5. PASAJ PLANINI ÇIKARTMAK
5.2. Standart Saat
Ao lado das imunidades tributárias conferidas ao patrimônio, rendas e serviços das entidades educacionais e assistenciais (art. 150, § 4º, da CF) – “expressão máxima do reconhecimento da importância das atividades desenvolvidas pelo Terceiro Setor”194 – e das isenções tributárias – “que consolidam o Terceiro
Setor como merecedor de especial atenção por parte do legislador tributário”195, os
incentivos fiscais aos doadores também enquadram-se como meio de fomento econômico financeiro indireto, pois retratam formas de promoção e incentivo da iniciativa privada na perseguição de fins considerados relevantes socialmente.
Desta feita, nas palavras de Leandro Marins, tais benefícios fiscais
194 SOUZA, Leandro Marins, Tributação do Terceiro Setor no Brasil, p. 301. 195 Ibidem, p. 301.
São previsões legais que não atuam no momento de definição da competência tributária – como o fazem as imunidades -, tampouco se dirigem a conformar diretamente a regra-matriz de incidência dos tributos sobre os quais incidem – como as isenções -, mesmo que sobre ela venham a repercutir. Configuram-se em dispositivos legais que, no intuito de incentivar o desenvolvimento das atividades relacionadas com o Terceiro Setor, como o são a educação, cultura, a saúde, o esporte, etc., criam benefícios específicos em favor de pessoas físicas ou jurídicas que resolvam investir nestas atividades, mediante a observância de determinados requisitos.196
Ocorre que os benefícios fiscais de que tratamos neste tópico não incidem diretamente sobre as entidades que compõem o Terceiro Setor, mas recaem sobre aqueles que com elas se relacionam realizando doações e investimentos nas atividades de interesse sociais que realizam e que, portanto, recebem o fomento estatal como forma de incentivá-los à prática de tais atos.
Neste sentido, com base principalmente nesta forma específica de fomento indireto, adotamos posicionamento no sentido de aceitar atividade administrativa de fomento direcionada às pessoas físicas, já que ao lado das pessoas jurídicas também recebem incentivos cujo objetivo é condicionar um dado comportamento esperado pelo Estado e com ele alcançar os objetivos de ordem social traçados pela Constituição.
No entanto, frisemos com primazia de que tais pessoas físicas, conquanto possam ser beneficiadas pela atividade promocional do Estado, não compõem o conceito de Terceiro Setor de que tratamos no capítulo I, pois não possuem como atividade principal a realização de um interesse público em colaboração com o Estado, como ocorre com as pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos que se dedicam às atividades de cunho nitidamente social, podendo, inclusive, receber qualificações e títulos públicos e com o Estado firmar parcerias para atuar de forma complementar na consecução de suas finalidades essenciais.
Após estas breves considerações, passamos a enumerar alguns incentivos fiscais concedidos aos doadores, que possibilitam a dedução de suas doações ou patrocínios da apuração da base de cálculo do Imposto de Renda. São elas:
a) Doações, por pessoas físicas ou jurídicas ao Fundo de Direitos da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.609/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente);
b) Doações, por pessoas jurídicas, a entidades civis sem fins lucrativos e de utilidade pública (art. 13, § 2º, III, da Lei nº 9.249/95);
c) Doações, por pessoas jurídicas, a instituições de ensino e pesquisa (art. 13, § 2º, II, da Lei nº 9.249/95);
d) Doações ou patrocínios, por pessoas físicas ou jurídicas tributados pelo lucro real, à projetos culturais (Lei nº 8.313/91 – Lei Rouanet);
e) Investimentos à atividade audiovisual (Lei nº 8.685/93 e Medida Provisória nº 2.228-1/2001 – Fundo de Financiamento da Indústria Cinematográfica - FUNCINE).
De posse da análise dos objetos estudados até aqui, passamos no próximo capítulo a tratar especificamente do Terceiro Setor propriamente dito, sob uma perspectiva estritamente normativa, começando por abordar como a Constituição Federal de 1988 e os dispositivos afetos a este setor tratam do tema, que se coloca entre o Estado e o mercado, desempenhando atividades relevantes para a coletividade e de forma complementar ao primeiro setor - o Estado -, passando, em seguida, a pormenorizar as entidades que compõem o chamado Terceiro Setor e tratar dos títulos e qualificações passíveis de concessão a elas pelo Estado, sem descuidarmos das novas proposições legislativas sobre o tema que vêm sendo discutidas em diversos cenários da sociedade e que merecem nossa atenção cuidadosa neste trabalho, como, por exemplo, o Anteprojeto de Lei Orgânica da Administração Pública e a Proposta do Estatuto Jurídico do Terceiro Setor.
CAPÍTULO III – TERCEIRO SETOR
3.1 O TERCEIRO SETOR À LUZ DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988
Como já tratamos no capítulo I, a organização administrativa do Estado e sua forma de atuação junto à sociedade, com maior ou menor intervenção, influencia diretamente no campo de desenvolvimento do Terceiro Setor e sua inserção no sistema jurídico de cada país.
Para verificarmos se há espaço no ordenamento jurídico brasileiro para a proliferação do fenômeno denominado Terceiro Setor, faz-se necessário verificarmos as normas da Constituição Federal de 1988, que nos autorizam afirmar ou refutar a possibilidade de crescimento e desenvolvimento deste setor no Brasil, bem como fixar os limites de sua atuação.
Extraímos de diversos dispositivos constitucionais que o modelo de Estado adotado a partir da vigência da Constituição Federal de 1988 é o Estado Social e Democrático de Direito.
Estado de Direito porque consagrado em inúmeras normas os princípios que lhe dão conformidade, tais como: a separação de poderes, entre legislativo, executivo e judiciário, independentes e harmônicos entre si (art. 2º, caput); a previsão de um rol de direitos e garantias individuais, que inclui, sobretudo, o princípio da legalidade (art. 5º, II e art. 37, caput); a supremacia da Constituição e um sistema rígido de alteração, que veda propostas de emendas constitucionais tendentes a abolir, dentre outros, a separação de poderes e os direitos e garantias individuais (art. 60).
Estado Democrático de Direito porque assegura em normas diversas a cidadania (art. 1º, II), a participação popular (art. 1º, parágrafo único e art. 14) e o pluralismo político (art. 1º, V), além de ser expresso no artigo que inaugura o texto constitucional (art. 1º, caput).
Ademais, os mecanismos de democracia participativa presentes na Carta Magna que garantem efetiva participação dos cidadãos e tornam instrumentalmente