EK1.STRATEJİK PLAN HAZIRLAMA SÜRECİ VE YÖNTEM
2.ÇALIŞMA YÖNTEMİ
B) Stratejik Planlama Kurulu
Durante o exercício da pesquisa constantemente me chegavam pessoas oriundas da sociedade civil que, ao saberem do meu histórico de trabalho junto ao campo adotivo, me procuravam para esclarecimentos e encaminhamentos referentes à prática. Um destes casos me chamou particular atenção. Uma pessoa próxima ao meu núcleo de relações de amizade inferiu estar procurando uma criança para adoção. Disse, todavia, que um amigo próximo havia conseguido adotar uma criança de um grupo e que este grupo havia o entregue um bebê já com o registro de nascimento no nome do próprio pai adotivo. A pretendente a adoção então me questionava se deveria ou não buscar apoio desse grupo, pois havia ido ao Juizado da Infância e achado o processo de adoção muito complexo e difícil de ser executado. Durante o acompanhamento deste caso, fui percebendo diversas “irregularidades” nas práticas relativa a adoção no cotidiano das famílias, como o acesso a dados e informações de manuseio apenas dos abrigos, bem como, no caso mencionado, até mesmo o encontro entre uma criança que nem estava disponível a adoção, e que encontrava-se em acolhimento institucional foi realizado por profissionais da própria instituição de acolhimento.
Em minhas aproximações com o campo, ao longo dos cinco anos de estudos, militância e vivências em relação a adoção, esses casos apareciam comumente nas reuniões do GAAD. As pressões e tensões que vem sendo construídas pela sociedade civil visando conseguir poder de nomeação oficial, juntamente com o Estado, parece direcionar-se para uma tentativa de regulação das condutas de um terceiro grupo, este último, formado pela sociedade civil “leiga” que
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é o maior usuário das políticas públicas e das leis e que, historicamente, vem agindo em redes extra-oficiais, como no caso citado.
Esse terceiro grupo, composto em grande parte pelas famílias biológicas que entregam crianças em adoção (oriundas em sua grande maioria de famílias em situação de pobreza) e pais adotivos (de classes médias e altas) se interpõe no plano da prática cotidiana no sentido de exercer suas condutas baseadas ou não nestas leis e dispositivos. Todavia, esta relação se torna muito complexa e imbricada, pois, no que tange aos interesses dos grupos que estão aqui expostos, parece existir uma maior inter-relação (ao menos no plano do discurso) entre os GAADs e o subgrupo de pais e pretendentes à adoção, enquanto o Estado tenderia a uma proteção maior das famílias biológicas (mostrando assim uma inversão das simbologias da década de 80 e 90). Esta divisão se mostrou bastante nítida no 17º ENAPA onde a fala dos GAADs quanto a “destituir o poder familiar rapidamente” ou “estimular a presença da criança na família biológica?” tendeu a primeira proposição enquanto o Estado, cujo interesse parece ser o de evitar a todo custo uma modificação na simbologias de família reinante na lei (onde os vínculos biológicos ainda são os principais) trouxe falas no sentido de manutenção deste princípio.
Neste sentido, através de um discurso onde aparece como principal foco “o melhor interesse para a criança” poderia haver também um processo não consciente de dominação simbólica de classe, onde as tensões do campo adotivo se firmariam através das leis e disposições jurídicas que procurariam normatizar as ações dos indivíduos com uma tendência a prevalecer os interesses das classes que compõe os pais e pretendentes à adoção conforme discutido nesse capítulo. A preocupação que parece afligir e unir os membros de ambos os grupos (GAADs e Estado) é a dificuldade das leis se imporem no plano do cotidiano, como na fala da presidente da ANGAAD no ENAPA de Brasília: “estamos bem em legislação, o que falta é uma maior presença do executivo e judiciário junto à adoção”.
Neste mesmo encontro, uma juíza da infância e juventude de Brasília afirmou, enquanto se pronunciava sobre o “fim” das adoções “consentidas” na Nova Lei Nacional de Adoção afirmou:
“as adoções como um todo caíram cerca de 70 por cento em nosso estado. Isso depois do fim das adoções consentidas. Isto me leva a perguntar, para onde estão indo estas adoções?” (Brasília, 2012).
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A fala da representante do poder judiciário demonstra que, por vezes a legalidade social estimula a ilegalidade (como foi demonstrando nas falas acima relacionadas a emissão de tevê de 1998), que os processos de regulação de condutas através do Estado nem sempre conseguem efetivação junto às famílias que estão na ponta das políticas públicas e leis as quais, GAADs e Estado tanto se esforçam por construir e reconstruir ao longo destes 20 anos. O que estaria ocorrendo em relação as adoções consentidas seria a procura por uma brecha na Lei. De acordo com a Nova Lei de Adoção, as adoções consentidas são vedadas a menos que já existe um vínculo considerável entre pais e filhos adotivos. Isto levaria pessoas da sociedade civil a conseguirem uma criança através das redes interpessoais, e então, manterem essa criança em sigilo em relação ao pode
judiciário, levando-o apenas após existir “consideráveis vínculos” entre os indivíduos,
de forma a conseguir exercer uma adoção sem passar pelas longas filas de espera que fazem parte do sistema cadastral moderno no Brasil, em função dos
determinantes já discutidos nesse trabalho84.
Esta relação entre legalidade e ilegalidade no campo adotivo é um dos grandes objetivos hoje de luta dos atores sociais inscritos no poder de nomeação oficial. A tentativa de efetivar um sistema de adoções totalmente legal e condizente com os determinantes simbólicos instaurados por GAADs e Poder judiciário parece ainda ser um desafio sem resolução aparente, todavia, para melhor compreender e analisar essa afirmação seria necessário um trabalho de pesquisa maior junto a esses grupos, bem como um contato direto com as redes interpessoais fora da esfera da legalidade.
84 Existência de poucas crianças no perfil de adoção majoritário aptas à adoção e muitos pretendentes interessados nesse perfil inscritos no cadastrado.
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