1.4. Stres Kaynakları
1.4.2. Çevresel Stres Kaynakları
Dentro do corpus poético espanhol de José de Anchieta encontramos diversos poemas que tratam da figura de Maria, inclusive alguns já citamos. Objetiva-se aqui apontar os outros poemas que fazem parte desse recorte. O primeiro é Desconsolada (p. 456-458), que descreve a cena de Maria diante da cruz onde padecia Jesus. Cada estrofe vai intensificando a dor de Jesus e a dor de Maria, pois o poema marca através de suas escolhas lexicais um calvário para a mãe e para o filho que ora sofrem, é a dor do prazer, mas também é o prazer da dor:
No sabe al que dolerse,
la madre piadosa desconsolada viendo ya desfallerse su dulce vida, con figura lastimosa y afeada.
Na segunda estrofe, as rimas moría/decía criam a metáfora do choro de Maria, seu pranto pode ser ouvido à distância, toda a terra chora com ela:
con suspirar dolorosos sollozando, miraba su amor, Jesús, que se moría, y con ojos lagrimosos lamentando, a la muy penosa cruz, triste, decía:
A resposta ao verbo decía da estrofe acima é dada por Maria e é marcada pelo uso de aspas. Em seguida, o filho também fala com a mãe no intuito de consolar o sofrimento dela. Portanto, existem três vozes dentro do poema: o eu lírico que observa a cena e a transfere ao leitor, com toda a carga semântica, Maria fala ao filho e o filho responde a mãe. Nesse conjunto dialógico só falta uma voz, a do leitor, e esta surge quando ele toma contato com a poesia, quando ele ouve as três vozes em diálogo e é obrigado então a se juntar a elas e clamar o martírio da cruz. Mas ainda observamos outra voz, a do poeta Anchieta. A última estrofe é separada das outras com a inscrição O Autor, ou seja, Anchieta adentra a poesia como uma forma de intensificar o eu que superabunda este texto poético. Esse recurso estratégico é bem peculiar no poema Desconsolada, pois em nenhum outro do corpus lírico espanhol de Anchieta encontramos a marcação gráfica da voz do autor. No entanto, o eu poético muitas vezes fala por Anchieta e através das construções semânticas percebemos a ideologia anchietana, sua subjetividade, seu choro, sua angústia, sua culpa. Tudo a que se referem os textos da lírica espanhola pode ser reportado ao pensamento do padre Anchieta que
com sua poética se mostra quase nu, sem as vestes sacerdotais, com sua intimidade – sentimentos, pensamentos – aflorando no jogo dúbio de que são feitos seus textos:
O Autor:
¡Oh corazón maternal, por culpa mía con cuchillo de dolor, todo rasgado, curad mi llaga mortal, con mano pía, y seréis, somando yo, refocilado!
Anchieta se inscreve na poesia a fim de assumir a culpa de todo o sofrimento, não bastava aceitar a culpa pelo discurso do eu-lírico, foi necessária a sua aparição dentro do texto.
No livro Lírica Espanhola organizado pelo pe. Armando Cardoso S.J., o poema Desconsolada é disposto de forma diferente. Na edição de MPLM, o poema tem 20 estrofes com quatro versos, já para o pe. Armando Cardoso S.J., esse poema deve estar disposto em oitavas, com versos de 7 sílabas seguidos de um verso quebrado em 3 ou 4 sílabas. Então, a última estrofe, em que nitidamente surge a voz do poeta Anchieta, está assim:
O AUTOR
Oh corazón maternal, por culpa mía,
con chuchillo de dolor todo rasgado,
curad mi llaga mortal, con mano pía,
y seréis, sanando yo, refocilado! (1984, p. 89)
A tradução desta parte também feita por Armando Cardoso (1984, p. 151): O AUTOR
Ó coração maternal, por mão culposa, com duro cutelo meu, todo rasgado.
Curai-me a chaga mortal, com mão piadosa, e sereis vós, sarando eu,
refocilado!
Mais dois outros poemas podem se encaixar no tema de dedicação a Maria. Num deles, Maria fica mais evidenciada do que na outra. De Nossa Senhora (p. 501) é o texto lírico que promove uma adoração a Maria, o que caracteriza a devoção do santo pela santa, desde Tenerife, quando obteve sua primeira educação religiosa. Esse poema tem apenas três estrofes com sete versos, sendo que dos sete, três representam o refrão. Há um convite a louvar Maria, que é pequena mas também é grande:
¡oh nina, hermosa estrella, lucero de nuestra vida, chiquita como centella, mas de Dios engrandecida, y más honrada,
y más querida, sin pecado concebida.
O coro como recurso do canto recria o momento da missa católica no qual padre e congregação entoam seus cânticos de louvor a Maria. Esses dois sujeitos funcionam como um par dialógico, no qual se concentra o solo e o coro (repetido a cada fim de estrofe). Na oração cantada que é esse poema, Anchieta incute na colônia toda a ideologia sacro-santa de Maria. Os índios são, na sua inocência, levados a adorar o santo católico, porém precisam abandonar tudo em que crêem.
O outro poema é Corona de Rosas (p. 500), nele Maria surge como protetora dos homens. Seria destinado, provavelmente, à festa do Rosário (10 de outubro). Para Armado Cardoso S.J. o poema foi feito por volta de 1573 “quando chegou ao Brasil a notícia da vitória da armada cristã contra a turca no Mediterrâneo, perto de Lepanto, vitória atribuída à reza do rosário” (1984, p. 91).
O ambiente imagético do poema retrata uma guerra e Maria é uma guerreira que, devido às preces a ela feitas, por auxilio do rosário, promoveu a vitória dos cristãos sobre os turcos, o santo sobre o pagão. Então, as quatro estrofes descrevem as cenas da guerra tendo Maria como a líder da armada cristã. A santa usa dos instrumentos da batalha para a destruição do inimigo, e ao mesmo tempo usa o instrumento da reza, provocando um contraste:
y la pólvora el temor, el fuego, el divino amor, que de los peligros guarda su devoto servidor.
Numa linguagem simples e direta, Anchieta compara os objetos da guerra – pólvora, espingarda, fuego – aos que ele sempre anunciava como do divino – el rosario, el temor, el divino amor. Assim, na guerra existe a vitória para a terra e na missa quer-se a vitória para o céu, mas os dois artefatos filosóficos têm na morte sua base, porque em cada esfera, a morte traz a vida. O índio entende que deve entregar sua vida em favor da cristandade para aí somente alcançar a vitória tão arraigada nos sermões jesuítas. Há o deslocamento dos objetos da missa para a guerra. Idéia da missa como celebração eucarística, em que as imagens se deslocam para o futuro.