1.6. Stres Yönetimi
1.6.2. Stres Yönetiminde Örgütsel Stratejiler
Nosso corpus é composto por duzentos e trinta (230) textos produzidos por candidatos ao Concurso Vestibular (PSV / 2007) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. Esses textos fazem parte da prova discursiva de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira (v. anexo 01), composta por cinco questões. A produção da redação, nosso objeto de análise, constitui resposta à questão de número 05 da referida prova, a qual transcrevemos, na íntegra, a seguir:
Questão 5
Reflita sobre as opiniões acima e redija um artigo, a ser supostamente publicado num dos jornais da cidade, posicionando-se acerca da questão em foco.
Defenda seu ponto de vista fundamentando-se em argumentos.
(Como você não poderá assinar o artigo com o seu próprio nome, use o pseudônimo GIL POTIGUAR.)
Estatísticas apontam que, em 2020, os idosos deverão representar 13% da população brasileira, ou seja, mais de 30 milhões de pessoas. Com essa
previsão, o Brasil não poderá ser mais rotulado como “um país de jovens”. Isso tem suscitado uma discussão sobre a necessidade de prepararmo-nos para a velhice e, conseqüentemente, sobre o papel do idoso em nossa sociedade.
Segundo Dalmo Dallari(*), professor da Faculdade de Direito da USP, há divergência de opiniões. Para uns, o idoso “já deu a sua contribuição à
sociedade”; agora ele “é só um consumidor”, “deve conversar menos e atrapalhar menos”. Para outros, o fato de ter mais idade e ter-se aposentado não implica, necessariamente, “demissão da vida” e “começo da morte”, mas, sim, mudança de atividades.
(*) Disponível em:<www.dhnet.org.br/direitos/militantes/dalmodallari/dallari_ idosos.htm>. Acesso em: 25
agosto 2006.
Tomamos uma amostragem de 230 pacotes de redações da área de Humanística II, enumerados seqüencialmente de 105 a 335. Foi retirada uma redação (a primeira) de cada pacote. A escolha dos textos se fez, a princípio, através de um recorte com base em alguns critérios como: legibilidade, número de linhas (no máximo 15 linhas) e utilização de pelo menos duas ocorrências de enunciados modalizados de forma explícita e distintamente lexicalizados. Resultou desse recorte um total de 100 redações. Em seguida, foi feita uma releitura dessas 100 redações, excluindo-se aquelas muito fragmentadas, ou seja, sem progressão temática, nem coesão entre os parágrafos, de forma a comprometer a coerência de seus argumentos. Dessa seleção resultaram 78 redações. Depois, fizemos outro recorte, selecionando os textos por meio de critérios mais rigorosos no tocante à argumentação. Nesse recorte foram selecionados textos que apresentaram argumentação com um mínimo de coerência em suas idéias sobre o tema proposto,
já que pretendemos analisar a modalização como estratégia discursiva e seus efeitos de sentido para a construção da argumentação. Dessa seleção, obtivemos 60 redações. Esse recorte constitui nosso material de análise.
Os textos selecionados e analisados foram transcritos na íntegra e as cópias dos originais se encontram anexas a este trabalho (v. anexo 02).
Na análise desse recorte de 60 redações com que trabalhamos, percebemos que os recursos mais utilizados para modalizar os discursos foram:
a) verbos auxiliares modais poder e dever, com emprego tanto deôntico como epistêmico.
b) verbos de atitude proposicional: creio, sei, acho, penso.
c) construções de auxiliar + infinitivo: ter de + infinitivo, precisar (necessitar) + infinitivo; dever + infinitivo.
d) advérbios e locuções adverbiais: talvez, infelizmente, provavelmente, necessariamente, sem dúvida, com certeza.
e) substantivos e expressões que indicam opinião ou crença: na minha opinião, no meu ponto de vista, para mim.
f) adjetivo em posição predicativa: é necessário, é possível, é preciso, é certo, é claro.
g) orações modalizadoras: é verdade que, é fato que, é evidente que.
Vale destacar que o recurso à modalização nos textos dos candidatos foi bastante significativo: das 230 redações do nosso corpus foram bem poucas as que não apresentaram enunciados modalizados. Arriscamos dizer que, se feita uma leitura mais atenta, constatar-se-ia que todas elas de alguma forma apresentavam algum tipo de modalização, o que confirma nosso pressuposto de que os vestibulandos usam a modalização como uma estratégia para a construção de sua argumentação.
2.3 Metodologia
Conforme foi exposto na introdução, nosso propósito, neste trabalho, é analisar de que forma os candidatos ao vestibular utilizam a modalização como estratégia discursiva e que efeitos de sentido são obtidos por meio desse recurso. Na verdade, nossa intenção é analisar a relação desses candidatos com a escrita: como eles constroem sua argumentação, que recursos utilizam para defender suas teses e qual o domínio que eles têm da linguagem nessa modalidade e, especificamente, no gênero artigo.
Nas bancas de correção de textos do concurso vestibular de que participamos, percebemos a dificuldade dos candidatos para construir uma argumentação satisfatória. Dessa forma, decidimos analisar a argumentação em textos de vestibulandos, procurando evidenciar as estratégias que eles utilizam para a construção dessa argumentação, por considerarmos esse processo fundamental para a construção do sentido dos textos.
A escolha do texto dissertativo deve-se ao fato de ser este tipo textual mais propício para a construção de estratégias de argumentação, uma vez que requer de seu autor questionamentos e exposição de idéias sobre determinado tema. Para defender seu ponto de vista, o escritor precisa fundamentar-se em argumentos; estes são construídos através de estratégias a que ele recorre para dar ancoragem ao que diz. A modalização constitui um desses recursos, por isso a elegemos como nosso objeto de estudo. Para fazer a análise dos textos, adotamos os seguintes procedimentos:
a) Leitura dos textos, destacando os enunciados modalizados; b) Análise individual dos textos, observando o seu sentido global;
c) Análise interpretativa de cada parágrafo isoladamente, observando o grau de envolvimento do autor com o seu enunciado e o efeito de sentido obtido com o emprego da modalização.
d) Observação do domínio de linguagem do candidato (relações entre estratégias de modalização e aspectos lingüístico-textuais e discursivos).
Embora tenhamos analisado parágrafo por parágrafo, não fizemos uma análise isolada: a interpretação do parágrafo foi feita considerando sua inserção no contexto geral do texto. Também não isolamos, para análise, as ocorrências de modalização. Ou seja, não tivemos a preocupação de fazer uma localização tópica dos elementos responsáveis por esse processo, mas analisamos todo o complexo de elementos relacionados na argumentação. A análise dos enunciados modalizados foi feita também de forma contextualizada, levando em conta não só o parágrafo em que o enunciado aparece, mas também o sentido geral do texto.
Como a focalização da nossa pesquisa é a análise da modalização como estratégia argumentativa, destacamos, em nossa análise, todos os elementos implicados no processo de construção da argumentação, e analisamos os efeitos de sentido desses elementos lingüísticos em interação com os operadores de modalização.
Desde já queremos deixar claro que nosso trabalho é na área de Lingüística Aplicada, na qual encontramos suporte através de uma tradição já consolidada nos estudos voltados para o ensino-aprendizagem de línguas (CAVALCANTI, 1986; CELANI, 1992; MOITA LOPES, 1996; SIGNORINI & CAVALCANTI, 1998). Nesse sentido, não partimos de categorias pré-estabelecidas para comprovar teorias, ou seja, não adentramos o texto procurando as estratégias prontas para serem analisadas – partimos da análise do texto como um todo para as ocorrências. Assim, a leitura do texto demanda a teoria e fornece as ocorrências de modalização, bem como de outras estratégias argumentativas. Dessa forma, não faremos a análise da modalização a priori, mas a análise das redações, tendo como foco a construção da argumentação. Queremos destacar, também, que nossa abordagem será estritamente qualitativa. Esse procedimento envolve o trabalho com textos escritos (material empírico), sobre os quais será feita uma reflexão (DENZIN; LINCOLN, 2006). A escolha por esse tipo de pesquisa se deu porque esse procedimento favorece uma análise mais abrangente do material escolhido.
Para facilitar a compreensão do leitor, os textos dos candidatos foram transcritos em caixa de texto, com a mesma forma que lhes fora dada pelo autor, ou seja, preservamos a divisão de parágrafos, o mesmo número de linhas, a divisão silábica no final da linha e as inadequações gramaticais. Para dar uma forma que
mais se aproximasse da manuscrita, transcrevemos os textos em fonte Book Antiqua