao estudo e análise do facto para posterior melhoramento da 30

143 Valente, M. M. G. (2013). Do Ministério Público e da Polícia..., p. 323. 144 Valente, M. M. G. (2013). Do Ministério Público e da Polícia..., p. 323. 145 Valente, M. M. G. (2013). Do Ministério Público e da Polícia..., p. 323. 146 Valente, M. M. G. (2013). Do Ministério Público e da Polícia..., p. 323. 147 Cfr. Valente, M. M. G. (2013). Do Ministério Público e da Polícia... 148 Valente, M. M. G. (2013). Do Ministério Público e da Polícia..., p. 312. 149 Valente, M. M. G. (2013). Do Ministério Público e da Polícia..., p. 324.

intervenção social, económica, educacional, urbanística, habitacional, política”150 e no

1

nosso entender até policial na dimensão da polícia de ordem e tranquilidade públicas151.

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